A Madrasta
53 Capítulo 52 - Peça-Chave
Notas iniciais
— Eu... Não vou aguentar! Posso lhes dar um abraço? — Bella perguntou não conseguindo se segurar.
Era muita emoção estar de frente para seus filhos, precisava sentir o cheirinho deles, o calor de seus corpos.
— Abraço? Não costumo abraçar quem não conheço direito! — Renesmee negou franzindo o cenho.
— Por quê a senhora ta chorando? — Anthony perguntou dando uma olhada de rabo de olho para os avós e a bisavó que ainda estavam sentados no sofá totalmente sem reação diante daquela situação.
— Crianças, que tal irem na cozinha apressar nosso almoço enquanto conversamos um pouco com Isabella? — Elizabeth sugeriu e as crianças assentiram com a cabeça e saíram, pois não queriam muito papo com sua nova madrasta mesmo.
— Meus filhos... — Bella desabou ao sentar no sofá.
— Você precisa se controlar ou eles vão desconfiar de algo, Isabella. — Esme alertou a morena. — Imagino a emoção que esteja sentindo, mas por favor se acalme ou vai colocar seus próprios planos a perder.
— É Bella, você precisa se acalmar. — Edward pôs a mão sob o ombro dela.
— Eu sei. — A morena respirou fundo passando a mão pelo rosto para limpar suas lágrimas. — Vou me controlar, preciso me controlar. — Levantou-se firme. — Vamos almoçar logo de uma vez.
[...]
— De onde a senhora veio? Papai nunca falou sobre você até ontem. — Renesmee indagou durante o almoço para Bella, que já estava mais tranquila.
A menina queria saber um pouco mais sobre aquela misteriosa mulher.
— Eu? De Chicago onde estava... Trabalhando.
— Trabalhando com o quê? — Anthony perguntou tomando um gole de suco de uva, seu sabor predileto.
— Como professora de piano. — Pensou rápido e respondeu a profissão que sempre sonhara ter.
— Renesmee também gosta de piano, sabia amor? Ela queria aprender a tocar, disse isso pra mim outro dia. — Edward contou segurando a mão de Bella que teve que aceitar o chamego, para seus filhos não desconfiassem de nada.
— Se quiser que te dê aulas, adoraria Renesmee. Seria bom para nos conhecermos mais. — Isabella sugeriu sorrindo, mas a menina fez sinal de negativo com a cabeça.
— Não quero, obrigada. — Negou deixando sua mãe triste.
— Er... Temos um piano aqui Bella, se quiser tocar para nós qualquer dia adoraríamos. — Carlisle tentou animar a nora, que esboçou um breve sorriso.
— Como você e meu pai se reencontraram? Foi do nada é? — Anthony perguntou e a morena engoliu em seco.
— Como? Er... Foi no restaurante da tia e madrinha de vocês, a Alice.
— E ele te disse que não aprovamos esse noivado?
— Disse mais ou menos. — Nervosa, Bella pôs uma mecha de cabelos atrás da orelha.
— Pois vou dizer com todas as letras. — Ele ficou em pé. — Não aprovavemos essa união, é o cúmulo o papai se casar com alguém que reapareceu do nada na vida dele ou com qualquer outra pessoa que não seja nossa mãe. E fique sabendo Isabella que ninguém vai roubar o lugar da nossa mãe! Quer saber, esse almoço pra mim acabou, nem deveria ter começado aliás! — Anthony exclamou saindo furioso do lugar.
— Anthony! Volte aqui! — Edward gritou. — Renesmee, não faça isso! — Ordenou vendo a garota também abandonar o almoço e sair correndo. — Droga! — Resmungou jogando o guardanapo na mesa.
— Ah não... Eles não gostaram de mim. — Bella lamentou arrasada e se permitindo chorar, mais uma vez.
~*~
— Apaixonado? Mas que merda Jacob, pedi tanto para que ficasse longe daquela mulherzinha! — Billy resmungou nervoso após o filho lhe contar que estava apaixonado pela ex-detenta.
— Não fale assim da Isabella, ela não é nenhuma mulherzinha, pelo contrário é uma mulher muito interessante e bonita. — O moreno retrucou sentando-se a mesa para almoçar com ele.
— Como pode achar uma assassina interessante?! — Billy gargalhou.
— Assassina? O senhor tem mesmo certeza da culpa dela? Aliás, o senhor tem certeza que não viu mais ninguém no corredor naquela noite? Tem certeza que só a Isabella estava ali? — Jacob pressionou o pai.
— Está insinuando que menti no julgamento? — O cadeirante desviou o olhar. — Isso é um tremendo absurdo! Pare de tentar arrumar motivos para justificar o fato horrível de estar apaixonado por uma das piores inimigas do teu pai, de alguém que quer acabar comigo. Que decepção meu filho, que decepção! — Billy lamentou cobrindo o rosto com as mãos.
~*~
— Vai ser muito mais difícil do que imaginei. — Bella desabafou ao entrar no escritório da mansão, seguida por Edward. — Viu como eles me trataram? Como se eu fosse uma impostora e a culpa é sua por ter inventado essa mentira ridícula de que estava morta! — Acusou-o apontando o dedo para ele.
— Calma Bella, foi só um primeiro encontro. — O ruivo trancou a porta e se aproximou dela. — Olha, juro que vou fazer o possível para que as crianças aceitem nossa relação e que queiram te conhecer, porque quando isso acontecer eles vão te amar, o que não é nada difícil. Mas eles não vão amar essa Bella dura e fria que você se tornou, eles vão amar a Bella que você tem aí no fundo do seu coração. — Sorriu. — A menina sonhadora, inteligente, apaixonada e divertida. Sei que ela ainda existe aí e é ela quem vai conquistar Renesme e Tony.
— Aquela Bella não existe mais. — Virou o rosto.
— Existe sim, olhe para mim. — O homem ordenou e ela assim o fez. — Do mesmo jeito que aquele Edward que fui um dia ainda existe aqui — Apontou para o próprio coração. — Aquela Bella existe também. Ela só precisa voltar a florescer e só você pode fazer com que ela se liberte. Ela não precisa aparecer pra mim até porque não sou digno dela, mas para nossos filhos sim.
— Não sei se consigo isso. — Ela avisou chorosa.
— Se precisar da minha ajuda, sempre estarei aqui. Nunca mais vou te deixar sozinha, nunca mais cometerei esse erro do qual me arrependo de todas as formas possíveis. — E a puxou para seu peito, abraçando-a e por um momento, Isabella permitiu aquilo.
Estava precisando muito de um abraço, de um consolo pois ser maltratava por seus filhos lhe doeu amargamente.
Nos braços de Cullen ela encontrou consolo, carinho e aconchego.
— É melhor eu ir embora. — Bella falou afastando-se dele e indo até a porta.
— Tem certeza?
— Absoluta. Adeus! — Despediu-se secamente abandonando o escritório e deixando o rapaz sozinho.
~*~
— Não foi essa a educação que lhes dei! Como tiveram coragem de abandonar o almoço e tratar a noiva do seu pai daquele jeito crianças?! — Esme estava brigando com os netos no quarto de Renesmee.
— Desculpa vó, mas aquela mulher é louca. A senhora viu o surto que ela teve ao nos ver chorando daquele jeito?! — Anthony retrucou.
— Provavelmente estava chorando pra tentar nos comover, mas não estamos nem aí e não estamos com dó nenhuma dela. — Renesmee deu de ombros, mordendo os lábios e repetindo sem saber, um gesto parecido com o de sua mãe.
— Não foi pra comover vocês, ela realmente se emocionou com a situação. — Esme sentou na cama da neta. — Isabella passou por momentos muito difíceis na vida, por isso estava tão sensível e chorou, não a julguem sem conhecê-la!
— Ta certo vó! Pois bem, vamos investigar essa Isabella pra ver qual é a dela, mas de um jeito ou de outro acho que nós não vamos aceitar esse casamento. — Tony deixou claro, deixando a avó ainda mais preocupada.
~*~
— Quem é você?
Bella perguntou confusa ao chegar no hotel e encontrar uma mulher de costas parada em frente sua suíte.
— Não reconhece sua melhor amiga? — A garota virou-se.
— Jess? — Bella abriu um imenso sorriso para ela, correndo para seus braços para lhe dar um abraço apertado. — Não acredito que você está aqui!
— Irina conseguiu me tirar da cadeia e foi da forma mais louca possível. — Finalizou o abraço, afastando-se mas segurando as mãos da amiga. — Houve uma superlotação no presídio e decidiram liberar aquelas que já cumpriram dois terços da pena e euzinha tive sorte já que estava reclusa há séculos, você sabe.
— Que maravilha! — Isabella bateu palmas. — Até que esse problema da superlotação¹ serviu pra alguma coisa! — Ambos deram risada. — Você saiu da cadeia no momento certo amiga.
— E posso saber por quê?
— Porque você Jessica, vai ser peça chave nos meus planos de acabar com duas malditas pessoas. — Bella respondeu sorrindo.
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