A Madrasta
32 Capítulo 31 - Pacto
Notas iniciais
— SOCORRO!! — Bella gritou pela janelinha que tinha na porta acinzentada de ferro. — ALGUÉM ME TIRA DAQUI! — Gritou tentando abrir a porta, sem sucesso. — Não sei pra que tô pedindo socorro, ninguém vai me salvar mesmo. — Sentou-se no chão gelado. — Esse lugar tem um cheiro horrível... — Fez uma careta. — Aquela desgraçada nem disse quanto tempo vou ficar aqui. — Ouviu um barulho. — Tem alguém aí? — Forçou a vista tentando enxergar algo. — Um rato? — Suspirou ao ver que o bichinho estava ao seu lado. — Ei, vem cá. — Pegou o animal nas mãos. — Você está bem sujo, hen? Qual seu nome? — Fez carinho nos pelos. — Hum... Acho que você é uma ratinha. Sabia que tenho um hamster de estimação? — Sorriu. — Se chama senhor Jingles, em homenagem há um filme que vi anos atrás. Vou te chamar de senhora Jingles, aí quando sair daqui vou te levar pra casar com meu hamster. Sabe, eu conversava muito com meu bichinho, mas como ele não ta aqui você vai ser minha nova amiga. Quer ser minha amiga? — A ratinha fez outro barulho. — É, acho que quer. — Deu risada. — Hoje foi um dia difícil, o pior da minha vida. Além de estar condenada, o cara que eu mais amava nesse mundo simplesmente me pediu o divórcio. E agora estou sozinha. Quer dizer, não exatamente. Sou grata a cada um que me ajudou nos depoimentos como a vovó Cullen, mas outros como o Aro, esses tenho muito ódio, vontade de dar o troco. E vou dar, não duvide disso. Mas o pior de tudo é saber que por culpa do desgraçado do Edward, vou ficar sem meus filhos por muitos anos, talvez pra sempre. — Algumas lágrimas escorreram de seus olhos. — Meus filhos, tão lindos. Não os vejo há sete meses. Será que um dia ainda os verei? Vou sim, tenho fé nisso! Pode demorar dez, vinte anos mas um dia ainda abraçarei Renesmee e Anthony.
[...]
Dias depois...
[New York]
— Já faz 15 dias que Edward está nesse estado. Passa os dias e noites trancado no quarto, mal come, mal fala com as crianças. Estou tão preocupada, não seria melhor chamar um médico? — Esme indagou durante o café da manhã da família Cullen.
— Um médico comum não poderá ajuda-lo porque a doença do meu irmão é na alma. — Emmett respondeu tomando um gole de suco.
— Está difícil para todos nós. — Carlisle comentou enquanto passava geléia em seu biscoito. — Perdi muito dinheiro durante esses meses, ainda mais porque estou tendo que me virar sozinho, sem meu filho do lado. Pra pagar favores a pessoas da imprensa e assim, esconder esse escândalo todo tive que vender algumas empresas e atualmente, nosso maior bem é a Cullens Enterprises Holding. Até nossa casa de campo, fazenda e casa de praia estou tendo que alugar. Enfim, não está fácil. — Desabafou.
— Nossa... — Elizabeth comentou surpresa com todas aquelas novidades ruins. — Vou te dar auxílio, filho.
— Obrigado mãe! — O loiro agradeceu beijando a mão dela.
— Bom dia. — Todos arregalaram os olhos ao se depararem com Edward.
De terno e gravata pretas, bem vestido, barba feita e cabelos alinhados, o ruivo carregava sua maleta de trabalho nas mãos.
— Filho? Que bom que está aqui. — Esme sorriu ao ver que o filho parecia bem mais animado.
— Acho que já chorei e sofri o suficiente, não? — Indagou tomando um gole de leite. — Liguei pra Alice e pedi pra que marcasse uma reunião com todos, incluindo os Volturi. A reunião será as oito da noite, no bistrô do Jasper.
— Por que chamou os Volturi? — Beth questionou incomodada.
— Porque o anúncio que farei valerá pra eles também. Sei que rompemos com aquela família, mas querendo ou não eles ainda farão parte do nosso convívio por causa da empresa.
— E que anúncio será esse maninho? — Emmett perguntou curioso.
— Todos saberão hoje a noite. — O homem respondeu misterioso. — Ah Carlisle, voltarei para a empresa hoje.
— Ótimo filho, estou precisando muito da sua ajuda. — O CEO respondeu aliviado.
~*~
— Olha, não sei se vou poder participar dessa tal reunião, pois os exames pra entrar pra polícia me tomam muito tempo. — Rosalie avisou enquanto se arrumava para sair.
— O que será que Edward quer conosco? — Jasper questionou mordendo o lábio.
— Não sei, mas sinceramente senti meu irmão tão frio, nem parece o Ed de antes. — Alice comentou fazendo uma careta.
— Também, depois de tudo que meu cunhado passou vai ser muito difícil que ele volte a ser o mesmo Edward de antes.
— Pior é a Bella que está presa e toda ferrada. — Rose lembrou da amiga. — Coitada, deve estar sofrendo muito. Vou visita-la assim que tiver um tempinho livre. — Fez planos.
~*~
— Viajar? Por que isso agora Mett? — Esme indagou surpresa com a decisão do filho.
— Mãe, não consigo esquecer a Rose e ficar aqui não vai me ajudar. Meu empresário disse que recebi uma proposta de um time muito importante de Londres e vai ser bom me afastar um pouco de todos esses problemas.
— Vou sentir tanto sua falta. — A morena abraçou o filho fortemente.
— Também sentirei falta de todos vocês, mas não importa onde eu esteja, os Cullens sempre poderão contar comigo. — Emmett prometeu retribuindo o abraço.
~*~
— O que será que os Cullens querem conosco? Não tinham cortado relações? — Victória perguntou ao pai enquanto dava papinha para Alec.
— Aposto que aquela velha se arrependeu das grosserias que me fez no julgamento e vai pedir desculpa com o rabo entre as pernas. Vai ser bom porque é péssimo para meus planos que nos afastemos daquela família chata. — Aro respondeu sentando-se no sofá. — Depois do julgamento, nem o imbecil do Carlisle tem falado comigo direito.
— Só espero que possamos tirar alguma vantagem dessa reunião, pai. — Victória falou mordendo os lábios. — Do contrário, vai ser pior pra eles.
[...]
Anoiteceu.
No horário marcado todos estavam reunidos no restaurante de Alice e Jasper, que foi fechado exclusivamente para esta reunião a pedido de Edward.
— Obrigada por terem vindo.
Enquanto todos estavam sentados em uma enorme mesa de jantar, o jovem Cullen era o único que estava em pé.
— Estou muito curiosa com o que tem a dizer, mano. — Alice disse enquanto tomava um gole de vinho.
— Imagino que todos estejam, mas vou lhes explicar. Todos vocês sabem do que passei nesses últimos meses, todos viram minha dor, dor esta que não existe mais. Durante esse tempo dias tomei decisões importantes que serão ditas a vocês agora.
— De que tipo de decisão está falando? — Billy perguntou curioso.
— A partir de hoje tudo que aconteceu de janeiro até aqui será apagado da mente de cada um de vocês.
— Quê? Não entendi nada querido. — Victória deu risada.
— Estão vendo essa mulher aqui? — Edward pegou uma foto de uma jovem loira de olhos azuis e cabelos longos até o meio das costas. — Essa mulher é Catherine, minha esposa que faleceu em julho deste ano em um grave acidente de carro na Rússia.
— Como é que é?! Você enlouqueceu Edward? — Charlie perguntou com as sobrancelhas franzidas.
— Pelo contrário, estou mais lúcido do que nunca. Catherine foi uma boa mulher, uma grande mãe... — Deu um sorriso triste.
— Edward, você só pode estar louco sim. O nome da sua esposa é Isabella e é minha filha! — Charlie fechou a cara.
— Não, não é. Vou me divorciar da Isabella muito em breve e ela será apagada da minha vida e dos meus filhos. Não pensem que foi fácil tomar esta decisão. Na verdade foi a mais difícil que tomei na vida, mas agora vou até o fim com ela.
— Espera... Deixa eu ver se entendi. — De pé, Renée olhava para o genro incrédula. — Você vai fingir que minha filha não existiu e irá forjar uma mãe de mentira para meus netos?
— Exatamente. — Ele confirmou e todos o olharam chocados. — Meus filhos não vão passar a infância e adolescência visitando aquela mulher na cadeia. Muito menos vão crescer com o peso de saberem que a própria mãe é uma assassina, que traiu o marido com o melhor amigo dele.
— Você não tem o direito de fazer isso, Edward. — Beth interviu nervosa.
— Tenho sim vó. Olha, te amo e te respeito muito, mas essa decisão é minha e os filhos são meus, eu os crio e decido o que é melhor pra eles. — Respondeu e a contra-gosto, Elizabeth se calou.
— E qual seria nossa vantagem nisso tudo? Agora que os Cullens e os Volturi romperam não tenho motivos para me calar. — Aro avisou sorrindo.
— Sei que não vai ser de graça. Sei que minha família vai respeitar e aceitar minha decisão, mas que os interesseiros não vão. Por isso, Aro, Billy e Victória, vocês receberão uma boa quantia mensal para que fiquem de boca fechada.
— Só que eu e Renée não aceitamos dinheiro, muito menos compactuar com essa mentira. — Charlie deixou claro e o ruivo engoliu em seco.
— Eu já imaginava. Por isso infelizmente vocês terão que cortar relações com meus filhos, pelo menos até mudarem de ideia. Me desculpem, lamento muito mas prometo que sempre receberão notícias constantes sobre as crianças.
— O que vai fazer é desumano, Edward. — Renée o olhou enojada.
— É para o bem da Ness e do Tony. É para que tenham uma vida tranquila e feliz. Se vocês querem realmente a felicidade das crianças, aceitarão isso. Senhores, peço que façamos um pacto de silêncio esta noite. Que juremos por tudo que é mais sagrado que não iremos revelar as crianças sobre o que aconteceu com minha ex-mulher.
— E no futuro? Daqui vinte anos minha filha sairá da cadeia.
— Eu sei Charlie, mas até lá eles já estarão crescidos, maduros. Aí sim entenderão minha mentira e talvez, quem sabe, possam construir uma relação com Isabella. Mas com ela livre, na cadeia jamais. Sei que muitos de vocês não concordam com minha ideia, nem esperava que concordassem, só peço que respeitem e que tentem entender que tudo isso será feito por amor aos meus filhos, que são a coisa mais importante da minha vida. E aí, juram?
— Eu juro. — Victória foi a primeira a concordar, seguida de Aro e Billy.
— Também juro. — Alice disse e Jasper assentiu com a cabeça.
— Juramos. — Carlisle falou por si e por Esme.
— Não concordo, mas te apoio irmão. — Emmett pôs a mão sob o ombro dele.
— Você é um monstro Edward, como me arrependo de ter concedido a mão da minha filha a você. — O delegado falou de punhos fechados. — Mas Renée e eu não poderemos impedir essa loucura, só espero que isso realmente seja o melhor para meus netos.
— Desculpe senhor. — Edward baixou a cabeça sem conseguir encara-lo. — E você vó? — Virou-se para a senhorinha.
—Tenho certeza que você está cometendo o maior erro da sua vida meu neto, mas por amor te apoiarei. — A velhinha disse e o rapaz beijou sua mão carinhosamente.
— Muito obrigado a todos por jurarem. — Agradeceu satisfeito.
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