A Máfia
24 O Plano.
Notas iniciais
Desde que fiquei sabendo sobre a volta de Valentin e sobre seu ataque contra a Cosa Nostra, alguns planos se passaram pela minha cabeça para detê-lo. E depois que Vitor me pediu para fazer algo eu não pude deixar de me entusiasmar com a ideia de matar o homem que vez da minha juventude um inferno. Infelizmente para que eu chegue até Valentin eu tenho que chegar primeiro em seus aliados, principalmente àquele que está infiltrado aqui. Se isso vai dar trabalho? Muito. Porém eu irei adorar trabalhar nisso. Claro que eu irei ter ajuda, só que como Vitor e sua Máfia está na lista dos “possíveis traidores” de meu pai, terei que escolher a dedo quem irá me ajudar. E o primeiro da lista é Mark, o hacker da Máfia.
O menino é tímido, inseguro, e morre de medo quando é confrontado. Se Vitor realmente estiver atrás disso, se eu fizer as perguntas certas e intimidá-lo, logo ele se entregará. Mas se ele não for nada disso, ele será de grande ajuda.
Assim que chego ao Quartel (sozinha, Vitor foi resolver algo com seu pai.) vou direto para o local de trabalho de Mark e o encontro do mesmo jeito que o vi da ultima vez, sentado à frente de enormes computadores. Fico um tempinho o observando até que ele percebe minha presença e, envergonhado, arruma os óculos no rosto e se aproxima de mim, corando levemente.
_Eu posso ajudar? – pergunta ele.
_Pode sim, Mark, na verdade você seria de grande ajuda, mas não sei se posso confiar em você. – falo o fitando, o deixando ainda mais vermelho.
Ele ajeita os óculos.
_E-e p-por que você não pode confiar em mim? – gagueja.
_Não sei se você soube, mas temos um infiltrado na Cosa Nostra, mais precisamente aqui, na Máfia dos Chiacchio’s cujo chefe é meu marido e eu acho que esse infiltrado trabalhe aqui, conosco.
_E você acha que esse alguém – diz fazendo aspas com os dedos. – possa ser eu?
_Não sei, você é? – digo me aproximando e à medida que eu me aproximava ele tentava dizer algo, mas nada saía.
Ele estava confuso.
_E-eu, e-eu... – ele então se recompõe e dá um sorriso fraco. – Eu não sou o infiltrado Valentina. Eu sou esperto, lembra? Não burro. Não ousaria, nem em sonhos, trair a Cosa Nostra. Estaria totalmente fodido se fizesse isso e vocês descobrissem.
_E se nós não descobríssemos?
_Vocês vão.
_Como sabe?
_Porque eu tenho certeza de que você veio aqui pra isso. – rebateu.
Mark é nerd. Porém é um nerd esperto. Tá, não faz sentido eu pensar assim. Mas certos nerds são inteligentes, porém lerdos. Ele não, ele é um nerd esperto. E não é o traidor.
_Eu realmente espero que você esteja aqui para ajudar Mark, caso contrario, eu mesma irei matar você. – digo. – Agora sente-se, quero que faça algo para mim.
Me afasto dele enquanto ele desfaz sua cara de medo ao meu ouvir dizer sobre matá-lo e pego uma cadeira e coloco do lado da sua. Mark se aproxima cuidadoso e eu tenho vontade de rir, mas me seguro.
_O que quer que eu faça? – pergunta se sentando.
_Primeiro de tudo, ninguém pode saber das coisas que eu irei pedir para você, ouviu? Ninguém. Nem mesmo Vitor.
Mark me olha surpreso e estreita os olhos, ajeitando os óculos em seguida.
_Você acha que ele está envolvido?
_Eu não acho nada. – meu pai acha. – O que eu quero é ter certeza.
_Certo. Qual é o seu plano?
_Saiba que o nosso objetivo principal é achar Valentin.
_Eu já estou trabalhando nisso, mas o cara se esconde bem. Ele não tem e-mails, nenhuma conta de telefone rastreável...
_Somos mafiosos, Mark. Não temos nada rastreável. – explico.
_Isso é o que vocês acham. Tudo é rastreável minha querida, o que ajuda vocês a não serem rastreados somos nós, hackers bem pagos que não traem e que se ofendem facilmente. – diz ele.
_Não espere desculpas, eu ainda não confio em você. – falo. – Voltando a Valentin, você achou pelo menos algo que leve a alguém?
_Achei as pessoas que trabalham com ele, mas Vitor já foi atrás de todos. Ninguém diz nada.
_Eu sei, Vitor me disse.
Encaro a tela do computador e vejo os rostos dos aliados de Valentin. A maioria são traficantes, outros são pessoas importantes, mafiosos que trabalham por conta própria.
_E por que você não rastreia essas pessoas? – pergunto. – Você disse que pode controlar isso e...
_Não dá. Eles também tem seus hackers, Valentina. Seria combater fogo com fogo.
Claro que eles também se protegem. Mas se eu não posso rastrear os homens de Valentin, talvez eu possa rastrear os meus.
_Então faça isso com os nossos. – falo.
Mark me olha surpreso.
_Os nossos?
_É, rastreie todos que trabalham aqui. Vigie eles. Se um deles fizer uma rota diferente, você me avisa.
_Uma rota diferente?
_A maioria das pessoas que trabalham aqui não tem família, ou seja, eles vão procurar prostitutas para satisfazê-los. E esse lugar é nos Alters. E de lá eles vão para casa ou algo sim. Faça o perfil de cada um deles e depois...
_E depois eu faço um mapa para cada. E se algum deles for ao algum lugar suspeito ou incomum, nós saberemos.
_E investigaremos e pegaremos ele.
Mark esboça um grande sorriso.
_Isso é brilhante! – ele exalta, começando a digitar entusiasmado no teclado.
Sorrio.
_Eu sou brilhante. – digo ao pé do ouvido dele, lhe causando arrepios.
Me levanto e saio da sala, deixando ele trabalhar sozinho. Sigo para o escritório de Vitor e começo a fazer algumas pesquisas sobre a Máfia dos Chiacchio’s. Meu pai disse que eles foram expulsos por traição, porém quando alguém é expulso de alguma organização mafiosa poderosa você perde tudo. Absolutamente tudo! Dinheiro, poder, mercadorias e até a dignidade. Ou seja, dependendo da situação, podem até virar mendigos. A Cosa Nostra sabe castigar quando quer, então acredite que morar na rua é uma ótima opção de punição. Literalmente a melhor. Mas o que me deixa encabulada é que a Máfia dos Chiacchio’s conseguiu se reerguer. E bem rápido. O que me faz pensar que eles tiveram ajuda. E uma ajuda poderosa. E eu preciso descobrir quem foi.
****
Ainda estava no escritório com o telefone nas mãos e com uma incerteza maior que tudo. Tenho que ligar para meu pai, porém eu não quero. Descobri coisas importantes. Coisas que farão coisas ruins. Mas ele tem que saber, não tem outro jeito. Se eu não contar ele vai acabar descobrindo e as coisas só irão piorar. Aliás, as coisas só pioram. No segundo toque, ele atende.
_Valentina, é você? – pergunta ele, o tom de sua voz demonstra sua frustração e cansaço, conhecendo-o como eu conheço, posso dizer que ele passou a noite.
Respiro fundo.
_Sim, sou eu.
_Liguei para a clínica que você estava, conversei com seu médico. – ele diz. – Ele me contou que você só precisava de descanso, que não aconteceu nada de grave com você.
Nada de você está bem? Ou como se sente querida? Porém não ligo muito com isso, já estou acostumada com seu jeito quando ele está nervoso com as coisas da Máfia e Cosa Nostra.
_Ele te disse a verdade. – comento.
_Ótimo, — responde rapidamente. – a partir de agora converse comigo em português, está bem?
Diz ele em português. Reviro os olhos e suspiro cansada.
_Isso não é necessário pai, eu estou no Quartel e Vitor nem está aqui. – digo já em português.
_Não me importa, se prevenir sempre é bom. Agora me conte o que descobriu sobre a Máfia dos Chiacchio’s.
_Eu pesquisei, fui atrás, li e reli vários arquivos, falei com gente de fora e de dentro, não encontrei nada que demonstre que são eles que estão por detrás desses ataques.
_Nenhuma irregularidade? Nenhum contato com os negociantes de fora, nada disso? – pergunta contrariado.
_Antes de entrarem para a Cosa Nostra, eles mantinham negócios com os traficantes mexicanos, que contrabandeavam armas e drogas para a Máfia de Vitor.
_Os mesmos traficantes que tentaram te sequestrar? – ele pergunta.
_Sim, os mesmo. – respondo sem vontade. – Eles também tinham negócios com outros traficantes, quadrilhas bem pequenas, mas organizadas e inteligentes. Toda a riqueza que a família Chiacchio adquiriu foi através desses pequenos contrabandos, até uns vinte e cinco anos atrás que foi quando eles conseguiram crescer e reformar a Máfia deles novamente. – digo a ele.
Meu pai fica em silêncio e sei que ele analisa cada palavra que eu disse. Sei também que tudo o que eu acabei de disser, com certeza ele já sabia, ou seja, ele sabe que eu escondo algo.
Algo esse que preferia não ter descoberto.
_Como eles conseguiram voltar a ser uma Máfia, Valentina? – pergunta com a voz séria.
_Pai, por favor, me dê mais um tempo para
_Conte-me o que descobriu. – ele me corta. Mordo os lábios nervosa e toco minha barriga segurado as lágrimas. – Diga, Valentina! – esbraveja.
_O pai de Vitor tinha negócios com a Máfia Francesa. – fecho os olhos com força, deixando escapar algumas lágrimas. – Ele tinha negócios com o pai de Valentin.
O silêncio que se segue é crucial. Ouço a respiração forte do meu pai do outro lado da linha. Depois de um longo tempo, ele volta a falar:
_Mas naquela época a Máfia Francesa era da Cosa Nostra e você nem tinha nascido. Não tinha como eles saberem da morte do Luca, da minha crise com o comando da Cosa Nostra e muito menos que eu teria você, eles não podem ter planejado tudo isso naquele tempo.
_Você diz como se tivesse certeza que a família de Vitor é a culpada desse abalo de poder na Cosa Nostra. – sussurro.
_Valentina, estou fazendo o melhor para ajudar você e o homem que ama, mas você também tem que colaborar, me conte o que sabe. – ele diz calmo. – O que tem haver a família de Vitor com a de Valentin?
Fico em silêncio por alguns segundos, me perguntando a gravidade das minhas palavras caso eu as dissesse, mas não tem outro jeito. Para ajudar Vitor, tenho que descobrir a verdade, e a pessoa que pode me ajudar nisso é meu pai. Mesmo que agora eu esteja grávida e prece pelas coisas que pode vir acontecer com Vitor caso meu pai descubra algo que prove sua teoria, eu tenho que arriscar, preciso que a verdade seja dita e descoberta.
_A Máfia dos Chiacchio’s e a Máfia dos Corletto mantinham contato até alguns anos atrás. E eles já fizeram vários acordos juntos.
_Que tipo de acordo?
_Sobre acabar com a Cosa Nostra juntos.
***
O relógio marcava sete horas da noite e eu continuava no escritório imóvel, ainda com o telefone, já desligado, em mãos. Assim que eu contei o que eu sabia para meu pai, ele desligou, afirmando que iria descobrir mais e que também reforçaria a minha segurança na mansão e no Quartel, me deixando mais angustiada. O que mais me dói é que eu sei que Vitor não está envolvido nisso, porém as coisas não estão a favor dele, nem um pouco.
Para descobrir todas essas informações, tive que vasculhar arquivos que estavam trancadas a sete chaves no Quartel. Toda Máfia tem esse tipo de cofre, chamado de assuntos tratados, que contém papéis falando a respeito de tudo o que eles fizeram durante o ano, todos os tipos de negociações, encontros, vendas de mercadoria, reuniões gerais e secretas. Nesses cofres você encontra qualquer tipo de assuntou detalhadamente, em alguns, até gravações. A verdadeira história de meu casamento será relatada em algum arquivo no final deste ano, provavelmente será citado que eu me joguei de um penhasco. É como se você uma biografia contendo mais coisas do que devia.
Mas não encontrei essas informações vasculhando o cofre no Quartel, na verdade descobri uma brecha em um dos arquivos e tive que pedir ajuda para uma das Máfias Francesas, para que ela me enviasse o restante do arquivo, foi ai que juntei as peças e descobri que o pai de Vitor, Lorenzo, mantinha contato e reuniões frequentes durante cinco meses a três anos. E foi nessa mesma época que meu pai começou a ser questionado a respeito de seu herdeiro. Tá vendo como uma peça se encaixa a outra? Consegue imaginar o que eu terei que fazer para provar que são peças falsas? Pois bem, nem eu.
De repente o telefone toca.
_Valentina? – Vitor chama do outro lado da linha.
_Vitor, onde você está?
_Eu estou na casa de meus pais, venha para cá agora, me ouviu? Eu te explico quando chegar aqui. – diz rapidamente. – Venha agora.
E então ele desliga.
Sem pensar duas vezes, arrumo minhas coisas e saio o mais rápido do Quartel. O motorista (sobre a minha incansável insistência) corre o mais rápido que consegue com o carro, burlando várias regras do transito, mas isso realmente não importa. Vitor parecia apreensivo no telefone, algo não estava bem... Quando o motorista estaciona na frente da casa dos pais de Vitor, salto do carro e corro para dentro, o encontrando na sala de estar.
_O que aconteceu? – pergunto.
Vitor se aproxima de mim com um sorriso bobo nos lábios. Quase imperceptível, porém ele está lá. Antes que ele chegue até mim, ouço um grito agudo vindo do quarto.
_Adivinha só?! Estamos prestes a sermos titios! – anuncia.
Assim que ele termina de falar, ouço outro grito, bem alto e bem angustiante. Ao juntar as peças, percebo que ele se trata de Alicia e que é ela quem está gritando dessa maneira.
_Como assim tio Vitor? Você já não era meu tio antes? – Julie questiona se pondo ao lado dele e cruzando os braços.
Ela estava tão fofa! Seus cabelos pretos estavam presos em duas marias-chiquinhas perfeitamente amarrados. Ele vestia uma blusinha branca e por cima, um casaco de lã rosa bem claro. Uma calça jeans clara e uma botinha marrom. Vitor sorriu para a sobrinha e a pegou no colo, beijando-a no rosto. Com os dois lado a lado, é impossível não notar a semelhança dos dois.
Sorrio toda boba imaginando o nosso filho em seu colo.
Aproximo-me de Vitor e o abraço, selando nossos lábios. Julie murmura, e nos separamos.
_Já chamaram o médico? – pergunto, pegando Julie.
_Já, ele está com Alicia. Sarah e minha mãe estão com ela.
_E Miguel?
_Está do lado de fora do quarto. Alicia não permitiu que ele ficasse com ela. Meu pai e John estão com ele.
Concordo com a cabeça e me sento no sofá com Julie, Vitor se senta ao meu lado e passa a mão em minha cintura, me abraçando. Ficamos um tempo em silêncio, o único som que ouvimos são os gritos abafados de Alicia, que pioram a cada instante, me deixando angustiada.
Daqui sete meses será você. Penso e fico tensa.
Ao meu lado, Vitor está tranquilo, ele faz círculos imaginários em minha mão e sempre olha em direção do corredor, que leva para os quartos. Em meu colo, Julie brinca com uma boneca tranquilamente. Os gritos continuam e eu fico ainda mais tensa, começando a suar frio.
_Só avisando, daqui alguns dias terá um baile da Máfia. – Vitor anuncia. – Valentina?
_Hm? – olho apreensiva para ele.
_Você está bem? – perguntou. Fecho os olhos com força ao ouvir com mais intensidade os gritos de Alicia. – Ei, vai ficar tudo bem. Eu sei que você não se sente confortável com isso, mas eu precisava de ajuda com a Julie e...
_Não, não. Está tudo bem. Sério. – me apresso a dizer. – Você disse algo sobre baile?
Vitor me analisa antes de responder.
_Disse. – diz sério.
Uma parte de mim tem certeza que Vitor sabe que eu escondo algo. Seus olhos parecem procurar alguma falha em mim para ter certeza disso.
_E para quê?
_Para negócios.
Murmuro um “ok” para ele e o silêncio volta a reinar. O tempo passa. Já faz algumas horas que Alicia está em trabalho de parto e eu sinto que terei algum tipo de tique nervoso pela demora. Julie dormia em meu colo e eu fazia carinho em seus cabelos até que Sarah apareceu na sala toda sorridente.
_É um casal! – exalta alegremente vindo ao nosso encontro.
Nós levantamos e entrego Julie a ela, que abraça a filha emocionada. Vitor me pega pela cintura e deposita um beijo em minha nuca.
_Podemos vê-lo? – pede ele, entusiasmado.
_Claro, claro. Entrem.
Seguimos pelo hall ate o corredor e daí, para o quarto. Ao entrarmos, avistamos uma grande cama e a sua frente, os pais de Vitor apostos apreciando algo. Ao nos aproximarmos, vemos Alicia deitada e ao seu lado Miguel, cada um tem um dos seus filhos nos braços. Alicia segurava o que eu suponho ser o menino, já que esse está enrolado em uma manta azul. Já Miguel, estava com a menina, enrolada em uma manta rosa. Os dois sorriam abobadamente um para o outro enquanto sorriam para seus filhos. É uma cena linda de se ver. Vitor me abraça por trás e vejo de esguelha que ele sorri. Esse poderia ser o momento perfeito para contar que eu estou grávida, mas esse momento é na verdade de Alicia, Miguel e seus bebês.
Sempre imaginei (naqueles sonhos mais profundos mesmo) contar sobre minha gravidez em um jantar a sós com meu marido. Aí eu iria entregar um presente para ele que iria conter um par de sapatinhos de bebê e ele iria falar “oh, meu Deus” e eu iria sorrir feito uma boba apaixonada e iríamos ser felizes para sempre. Tudo muito clichê, porém eu gosto. E assim vai ser. Irei preparar um jantar romântico o mais rápido possível e contar a novidade.
_Ei, irmão, quer segurar sua mais nova sobrinha? – Miguel diz se levantando.
Vitor me solta e se aproxima do irmão, estende duas mãos e, com muito cuidado, pega a menina no colo e pelos poucos fios de cabelo, já noto que ela puxou a mãe sendo ruiva. Sorrio e me aproximo de Alicia, sentando ao seu lado.
_Seus filhos são lindos. Parabéns! – digo.
_Obrigada! Eles são lindos mesmo, não são? – fala sorridente.
_São sim.
_Todas essas horas de parto valeram a pena. – sussurra ela.
_Lorenzo e Geovana Chiacchio. – murmura Miguel sorridente. – Meus filhos! – completa em italiano.
_Meus netos! – fala Lorenzo, também em italiano.
Sarah e John entram no quarto com Julie no colo e a apresenta aos primos. A pequena fica encantada com eles e pergunta se pode brincar com eles mais tarde. Sarah explica a filha sobre eles serem bebês e frágeis, explicando também que ela já foi daquele tamanho um dia. Por um bom tempo, ficamos ali, aproveitando a companhia uns dos outros e namorando os mais novos integrantes da família. Julie dormiu novamente em meu colo, Vitor ficava uma hora com Lorenzo nos braços, outra com Geovana. Uma vez ou outra, ele me olhava diferente, e eu sei que ele está entusiasmado com essa ideia de ter filhos e ser pai. Mal ele sabe que já é.
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