A Máfia
22 Capitulo 22 - Quando o Silêncio Vira Desespero
Notas iniciais
Por um milésimo de segundo, toda a vida de Jacob passou diante de seus olhos como um filme — mas, naquele momento, era um filme de terror. Pela primeira vez, ele não podia fazer nada para evitar o inevitável. Sempre tivera respostas, soluções rápidas, decisões tomadas em frações de segundo. Agora, com uma arma apontada para sua cabeça e apenas uma chance de sobreviver, pensava em quantas coisas poderiam ter sido diferentes.
Pensou no desespero que sentira quando seu pai morreu. Em como se sentira perdido ao assumir tudo o que Billy Black deixara para trás. Questionou-se se conseguiria ser tão bom quanto ele fora. Billy sempre conduzira aquele império com firmeza e inteligência. Pensou também em Leah, em suas conversas, nas risadas que tornavam os dias mais leves.
Então, seus pensamentos pararam em Renesmee.
Ela era como um raio de sol. Seu sorriso arteiro e sincero, os olhos curiosos e apaixonados, a risada que o confortava mesmo nos piores dias. Seu peito doeu ao perceber o quanto a amava. Aquele amor era, ao mesmo tempo, sua salvação… e sua perdição.
Os segundos de silêncio torturavam Renesmee. Jacob permanecia imóvel, inerte, e uma ideia terrível começou a se formar em sua mente: e se ele simplesmente aceitasse morrer? Ela, por outro lado, não podia bancar a heroína. Havia uma vida dentro dela. Precisava protegê-la. Inspirou fundo, tentando manter o controle.
O som metálico da arma sendo engatilhada quebrou o silêncio perturbador.
Jacob fechou os olhos com força. Mas, antes que qualquer disparo acontecesse, uma risada estridente ecoou pela entrada da mansão. Ele abriu os olhos a tempo de ver vários homens surgindo pelo portão, todos usando ternos perfeitamente alinhados.
Jacob sorriu de canto. Talvez fosse um filho da puta de sorte.
À frente deles vinha um homem aparentemente da sua idade. Cabelos negros e lisos caíam sobre os olhos, parcialmente escondidos por um pequeno chapéu. O terno era ainda mais escuro que o dos outros. Em seus lábios finos, havia um sorriso sarcástico.
Ele ergueu a mão, fazendo os homens pararem atrás de si. Seus olhos negros e puxados deixavam clara sua origem.
— O que diabos você está fazendo aqui? — Caios rosnou.
— Quem é ele? — Renesmee sussurrou para Quil.
O homem caminhou até ela, segurou sua mão e a beijou com delicadeza.
— Permita-me me apresentar, senhorita — disse, curvando-se levemente. — Li Matsui. Chefe da máfia chinesa.
Li afastou-se dela e caminhou até Jacob.
— Como vai, meu velho amigo? — disse, dando-lhe um leve tapa no ombro.
— Não muito bem — Jacob respondeu, fazendo uma careta.
Li então se virou para Caios.
— Oh, estamos em uma reunião de máfias? — perguntou, abrindo os braços com ironia.
— Não vê que estamos dando uma festa? — Caios retrucou, cínico.
— Se fosse uma festa, você seria o prato principal — Li respondeu calmamente. — Porque já estaria morto.
A expressão dele mudou. Sua voz tornou-se fria, ameaçadora.
— O que você está fazendo aqui não é inteligente, Volture.
— Isso não é da sua conta — Caios rosnou.
— É sim — Li sorriu. — Vá embora. Agora. Antes que saia daqui carregado. Essa é minha última palavra.
Jacob ainda fitou Caios por alguns segundos antes de virar as costas.
Mas Caios não aceitava ordens.
Com o ódio estampado no rosto, ergueu a arma e a apontou para Jacob. Ele sabia que, se atirasse, morreria logo depois. Ainda assim, a sede de vingança falou mais alto.
Renesmee respirou aliviada por um instante ao ver Jacob vivo. Sorriu quando ele a olhou e lhe devolveu aquele sorriso feito só para ela.
Então, tudo aconteceu rápido demais.
O tiro ecoou.
Jacob caiu de joelhos.
— Jake! — Renesmee gritou, correndo até ele.
Antes que pudesse tocá-lo, uma chuva de tiros foi disparada contra Caios e seus homens. Eles foram fuzilados sem piedade.
Renesmee virou Jacob de frente para si. Ele sangrava muito. Estava inconsciente.
— Não… você não pode me deixar — soluçou, segurando seu rosto, as mãos cobertas de sangue.
— Levem-no para o hospital, agora — Li ordenou.
— Vem, Nessie — Alec a puxou para longe.
— Não! Eu tenho que ir com ele! — ela tentou se soltar.
— Você não vai ajudar nesse estado — Alec disse firme. — Ele precisa de você viva. E desse bebê também.
Renesmee desabou.
Horas se passaram. Ela não conseguia dormir. Andava de um lado para o outro da sala. Alec a observava em silêncio, mais quieto do que nunca.
Quando a porta se abriu novamente, Quil entrou com o rosto abatido.
— E então? — Renesmee perguntou, o coração disparado.
Quil respirou fundo.
— Nessie… o Jake está muito mal. Ele entrou em coma.
O choro dela foi imediato, desesperado. Alec a abraçou com força.
Talvez… a morte tivesse sido mais misericordiosa?
Fale com o autor