A Madrasta
12 Capítulo 11 - Senhor Jingles
Notas iniciais
Um ano depois...
New York, final de 2004.
— Você prometeu que só seriam alguns meses Edward, mas já se passou um ano e ainda estamos aqui! — Bella reclamou com a cara amarrada.
— Calma, meu amor. — O rapaz, que já estava estagiando na empresa da família, tentou acalma-la enquanto se arrumava em frente ao espelho. — Você não está pensando em entrar na universidade? — Tentou fazer um nó em sua gravata, sem sucesso.
— Que tem isso? — A morena foi até ele para fazer o nó.
— Com quem o Tony vai ficar enquanto você estiver estudando? Aqui em casa tem minha mãe, a vovó, as empregadas.
— Já ouviu falar em babá senhor Cullen? — Apertou o nó e se afastou.
— Sim, mas nunca é a mesma coisa.
— Na boa, não aguento mais morar nesta casa e ter que conviver com pessoas que não gosto. — Revirou os olhos, cruzando os braços e indo até a janela olhar o jardim, onde estavam Carlisle, Esme e Charlie brincando com o pequeno Anthony que já estava dando seus primeiros passos.
— Está se referindo a Victória não é? — Colocou seu terno e olhou para os lados em busca de sua maleta. — Bella, essa sua implicância com ela faz cada vez menos sentido porque a Vic nunca mais deu em cima de mim e ultimamente, você sempre está ao meu lado quando ela está aqui.
— Aham. Não adianta né, você nunca vai acreditar que aquela vadia não presta. — Riu, mas era de nervoso.
— Amor, sei que a Victória talvez não preste, mas até hoje ela nunca nos fez mal por isso, não tenho porque ter raiva dela. — Foi até a esposa e pôs as mãos sob os ombros dela, os massageando. — Para com esse ciúminho bobo e vamos focar em nós dois, no nosso filho e no novo integrante da nossa família. — Beijou o topo da cabeça dela.
— Novo integrante? — Bella virou-se para ele com uma cara de interrogação. — De quem está falando? Quem está grávida?
— Ninguém está grávida, meu amor. A noite, quando eu voltar você vai entender, okay? — Deu um selinho nela.
— É sério que pretende me deixar curiosa o dia inteiro, Edward Cullen? — Indagou batendo o pé e o ruivo sorriu indo pegar sua maleta que estava sob a cômoda.
— Super sério. Te amo, fui! — Piscou para ela, abriu a porta do quarto e saiu deixando a morena ainda mais curiosa.
~*~
— Poxa Rose, pensei que quando começasse a namorar o Emmett fosse acabar com essa vida de balada, mas já se passaram dois anos e você está cada vez pior. — Jasper reclamou vendo a irmã chegar em casa de manhã, após uma noite inteira em boates bebendo e dançando.
— Não é porque estou namorando que sou obrigada a viver trancada dentro de casa, comandante Hale. — A loira ironizou se escorando na parede e tirando seus sapatos.
— Você tem dezoito anos, já terminou o colégio e mal está estudando para o vestibular! Como acha que vai conseguir ser aprovada em uma universidade?! — Desligou a televisão e ficou em pé medindo a irmã de cima a baixo.
— Essa parte de ser a ovelha branca e pura da família eu deixo para você, Jaz! O garoto prodígio, que está finalizando o curso de gastronomia para em breve se tornar o chef de cozinha número um de Nova York. — Jogou a bolsa no chão e sentou-se no sofá toda esparramada.
— Sei que você zomba por eu ser "careta"... — Fez aspas com as mãos. — Mas tudo que tô fazendo é para o nosso bem pois a fortuna dos nossos pais não vai durar pra sempre e temos que nos manter. Além do mais, fazer uma faculdade, trabalhar, casar e ter filhos é super normal, não sei porque você implica tanto com isso.
— Por quê implico? — Ficou séria. — Nossos pais seguiram toda essa cartinha clichê e olha o que aconteceu com eles? Mal paravam em casa, viviam para o trabalho e quando deram por si, já estavam mort... Você sabe. Eu só quero curtir a vida e cada minuto como se não houvesse amanhã. Será que estou tão errada assim?! — Perguntou cobrindo o rosto com as mãos para que ele não visse suas lágrimas.
— Ainda não superou a perda deles né? — Aproximou-se dela, sentando-se ao seu lado e segurando sua mão.
— Por acaso você superou? — Perguntou olhando para o loiro que engoliu em seco.
— Não, mas estou seguindo em frente e tentando fazer as coisas do jeito certo. Não é porque eles tiveram aquele fim que você também terá, maninha. — E deu um beijo carinhoso na bochecha dela e a puxou para seu peito, onde Rosalie se permitiu chorar.
~*~
— Ele ta crescendo tão rápido querida. Há pouco tempo era um bebê de colo e agora já está andando, daqui a pouco já vai estar na escola, depois na faculdade. É, estamos ficando velhos. — Carlisle disse observando Charlie jogando bola com Anthony.
— Por favor, acabamos de chegar aos quarenta. Não estamos ficando velhos, não ainda. — Esme retrucou tirando os óculos escuros e olhando para o marido que estava ao seu lado em uma mesa que tinha no quintal. — Você continua um lorde, como quando te conheci. — Piscou para ele.
— E você está cada vez mais maravilhosa, Esme. — Segurou a mão dela e beijou.
— Esse rapazinho aqui não tem nem um metro e meio, mas já tem uma energia danada. — Charlie falou se aproximando deles com Tony em seu colo.
— E pensar que vocês dois eram contra a gravidez da Isabella. — Vovó Beth comentou se aproximando deles. Carlisle se levantou rapidamente e puxou uma cadeira para que sua mãe, já idosa, se sentasse. — Agora estão aí, babando pelo meu bisneto. — E deu risada.
— Como assim vovô Chalie? — Anthony perguntou para o xerife que riu ao ver que o garotinho continuava pronunciando seu nome errado.
— Sua bisavó quis dizer que você é muito amado por cada um de nós. — Deu um beijinho na testa do neto.
— Sabe o que devíamos fazer? — A matriarca dos Cullen pegou um copo de suco e bebeu um pouco do mesmo. — Uma viagem, como aquelas que fazíamos quando seu pai era vivo. — Sugeriu olhando para Carlisle que assentiu com a cabeça. — Essas viagens sempre ajudam a estreitar e fortalecer nossos laços de família.
— Aquelas viagens eram muito agradáveis, mãe. Nos divertiamos tanto! — O loiro comentou sorrindo. — Quer saber, é uma ótima ideia. Vamos todos viajar! — Decidiu.
— Vou pedir para que uma das empregadas nos tragam algumas revistas de viagens para que possamos ver os pontos turísticos. — Esme falou tocando um sininho. Logo uma das domésticas apareceu e a mulher fez seu pedido.
~*~
— Seu irmão me contou que você passou a noite na balada. — Emmett estava em seu quarto na mansão e após acordar, ligou para a casa de sua namorada, mas antes de passar o telefone para ela, Jasper avisou o cunhado sobre a irmã ter aprontado na noite anterior.
— Que dedo duro. — A jovem revirou os olhos. — De qualquer forma, já ia te contar. Fui com algumas meninas que estudavam comigo no colégio, mas juro que não fiz nada de errado. — Deitou-se em sua cama e bocejou, pois estava com muito sono.
— Rose, não estou preocupado se você me traiu ou não e sim, com essa vida desregrada que você anda levando. Não acha que está na hora de se estabilizar? Veja o caso da sua amiga Bella. Está casada com meu irmão, tem um filho lindo e está muito feliz.
— Está sugerindo que nos casemos? Gatinho, você acabou de fazer vinte e um anos, é novo demais, assim como eu. Não quero apressar as coisas como eles fizeram, muito menos morar aí nessa casa com todos os seus parentes.
— Qual o problema? Pensei que gostasse da minha família.
— E gosto pra caramba, mas ainda quero viver muita coisa antes de me amarrar há um casamento. Mas que fique claro que quero viver tudo isso com você, te namorando e te curtindo.
[...]
— Emmett? Não vai me responder? EMMETT?
— Vou me arrumar para o treino, até mais Rose.
— Não vai me mandar nem um beijinho?
— Ta certo... Beijo.
— Beijos, te amo.
Depois de desligar o telefone, o rapaz se levantou da cama e suspirou. Era maluco de paixão por Rose, mas tinha medo que ela pirasse de vez e acabasse fazendo uma grande besteira com sua vida.
~*~
— Estou em semana de provas, já sei que vou sofrer. — Tanya comentou enquanto comia no refeitório da universidade ao lado de Alice.
— Imagino, as provas de direito devem ser bem mais difíceis que as minhas de gastronomia. — A morena disse pondo uma garfada de comida na boca.
— Mas vai valer a pena. Tenho certeza que ainda vou ser uma grande advogada de defesa. — A loira de cabelos cacheados sorriu, olhando para James que estava em sua rodinha de amigos do outro lado do salão. — Minha vida anda maravilhosa, tanto no profissional quanto no pessoal.
— Continua namorando o James? Te falei que ele não prestava. — Alice ficou séria lembrando-se da visão que teve.
— Sim, James e eu estamos muito bem, obrigada. — Bebeu um pouco de suco pelo canudinho vendo a amiga revirar os olhos. — Se vai falar daquela visão que teve outro dia, melhor nem começar.
— Mas eu tive mesmo e nela você e ele discutiam e depois, você chorava.
— Isso é totalmente normal amiga! Ou vai dizer que nunca brigou com o Jaz? Não dizem por aí que amar é sofrer? Pois então! Para de implicar com o James, isso ta ficando chato demais. — A repreendeu.
~*~
[...]
Já era noite e Bella estava no quarto de Anthony com o mesmo no colo. Seu filho lembrava muito Edward por conta dos lindos olhos verdes. Já os cabelos castanhos foram puxados dela e as feições quadradas, de Charlie. Após cantarolar uma música de ninar, a jovem o deitou no berço.
— Sabe filho, quando conheci seu pai e me apaixonei por ele, pensei que não existia amor maior que o que senti naquele momento, mas depois que tive você sinto um amor infinito aqui dentro, uma vontade de te proteger que não consigo explicar. — Lágrimas caíram de seus olhos enquanto ela pegava na mãozinha dele. — Vamos estar sempre juntos Tony, mamãe promete, viu?
— Boa noite, amorzão. — Edward saudou abrindo a porta do quarto e entrando. Em suas mãos estava um objeto grande coberto com uma manta.
— Boa noite, meu amor. — Bella disse baixinho apontando para o bebê para que ele sacasse que Tony estava dormindo.
— Hum... — Deu um selinho nela.
— O que é isso na sua mão? — Bella franziu o cenho e ele se afastou e tirou a manta do objeto, revelando uma gaiola bege com um bichinho dentro. — O que é isso? Um rato? — A morena deu risada. — Onde você arrumou isso?
— Comprei ué. Amor, dê as boas vindas para o mais novo integrante da nossa família! E não é um rato, é um Hamster. Fala sério, fui super criativo, não? — Entregou a gaiola para ela.
— Realmente foi, normalmente as pessoas compram animais de estimação comuns como cachorro, gato e papagaio. — Ergueu o objeto para o alto, reparando no ratinho que era pequeno, branco e tinha os olhos bem pretos.
— Não quis ser clichê. — Piscou para ela. — Precisamos arrumar um nome para ele. Se Anthony fosse maiorzinho poderia sugerir, mas o máximo que ele fala é papá e mamá. — Brincou gargalhando.
— Cuidado, não quero que Tony acorde pois custou muito coloca-lo para dormir. — Deu um tapa no braço de Edward. — Que tal senhor Jingles?
— Igual no filme Á Espera De Um Milagre?
— Você também assistiu? Lembro que chorei pra caramba no final do filme, quando o cara bonzinho ia para a cadeira elétrica. Deve ser horrível ser um acusado de um crime que não cometeu, não sei se suportaria... — A jovem ficou triste ao pensar no assunto.
— Nem eu, mas gostei do nome! Está decidido, nosso Hamster vai se chamar senhor Jingles. Agora nossa família está completa de vez. Eu, você, o Tony e o senhor Jingles — A puxou para si abraçando-a.
— Depois podíamos comprar uma ratinha para o senhor Jingles não ficar tão sozinho. — Sugeriu, arrancando uma risada dele.
— Ótima idéia, agora venha, vamos dormir. — Entrelaçou sua mão a dela.
— Onde o senhor Jingles vai ficar? — Bella perguntou saindo do quarto lado a lado com ele.
— Por enquanto no nosso quarto. Amanhã falo com a mamãe e pergunto onde podemos deixa-lo. — O ruivo respondeu entrando no quarto deles e fechando a porta.
— Okay, mas então hoje vamos só dormir. Não pretendo transar na frente do senhor Jingles. — Bella pôs a gaiola sob a cômoda.
— Não seja por isso. — Cullen colocou a manta sob a gaiola. — Pronto, agora ele não vai ver nada. — Agarrou a morena por trás e beijou seu pescoço.
— Sabia que você anda cada vez mais safado senhor Cullen? — Virou-se para ele e começou a desabotoar sua camisa.
— É que a cada dia que passa, te amo e te desejo mais. — Respondeu enquanto ela tirava sua gravata.
— Eu também te amo cada vez mais, Edward. E vou te amar pra todo sempre. — Prometeu e seu marido lhe beijou apaixonadamente.
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