A Madrasta

38 Capítulo 37 - Vida


Notas iniciais
Último capítulo da segunda fase meninas, preparem os corações ❤ Boa leitura!!

Capítulo 37 — Vida.

— Edward, pense nos seus filhos. Em nós, sua família, não nos faça sofrer sua perda, por favor, eu não resistiria... — Esme suplicou com os olhos cheios de lágrimas.

— Me dê essa arma, filho. — Carlisle pediu se aproximando dele e estendendo a mão.

— Não! E saíam daqui, me deixem em paz, quero morrer sozinho. — O rapaz pediu apontando a arma para si mesmo na mesma hora em que Elizabeth entrou no local.

— Edward? — Vovó Cullen entrou no local e mediu o neto de cima a baixo. — Pare com essa palhaçada imediatamente e dê essa arma para o Carlisle.

— Desculpa vó, mas...

— Cale essa boca e para de drama! — A senhorinha o interrompeu revirando os olhos. — Jasper telefonou para o presídio, Isabella está viva e mesmo se não estivesse, você tem seus filhos, não tem o direito nem de pensar em fazer uma besteira.

— Viva? — Edward jogou a arma no chão e abriu um lindo sorriso.

— Sim, mas em estado grave, gravíssimo aliás. Não entendemos direito, parece quee aconteceu uma briga durante a rebelião e ela ficou muito ferida. — A ruiva explicou enquanto seu filho guardava a arma de volta no cofre.

— Isso é um milagre, só pode ser. Vou mandar que preparem o jatinho, viajarei pra Chicago imediatamente, preciso vê-la com meus próprios olhos. — Edward disse eufórico.

— Ótimo, vou com você filho. — Carlisle avisou pondo a mão sob o ombro do rapaz que não parava de sorrir, em um breve e raro momento de felicidade.

[...]

Depois de uma hora de vôo Edward chegou ao hospital de Chicago acompanhado do pai e, logo ambos foram em busca de notícias sobre o estado de saúde de sua ex-esposa, mas assim que chegaram lá se depararam com Charlie e Renée.

— É muita cara de pau sua aparecer aqui depois de tudo que fez! — Furiosa, Renée foi para cima do rapaz mas foi contida pelo marido.

— Só quero saber como a Bella está senhora. Sei que não tenho esse direito, mas peço que seja benevolente comigo, ao menos por hoje.

— Assim como você foi com minha filha? — Ironizou a loira. — Retire-se daqui, não te quero nesse lugar!

— Acompanhantes da senhorita Swan?

— Somos nós, doutora. Por favor nos diga, como a Bella está? — Charlie indagou desesperado, cortando a discussão.

— Isabella aspirou muita fumaça por isso, seus pulmões estão fracos. Além do mais, sofreu uma batida muito forte na cabeça e infelizmente, ainda não acordou. Estamos preocupados com a possibilidade de ter sofrido traumatismo craniano ou que tenha se formado algum coágulo em seu cérebro, mas só teremos respostas após os resultados dos exames saírem. — A médica que atendia pelo nome de Nicole respondeu pondo as mãos no bolso de seu jaleco. — Mas o que mais nos preocupa no momento é a respeito do esfaqueamento que lhe causou uma séria hemorragia, além de ter atingido diretamente seu fígado que está comprometido. Nossa única saída é fazer um transplante ou ela não irá sobreviver.

— É um pesadelo, só pode ser. — Edward disse afundando a cabeça no ombro do pai, sendo consolado pelo mesmo.

— Não tem problema, posso doar uma parte do meu fígado para ela. — Charlie sugeriu.

— Não, você não pode querido, pois você sofre de diabetes, seu tratamento é a base de insulina e nesses casos, não é permitido doar orgãos*. E eu também não, pois sofro de artrite há anos. Temos que procurar meus irmãos, seus primos, achar alguém compatível o mais rápido possível ou a Bella pode acabar... Prefiro nem dizer. — Renée levou as mãos a boca, sufocando um grito de dor.

— Meu sangue e o da Bella são compatíveis, anos atrás ficamos sabendo disso durante alguns exames de rotina que Esme sempre nos obrigava a fazer. — Edward contou respirando fundo. — Acho que posso ser o doador, Nicole.

— Você não. — Renée fechou a cara.

— Seja razoável Renée e deixe os nossos problemas pessoaos de lado, ao menos neste momento. O que importa agora é salvar a vida da Isabella e todos nós queremos isso, inclusive meu filho. — Carlisle interviu tentando fazê-la voltar a razão.

— O fato de você ser compatível é ótimo Edward, mas essa cirurgia é complexa e muito invasiva, não é tão simples como um transplante de rim. Fazer doação de fígado em vida é arriscado, você pode sofrer muitas complicações e...

— Não importa, doutora. Assumo o risco que for. — O ruivo afirmou seguro. — Se tiver que assinar algum papel me responsabilizando pelos meus atos, assim o farei mas não podemos, nem devemos perder tempo. A vida da Bella está em risco e quanto mais enrolamos aqui, menos chances ela terá de sobreviver. — Argumentou esfregando uma mão na outra.

— Pior que é verdade. — Nicole concordou passando a mão por seus cabelos que eram compridos e lisos. — E vocês? Concordam que ele faça o transplante?

— Como não temos nenhuma alternativa, sim. — Renée bufou de raiva e Charlie nada disse, apenas assentiu com a cabeça.

— Então me acompanhe senhor, vamos fazer alguns exames de compatibilidade e se tudo der certo, já iniciaremos os preparativos para a operação.

— Sim senhora. — O rapaz concordou acompanhando-a.

[...]

Edward fez vários exames e após ter certeza da compatibilidade e de que a saúde dele estava em dia, Nicole iniciou a operação.

Renée e Charlie sentaram-se lado a lado na recepção do hospital de mãos dadas enquanto do outro lado, Carlisle se encontrava sozinho. Decidiu não contar a família sobre o que estava acontecendo, principalmente para não preocupar Elizabeth, mas suas pernas tremiam feito vara verde pois estava com medo que algo desse errado e que o filho ficasse com alguma sequela ou tivesse complicações.

Antes de entrar na anestesia Edward olhou rapidamente para Bella e sorriu.

Iria salvar a vida da mulher que amava, mesmo que para isso tivesse que perder a sua.

[...]

Durante a cirurgia Nicole teve alguns problemas pois Isabella acabou sofrendo outra hemorragia, que foi rapidamente estancada pela equipe competente e dedicada da médica.

Foram quase quatro horas de angústia, de apreensão, de mãos suadas e corações acelerados, mas quando a doutora surgiu na recepção e disse que o transplante tinha sido um sucesso e que os dois estavam bem, todo aquele medo passou e belos sorrisos saíram dos lábios dos familiares de Bella e Edward.

[...]

Após os efeitos dos sedativos passarem, Edward acordou e seu pai estava, como sempre, ao seu lado, já no dia seguinte a cirurgia.

— Como a Bella está? — Foi a primeira coisa que perguntou, ainda com a visão turva e sonolento.

— Ei, calma. Primeiro preciso saber como você está. — Carlisle segurou a mão dele.

— Com algumas dores, mas bem. Como a Bella está? — Repetiu a pergunta e Carlisle sorriu.

— Ainda sedada, talvez pela cirurgia, ou pela pancada na cabeça, não se sabe ainda. Mas o transplante foi um sucesso e segundo a doutora, ela tem grandes chances de se recuperar sem sequelas se acordar logo.

— Ouvir isso acalmou meu coração. — Sorriu de volta, lambendo seus lábios secos. — Agora por favor pai, chame a doutora e peça que venha aqui me dar logo alta porque tenho que voltar à Nova York para cuidar das crianças. Mas antes de ir, quero ver a Isabella, se ela ainda estiver desacordada.

[...]

Depois de o examinar e ter certeza que Edward estava bem, Nicole, depois de muita insistência aceitou o pedido do homem de ver Isabella, mas não concordou com sua alta, dizendo que ele teria que ficar ao menos dois dias internados para depois, ficar mais algum tempo de repouso em casa e só assim, ser liberado para suas atividades normais.

Munido de uma cadeira de rodas e acompanhado pela médica, o coração de Edward disparava cada vez que notava que estava mais perto do quarto da mulher.

Fazia três anos que não a via e a última vez que se viram foi terrível, pois foi no dia em que ele tinha pedido o divórcio à ela e durante a última conversa, ouvira palavras muito duras de sua ex-mulher.

— Pode entrar, mas a visita durará apenas dez minutos, certo? — Nick abriu a porta. — Fique a vontade, daqui a pouco venho lhe buscar.

— Sim senhora. — O ruivo concordou assentindo com a cabeça e entrando naquele lugar ao mexer nas rodas de sua cadeira para pegar impulso.

Quando Edward encontrou a amada em uma cama de hospital cheia de aparelhos respiratórios, sentiu seu coração se apertar e seus olhos, se encheram novamente de água.

— Bella... — Se aproximou da cama onde ela estava e segurou sua mão.

As mãos de Isabella agora eram ásperas, bem diferente do tempo em que eram casados, quando eram macias e delicadas. Seu rosto estava com marcas de expressão, mas ainda sim era sua Bella, a mulher com quem sonhara passar o resto da vida junto anos atrás.

— Não sabe o quanto fico feliz em saber que vai se recuperar e ficar bem, saber disso já me deixa mais leve. Você precisa viver para que eu consiga viver. Precisa sair dessa cama, pelos nossos filhos pois um dia você os terá de volta, não tenho dúvidas disso. Quero que saiba que você sempre será meu amor, sei que te amei de uma forma errada, de um jeito torto, mas não foi por mal. Foram três anos sendo desprezado por você e sei que muitos anos ainda virão, isso me apavora, me machuca e caramba, dói tanto. Pior é saber que você ta mais do que certa em me detestar, que mereço todo esse ódio que você sente por mim. Só que estar aqui do seu lado agora é tão bom, sentir seu calor... — Sorriu passando a mão dela por seu rosto e fechando os olhos. — Já consigo renovar minhas forças para o que está por vir. Sei que jamais vai me perdoar e que nunca mais te terei nos meus braços, nunca mais vou poder te tocar, beijar, te sentir, mas me contento por ao menos te ter viva. Prometo que quando você sair da cadeia irei fazer de tudo para que seja feliz e reconquiste nossos filhos. E prometo também que vou cuidar para que não passe nenhum tipo de necessidade durante o tempo que estiver presa. — Beijou a mão da amada e suspirou, quando percebeu que ela começou a se mexer e quando piscou os olhos, teve certeza que estava perto de despertar. — Bella?

Se afastou rapidamente e mesmo com dificuldades para se locomover, conseguiu sair para chamar a médica e assim, avisa-la da mudança do quadro da paciente.

~*~

Enquanto Nick cuidava de Isabella, Edward foi a recepção e avisou seus ex-sogros que a garota tinha despertado.

— Não pense que o que fez aqui apagará seus pecados, Edward.

— Renée, por favor. — Carlisle pediu sem graça. — O que está feito, está feito. Vamos pensar apenas na recuperação da Bella por enquanto.

— Não estou querendo apagar nada, só fiz o que achei correto. — Edward respondeu quando a médica apareceu.

— Como está minha filha? — Renée perguntou aflita.

— Isabella finalmente despertou. Está com algumas dores e um pouco fraca, mas vai ficar bem, graças ao transplante que fizemos e a boa resposta dela aos medicamentos. — Todos suspiraram de alívio com a resposta de Nicole. — Podem vê-la, mas só um por vez. Aliás, ela chamou pelo senhor, Edward.

— Doutora, a senhora disse para ela que estou aqui?

— Não.

— Então por favor, não digam a Isabella que estive aqui, muito menos que fui o doador dela.

— Por que isso filho? — Carlisle perguntou confuso.

— Porque é o melhor para ela. — Respondeu dando um sorriso triste. — O importante é que Isabella está bem, é só isso que importa agora. Por isso daqui dois dias irei voltar para Nova York, onde terminarei minha recuperação.

— Se quer receber alta daqui dois dias e não ter uma infecção, precisa voltar para o quarto imediatamente, senhor Cullen. — Nicole o alertou.

— Ótimo, é melhor minha filha não saber de nada mesmo! — Renée virou o rosto para o lado, tentando evitar o ex-genro.

— Apesar de tudo, gostaria de agradecer pelo que fez por minha filha, Edward. — Charlie se mostrou grato.

— Não tem que me agradecer por nada, senhor Swan. Vamos logo para o quarto, pai. — Pediu e o loiro começou a empurrar sua cadeira de rodas. — Adeus. — Edward se despediu saindo da recepção ao lado do pai com a certeza de que talvez, aquela seria a última vez que teria visto o grande amor de sua vida.

~*~

— Como está se sentindo, meu bem? — Renée perguntou acariciando o rosto da filha, que estava no CTI.

— Estou bem. — Bella respondeu respirando fundo. — Nicole disse que precisei de um transplante de fígado, quem foi meu doador? Gostaria de agradecer essa pessoa por ter salvo minha vida. — Esboçou um sorriso.

— Seu doador foi... — Engoliu em seco. — Um rapaz que morava em Miami, veio passar as férias aqui, sofreu um acidente e morreu. A família decidiu doar os orgãos, enfim, você teve muita sorte.

— Tive mesmo. Sabe mãe, ouvi a voz do Edward há pouco. — Sorriu. — Ele dizia que me amava, que não queria me perder. Que devia acordar pelos meus filhos. Parecia tão real! Por um momento me senti feliz de novo. Mas aí acordei, não tinha ninguém aqui e logo a doutora apareceu e só aí percebi que estava no hospital e que... Tudo tinha sido um sonho. — Contou desanimada.

— Oh minha querida, não pense nisso agora. — Renée virou o rosto.

— Mãe, e a Claúdia, a desgraçada que me atacou?

— As detentas a denunciaram e ela foi presa, acusada de tentativa de homicídio. Espero que passe muitos anos presa e vou falar para a Irina cuidar disso.

— Tomara, mas essa aí ainda vai me pagar caro um dia. Como estão as outras detentas?

— Não sei direito, mas Irina disse que acha que essa rebelião e tentativa se fuga vai te prejudicar um pouco.

— Como assim?

— A justiça vai mandar você e as outras presas que quiseram fugir para um presídio de segurança máxima, mas graças aos céus sua pena não será aumentada.

— Segurança máxima? Droga... — Fez uma careta. — Mas já imaginava que se tudo desse errado, isso poderia acontecer.

— Não se preocupe, foque em se recuperar primeiro, o resto resolvemos depois. — Beijou a testa dela. — Te amo muito, filha.

— Também te amo, dona Renée!

~*~

[...]

— Filho, por que não conversou com a Bella? E por que não quer que ela saiba que você foi seu doador? — Carlisle questionou Edward enquanto eles viajavam de volta para Nova York de jatinho.

— Porque Bella me odeia e jamais me perdoará pelo que fiz. Saber que fui seu doador poderia influenciar e até atrapalhar sua recuperação. Tudo que ela precisa agora é de sossego e paz.

— Entendo. E o que pretende fazer de agora em diante?

— Continuar cuidando das crianças e trabalhando na empresa como fiz esses anos todos. E esperar o dia em que irei ser castigado por tudo que fiz porque se tenho uma certeza na vida é que este dia ainda vai chegar, meu pai.

— Quando esse dia chegar, estarei do teu lado filho. — Carlisle pôs a mão sob a dele.

— Eu sei que vai. — Edward concordou apertando a mão do pai e, olhando para a janela do avião e observando as nuvens brancas como a neve.

~*~

[...]

Dias depois...

Assim que recebeu alta, Bella foi transferida junto com as outras detentas para o presídio feminino de segurança máxima de Chicago onde, por sorte e por influência de Edward, ficou em uma cela novamente com Jessica.

— Toma. — A morena falou estendendo a mão para Isabella.

— A foto dos meus filhos! Como conseguiu ela? — Perguntou sorrindo.

— Quando você foi ferida, peguei a foto e a guardei junto com as minhas coisas. Sabia que iria querê-la de volta quando se recuperasse. — Sorriu de volta.

— Obrigada Jess. — Bella beijou a bochecha da amiga e olhou para a foto. — Estava com muita saudade de olhar para meus bebês. — Foi para o canto da cela e sentou-se no chão. — Meus filhos queridos, mamãe ama muito vocês viu? Quando sair daqui, provarei minha inocência custe o que custar. Vou limpar meu nome e me vingar de cada um dos que me colocaram aqui, eu juro. Vai ter troco, não vou deixar barato o que fizeram comigo. — Prometeu apertando a foto contra seu peito.

Isabella estava disposta a suportar absolutamente tudo naquela cadeia pois sabia que demoraria muito tempo, mas um dia a vida lhe daria a chance de enfim, fazer justiça.

Notas finais
*Pessoas com doenças crônicas como artrite e pacientes com diabetes tratados a base de insulina não podem doar orgãos. Enfim finalizamos a segunda fase u.u Quem ai ta ansiosa pra terceira? Eu tô muito, mas muito ansiosa meninas!! Pessoal, durante a semana farei uma apresentação dos personagens que entrarão na terceira fase da fic lá no grupo do facebook, onde também mando spoilers, avisos e tudo mais sobre minhas histórias de Crepúsculo, entrem pelo link https://www.facebook.com/groups/151327375480371/?notif_id=1509650713378676&notif_t=group_added_to_group Ou procure pelo grupo Fanfics da Chrys Monroe E não esqueçam de deixar seus comentários aqui embaixo, são muito importantes para mim ❤