A Macieira da Quinta Avenida

2 Verdades Extraordinárias


Notas iniciais
Surpreendam-se u_u rs

Aquilo não era um namoro.

Todos os finais de semana Annie vinha me visitar.

Íamos ao parque de manhã, cozinhávamos à tarde, assistíamos aos documentários da Discovery Channel com o papai até a hora de dormir. Subíamos pro meu quarto no sótão, onde conseguimos enfiar um pequeno colchão a mais para ela, e conversávamos sobre tudo até cair no sono. No domingo meu pai sempre dizia que precisava trabalhar e sumia, a casa era nossa das 13:00 às 19:00, quando Annie arrumava a mochila para ir embora.

Nesse meio tempo ela costumava me beijar, e não precisava mais da alucinação de uma droga pra ter coragem. Eu queria o beijo dela a qualquer hora, mas Annie insistia pra que ninguem soubesse. Ela tambem me dizia que um dia eu e ela seguiríamos o papai. E esse dia chegou.

Ele entrou no carro e deu a partida, virando a esquina. Nós corremos, pegamos as bikes e fomos atrás. Eu não sabia exatamente o que queríamos ver, mas fui porque Annie foi. Cerca de cinco quarteirões pra frente, o opala bege parou numa casa melhor que a minha. Ficamos atras da cerca viva vendo meu pai tocar a campainha e um homem mais baixo e fraco que ele abrir a porta. Eles sorriram e se abraçaram, entrando. Annie guardava algum tipo de sorriso quando largou a bicicleta no gramado dos Pigleston, como li na caixa de correio sem graça, e foi até a janela dos fundos, acenando para que eu a seguisse.

O que vi ao erguer os pés para alcançar a janela alta da casa com fundação grossa, foi meu pai tratando aquele homem com carinhos e beijos. Caí pra trás.

Calma aí .. — sussurrei apertando a mão direita na coxa dolorida.

– Vamos embora . — disse Annie entredentes me puxando com rapidez e força — Tenho que te explicar umas coisinhas.

Debaixo da macieira ela me explicou que o amor tinha muitas formas.

Era estranho o quanto era comum que as pessoas usassem esse termo comigo desde a minha infância.

Ela me disse que não havia amor errado, ou melhor, que não precisava haver.

Que homens e mulheres amam, que eu amo e que ela ama tambem, assim como o papai amava a mamãe, e agora amava aquele magrelo.

Disse que assim como eu, uma menina, amava ela que era outra menina, meu pai poderia amar outro homem tambem, principalmente porque a minha mãe não estava mais ali pra cuidar dele como ele precisava. E eu entendi.

Arrancou do casaco um pedaço de linha grossa e amarrou no meu dedo. Disse que não íamos mais ter que esconder.

No sábado seguinte, nossa rotina normal do dia foi seguida. Ao cair da noite papai foi para o quarto dele e eu e Annie para o meu. Não comentamos nem perguntamos nada, como ela me sugeriu. Coloquei seu colchão no chão e deitei no meu. Ela ignorou, tirou a roupa sobrando apenas sua calcinha que mais parecia um short de homem bem apertado. Deitou ao meu lado, observei seus seios, eram maiores que os meus, me encolhi um pouco, ela sorriu, e se esparramou mais, beijando meu rosto de um jeito que me fez ter preguiça.

Tirou minha blusa, e aos poucos minha saia favorita foi sendo erguida. Beijou meu pescoço, lambeu meus seios, mordeu minha cintura, abriu minhas pernas e .. Puxei ela de volta para cima .

O que era Aquilo ?

Senti algo escorrer pela perna direita, passei a mão e era um liquido gosmento e sem cor, com cheiro doce. Ela riu e eu fiquei em graça.

– Melhor a gente .. — comecei.

– Dormir ? — completou animadamente, virando-se para o lado oposto — Como acha que os adultos se divertem Claire ? Temos que crescer.

*

– Meninas, esse é o Rodrick — disse meu pai quando aquele magrelo e ele entraram em casa no domingo a tarde pela primeira vez. Fiz uma careta estranha sem querer, sendo cutucada quase disfarçadamente por Annie, que sorriu educadamente e acenou como se fosse um anjo. — É com ele que passo minhas tardes de domingo ... Trabalhando — gaguejou.

– Não precisa mentir papai — soltei num impulso. Tudo virou um silencio, Rodrick encarava meu pai, e meu pai encarava Annie, que me encarava, pasma. — Eu e Annie já sabemos que vocês são namorados, — resolvi continuar — e quer saber ? — guardei tanto ar e estufei o peito para ter coragem de dizer — Nós duas tambem somos. — nem e quer piscaram.

Uma risada fina tomou a sala.

– Que fofa ! — cuspiu Rodrick com sua voz afeminada, procurando as mãos do papai que ainda não tinha se mexido — Então você quer dizer que entende ? — se dirigiu a mim com um grande sorriso. Olhei para Annie, que lentamente assentiu quase imperceptivelmente, e a segui, séria.

Papai demorou mais alguns segundos para se recuperar, mas logo veio e me deu um abraço apertado, acompanhado por um pedido de desculpas tímido, que futuramente eu sei que vou entender.

Agora, já não havia mai nada que pudesse impedir o nosso amor.

Annie e eu estamos juntas a nove anos, e juntas adotamos nossa pequena Julye, que definitivamente é, aos quatro anos, bem mais esperta do que eu era aos quatorze.

Meu pai e Rodrick vivem indo e vindo, e já possuem mais cachorros do que a vizinhança junta.

Annie logo ao completar 18 não teve mais medo de esconder os abusos que Paul cometia contra ela e os irmãos. Rachel não pensou duas vezes em se separar dele e denuncia-lo.

A macieira da quinta avenida ? Bem, eu continuo a visitá-la, todos os sábados, na minha folga na ala pediátrica como psicologa.

E o amor ... Bem, o amor existe. De várias formas diferentes.

Notas finais
O amor é assim >u
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!