A Madrasta
28 Capítulo 27 - Julgamento Parte III
Notas iniciais
Capítulo 27 — Julgamento Parte III
17 de julho, Chicago.
— Senhoras e senhores, vamos abrir esse terceiro dia de julgamento ouvindo os depoimentos das testemunhas convocadas pela defesa. — Patrick avisou a todos e a primeira testemunha entrou no recinto e fez seu juramento.
— Senhor Emmett, o que tem a dizer sobre a Isabella? — Irina iniciou suas perguntas.
— A Bella é uma garota muito legal, sempre nos damos muito bem e ela sempre foi muito apaixonada pelo meu irmão. — O jogador a elogiou fazendo a morena sorrir. — Não entendi quando cheguei naquele quarto e a encontrei sendo acusada desse crime horrível, mas uma coisa acho que todos vocês devem saber. Fui um dos primeiros a entrar naquele quarto e durante todo o tempo, minha cunhada assegurou que era inocente.
— Ela pareceu sincera?
— A meu ver, sim.
— E James?
— Gostava do James, mas ele sempre foi muito encrenqueiro, bagunçeiro e mulherengo. Não dúvido que tenha arrumado inimigos que possam ter feito isso com ele.
— Sem mais perguntas. — Irina disse ao juiz.
— A acusação quer fazer alguma pergunta a testemunha?
— Não meritíssimo. — Phillip negou.
[...]
(Depoimento de Jasper Hale)
— Jasper, qual sua relação com James?
— Eu sou amigo e cunhado do Edward que era bem próximo do James, mas particularmente nunca fomos amigos, não confiava nele.
— E por que não confiava? — Irina indagou curiosa.
— Porque nunca fui muito com a cara dos Volturi, é aquela coisa, o santo não bateu. — O loiro respondeu passando a mão por seus cachinhos.
— E sobre a Isabella? Acredita que eles tinham um caso?
— Não sei, mas acredito que não. Bella é uma boa pessoa, uma boa mãe e somos compadres. Gosto muito dela e não acredito que traíria o marido. Pra mim, ela foi vítima de uma armação, mas não tenho ideia de quem além dos Volturi, teria coragem de tentar prejudica-la.
[...]
(Depoimento de Esme Cullen)
— Dona Esme, a senhora acredita na inocência da sua nora?
— Sim, não tenho dúvidas de que tudo isso é um grande mal entendido. Bella não tem coragem de matar uma mosca, quanto mais uma pessoa.
— E sobre James? Nos conte um pouco sobre o que achava dele.
— James cresceu lá em casa, junto com meus filhos. Mas nunca simpatizei muito com os Volturi, sempre os achei ambiciosos e invejosos demais.
— Então James tinha inveja do seu filho?
— Não sei, Irina. — A morena respondeu — Mas o pai deles, Aro, sempre desejou ter tudo que meu marido tem, se ele passou essa inveja aos filhos ou não, não posso afirmar.
[...]
(Depoimento de Tanya Denali)
— Tanya, nos fale um pouco sobre a Isabella.
— Bel é minha prima querida! Apesar deu ser um pouco mais velha que ela, crescemos juntas e sempre fomos muito próximas, quase como irmãs mesmo. Estive no casamento dela e vi em seus olhos a felicidade de estar casando com o amor de sua vida. Posso afirmar sem medo de errar que minha prima é inocente e não matou o James.
— Sem mais perguntas, senhor. — Irina voltou para seu lugar.
— Acusação?
— Tenho algumas perguntas. — Hilary se levantou indo até o centro do tribunal. — Senhorita Denali, é verdade que a senhora e a vítima foram namorados?
— Sim. — A loira confirmou engolindo em seco.
— Por quanto tempo estiveram juntos?
— Quase quatro anos.
— E como era a relação de vocês?
— Eu achava que era boa, até descobrir que ele... Que ele não era o que eu pensava.
— Como assim? Nos dê mais detalhes.
— Protesto meritíssimo. — Irina interviu. — A promotoria está invadindo a privacidade da testemunha.
— Protesto negado. Responda a pergunta da Strauss, senhorita.
— Sim senhor. — Tanya lambeu os lábios secos. — Ele não me dava atenção, não ligava pra mim, então decidi terminar nosso namoro. — Falou omitindo as traições que sofrera.
— É verdade que a senhorita terminou o relacionamento pouco antes da morte da vítima?
— É. — Inquieta, a advogada desviou o olhar.
— E não acha estranho estar defendendo a acusada de matar o homem com quem namorou por tantos anos? Será que não está fazendo isso por despeito a ele?
— Mas é claro que não. — Ela fechou a cara. — Estou fazendo isso porque acredito na inocência da minha prima e ponto. — Afirmou e Hilary sorriu irônica.
— Sem mais perguntas, senhor juiz!
[...]
(Depoimento de Rosalie Hale)
— Bella é uma super amiga, uma grande mulher. Confio em sua inocência. — A loira dizia sorrindo para sua confidente.
— Rose está tão linda... — Emmett murmurou baixinho. — Que saudades dela.
— Acredita que ela foi vítima de uma armação? — Irina questionou.
— Não tenho dúvidas disso. — A loira confirmou olhando para a amiga.
[...]
Após um recesso de quase uma hora, já no meio da tarde, era a vez de Edward, o possível marido traído, depor.
O empresário estava nervoso, evitando olhar para Isabella.
Com as mãos trêmulas, sabia que seu depoimento teria peso na condenação ou absolvição da esposa. Mesmo assim estava disposto a ser sincero e falar somente a verdade, como prometera a todos ali presentes.
— Senhor Cullen, nos conte como conheceu sua mulher. — Irina pediu em busca de fazer com que ele dissesse coisas boas sobre a garota que tanto amou, amava, nem ele mesmo sabia.
— Conheci a Isabella no colégio, no fim da nossa adolescência. Ficamos amigos e começamos a namorar dias depois. Um ano depois nos casamos e tivemos nosso primeiro filho, Anthony. — Manteve a cabeça baixa.
— E como a Isabella era como esposa, como mãe?
— Ela... Ela... — Por um momento, o rapaz ergueu a cabeça e seu olhar se encontrou com o de Bella.
Ela estava com os olhos marejados e os dele não estavam diferente, pois lacrimejavam muito. Isabella estava com o olhar cansado, quase exausto. Ele sabia que tudo aquilo que estava acontecendo era pesado demais para ela e desejava estar em seu lugar, só para não vê-la passando por tanto constrangimento.
Mas quando se lembrou que ela estava presa por ter tido um caso e ainda por cima, matado o seu melhor amigo, seu olhar mudou. Seus olhos verdes se escureceram de raiva e seus punhos se fecharam.
— Senhor Cullen, responda minha pergunta.
— Ela era uma boa mãe... — Desviou o olhar. — Sempre dedicada as crianças, cuidava muito bem deles e era uma esposa dedicada, carinhosa... Fui muito feliz com ela. — Admitiu deixando que uma ou outra lágrima caísse.
— Alguma vez o senhor desconfiou que ela poderia ter um caso com seu melhor amigo?
— Nunca, jamais. — Negou prontamente. — Eu acho, eu achava que ela só tinha olhos para mim, assim como eu só tinha olhos pra ela.
— Você viveu cinco anos com a Isabella, teve dois filhos com ela, então deduzo que a conheça muito bem. Acha que ela teria coragem de matar um homem?
— A minha Bella... — Olhou novamente para sua pequena que chorava com o depoimento dele. — A Bella que conheço jamais faria uma coisa dessas. Só que não sei se eu realmente a conhecia minha esposa porque ela mentiu pra mim.
— Er... Sem mais perguntas. — Vendo que a coisa iria desandar, a loira resolveu finalizar logo o interrogatório.
— Com a palavra, a acusação.
— Obrigada excelentíssimo. — Hilary deu uma olhada em alguns papéis sob sua mesa e foi até o depoente. — Edward, é verdade que Isabella não se dava bem com James?
— Sim, ela nunca foi com a cara dele.
— E ela te explicava o por quê?
— Não exatamente, só dizia não confiar nele, essas coisas.
— E nunca desconfiou do por quê ela tinha tanta antipatia por seu amigo?
— Não, vivia com a cabeça cheia. Sou pai de família, trabalhava, estudava, nunca me importava muito com esses assuntos que classificava na época como não importantes.
— Então é possível que sua esposa fingia não gostar dele para disfarçar e fazer você não desconfiar que tinha um caso com ele?
— Sim, é possível.
— Você confia na sua irmã, Alice? Acha que ela seria capaz de mentir?
— Claro que confio, minha irmã tem um grande coração.
— Então acredita que ela disse a verdade ao afirmar que viu sua mulher beijando a vítima?
— Acredito. — Respondeu ficando ainda mais sério.
— Como o senhor reagiu ao saber que Bella tinha matado seu grande amigo?
— Fiquei muito surpreso, horrorizado e triste. — Disse cabisbaixo.
— Muito se falou sobre o celular da acusada. Você se recorda de tê-lo visto nos dias seguintes ao crime?
— Desde que nós fizemos um trato, não mexi mais no celular da minha mulher então, não ficava reparando onde estava.
— Que acordo?
— Um dia tive uma crise de ciúmes por causa de uma mensagem que ela recebeu de um colega de escola, daí mexi no celular dela sem autorização, nós brigamos e prometi não invadir mais o espaço dela. — Explicou.
— Os homens costumavam assediar muito a Isabella?
— Protesto meritíssimo! A promotoria está desviando o assunto. — Irina invertiu.
— Protesto negado! Responda a pergunta da acusação, senhor Cullen. — Patrick ordenou.
— Não muito, mas quando saíamos ou viajávamos eles davam sim em cima dela.
— E como ela se comportava? Fazia como fez com James? Fingia não gostar para depois pelas costas, te enganar?
— Eu... Eu não sei. — O ruivo deu de ombros, confuso.
— Acabo aqui minhas perguntas, senhor. — Hilary encerrou o interrogatório.
— Agora vamos chamar a última testemunha chamada pela defesa.
— Como assim? Pensei que Edward fosse a última testemunha. — Phillip sussurrou baixinho.
— E era. — Hilary franziu as sobrancelhas não entendendo nada.
— Que a testemunha Elizabeth Cullen entre.
— Vó? — Alice arregalou os olhos. — Ela não estava proibida de viajar pelos médicos?
— Sim, mas Elizabeth sempre fez só o que quis. — Esme murmurou esboçando um sorriso.
— Vovó... — Bella abriu um lindo sorriso para ela.
— Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade?
— Sim senhor Juiz, eu juro. E ao contrário de muitos que juraram aqui e mentiram descaradamente, eu não minto. — Garantiu se sentando.
— Com a palavra, a defesa.
— Senhora, nos diga o que pensa sobre a acusada. — A advogada de defesa indagou.
— Isabella é uma boa menina. Ingênua, não estava preparada para viver em um covio de cobras como o nosso. Devia tê-la preparado mais, quem sabe assim ela não tivesse caído nessa armadilha. — Falou suspirando.
— Armadilha?
— Sim, tenho certeza que os Volturi estão por trás disso tudo.
— Protesto! A depoente está fazendo acusações sem fundamento contra a família da vítima. — Hilary interviu.
— Não são sem fundamento. Eu, mais do que ninguém conheço bem essa gente. — Olhou para Aro com nojo. — São medíocres, egoístas, que só pensam em dinheiro e poder. Os Volturi podem até enganar o tonto do meu filho e o trouxa do meu neto, mas a mim jamais enganaram.
— Essa velha ainda me paga. — Aro disse cheio de raiva.
— Devíamos acelerar a ida dela para o cemitério, pai. — Victória sugeriu baixinho dando um sorriso de canto de boca.
— Por que não simpatiza com essa família, senhora Elizabeth?
— Porque os membros dela não prestam. Pelo menos os adultos já que o filho da Victória ainda é só um bebê. Aliás, vou começar por ela. Essa mulher sempre quis se casar com meu neto Edward e, é por isso que inventou toda essa mentirada para prejudicar sua rival. Aro é uma ave de rapina que tem muita inveja do Carlisle porque ele comprou a empresa falida que ele não teve a competência de cuidar. Já James, a quem muitos endeusaram nos depoimentos, era um idiota que não conseguia enxergar nada além do próprio umbigo. Minha família é integra, honesta, a Isabella é honesta, boa, jamais faria mal a uma mosca. Dou minha palavra que ela é inocente e peço a todos vocês... — Olhou para os jurados. — Que acreditem em mim e que não caiam nesta armadilha covarde dos Volturi.
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