A Máfia
26 Capitulo 26 - Antes do Amanhecer
Notas iniciais
Jacob caminhava a passos lentos pelo corredor da mansão, cuidando minuciosamente de onde colocava os pés para não fazer o menor ruído. Não queria acordar ninguém. Havia dois bons motivos para isso.
O primeiro era Caleb. Fazia quase uma semana que o pequeno havia trocado o dia pela noite, transformando todos os moradores da casa em verdadeiros zumbis. O segundo motivo tornava tudo ainda mais especial: no dia seguinte, não seria um dia qualquer. Seria o dia do seu casamento, e Jacob queria que, para Renesmee, tudo fosse mais do que perfeito.
Ao chegar à porta do quarto, observou a loira dormindo tranquilamente. Sorriu de canto. Nunca imaginou que pudesse amar alguém como amava Renesmee. Sempre que fitava aqueles olhos cor de gelo, sentia o peito se encher de sentimentos que jamais conhecera: alegria, amor, bondade… e compaixão.
Durante toda a vida, Jacob se acostumara a ser odiado. O desprezo sempre fora o único sentimento que recebera. Renesmee mudara tudo.
Deu um passo para dentro do quarto — e bateu o dedinho na quina da porta.
— Oh, cacete! — urrou, segurando o pé.
— Jacob! — Renesmee ralhou, ainda sonolenta.
O choro estridente de Caleb ecoou pela casa.
— Parabéns — disse ela, revirando os olhos enquanto se levantava da cama.
— Foi sem querer… — Jacob murmurou, sorrindo amarelo, seguindo-a até o quarto do bebê.
Renesmee pegou Caleb no colo, tentando niná-lo. Jacob se encostou na porta, braços cruzados, observando mais um episódio do clássico “não consigo fazê-lo parar de chorar” protagonizado por Renesmee Cullen, futura Black.
Quinze minutos depois, nada.
— Eu não sei o que acontece! Ele me odeia! — a loira resmungou.
— Que isso… ele não odeia você. Ele não é disso — Jacob brincou, pegando o pequeno nos braços.
Em poucos minutos, o choro cessou.
— Como você fez isso? — Renesmee perguntou, espantada.
— Simples. Ele me ama… e odeia você — respondeu, sorrindo.
Ela lhe deu um soco no ombro.
— Cruel!
— Tô brincando — ele riu, colocando Caleb no berço, onde logo adormeceu.
— Quem diria que um brutamontes como você seria tão delicado — Renesmee debochou.
— Vem mais perto que eu te mostro o brutamontes — Jacob a chamou com o dedo.
Ela se aproximou devagar, sorrindo.
— Vai me mostrar, é?
Ele a puxou pela cintura, colando seus corpos.
— Aham…
Jacob aproximou os lábios dos dela, sentindo o perfume doce… até que—
— Regras são regras, tigrão — Renesmee riu, afastando-se.
— Ah, qual é, Nessie… — reclamou, fazendo cara de cachorro abandonado na chuva.
— Não faz essa carinha que eu não resisto — ela disse, rindo.
— Sério? — ele sorriu, malicioso.
— Oh… não! — Renesmee gargalhou, saindo do quarto.
Jacob ficou ali, sorrindo, ainda ouvindo a risada dela ecoar pelo corredor.
Renesmee suspirou e abriu a porta de um dos quartos da mansão. Ali dormia Alysson — sua suposta irmã.
Suposta, porque para Renesmee confiar de verdade, Alysson teria que provar quem era. A loira estava curiosa, mas jamais demonstraria isso facilmente. Decidira treiná-la. Se Alysson se superasse, mereceria sua confiança.
— Ei, acorda! — Renesmee bradou, empurrando a garota.
— Ai… — gemeu uma voz masculina.
Renesmee franziu o cenho e puxou o cobertor, deparando-se com Alec.
— Que diabos você está fazendo aqui?! — gritou.
A outra pessoa se mexeu na cama.
— Renesmee…? — Alysson murmurou, confusa.
— Alec, me diga que você não dormiu com a minha irmã — rosnou.
— Dormiu com a sua irmã?! Espera… EU SOU SUA IRMÃ! — Alysson gritou, cobrindo-se.
— Grande descoberta — Renesmee ironizou.
— Volture? — Alysson desceu da cama, encarando Alec.
— Alguém vai me explicar o que está acontecendo? — Renesmee exigiu.
— Eu… eu não sei — Alysson murmurou.
— Nem eu — Alec se defendeu.
— Me diga que você não se aproveitou de uma garota de quinze anos — Renesmee avançou.
— A gente bebeu um pouco e… — Alysson começou.
— Transamos — Alec completou.
As duas o fulminaram com o olhar.
— Você é um idiota — Alysson disse, magoada.
Renesmee viu os olhos da irmã marejarem.
— Eu vou te arrebentar — ameaçou.
— Não precisa — Alysson disse antes de acertar um soco no nariz de Alec.
— Bom gancho de esquerda — Renesmee riu.
— Obrigada…
— Se vista e me encontre na sala de treinamento — ordenou.
— Você vai me ensinar a lutar? — Alysson perguntou, animada.
— Não se empolga. Só alguns truques — respondeu.
Alysson sorriu.
— Obrigada, Renesmee.
A loira assentiu, puxando Alec pela nuca.
— Escuta bem: não encosta mais um dedo nela. Se fizer isso, eu acabo com você.
— Entendi… — ele murmurou.
— Ótimo.
Alysson apareceu na porta.
— Ah… você ainda tá aqui?
— Já está indo — Renesmee disse.
— Vamos? — Alysson perguntou.
— Espero que não tenha medo de se machucar — Renesmee respondeu, caminhando pelo corredor.
— O que você quer dizer com isso…?
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