A Madrasta
40 Capítulo 39 - A Volta
Notas iniciais
Capítulo 39 — A Volta.
— Sim, foi expedida uma ordem de soltura ontem e há essa hora, sua ex-mulher já está fora da prisão.
— Não pode ser! Isabella não pode ser solta justamente agora que minha vida estava entrando nos eixos. — Furioso, deu um soco na mesa. — Sem contar que meus filhos ainda são crianças, não vão entender o que houve, não era pra ser assim!
— Calma, se você já está assim, imagina como o tio Aro ficará quando souber? Afinal, ela foi acusada de matar o filho dele. — Black raciocinou ficando tenso. — Mas precisam manter a calma neste momento.
— Tô pouco me lixando para o desgraçado do Aro. Jacob, acha que ela vai ter coragem de voltar para cá? Quer dizer, que vai voltar eu sei que vai, mas vai vir imediatamente? — Edward continuava muito nervoso.
— Eu era muito novo quando tudo aconteceu e morava longe, só vi sua ex algumas vezes, mas pelo que meu pai fala da personalidade de Isabella, com certeza virá para cá. — Respondeu coçando a cabeça.
— Ela não pode voltar, não agora. Pensei que faltavam sete anos para ela sair de lá, aí sim tudo daria certo, mas se Bella aparecer agora não sei o que vai ser dos meus filhos, eles vão sofrer muito e vão me odiar para todo sempre. — Afirmou engolindo em seco.
~*~
— Tem certeza que quer mesmo ficar aqui? Sei que já estamos no avião, mas ainda está em tempo de desistir. — Tanya indagou apertando o cinto de segurança da aeronave, já que estava perto do momento de pouso.
— Não vou desistir, não vejo a hora de pousarmos prima. Sei que aqui é meu lugar e acredite, vou até o fim com meus planos, sem dó, nem piedade. — Bella garantiu totalmente segura de si.
~*~
Desde que soube que Bella obteve liberdade, Edward não parava de andar de um lado para o outro de sua sala. Pediu a sua secretária para que não fosse interrompido por ninguém pois queria ficar sozinho para pensar, mas a verdade mesmo é que estava quase enlouquecendo.
Durante dez anos criou os filhos sozinho e mentiu para eles. Sempre imaginou que quando Bella saísse seus filhos já seriam maiores de idade, mas no momento eram apenas adolescentes.
Não queria que sua mentira fosse descoberta pois isso desestabilizaria as crianças, esta era sua maior preocupação.
E faria tudo o que fosse preciso para que isso não acontecesse.
— Quem é?! Já disse que quero ficar sozinho! — O rapaz exclamou ao ouvir batidas em sua porta.
— Sua secretária me disse que queria ficar sozinho, mas achei que depois de tantos anos afastados estivesse com muita vontade de rever seu lindo irmãozinho! — Emmett brincou entrando na sala do irmão.
— Mano, quanto tempo! — Edward foi até o moreno e lhe deu um abraço apertado. — Que saudade!
— Muito mesmo, quase dez anos, mas agora que troquei de time voltei para ficar! — Deu dois tapinhas nas costas do irmão. — Mas que cara é essa maninho? E não venha dizer que não é nada porque te conheço muito bem. — Olhou fixamente para Edward que além de irmão, sempre fora seu melhor amigo.
— Ah Emmett... Fiquei sabendo de uma coisa assustadora. Isabella está livre! — Revelou afrouxando o nó de sua gravata. — Parece até que consigo ouvir ela me ameaçando, dizendo que ia acabar com minha vida. Sempre soube que esse momento ia chegar, mas jamais imaginei que fosse ser tão rápido. — Sentou-se na beirada da mesa.
— Ela não vai ter coragem de te fazer mal, deve ter dito isso de cabeça quente. Bella sempre te olhou com tanto amor maninho, acompanhei tudo de perto, sei do que estou falando.
— Mas esse amor acabou há tempos cara, pelo menos da parte dela.
— Mas pode vir a renascer. — Aproximou-se dele.
— Queria muito acreditar nisso, mas não tenho esperanças. Ainda tem essa acusação de assassinato, não tem como explicar essa história para as crianças sem que sofram, elas não iriam entender.
— Mas a Isabella se disse inocente, lembra? Acredito nela e outra, nós não estávamos lá na hora do crime para ter certeza de nada. Sabe... Nunca entrou na minha cabeça ver minha cunhada como uma assassina e sei que lá no fundo, você também sente que ela é inocente. Enfim, o que pretende fazer? — Sentou-se na cadeira que havia ali pois estava exausto pela viagem.
— Proteger meus filhos dela, mesmo que para isso tenha que bater de frente com a Bella. — Avisou vendo o irmão fazer sinal de negativo com a cabeça, reprovando sua atitude. — Vamos mudar de assunto, o que vai fazer agora? Já vai pra casa?
— Antes de mais nada vou ver a mamãe, o papai e depois, visitar nossa irmãzinha. — Contou referindo-se a Alice. — E quem sabe, a Rosalie. Ela ainda mora com eles?
— Mora sim e hoje é uma grande investigadora da polícia de Nova York, trabalha com o Charlie aliás e ganhou até medalhas pelo trabalho. Você vai se surpreender com a Rose, está ainda mais linda do que antes. — Edward contou sorrindo.
— Deve estar mesmo. Se ela não tivesse terminado comigo quem sabe como estaríamos hoje? Talvez casados, com filhos. Ou sei lá, viajando pelo mundo felizes — Deu um sorriso triste.
— As vezes também penso isso com a Bella. Acho que seria o homem mais feliz do mundo se ainda estivesse com ela. Mas fiz tudo errado e a perdi para sempre. Só espero que ela não faça nada que possa afetar nossos filhos pois isso não irei permitir.
~*~
[...]
— Nossa, estou exausto. — Charlie, delegado da cidade de Nova York resmungou, entrando em sua casa que ficava na zona leste da cidade.
— Boa noite, querido. — Renée, que agora era uma mulher madura de cabelos castanho claros foi até seu marido e lhe deu um selinho.
— Hoje foi um dia cansativo na delegacia. — Charlie se sentou no sofá e coçou seu bigode.
— No hospital também. Querido, amanhã viajarei de novo. — Renée se aproximou dele.
— Para onde? — A olhou de relance.
— Chicago, pra visitar nossa filha como sempre, já que o dia de visitas está chegando. — Explicou quando batidas na porta foram ouvidas. — Quem será há essa hora?! — Renée desvencilhou-se do marido, foi até a porta e a abriu. — Filha? — Abriu um lindo sorriso ao ver Isabella bem na sua frente. — Estou sonhando?!
— Não está não, mãe!! — Bella entrou em casa e foi abraçada pela loira, enquanto Charlie ficou parado sem reação, não acreditando no que estava acontecendo.
— Mas como você pode estar aqui? É você mesmo filha? — Renée acariciou o rosto da morena chorando de emoção.
— Sim, Irina finalmente conseguiu me tirar da prisão já que cumpri boa parte da pena e tive bom comportamento depois daquela maldita tentativa de fuga. — Sorriu. — Mas não avisou vocês porque queria fazer uma surpresa. — Olhou para Charlie. — Não vai me dar um abraço pai?
— Claro que vou minha filha! — Ele foi até a jovem, beijou o topo de sua cabeça e lhe abraçou forte. — Estou muito feliz que finalmente esteja livre, não sabe o quanto.
— Também estou. — Beijou a bochecha dele e sorriu.
— Venha querida, sente-se. — A mãe dela lhe acompanhou até o sofá. — Por que decidiu voltar antes? Deveria ter nos avisado que estava solta. Eu e seu pai iríamos imediatamente para Chicago te buscar.
— Eu sei, mas a senhora sabe, tenho muitas pendências aqui, não quero perder tempo.
— Está pensando em ir atrás do seu ex-marido, não é? Edward foi um canalha no passado e com certeza ainda é. — Renée alertou-a.
— E quem disse que quero voltar pra ele? A única coisa que me interessa são meus filhos. Aliás, como eles estão? Vocês tem visto a Ness e o Tony ultimamente? Sei que tinha combinado que não queria que me passassem informações sobre eles enquanto estive na cadeia para não sofrer mais, só que agora quero saber de tudo. — Falou animada e seus pais se entreolharam.
— Sim, mas só de longe. Faz parte do acordo que fizemos com seu marido, uma espécie de pacto no passado. — Renée explicou.
— Pacto? Mas como assim? Isso não está certo. Como avós, vocês tinham todo o direito de ver as crianças. Mas imaginava que Edward manteria longe qualquer pessoa que lembrasse a mim. — Suspirou triste. — Mas ele vai pagar por isso também.
— Pretende ir mesmo atrás dos seus filhos? — Charlie perguntou já imaginando que isso não iria dar certo.
— Sem sombra de dúvidas. Vou atrás das crianças e provarei minha inocência em breve, disto o senhor pode ter certeza.
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