A Madrasta
8 Capítulo 7 - Casamento
Notas iniciais
New York, 11 de Março de 2003.
— Daqui algumas horas, você vai passar por um dos momentos mais importantes da sua vida. Como se sente Edward? — Carlisle perguntou ao entrar no quarto do filho.
Ainda eram sete da manhã, mas o ruivo já estava em pé. Na verdade, mal tinha dormido de tanta ansiedade por conta de seu enlace, afinal, não é todo dia que se casa com a mulher que ama.
— Nervoso, com medo. Medo de dar tudo errado... Medo dela dizer não na hora do sim e principalmente, de não fazê-la feliz como prometi. — Desabafou vendo seu pai sorrir.
— Venha filho, sente-se aqui. — Apontou para a cama. — Sabe, sempre imaginei que Alice seria a primeira a casar, não você.
— E o Emmett? — Edward questionou sentando-se e pondo uma almofada sob suas coxas.
— Aquele ali sempre foi doidinho, desde criança. Agora que está com Rosalie deu uma sossegada, mas mesmo assim acho difícil que se case tão cedo! — Sentou-se de frente para o filho sorrindo. — Enfim, quer ouvir uma história?
— Claro! — E respirou fundo.
— Quando conheci sua mãe éramos um pouco mais novos que você e Bella. Eu tinha acabado de passar na universidade quando nos casamos. Nossos pais não aceitaram muito bem na época por sermos muito novos, assim como aconteceu contigo, mas com o tempo as coisas melhoraram. Um mês depois descobrimos que ela estava grávida, assim que voltamos da nossa lua de mel que foi em Paris.
— Então vocês chegaram a ter filhos biológicos? Dessa não sabia. — Edward franziu o cenho confuso.
— Foi uma gravidez difícil. Esme perdeu o bebê aos sete meses e como sequela, ficou estéril para sempre. Nunca contamos isso a vocês pois é um assunto que ainda magoa muito a sua mãe. As vezes, durante a madrugada ela ainda chora por isso.
— Imagino... Esme é tão boa, não merecia sofrer assim. — Emotivo, Edward deixou uma lágrima cair de seus olhos.
— Ela molhava o travesseiro de lágrimas todas as noites. Aquilo era como uma facada para mim, pois o amor que sinto por sua mãe é muito grande. Tudo que queria era vê-la bem, que sorrisse de novo. Foi quando tive a ideia da adoção. Diferentemente de outros países em que há orfanatos, no nosso estado não há. Os orfãos costumam ficar na casa de pessoas que se oferecem para cuidar deles temporariamente e foi desse modo que você, Emmett e Alice vieram parar aqui.
— Eu me lembro. Era muito pequeno, devia ter uns seis anos... Mas lembro de quando entrei nesta casa pela primeira vez. Achava que era um palácio e que o senhor era o rei e a Esme, a rainha. — Sorriu lembrando-se de sua infância.
— Quando Esme viu vocês três, voltou a sorrir. E naquele momento eu soube que tudo ficaria bem e que seríamos felizes de novo. E foi exatamente o que aconteceu. Formamos uma família linda, da qual tenho grande orgulho.
— É... O senhor estava certo. Só espero que a gravidez da Bella seja calma e tranquila pois não aguentaria vê-la sofrer. Quero protegê-la de tudo que possa lhe machucar, lhe magoar.
— Tenho certeza que tudo correrá bem meu filho. Sabe... É curioso imaginar que daqui alguns meses você será pai. Tem ideia do que isso representa?
— Confesso que me assusto as vezes quando penso sobre. Mas pode ter certeza que farei o possível e impossível para ser o melhor pai que essa criança poderá ter. Eu tive a sorte de ter sido adotado pelo senhor, que é um grande homem e acho que tenho o principal para começar bem essa nova fase que é o amor.
— Exatamente filho. Se existe amor, tudo sempre ficará bem. O amor é como uma semente que deve ser regada todos os dias para que cresça forte, bonita e com as raízes firmes por isso, cuide do seu amor pois nos momentos mais difíceis da sua vida é ele quem vai te salvar.
— Eu vou cuidar para que o meu amor e da Bella seja sempre puro, forte e infinito, como a tatuagem que fizemos tempos atrás.
— Mas para que o amor de vocês seja infinito, é necessário que você tenha confiança nela e pelo que vejo, deve tomar cuidado com seus ciúmes. O ciúme é um mau conselheiro, Edward. Se ele não for dominado da maneira certa, pode acabar te cegando. Vocês podem passar pelas piores provações do mundo mas tendo amor, união e confiança, irão sempre superar tudo.
— Pode deixar, pai. Tomarei cuidado com o ciúme que sinto por ela. Que foi? — Perguntou vendo o loiro sorrir.
— É raro você me chamar de pai e toda vez que ouço fico assim... Meio bobo. — Falou emocionado.
— Eu amo o senhor pai, mesmo não te chamando sempre por esse nome. É que você e Esme são muito jovens ainda, mas te amo muito, nunca se esqueça disso. — E o abraçou fortemente, totalmente emocionado com a conversa deles.
~*~
[...]
A Catedral de St. Patrick, uma das mais famosas de Nova York, localizada na Quinta Avenida de Manhattan estava em festa. Toda dourada e decorada com rosas vermelhas, as preferidas de Isabella.
De estilo gótico e elegante, a igreja tinha longas colunas douradas, bancos amarronzados com mais de trezentos convidados do círculo de amizade dos noivos e de seus familiares e um lindo altar onde as famílias Cullen e Swan aguardavam nervosamente o início da cerimônia. Apesar de parecer que todos estavam felizes, não era bem o que realmente estava acontecendo.
— Tomara que a Isabella caia e pague o maior mico quando entrar nesta igreja. — Victória praguejou entre os dentes. — Que ódio... Era pra eu estar casando com o Edward, não aquela mosca morta sem graça.
— Fale mais baixo filha. Ninguém pode perceber que estamos detestando estar aqui. — Aro a repreendeu entre os dentes. — Todos devem pensar que estamos felizes e contentes com essa cerimônia cafona. — Acenou para Carlisle no altar e sorriu para ele.
— As vezes esse lance de ser hipócrita irrita. — A ruiva resmungou revirando os olhos. — Tenho vontade de jogar tudo para o alto e fazer um grande escândalo, mas vou me controlar, já que não tenho saída.
[...]
Edward estava nervoso.
No altar, mexia em sua gravata borboleta preta de minuto em minuto. Por mais que Esme cochichasse em seu ouvido que precisava se manter calmo, o jovem não conseguia se controlar.
Tinha medo que Bella desistisse e que deixasse de lhe amar. Sabia que se isso acontecesse algum dia, não suportaria. A amava de uma forma que não conseguiria viver sem ela.
Mas logo descobriu que estava sofrendo a toa pois uma música começou a tocar e as enormes portas douradas da igreja se abriram, revelando sua pequena e linda Bella.
Ao lado de Charlie, que vestia um elegante terno preto e gravata vermelha, Bella usava um vestido longo branco de mangas compridas liso e delicado, com calda e véu. Seus cabelos estavam decorados com uma presilha de prata e presos em um elegante coque. Sua maquiagem era leve e realçava sua beleza com maestria e em suas mãos, havia um belo buquê de rosas brancas.
Seus lábios finos e delicados tremiam levemente assim como suas mãos. Estava nervosa quase tanto quanto ele. Tinha medo de tropeçar enquanto caminhava pelo tapete vermelho da igreja ou de gaguejar quando tivesse que responder o reverendo, mas mesmo assim mantinha um sorriso aberto no rosto pois sua felicidade era maior que seu nervosismo, ainda mais quando seu olhar se encontrou com os olhos verdes do noivo que brilhavam intensamente enquanto ela vinha a seu encontro.
A futura senhora Cullen caminhava olhando para os convidados que eram em sua maioria, pessoas queridas. Tanya, Alice, Jasper, Emmett, Rosalie, seus colegas do colégio, sua mãe, seus sogros no altar e... Edward.
Seu querido Edward estava a sua espera. Parecia até um príncipe e ela, a princesa de contos de fadas que realizaria enfim o sonho de viverem juntos para todo sempre. Casar nunca fora exatamente um sonho para ela. Só queria ficar perto de Edward, se possível eternamente. E se casando era a maneira de conseguir isso, pois bem, se casaria.
— Está entregue. — Ao chegar ao altar, Charlie beijou o topo da cabeça de sua menina e olhou para Edward com aquela cara carrancuda de sempre. Era seu jeito de pedir para que ele cuidasse bem dela. O ruivo entendeu o recado e assentiu com a cabeça. Em seguida, o delegado entregou a filha para ele que sorriu ao vê-la mais de perto.
— Você está linda. — Cochichou baixinho no ouvido dela, dando seu habitual sorriso torto.
— Você também. — Respondeu sorrindo para ele.
Dentro de poucos minutos, estaria enfim casada. Era tanta novidade. Se casaria e daqui alguns meses seria mamãe de uma criança que com certeza seria muito amada. O reverendo, Herbert, deu início a cerimônia.
— Hoje viemos aqui celebrar o casamento de dois jovens apaixonados com uma vida inteira pela frente. Duas vidas que querem se unir para seguirem seus caminhos juntos, lado a lado. O casamento é uma união eterna e que ao longo dos anos amadurecerá vocês que ainda são crus, mas tem uma coisa muito importante que é esse sentimento lindo e infinito.
Edward segurou a mão direita de Bella. A jovem notou que ele estava bem mais nervoso que ela e se acalmou com isso. Enquanto ouviam a voz do reverendo, se entreolhavam se sentindo cada vez mais ansiosos para enfim dizerem o sim. O sim que mudaria suas vidas de uma vez por todas.
— Se alguém tiver algo contra essa união fale agora ou se cale para sempre.
Era a deixa para que Aro impedisse o casamento, mas ele não conseguiu ter nenhuma ideia que pudesse realmente separar o casal por isso, decidiu se calar.
— Repita comigo. — O reverendo pediu ao noivo e começou a falar baixinho o que ele deveria dizer, pedindo-o para que ficasse de frente para a noiva.
— Eu, Edward Cullen, te recebo como minha esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza enquanto eu viver. — Ele disse olhando nos olhos dela.
— Eu, Isabella Marie Swan, te recebo como meu esposo e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza enquanto eu viver.
— Edward, aceita se casar com Isabella?
— Aceito. — Ele afirmou dando um sorriso torto.
— Isabella, aceita se casar com Edward?
— Claro que sim. — A morena respondeu sem pestanejar.
Alice segurou o buquê da cunhada para que ela pegasse a aliança, que era feita de ouro maçico e tinha o nome dos noivos cravados na lateral dela, e colocasse no dedo do marido.
Na vez de Edward ele se atrapalhou um pouco, mas conseguiu colocar a aliança no dedo da jovem e então ambos olharam para o reverendo, que estava prestes a declamar a famosa frase.
— Em nome da igreja eu os declaro casados. Pode beijar a noiva! — E então, o casal voltou a se olhar.
— Eu te amo. — Bella disse.
— Eu também te amo. — E uniu seus lábios aos dela, dando um selinho carinhoso e uma grande salva de palmas foi ouvida por todos.
Bella sorriu e levou a mão a nuca dele aprofundando o beijo e invadindo a boca do rapaz com sua língua atrevida. As palmas aumentaram e até assovios foram ouvidos. Edward tinha certeza que este último, vinha do maluco Emmett.
Após finalizarem o beijo, ambos se viraram para os convidados e sorriram, sentindo os flashs das fotos sob eles e então, caminharam de mãos dadas pelo tapete vermelho para fora da igreja junto com os convidados. Ao chegarem na porta, jogaram arroz sobre eles seguindo a tradição. Foi quando Bella viu James — que fora um dos padrinhos — vindo em sua direção.
— Parabéns amigão. — Abraçou Edward dando uns tapas em suas costas.
— Obrigada cara. — Edward sorria feito bobo, tamanha a felicidade que sentia.
— Parabéns Bella. — James a abraçou e ela retribuiu, mas se incomodou quando sentiu a mão sacana do moreno deslizar por sua cintura e aperta-la levemente.
— Obrigada. — Bella o afastou pondo as mãos no peito dele e fechando a cara.
— Está tudo bem? — Edward perguntou vendo que sua mulher ficara estranha.
— Sim. — Bella mentiu, tentando melhorar o semblante para que ele não desconfiasse de nada.
Era o dia mais feliz da vida dela.
O dia de seu casamento e nada, nem ninguém atrapalharia sua felicidade.
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