A Madrasta
80 Capítulo 79 - Ligação Anônima
Notas iniciais
Capítulo 79 — Ligação Anônima.
— Está falando a verdade mesmo vovó? — Bella perguntou com os olhos cheios de lágrimas.
Após ouvir todas aquelas verdades dos lábios de Elizabeth a morena sentiu como se estivesse parada em frente um abismo. Desprezava Edward com todas as forças pois acreditava que ele tinha lhe abandonado a própria sorte, mas saber que além de tê-la ajudado como pode, ele lhe doou um pedaço de si lhe tirou o chão.
Tinha passado meses odiando alguém que não era verdadeiramente um monstro e sim, um simples ser humano que errou e se arrependeu tarde demais.
— A mais pura verdade, Bella. — Beth garantiu sentando-se novamente no sofá.
— Não pode ser... — Bella deu alguns passos para trás e sentou-se no outro sofá pois suas pernas estavam bambas e seus lábios, tremiam levemente de nervosismo. — Por que ninguém me contou isso antes? Meus pais... Eles sabem que Edward fez isso tudo por mim?
— Não, só sabem da doação de fígado. Poucas pessoas sabem o que meu neto fez por você pois ele preferiu guardar segredo durante esses anos todos.
— Pra que guardar segredo? Por que ele não me contou?
— Porque Edward não queria que você pensasse que ele fez essas coisas querendo algo em troca, Bella. Meu neto não é esse monstro que você pensa, ele errou demais sim mas de uma coisa você pode ter certeza. Ele te ama muito, tanto que seria capaz de dar a própria vida em troca da sua.
— Eu... — Bella ficou em pé, lambendo os lábios que estavam secos. — Preciso ficar sozinha vovó. — Falou saindo da sala, subindo correndo as escadas da mansão e entrando no quarto de hóspedes, onde se trancou e passou longas horas pensando em tudo o que Elizabeth tinha lhe revelado.
~*~
— Não importa, Charlie. — Edward se levantou da cadeira e ajeitou seu terno. — Meu médico está viajando, mas na volta ele pode confirmar meu álibi para o senhor. — Avisou virando o rosto. — Posso ir?
— Pode... — Charlie concordou vendo o ruivo dar as costas para ele e sair de sua sala. — Céus, será que Edward tem alguma doença grave? — Perguntou-se imensamente preocupado.
~*~
— Não fique assim, Jake. — Jessica disse fazendo carinho nos cabelos do advogado durante uma visita a casa do rapaz em busca de consola-lo pelo morte de Billy Black.
— Dói tanto, Jess... — O moreno desabafou com a cabeça no colo dela. — Agora estou completamente sozinho.
— Não, você não está. — A garota o tirou de seu colo e segurando o rosto dele entre suas mãos, o olhou nos olhos. — Você tem a mim e vai ter para sempre se quiser. — E em um impulso, Jessica fechou os olhos e uniu sua boca a do advogado que mesmo sendo pego de surpresa, retribuiu o afago dela.
~*~
Bella estava trancada no quarto de hóspedes há algumas horas quando Gail bateu na porta e avisou a mulher que tinha uma visita lhe aguardando no escritório. Depois de limpar suas lágrimas a morena retocou a maquiagem superficialmente e saiu do quarto, tendo uma grande surpresa ao deparar-se com alguém com quem não conversava há muito tempo.
— Tanya?
— Oi prima, acho que precisamos conversar, não? — A loira indagou se aproximando de Bella que nada disse, apenas bateu a porta para fecha-la e a encarou em seguida.
— De você só quero saber uma coisa. Por que mentiu naquele tribunal? Por que não contou ao juiz ou pelo menos a mim que James dava em cima da Alice e que foi esse o motivo do término do namoro de vocês?
— James não me traía só com Alice e sim com diversas mulheres, tantas que até perdi as contas durante nossos quatro anos de namoro mas sempre fiz vista grossa pois o amava demais. Sei que o que fiz foi muito errado mas não foi por mal, foi para me proteger. Se eu dissesse aquilo para alguém me tornaria suspeita naquele momento também.
— E aí você resolveu ser egoísta. — Bella completou fechando os punhos de raiva.
— Sim, mas você não pode dizer que não te apoiei, Bella. Te ajudei a formular sua defesa, te indiquei a melhor advogada de defesa que conheço, fiz tudo o que podia mas infelizmente mesmo assim você foi condenada e não sabe o quanto lamentei por isso.
— Será que lamentou mesmo? Quem me garante que não foi você quem matou James? — A colocou contra a parede.
— Me desculpe Bella, me desculpe por tudo mas saiba que jamais desejei seu mal. — Tanya lamentou chorando.
— Você não respondeu a minha pergunta. — Bella a lembrou com as mãos na cintura. — Você matou James? Se não matou o que foi fazer naquela madrugada no hotel? — A advogada arregalou os olhos com a pergunta dela. — Nas fitas de segurança eu vi você por lá naquela madrugada, priminha. — Sorriu irônica. — Então não tente me enganar.
— Eu... Tinha ido buscar algumas coisas que tinha esquecido, objetos pessoais, roupas, afinal, tinha ido embora as pressas de lá. Não acredita em mim?
— Não, não confio mais em você Tanya. — Foi até a porta do escritório. — Mas saiba que se estiver mentindo, em breve vou descobrir. — Garantiu abrindo a porta. — Agora por favor, me deixe sozinha. — Pediu e cabisbaixa, Tanya deixou o local.
Bella não estava mais conseguindo se recompor diante de tantas pressões.
Eram os filhos querendo saber a verdade sobre seu passado, a descoberta sobre o que Edward fez por ela e agora sua prima a quem tanto tinha apreço e que agora, era simplesmente uma incógnita pra ela.
Bella decidiu que necessitava de um tempo para por a cabeça em ordem e por isso, pediu a Gail que levasse suas coisas e refeições para o quarto de hóspedes onde passaria o resto do dia e noite trancada, tentando se recompor e decidir o que faria com sua vida dali pra frente.
~*~
— Está tudo bem filha? — Esme indagou curiosa ao notar que Alice estava muito quieta durante o almoço em sua casa.
— Não mãe, dias atrás tive uma visão que me deixou muito confusa. — A chef respondeu tomando um gole de água e olhando para os lados pois não queria que ninguém ouvisse sua conversa. — Vi uma faca ensanguentada sendo colocada dentro de uma gaveta, mas não sei de quem é a gaveta e isso está acabando comigo. — Desabafou passando a mão por seus cabelos. — Do que adianta esse dom se tudo sempre me vem em forma de código?!
— Acha que esse sonho significa que o assassino do Billy vai armar pra um de nós? — Esme questionou com a mão no peito, já sentindo um péssimo pressentimento.
— Sinceramente? Acho sim. — Alice respondeu mordendo o lábio e engolindo em seco. — Mas precisamos impedir que isso aconteça, só não sei como.
~*~
[...]
Anoiteceu.
E a escuridão traiçoeira da noite deu as caras através da pessoa que matou Billy Black.
Esta pessoa acabara de adentrar a Cullens Enterprises Holding, que já estava fechada pois era tarde da noite. Com roupas escuras e tomando cuidado para que a câmera não filmasse sua face, entrou em uma das salas e de seu bolso, tirou uma faca com leves sinais de sangue enrolada em um pano amarronzado.
A mesma faca foi guardada em uma das gavetas da mesa e em seguida o indivíduo saiu do local as pressas, tomando mais uma vez cuidado para que as câmeras não filmassem seu rosto coberto por um chapéu grande e óculos escuros.
Tinha cumprido seu objetivo e por sua culpa, alguém seria muito prejudicado no dia seguinte.
[...]
Algumas horas depois Jasper chegou em casa e quando Alice perguntara onde o marido esteve, o rapaz falou que mais uma vez estava no restaurante deles e mudou de assunto, dizendo para a esposa que assim como ela estava com vontade de se aproximar de Alec.
Carlisle também chegou em sua mansão, onde encontrou o filho e o neto jogando videogame juntos. Para Edward ele disse ter ido a uma reunião com um investidor coreano e que quando estava voltando para casa, encontrou Tanya passeando pelas ruas de Nova York que estavam sendo dominadas pela bonita neve do inverno.
Victória também chegara em casa tempos depois, assim como Aro. A primeira disse que estava jantando em um restaurante com uma amiga e o segundo, bebendo no bar por ainda estar muito abalado pela perda e traição de Billy. Alec desconfiou de ambos, não entendendo porque não conseguia acreditar em suas respectivas histórias.
[...]
Na manhã seguinte Charlie estava em sua sala na delegacia acompanhado de Rosalie analisando os resultados preliminares da perícia na casa de Billy Black.
— De acordo com a perícia, não havia sinais de luta ou defesa, nem de entrada forçada na casa. — Charlie comentou depois de ler o documento mentalmente.
— Sinal de que a vítima conhecia o assassino e por isso, entrou no local sem problemas. — Rose deduziu mordendo o lábio. — Mas isso não ajuda muito pois já desconfiávamos disso e... — A loira se calou ao ouvir o telefone da mesa do delegado tocar.
— Pois é... — Charlie atendeu a ligação. — O que? Onde? Espera... Quem é que está falando? Anda, responde! Merda!! — Esbravejou colocando o telefone de volta no gancho.
— O que houve chefe? — Rosalie perguntou curiosa.
— Recebi uma ligação anônima de uma pessoa dizendo que sabe onde está a faca que matou Billy Black. — Charlie explicou levantando-se da poltrona. — E se essa pessoa, que aliás temos que localizar imediatamente, estiver certa, a coisa vai ficar feia Rose... Muito feia. — Afirmou pondo sua arma na cintura e saindo da delegacia acompanhado da bela policial.
[...]
— Estava me preparando para o almoço, o que houve? Por quê invadiram minha sala desta forma grosseira? — Edward perguntou furioso assim que sua sala na empresa foi invadida por Charlie e Rosalie.
— Recebemos uma denúncia anônima dizendo que a faca que matou o senhor Black está aqui na sua sala, Edward. — Rosalie explicou bastante séria. — Não acho que deveríamos ter levado um trote idiota desses a sério, mas Charlie insistiu que deveríamos vir aqui. — Justificou se sentindo constrangida por estar agindo daquela maneira com seu próprio cunhado.
— Mas que absurdo — Edward riu se levantando de sua poltrona. — Não matei Billy, portanto, não faz sentido algum que a arma do crime esteja comigo, deve ter sido um trote gente! Não acredito que vieram perder o tempo de vocês com isso... — Riu novamente.
— Se foi apenas um trote você não se importará se vasculharmos sua sala, não é mesmo? — Charlie indagou arqueando a sobrancelha.
— Você tem um mandado Charlie?
— Não, mas se é inocente como afirma não se importará se dermos uma olhada, certo? — O delegado insistiu.
— Quer saber? Fiquem a vontade mas sejam rápidos pois quero passar em casa para almoçar com meus filhos para dar atenção a eles porque a Bella está trancada no quarto desde ontem sei lá por quê. — O empresário comentou dando a volta na mesa, se aproximando dos policiais e dando carta branca para que mexessem em suas coisas.
Rose, Charlie e mais dois policiais começaram a vasculhar a sala do rapaz e se surpreenderam ao encontrar na última gaveta da escrivaninha, uma faca levemente ensanguentada.
— Não pode ser! Isso... Isso não é meu! — Edward exclamou levando as mãos a boca.
— Não? Só que essa faca está justamente na sua sala. Lamento informar mas você está preso pela morte do senhor Billy Black, Edward.
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