A Madrasta
45 Capítulo 44 - Proposta
Notas iniciais
— Surpreso em me ver? — Ela perguntou sorrindo.
Isabella estava deslumbrante.
Com um vestido um palmo acima dos joelhos justo, verde, que torneava seu corpo, sandálias pretas, cabelos esvoaçantes, olhos marcados com um delineador preto, rímel e em sua boca, um belo batom vermelho.
Edward não conseguiu evitar e acabou mordendo os lábios.
Ela estava linda e desejável como sempre.
Nem parecia que tinha ficado presa por tantos anos e por um momento ele se permitiu sorrir, pois a alegria de vê-la livre era enorme, mas logo lembrou-se que Bella estava em sua casa e que seus filhos, que achavam que estava morta, poderiam surgir a qualquer minuto.
Se a vissem ali, como explicaria aquela situação?
— Não! — Exclamou indo até ela e segurando seu braço de forma rude. — Você não pode ficar aqui. — A puxou para fora da mansão até o jardim, mesmo vendo que a chuva começara a cair.
— Me solta! — Bella tentou se desvencilhar dele mas não conseguiu pois Edward era mais forte que ela, pelo menos fisicamente.
— Está louca? Por que veio até aqui?! — Soltou o braço dela. — Não pode agir desse jeito.
— Vim falar com você, não soube que fui solta?! — Levou a mão ao braço levemente dolorido.
— Soube, mas você não pode aparecer aqui em casa do nada, temos que conversar muito antes. — Passou a mão pelos cabelos já molhados pela chuva.
— Vim aqui por causa dos meus filhos! Eu os quero de volta Edward! — Avisou lhe encarando. — Como teve coragem de inventar pra eles que estou morta? Que tipo de pessoa você é Edward?! — Bateu no peito dele o empurrando, sentindo as gotas de chuva se misturarem com suas lágrimas cheias de mágoa e ódio.
— Que tipo de pessoa sou?! — Sorriu irônico. — O tipo de pessoa que quer proteger os filhos pois foi isso que fiz. Sei que errei, mas na época achei melhor inventar que você estava morta do que dizer que estava na cadeia por assassinato! — Segurou os braços dela para que parasse de lhe atacar.
— Não cabia a você decidir isso. — E chorou amargamente tentando se soltar dele de todas as maneiras.
— Realmente, como disse errei muito e me arrependo disso. Mas preciso que vá embora, desculpa, mas as crianças não podem lhe ver. — Segurando o braço dela com mais leveza, Edward a acompanhou para fora do portão da mansão onde um táxi estava parado. — Não ouse aparecer aqui sem avisar, pense um pouco nas crianças e vai me entender. — A colocou dentro do táxi e fechou a porta.
— Isso não vai ficar assim! — Bella gritou de dentro do carro batendo com a mão no vidro mas o empresário não disse nada, apenas deu as costas para ela e entrou de volta em sua casa.
O táxista ligou o carro e saiu de lá com Bella chorando, totalmente descontrolada.
Já Edward entrou em casa e foi apressadamente para seu quarto.
Assim que fechou a porta permitiu que as lágrimas que tanto segurou caíssem de seus olhos.
— Não. — Murmurou pegando os cobertores e lençóis da cama e jogando-os no chão. — Não era pra ser assim! — Pegou um vaso e jogou-o contra o espelho da cômoda, quebrando-o em mil pedaços. — Não queria ter te expulsado dessa maneira meu amor, mas não tive escolha. — Se ajoelhou no chão quando Carlisle entrou em seu quarto.
— Céus, o que houve filho?! — O homem perguntou trancando a porta e indo até o filho. — Precisa se acalmar ou vai acordar a casa inteira!
— Ela... Ela esteve aqui. — Foi a única coisa que o rapaz conseguiu dizer.
— Não estou entendendo. — Carlisle olhou para os lados e viu o resultado do ataque de fúria do filho.
— Me abraça pai... — Ainda ajoelhado, Edward abraçou as pernas de seu pai que estava de pé e fez um carinho nos cabelos dele. — Por que meu coração disparou quando a vi? Por que não consigo esquecê-la pai, por quê? — Perguntou completamente transtornado.
~*~
[...]
No outro dia...
— Aro está furioso com a soltura da Isabella, disse que é capaz até de fazer uma besteira. — Billy comentou olhando para Jacob, que acabara de sentar à mesa da casa deles.
— Ela já pagou pelo crime, pai. Por isso, Aro não tem o direito de fazer nada. — O moreno afirmou tomando um gole de café.
— É impressão minha ou está do lado da Isabella? — O homem que agora tinha alguns cabelos brancos alertou o filho.
— Ta, vou mandar a real. Ontem reencontrei a Bella e na boa, ela está mais linda do que nunca. No começo não me reconheceu já que quando nos conhecemos, eu era só um adolescente bobo, mas depois me tratou muito bem.
— Tome cuidado. Não vá se apaixonar por essa mulher hen? Se ela voltou para cá deve ser porque quer se vingar de todos que a fizeram mal, por isso devemos tomar cuidado com ela.
— Por quê não posso ama-la? Sou livre, ela também. Além do mais não participei de toda essa farsa e se o senhor só falou a verdade no julgamento e não fez nada contra ela, não tem nada a temer, certo? — Perguntou se levantando, acenando para o pai, pegando sua maleta e saindo de casa para trabalhar.
~*~
— Foi horrível mãe! — Bella mal conseguiu dormir depois da forte discussão que teve com Edward. — Ele me tratou como se eu fosse um nada, me expulsou daquela casa que também é minha.
— Você precisa se acalmar. — Renée envolveu a filha em seus braços, como fazia quando ela era pequena.
— Parece que o tempo não passou para ele pois continua muito atraente. Em compensação, não o reconheci. Parece que é feito de pedra, aquele não era meu Edward mas tudo bem, também não sou a mesma Bella, nem nunca mais voltarei a ser.
— Ele se tornou frio e cruel. — Fez cafuné nos cabelos da filha que deitou a cabeça em seu colo. -Filha, você mal saiu da cadeia. Precisa de tempo pra pensar no que vai fazer com sua vida.
— Tempo é uma coisa que não tenho mais. — Saiu do colo dela e se levantou da cama. — Enquanto estava presa pensei em vários métodos para me aproximar dos meus filhos, mas não contava que Edward iria mentir pra eles dizendo que estou morta.
— E aí? Pretende revelar a verdade à eles? É provável que Renesmee e Anthony não reajam bem, ainda mais quando souberem que esteve presa por assassinato. — A médica deduziu se ajeitando na cama.
— Eles vão me odiar não é? É improvável que acreditem na minha inocência, quase ninguém acredita. — Esfregou uma mão na outra tensa.
— Pelo que sei, seus filhos são temperamentais então realmente não será nada fácil. — Renée respondeu vendo a filha limpar suas lágrimas.
— Por que tudo tem que ser tão difícil? — Baixou a cabeça triste. — Quer saber, chega! Chega de sofrer, de ficar chorando, preciso seguir em frente de uma vez por todas. — Respirou fundo. — Não vou mais chorar nem sofrer pelo que perdi, muito menos hesitar nas minhas decisões como fiz quando desliguei o telefone ao ligar para a mansão, quando me escondi para não ter que encarar o Aro ou agora quando deixei que Edward me expulsasse da minha própria casa.
— É assim que se fala. — Renée apoiou-a.
— Não quero magoar meus filhos, nem que sintam vergonha de mim, mas o que não posso é continuar assim, afastada deles porque também não está certo. Tenho direito de ao menos ficar próxima deles. Só me resta uma alternativa que não é a melhor de todas porém, é a mais sensata neste momento. — Foi até o guarda-roupa e o abriu.
— O que pretende fazer Bella?
— Uma proposta para meu ex-marido, mãe. — Respondeu misteriosa.
[...]
— O que quer agora? — Edward se levantou da poltrona de sua sala furioso ao ver sua ex-mulher — Vou demitir aquela incompetente da Agatha por não ter te anunciado! Caramba, meus filhos poderiam estar aqui.
— Ela saiu pra almoçar, a recepção estava vazia e entrei. Não pense que é fácil vir aqui te ver, mas estou fazendo esse enorme esforço pelos meus filhos. — Isabella foi até a cadeira, sentou-se e cruzou as pernas. — E não ouse me expulsar daqui como fez ontem na minha própria casa. Você não sabe do que sou capaz Edward. — O ameaçou.
— E o que vai fazer se te expulsar da minha empresa? — A provocou, arqueando a sobrancelha e a morena sorriu. — Vou chamar a segurança imediatamente.
— Pode chamar. — Pegou o telefone na mesa e lhe entregou. — Mas lembre-se que essa empresa não é só sua, é minha também. Ou esqueceu que tenho boa parte das ações que você me deu antes de viajarmos para Chicago? — O recordou. — Se me tirar a força daqui vou me unir ao Aro e Billy contra você. Sim, estou sabendo que vocês romperam há anos.
— Como é que é?! — Edward franziu o cenho.
— Se unir minhas ações as deles, teremos a maioria e vai ficar difícil pra você e o Carlisle se imporem por aqui. Vai ser divertido participar dessa guerra. — Disse sarcástica.
— Aro e Billy jamais se uniriam a você. — Edward se sentou e encarou-a.
— Paga pra ver! Acorda pra vida, aqueles dois são ambiciosos, só querem poder. Acha mesmo que Aro não irá se unir a mim sabendo a bolada que pode ganhar só porque pensa que sou assassina do filho dele? Como você é ingênuo, Edward. — Ironizou o medindo de cima a baixo. — Mas se realmente confia naqueles dois, chame a segurança agora.
— Diga logo o que quer. — Cullen colocou o telefone no gancho de volta pois óbviamente, não confiava nada naqueles dois. — Anthony e Renesmee as vezes vêem aqui depois do colégio, não podem te ver.
— O que quero? Ver meus filhos e ficar perto deles, só isso.
— Isso não é possível, não tão rápido como você quer. Saia logo daqui Isabella, por favor. — Ordenou autoritário.
— Okay, mas saírei daqui direto para a mansão dos Cullens para dizer aos meus filhos quem é a mãe biológica deles. Eles ficariam com muito ódio de você por ter mentido para eles durante tantos anos.
— Você não faria isso. — A olhou incrédulo.
— Lembre-se que não tenho nada a perder.
— Pra eles você está morta! Se descobrirem a verdade vão sofrer. É isso que quer? — Alertou-a.
— Não, por isso tive uma ideia para me aproximar deles sem que saibam a verdade, pelo menos até que eu tenha o carinho deles.
— A única maneira de mantê-los bem é se afastando, Isabella.
— Desista, você não se livrará de mim tão cedo, mas tenho uma proposta razoável pra você. — Levantou-se.
— Proposta? Como assim?
— O único jeito de ficar com as crianças sem que sofram é sendo a madrasta deles.
— Madrasta? Não há como pois para isso você teria que...
— Casar com você. — Completou. — É isso que irá acontecer. Você vai terminar seu noivado ridículo com Victória e vai se casar comigo outra vez para que eu possa conquistar meus filhos passando mais tempo com eles. É isso Edward, ou casa comigo ou contarei toda a verdade as crianças e tirarei o controle da empresa da família Cullen.
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