A Máfia

11 Domingo em família


Notas iniciais
SIM, MEUS AMORES, EU VOLTEI MAIS CEDO!! Vejo todos vocês nas notas finais, hein! Até lá :)

Hoje é domingo e como o combinado iríamos almoçar na casa de Sarah, mas a mãe de Vitor se animou e exigiu sugeriu que o almoço fosse na casa dela. Então, daqui a meia hora estarei presa em um almoço com o homem onde a única relação que temos é a sexual. A vida é bela, não é mesmo? E nesse exato momento, eu estava conversando com Lia sobre o baile enquanto me arrumava. Contei a ela tudo o que aconteceu e ela me ouvia com atenção, mesmo eu achando que ela estava com a cabeça nas nuvens.

_E no fim vocês tiveram a transa do ano, super normal. Quem nunca, não é mesmo? – diz ela em um tom de deboche.

Riu dela e procuro por algo normal para vestir. Vestido ou calça?

_Sabe, você deveria tentar relaxar em relação ao Vitor. Tenta esquecer tudo o que aconteceu de ruim, deixa no modo automático, vai vivendo a sua vida, e se der vontade, faz um charme e vocês transam. – diz ela me dando aqueles conselhos que você pensa “nossa, que perfeito, por que nunca fiz isso antes?”.

Se bem que não é uma má ideia.

_E já que você está oficialmente na Máfia, encha sua cabeça de trabalho. Isso vai ajudar a esquecer Vitor, pelo menos por um tempo. É assim que eu faço quando estou afim de alguém.

_Tem razão, até que você presta para algo, Lia. Mas dá última vez que eu segui seus conselhos, acabei com Vitor, então... – digo.

Ela faz uma careta. Eu sei que no fundo ela se sente um pouco culpada por eu ter conhecido Vitor, mas eu praticamente abri a cabeça dela e tirei esse pensamento de lá.

_Tá na hora de você pensar em você! No caso, na Máfia. Deixe Vitor pra lá, você já pulou de um penhasco por ele, se ele quiser algo, ele que venha trás.

Paro por um momento e reflito em suas palavras. Eu quero e cogito a ideia de fazer isso, o meu medo é de Vitor não ligar e gostar caso eu me afaste.

_Novamente eu tenho que concordar com você. – falo. – E vamos começar isso agora, chega de falar dele. Conte-me sobre você, conseguiu pegar pelo menos um garçom do baile? – pergunto zombando.

Lia se encolhe no chão (estávamos no closet e ela estava escorada em um dos guarda-roupas de espelho) tentando ao máximo esconder o sorrisinho bobo que se formou em sua face.

_Nosso Deus, pelo jeito pegou algo melhor que um simples garçom... – digo notando sua mudança. – Ande logo, me conte tudo.

_Er... você não vai gostar em saber... não mesmo. – fala.

Olho para ela já com milhares de coisas martelando em minha cabeça.

_Não, você não fez isso... – ela não pode ter feito isso!

Ela se encolhe ainda mais no chão.

_UM MAFIOSO, MARCELINA? – grito para ela, não acreditando.

_Era um baile da Máfia, Valentina, você queria que eu pegasse o quê? Um juiz? – ela diz se levantando e se defendendo.

_Olha eu realmente esperava que você saísse com o garçom! – rebato.

Ela semi cerra os olhos para mim e coloca as mãos na cintura, irritada. Ela fica engraçada desse jeito. Mas o ponto aqui é outro... Ela saiu com um mafioso!

_Você tem noção do perigo que você meteu fazendo isso? Ele é m-a-f-i-o-s-o! – digo soletrando a última palavra para ver se ela entendia.

Ela bufa.

_Tá vendo, é disso que eu estava me referindo antes. Você sempre faz tempestade em copo d’água com tudo. Se eu corto o dedo você faz um escândalo, se eu venho te fazer uma visita, você faz outro escândalo. Que isso Valentina, você tem que parar de ser tão histérica!

Ok, Valentina, calma. Não vá matar sua melhor amiga.

Eu não sou histérica! Eu só sempre vejo o lado ruim de tudo. Eu cresci na Máfia, oras. Não existe o lado “bom” de nada. Mas se isso a irrita, tudo bem. Vou parar de me preocupar. Ah, espera, não dá, ela é MINHA responsabilidade aqui dentro. Opa, to fazendo de novo, não é? Ok, não vou mais me preocupar com nada!

_Quer saber, você está certa. Não vou mais ficar fazendo escândalos, ou ficar arranjando briga por ai. – até parece. – Você já é adulta, faz o que quer com quem quiser.

Lia se assusta. Depois se recompõe e faz uma cara de “é isso mesmo!”. Volto minha atenção para as roupas estendidas a minha frente, tenho que começar a me arrumar logo caso queira chegar na hora. E como estava frio decido ir com um sobretudo preto bem quentinho. Por baixo meia calça, também preta e uma bota de cano baixo e com salto alto fino. O céu estava preto, mal havia claridade, por isso não estou me importando muito se a roupa está muito pesada, sei que estou razoavelmente bem. Os cabelos vão ficar soltos mesmo, a maquiagem é básica e é isso ai. Estou pronta.

_Está brava comigo? – pergunta Lia assim que acabo de me arrumar.

_Do que adianta se não posso brigar com você? – falo. – Merda, não quero me irritar com pouca coisa, esse almoço pede que eu esteja de bom humor. Então me conte sobre o cara com quem passou a noite.

Lia sorri de orelha a orelha, ela estava louca para contar. Me sento no puf redondo que tem no meio do closet e me viro para ela, que se ajeita no chão toda animada. Prende os cabelos em um coque e respira fundo.

_Ele disse que se chamava Otavio. É lindo, tem os olhos azuis penetrantes e, nossa, nossa. O cara é muito safado e sexy. Ele disse que ia me ligar, será que ele liga? – pergunta.

Não conheço nenhum Otavio na Máfia com essas características, mas também, é muita gente para que eu me lembre de todos. É até bom eu não conhece-lo, porque isso significa que ele não é tão influente e se ele não é tão influente, ele não é perigoso e se ele não é perigoso ele não... CHEGA VALENTINA!

_Não sei, talvez sim. Você estava linda no baile. – falo, mimando-a um pouco.

Ela sorri e cosigo ver seus olhos brilharem com essa possibilidade. Riu dela e Dominique aparece na porta, pede licença e diz que Vitor está me esperando para sairmos. Despeço-me de Lia e vou ao encontro dele, que me esperava em pé ao lado do carro e ele está lindo! Ele veste jeans pretos, uma camiseta branca e por cima uma jaqueta de couro. Usa também uma touca cinza na cabeça. Céus, como eu adoro toucas. E Vitor estava lindo com ela, na verdade ele estava parecendo um adolescente vestido assim.

_Vai ficar ai babando por mim ou podemos ir? – diz ele.

Difícil não babar quando você se veste como um bad boy adolescente! – penso.

Caminho até ele e ele beija minha testa. Vitor é fofo quando quer. Mas só quando quer mesmo, e provavelmente ele quer algo em troca. Enfim, eu gosto quando ele é assim, afinal, eu mereço ser mimada um pouco.

_Você está linda. Vamos?

Faço que sim com a cabeça e entramos no carro. Ele iria dirigir.

_Não vamos com os seguranças? – pergunto sem entender.

_Vamos, eles estarão atrás de nós. – fala enquanto coloca o sinto.

_Então... Eu posso ir dirigindo? – pergunto como uma criança pedindo doce.

Vitor me olha sério. Sei que ele ainda está um pouco chateado pelo lance do México, mas não vale nada tentar.

_Acho que você já sabe a resposta. – diz ligando o carro.

Bufo irritada e cruzo os braços em sinal de protesto. Não foi culpa minha se Dominique armou tudo aquilo para me sequestrar. Falando em Dominique... O que será que aconteceu com ele? Olho para Vitor e me pergunto das coisas que ele é capaz de fazer, será que é ele próprio que faz as torturas ou ele tem um capataz para fazer por ele? Tanto faz, mas pela minha experiência Dominique teve (ou vai ter) uma morte bem horrível.

_Chegamos. – anuncia Vitor parando o carro.

Nem havia percebido que já tínhamos entrado na propriedade. A casa dos pais de Vitor era na verdade uma casa de campo. Era bem afastado da cidade, porque a viagem de carro demorou bastante. O verde predominava tudo e seguindo uma estrada de terra, você chegava a uma casa grande, tem somente um andar, mas mesmo assim é grande. Ela é branca e tem uma sacada em verde onde tinha uma escada por onde você subia e entrava na casa. É tudo muito lindo.

_Uau.– falo analisando o lugar. – Aqui é muito lindo.

Vitor ri de mim e me puxa até a casa. Sim, ele me puxa, pois eu fiquei que nem uma idiota observando todos os detalhes do campo. Só faltou eu parar para contar as formiguinhas que andavam pelo chão. Irritado, ele me pegou e me jogou em seus ombros. Comecei a rir e a bater em suas costas ao mesmo tempo em que pedia para ele me colocar no chão. Mas quem disse que ele me escutou? Ele até subiu as escadas comigo nos ombros. Louco.

_Ah, o amor jovem. – suspira uma mulher. Vitor finalmente me coloca no chão e eu me viro, é a mãe dele.

_Seu filho é maluco, senhora Chiacchio. – digo arrumando minhas roupas.

Ela mal teve tempo de me responder, pois uma criaturinha de cabelos pretos saiu correndo de dentro da casa e pulou em cima de mim, abraçando minhas pernas.

_Tia Valentina! – disse alongando o “tia”.

Quase caímos para trás é claro, mas a única coisa que fiz foi sorrir para a pequena e pegá-la no colo, a enchendo de beijos.

_Sobrinha Julie! – digo, falando do mesmo modo que ela.

Ela sorri abertamente e diz que agora ela tinha uma tia. E foi nessa hora que Alicia apareceu vestindo um logo vestido florido que realçava ainda mais sua barriga.

_Como assim? E eu não sou sua tia não? – perguntou fingindo estar magoada.

_É sim, mas logo você vai ser mamãe e eu preciso de outra tia para me mimar. – fala.

Céus, como as crianças de hoje em dia são. Todos caem na gargalhada. Até mesmo Vitor ri da sobrinha e a abraça, pega ela no colo e eles saem da minha vista, indo para o campo. Vou e cumprimento Alicia, depois a mãe de Vitor e assim entro na casa. Já na entrada, havia uma sala bem ampla, o chão é de madeira, assim como a maioria dos moveis. Miguel e John conversavam sobre algo quando entramos, e Sarah, assim que ouviu minha voz cumprimentando os meninos, saiu da cozinha vestindo um avental e nele estava escrito “beije a cozinheira”.

_Se é assim. – disse John se levantando e a beijando apaixonadamente.

Todos riram dos dois e Sarah ficou levemente corada depois disso.

_Venha Valentina, estamos preparando o almoço. – chamou ela.

Fomos todas nós, eu, Alicia, Sarah e Margaret, mãe de Vitor e também de Sarah e Miguel, para a cozinha. E ela é tão linda quanto o resto da casa, na verdade é uma cozinha simples, toda rústica. Os moveis de lá são azuis borrado com branco e no meio há um grande balcão.

_Valentina, conte nos suas habilidades na cozinha. – pede Sarah que meche em algo no fogão.

_Ah, eu só sirvo para a sobremesa e sucos. – falo.

_Ótimo, a sobremesa hoje é por sua conta. O que pretende fazer? – ela pergunta novamente.

_Bom, — o que é mesmo que eu sei fazer? – acho que brigadeiro vai agradar a todos. O que acham?

_Brigadeiro? O que é?

Pergunta Margaret acompanhada da cara de interrogação de Sarah. Apenas Alicia se debruçou sobre o balcão e fez aquele “hm” gigantesco.

_Eu adoro brigadeiros. Eu quero brigadeiro, por favor, faça brigadeiro! – pede.

Rimos dela e todas nós concordamos que a sobremesa de hoje seria brigadeiro.

Enquanto cozinhávamos (observação: eu só fiz o brigadeiro e o coloquei para esfriar!) conversamos sobre muita coisa. Tipo, sobre muita coisa mesmo! E eu ria, chorava, me assustava e ria um pouco mais com elas. Margaret intercalava suas histórias sobre a infância de Vitor, Sarah e Miguel e suas aventuras quando mais jovem. E confesso que Vitor quando criança foi uma criança muito levada, vivia aprontando com os irmãos. E eu estava louco para ver suas fotos da infância e poder zua-lo. Ai, como eu sou má.

Depois começamos a conversar sobre os talvez filhos de Alicia. Margaret não gostava da ideia de ter que esperar ela dar a luz para enfim saber o sexo e a quantidade de netos que ganharia. Já Sarah, apoiava a decisão do casal, e disse que dá próxima vez que ficasse grávida, faria a mesma coisa. Margaret pirou, é claro. Quase mijei de tanto rir com elas! Os nomes que ela tinha escolhido eram: se caso fossem gêmeos, dois meninos, seria Lorenzo e Enzo. Se fosse um casal, seria Geovana e Lorenzo. Se fossem duas meninas, seria Geovana e Pietra. Se você apenas um, ou seria Pietra ou Lorenzo.

_Dio mio, quantos nomes para decorar. Se soubéssemos o sexo, não precisaria disso tudo! – comentou Margaret.

_São nomes lindos, Alicia. – a elogio.

_Obrigada! –diz acariciando a barriga.

_Quando você ficar grávida, Valentina, por favor, não faça essa loucura. – comenta a mãe de Vitor.

Se eu contar que eu estava bebendo suco no exato momento em que ela disse isso e eu meio que me desesperei com a ideia de eu um dia ficar grávida e ter cuspido todo o suco no balcão, vocês acreditariam? Porque eu fiz exatamente isso! Ai depois fiquei tossindo igual a uma idiota, e elas, claro, riram de mim.

_Calma, querida. Foi só uma hipótese. Vocês ainda são muito jovens para serem pais. – disse Margaret, enquanto limpava a bagunça que eu fiz.

_Desculpe-me. – disse eu envergonhada.

_O almoço está servido! – comemorou Sarah em italiano.

Todos bateram palmas em um tipo de comemoração familiar, eu fiquei ali, sorrindo de tudo, e achando aquela família maravilhosa. Eu quase não tenho família, meu pai não tem irmãos e a família da minha mãe nem se fala, então eu nunca sai para almoçar com a grande família, isso tudo é novo para mim, mas é claro que eu estou amando tudo!

Depois que ela anunciou que já estava tudo pronto, nós saímos da cozinha e fomos para a sala de jantar, nós sentamos e ficamos esperando as empregadas vir nos servir. O problema é que nem Vitor e nem Julie estavam presentes. E eu, como uma boa tia e uma boa esposa, fui atrás dos dois.

E adivinhem onde os dois pestinhas estavam? Brincando na grama. Agora imaginem o Vitor, o mafioso, o cara mal, aquele que mata pessoas e tudo mais rolando na grama com a sobrinha pequena. Imaginaram? Os dois corriam, gritavam, riam um do outro e se jogavam na grama. É uma espécie de pega-pega meio maluco. Eu não me aguentei e caí na gargalhada. Os dois estavam imundos. Quando perceberam a minha presença, Vitor pegou a Julie no colo e veio até a mim.

_O almoço já está sendo servido. – disse segurando o riso. – Vocês dois estão imundos, Vitor a Sarah vai matar você quando vir o estado da filha!

_A culpa não foi minha, ela que começou. – disse fazendo careta para a menina.

Que retribuiu, é claro.

_É melhor vocês entrarem escondidos e irem se limpar. – digo.

_Tem razão. – diz Vitor.

E então eles entram escondidos pela cozinha e vão se limpar. Já eu volto para sala de jantar e finjo que nada aconteceu e que eles apenas foram lavar a mão. E cerca de uns cinco minutos depois eles voltam limpinhos! Como pode isso?

Julie vai para o lado da mãe e Vitor se senta ao meu. Ele tem um sorrisinho de lado. Puto.

_Como você conseguiu fazer isso? Julie está impecável! – sussurro para ele.

Sim, eu estava esperando que Sarah brigasse com ele, mas ele acabou com a minha alegria.

_Eu tenho as minhas habilidades, Valentina. – sussurra de volta.

Sorrio com o duplo sentido da coisa. Vitor às vezes consegue ser mais sacana do que eu.

O almoço foi tranquilo e super animado. Todos conversavam (gritavam) ao mesmo tempo. A hora mais especial foi quando o bebe (ou os bebes) de Alicia chutou (ou chutaram, droga estou começando a achar que Margaret está certa sobre isso.) sua barriga e ela e Miguel sorriram de canto a canto. Foi um momento lindo de se ver. Ai depois, na hora da sobremesa todos ganharam um potinho com brigadeiro, menos Alicia, o dela eu fiz questão de deixar na panela, até porque todos adoram brigadeiro de panela e grávidas nem se fala.

_Ai meu Deus, como isso aqui está uma delicia. – comenta Alicia, e ela é americana, caso queiram saber.

_Que bom que gostou! – sorrio.

Na verdade todos amaram! Expliquei que aprendi a fazer brigadeiro quando eu fui para o Brasil quando mais nova e desde então, sempre faço. Mentira, fazia anos que não comia brigadeiro. Mas meu brigadeiro é uma delicia.

Depois de termos acabado com tudo, os homens foram conversar em particular. Se eu fiquei curiosa? Imagina... E nós mulheres fomos conversar sobre coisas de mulheres. Hunf, queria estar com eles. Será que vai ser muito estranho se eu ficar ouvindo atrás da porta com um copo? Droga, como eu sou curiosa! E para matar o tempo, foi a minha vez de ir brincar com Julie no quintal e essa menina não se cansa nunca. Corremos, pulamos, gritamos e corremos mais e no final estava toda suja. Agora sim Sarah vai enlouquecer e vai ser comigo. Mas depois de um tempo, Julie reclamou que estava cansada e voltou para dentro da casa, eu aproveitei esse momento e fui até o estábulos ver os cavalos. Eu já disse que amo cavalos? Por que eu amo. Tá, na verdade eu amo um monte de coisas e cavalos é uma delas.

E eles tinham quatro cavalos! QUATRO. Um preto lindo, um marrom maravilhoso, um branco divino e outro mestiço. Eu fiquei meio que, nossa!

_Você está parecendo uma criança. – a voz de Vitor me tira do mundo mágico que criei com os cavalos e me traz de volta para a realidade.

_Eles são lindos. – digo.

_E você está imunda. – nossa, como meu marido é um amor de pessoa.

Faço careta para ele e explico que eu fui alvo da Julie em suas brincadeiras malucas, ele riu. Depois olhou ao redor e deu um sorriso, como se estivesse se lembrando de algo.

_O que foi? – perguntei.

_O que você está vestindo por debaixo desse sobretudo? – perguntou.

_Nada, por que?

Ele se aproximou e me prensou contra a madeira. Sussurrando:

_Porque me lembro perfeitamente de você dizendo que devia ser divertido fazer amor em um estábulo e aqui estamos nós.

Meu coração pulou. Ele disse “fazer amor”. Ai céus. Esse homem ainda me mata. Sorrimos e de repente estávamos nos pegando dentro do estábulo, e não, não chegamos a fazer aquilo. Julie chegou e atrapalhou o nosso momento. Estou oficialmente tirando a possibilidade de ter um filho da minha lista.

Ela veio se despedir e como ela havia cortado o clima, decidimos voltar e nos despedir de todos. Ai foi aquele momento onde todos se abraçam e dizem “vá lá em casa um dia desses” e você sorri educadamente e responde “eu vou sim” e essas coisas. O chato é que eu realmente queria que isso acontecesse, a família de Vitor é tão legal que nem parece ser a família dele.

***

POV’s Vitor Chiacchio.

O clima no escritório de meu pai estava tenso. Os problemas estavam ficando cada vez maiores, estavam saindo do controle e eu não sei qual decisão tomar. O mais tenso aqui é Miguel por conta da mulher grávida, ele enlouqueceria se algo acontecesse com eles.

_A nossa entrada na costa nostra só piorou as coisas, Vitor. Devia ter esperado mais.

Suspiro pela quarta vez, eu não tive culpa se Valentina descobriu tudo antes do esperado. Eu iria esperar as coisas se acalmarem na Máfia para enfim contar a ela. Mas as coisas fugiram do controle.

_Eu sei Miguel, mas não tive outra opção. Valentina descobriu tudo antes e não tive como adiar. – explico.

O causador de todo esse problema é Valentin. Ele está puto da vida comigo, por causa de Valentina. Ele a ama. Na verdade ele é doente por ela e está disposto a acabar comigo e com todos que o afastam dela. E como ele não faz parte da costa nostra, ele está se reunindo com outras Máfias que também não participam dessa organização para começar uma guerra.

_Valentin está conseguindo juntar as outras Máfias contra nós. – diz meu pai. –Temos que nos reunir formalmente e conversar sobre isso.

Me irrito só de ouvir o nome dele em voz alta. Tenho quase certeza de que foi ele quem mandou sequestrar Valentina no México. Eu não sei como ele ousou e se atreveu a tentar fazer isso. Quando eu o encontrar... Já o encontrei uma vez, na verdade. No dia seguinte que Valentina acordou, no mesmo dia em que brigamos no café da manhã, saindo de lá fui direto para o quartel dele, deixar claro que Valentina é minha esposa agora e que não queria ele a perturbando mais, sei que ele ainda mantém contato com ela, e isso me irrita muito. Pois o cara matou o irmão dela para ficar com ela, não entendi muito bem essa historia, só sei que o culpado da morte do irmão dela é Valentin. Foi por isso que ele foi expulso da costa nostra.

_E Dominique. Ele já disse algo importante? – perguntou Miguel.

_Ainda não, mas estou me divertindo com ele. – digo sorrindo só de lembrar os métodos de tortura que estou usando com aquele mexicano. – Tenho certeza que ele não morre sem me dizer algo importante.

_E sobre o informante? Descobriu algo? – perguntou John.

Respiro findo. Tenho mais do que certeza de que tem um maldito informante na Máfia, se não, como Dominique saberia que Valentin estava indo buscar o carregamento de armas sozinha? No começo, duvidei de Muriel, porque foi ele quem induziu Valentina a ir até o México, mas depois conclui que não poderia ter sido ele, pois ele se tornou um homem fiel a Máfia, cometeu um deslize, mas ele já pagou por ele. Então, quem poderia ser? Só sei que quando descobrir o desgraçado vai sofrer como nunca.

_Ainda não. – falo.

_Tenho recebido ameaças, ameaçam minha mulher e meu filho. Se acontecer algo com eles, eu não sei o que

_Não vai acontecer nada, Miguel. Vamos resolver isso. – meu pai o cortou confiante.

Alicia, infelizmente, pegou um momento ruim para engravidar. Eu até temo pela segurança dela de vez em quando, porém sei que ela está sendo bem protegida. Não só ela, como todos correm o risco, até mesmo Valentina, Valentin é um louco obcecado e pode machucar até mesmo aquela que ele diz que ama. E também não quero nem pensar quando Valentina descobrir o que Valentin está fazendo, com certeza ela iria atrás do francês. E eu não quero isso, Valentina é bem explosiva, é quase uma bomba relógio e ninguém sabe quando ela vai explodir. Uma hora está bem e na outra quer matar todos que vê pela frente. E o casamento só piorou as coisas, o emocional dela ficou bem mais fudido do que já era, mas quero me certificar de que ela irá melhorar, afinal ela é minha esposa, me importo com ela.

Todas as noites que ela passou desacordada, eu fazia questão de passa-las ao lado dela e eu a deixava se envolver em mim, pois ela me abraçava todas as noites, mesmo não percebendo ou se lembrando, ela fazia e às vezes, ainda faz. E eu gosto quando ela faz isso. Sinto que sou a única pessoa que posso protegê-la do mal, mesmo eu sendo esse mau em algumas ocasiões. Pois eu a machuquei muito que nem sei mais se ela ainda me ama, tenho serias dúvidas agora. Eu não sou capaz de ama-la do jeito que ela me amou, e não sei se um dia conseguiria sentir algo tão forte por alguém novamente, mas o que Valentina faz comigo... É diferente, é novo. Não é apenas o sexo, é o que ela faz comigo, ela consegue me levar às alturas ao mesmo tempo em que consegue me tirar do sério. Essa garota é surreal. E de algo eu tenho plena certeza: eu me joguei de um penhasco atrás de Valentina uma vez, e se fosse necessário e preciso, eu me jogaria novamente por ela. E ninguém mais a machucaria.

Ninguém toca no que é meu. E Valentina pertence a mim.

Sei que pareço louco e insano assim, porém, não sou um homem complicado e muito menos confuso, como Valentina pensa, sou só um homem de valores.

Sou um mafioso.

Notas finais
EAI? GOSTARAM? ODIARAM? Aiaiai, ficou bom ou não? O capítulo de hoje ficou bem "clean", mas eu queria que vocês soubessem como é a família de Vitor e tudo mais. E o pov's do Vitor? O que acharam dele? De Valentin? Esse cara é louco, não é? HSAUSHAU Bom, me deixem perguntar algo... Vocês acham que os capítulos estão muito grandes? Porque as vezes isso pode cansar a leitura e sei lá, vocês podem ficar cansadas e desanimadas com os tamanhos deles, então me digam se gostam ou não. E outra coisa, OBRIGADA A TODOS QUE FAVORITARAM A FIC! Ai como eu fiquei feliz com isso cara, sério! E eu também sei que tenho leitores novos e seria muito bom se vocês aparecessem e deixassem a opinião de vocês sobre a fic! É isso, gente. Vejo vocês no próximo :)