A Máfia

33 Até mesmo os vilões têm seus finais felizes.


Notas iniciais
-Para não perder o costume- Oi oi meus amoresssss, como vocês estão? Eu to meio Valentina hoje, com os hormônios a flor da pele, pessoal, o último capítulo de A Máfia é esse. O drama mexicano e nada clichê de Vitor e Valentina chega ao fim nesse capítulo. Mas já avisando que, tecnicamente, não é o último - último - capítulo, pois haverá mais um, que será na verdade um prólogo para - tãn tãn tãn tãn - a nova história que euzinha e a escritora Mari iremos escrever. E que tem tudo a ver com A Máfia e a história dela. Mas o fim, fim mesmo de A Máfia, é esse. Tá, sem mais delongas vão ler...

Vitor Chiacchio

Quando eu tinha dezesseis anos, meu avô, Charles, me contou tudo o que eu precisava saber sobre a Máfia. Seus valores, domínios, importâncias, o mal que fazia para a sociedade, o lucro que levávamos para o governo... Tudo, sendo entre eles o mais importante, o perigo que se corre quando se é chefe de uma organização mafiosa.

Pessoas morrem. É o ciclo da vida. Mas dentro da Máfia, é diferente.

Quando completei dezessete anos, meu pai e avô começaram a me levar com eles em suas viagens de negócios, para que eu entendesse na prática os negócios mafiosos. Foi nesse período que conheci importantes chefes da Máfia membros da Cosa Nostra.

A Máfia da minha família foi banida da Cosa Nostra por traição há muitos anos, e desde então, meu bisavô – e assim por diante – tentava de alguma maneira voltar a fazer parte do maior clã de famílias mafiosas do mundo todo. Mas era praticamente impossível. Por muitas vezes, acompanhei meu avô em uma reunião com o principal chefe da Cosa Nostra, Augustos Baldocchi, mas não havia nada para se fazer, traição na Máfia é coisa séria, dentro da Cosa Nostra então, é bem pior.

Sob o comando da família Baldocchi a mais de anos, era a vez de Augustos comandar a Cosa Nostra. Uma pessoa de valores, Augustos levou a risca todos os mandamentos da Máfia, e isso fez dele um dos homens mais temidos e respeitados do mundo mafioso. Ele cogita as leis dentro da Cosa Nostra, e seu pessoal abaixa a cabeça e concorda. Simples assim. E como todo homem poderoso, ele precisaria de um herdeiro para continuar seu legado, e ele tinha um perfeito para tal coisa, seu filho, Luca, era uma cópia fiel do pai, talvez fosse um pouco mais misericordioso, mas era perfeito para continuar os negócios da família. E se não fosse por Valentin Corletto, ele teria continuado. E talvez tudo tenha seguido um rumo diferente.

Enfim, com a morte de Luca, só restou para um membro da família Baldocchi toda a herança mafiosa, a filha de Augustos. Valentina era tudo que ele tinha, sua menininha. E depois da fatalidade com Luca, seria ela quem teria que continuar com os negócios. Só que Valentina já tinha cicatrizes de mais deixados pela Máfia, e também todos os motivos do mundo para odia-la e ela batia o pé dizendo que nunca se tornaria uma mafiosa. E isso, claro, era um grande problema.

E foi aí que eu e minha Máfia entramos. Aproveitamos a pequena brecha e apresentamos nossa proposta. Ele precisava colocar a filha no mundo mafioso e eu, entrar na Cosa Nostra. Foi uma troca perfeita, matamos todos os nossos problemas com uma bala só. Mas não foi tudo planejado com tamanha frieza como Valentina sempre pensou. Não. Há algo que o pai dela não contou a ela e eu muito menos.

Resumindo, se Valentina não assumisse o poder da Cosa Nostra logo, ela seria morta.

Sim, mesmo com Augusto sendo o Don, ele sabia que havia valores e regras a se seguir. Uma Valentina mencionou o caso dos dois irmãos, o mais novo, que queria comandar a Máfia e o mais velho, que não. Como o mais velho é quem herda tudo, e o mesmo não a queria, ele foi morto. Mas não por crueldade do irmão mais novo, Dios, eles se amavam! Mas sim porque era o que tinha que ser feito. É assim que se faz dentro da Máfia. E aconteceria a mesma coisa com Valentina se seu pai não fizesse algo para impedir, e ele não aguentaria perder outro filho de uma maneira tão brutal. Foi por isso que ele aceitou minha proposta. E durante as poucas reuniões que tivemos para conversamos sobre isso, eu podia ver a dor que Augustos sentia ao planejar tudo aquilo, porém era necessário. Eu não entendi porque ele não quis contar a verdade para a filha, e em vez disso, a deixou odia-lo por um bom tempo, achando que ele tinha planejado tudo a sangue frio. Se ela soubesse que poderia ter morrido, talvez ela teria considerado.

Só que com Valentina a vida é cheia de talvez. Nada com ela é oito ou oitenta. Ela está sempre mudando de opinião, você nunca sabe o que esperar dela. Ela pode ser mais definida como uma mulher de fases, sempre pendendo para um lado, sempre mudando... Mas de uma coisa é certa, quando Valentina coloca uma coisa na cabeça, ninguém tira! E quando ela ama, ninguém é capaz de desfazer esse sentimento. De jeito nenhum. Valentina é única, e eu sou grato por ter o amor de uma mulher como ela.

E é verdade, eu me joguei de um penhasco atrás dela, e me jogaria de outros mil por ela, sem pensar duas vezes. Mas não foi naquele momento que eu percebi que uma parte de mim a amava. Foram anos atrás, quando eu a vi pela primeira vez, aos dezoito anos em uma viagem com meu avô à Itália. E sem mais delongas ela me encantou e eu nem precisei saber seu nome, ou ouvir sua voz, muito menos experimentar o sabor de seus lábios. Nada disso. E se for besta dizer que me encantei a primeira vista, eu quero ser o homem mais besta desse mundo. A partir daquele momento, eu quis saber de tudo dela, cada detalhe de sua vida e achar um jeito de me aproximar. Coloquei homens atrás dela, mas não porque estava apaixonado, no começo foi algo para passar o tempo, uma curiosidade e descobri que Valentina deu muitos problemas aos pais, pois estava sempre fugindo no meio da madrugada para uma festa, ou pelo simples fato de querer ficar sozinha na praia de Modello, que acabou se tornando sua praia favorita. E quase sempre, as fotos que eu recebia, Marcelina estava nelas, acompanhando a amiga. Elas eram como carne e unha, e continuam assim até hoje. Também fiquei sabendo logo cedo da raiva que Valentina tinha do mundo mafioso e que isso era um problema para o pai, principal depois da morte do irmão mais velho.

E foi aí que tudo começou. As negociações do tratado de volta da minha Máfia para a Cosa Nostra e o plano para me aproximar de Valentina. No começo, eu achei a ideia louca, como um pai podia pensar em uma coisa dessas para a própria filha? Até cheguei a achar que Augustos queria se livrar da filha e de seus problemas, a última coisa que eu queria era atingir Valentina dessa maneira. Foi então que ele me contou que ela seria morta caso não se cassasse e que estava desesperado e essa era, de verdade, a única solução. Eu aceitei sem pensar duas vezes.

A ideia de fugir durante um mês foi de última hora, eu decide naquele momento. Fiquei mais surpreso que a própria Valentina se quer saber, mas é que eu precisava descobri-la. Saber mais sobre ela, porque Valentina é tão misteriosa que acaba se perdendo nela mesma. E eu queria, antes dela me odiar para sempre, passar um tempo com ela como duas pessoas normais, se descobrindo e principalmente se amando. Ela me amou primeiro, mas acho que quem descobriu isso fui eu, quando a vi pela primeira vez. E nesses trinta dias que passamos como pessoas normais, eu a vi. Vi quem ela era de verdade, uma mulher de verdade cheia de cicatrizes que se escondia de si mesma. No fundo tudo o que ela queria era ser amada, entregar seu coração para alguém e se permitir amar. Eu tive essa chance, mas fui idiota demais. Eu queria ter sido o homem que ela sempre quis de primeira, mas assim como ela, o amor também me assustava.

A única coisa da qual me arrependo foi de ter sido estúpido com ela no começo.

Porque Valentina foi a melhor coisa que me aconteceu.

Às vezes eu me perguntava como eu podia ter uma mulher como ela, me amando daquela maneira sendo que eu sou um vilão. Vilãos não têm finais felizes e muito menos histórias de amor. Um dia eu cheguei a dizer isso a ela, a sua resposta foi simples e rápida:

“Nunca comparei a minha história com as dos filmes, mas se você acha que é o vilão dela, eu vivo em uma terra de constante maldade e você é a minha luz. E talvez, só talvez... Eu seja mesmo mais chegada em vilões. Eles são os meus favoritos.”

Quando ela levou aquele tiro por mim eu fiquei sem chão. Se eu perdesse Valentina, eu me perderia.

Mas Valentina foi valente. Ela sobreviveu.

Quando a levamos para o hospital, em Sicilia mesmo, foram horas e mais horas de cirurgia, os minutos pareciam durar eternidades até finalmente alguém aparecer e dizer que ela e meu filho estavam fora de perigo. A partir daquele dia Valentina não deu um passo sem que eu a estivesse monitorando. Eu e mais cem homens contratados apenas para isso, monitora-la e protegê-la. Ela faz piadas com isso, dizendo que só falta eu colocá-la em um quarto na torre mais alta que eu encontrasse, e eu faria. Para protegê-la eu faço de tudo.

Ficamos dois meses em Sicilia, até ela se recuperar da cirurgia e depois voltamos para Chicago. Compramos outra casa, já que a outra ficou com uma parte destruída e era totalmente desconfortável andar por aquele jardim sem nos lembrar do que aconteceu. Minha maior preocupação era que Valentina ficasse deprimida, ou coisa assim, quando um acontecimento é muito forte para ela, ela se fecha. Mas não. Ela pareceu ficar mais feliz, alegre. Seu sorriso não saia de seu rosto e isso me encantava, e continua me encantando e é bem provável que me encante até o último dia que eu puder vê-lo. E eu? Bem, a cada dia que se passa eu me encontro mais apaixonado por minha mulher.

E vendo ela agora, feliz do jeito que está, também me deixa feliz.

É natal. E como ela sempre sonhou, reunimos nossas famílias para celebrar o vinte e cinco de dezembro como uma família grande e feliz – como ela vive dizendo. E ela está linda. Com a barriga enorme de oito meses, contando os dias para dar a luz e irradiando uma beleza invejável, Valentina não demonstra nenhum vestígio de quem sofreu no passado. Sua única preocupação no momento é o dia do parto. Ela tenta esconder, mas sei que por dentro ela está apavorada. Já tentei tranquiliza-la de todas as maneiras, mas a mesma bate o pé dizendo que se doer demais, eu nunca irei tocá-la novamente. Valentina e seus dramas...

_Bela festa. – Muriel diz ao se aproximar e parar ao meu lado em frente à lareira.

_Elogie Valentina, tudo isso é coisa dela. – explico sorrindo ao me lembrar dos dias que ela não falava de outra coisa a não ser essa festa familiar.

Muriel também ri e ficamos parados observando a festa acontecer. Na gigante sala de estar, bem no meio, tem uma arvore de natal enorme decorada e embaixo dela, pilhas enormes de presentes. Minha mãe e a de Valentina estão sentadas no sofá e conversam entretidas sobre algo, já meu pai e Augustos estão no outro sofá jogando conversa fora. Miguel está perto da arvore de natal com Geovana no colo lhe mostrando os pequenos papais noéis de diversas cores. Lorenzo está no colo de minha irmã, Sarah, e dorme tranquilamente. Mark também está celebrando o natal conosco, pelo que Valentina me contou, ele é órfã e iria passar o natal em seu apartamento no centro da cidade quando ela o convidou. E ao meu ver ele é muito bem-vindo, esse garoto é um prodígio e em pouco tempo trabalhando para mim, já me serviu muito mais dos que os outros.

Uma música tosca natalina está no modo repetitivo e eu estou me segurando para não atirar no aparelho de som. Valentina entra na sala, acompanhada de Julie e as duas riem de algo. Quando a vejo, sinto meu coração parar por um segundo. Acho que acabo de me apaixonar ainda mais por ela. Posso guardar essa imagem dela para sempre em minha mente. Ela está linda! Usa um vestido vermelho – bem curto por sinal. – solto, acima do seu colo, o vestido tem alguns detalhes em preto, deixando uma parte dele a mostra. O vestido resalta bem sua barriga e assim que ela entra, nossas mães se levantam para acariciá-la. O que é engraçado, pois Valentina odeia que toquem em sua barriga, acredite, ela é ciumenta até com isso. Quando ela faz uma careta, sorrio. Ela me olha. Sorrimos. E me apaixono um pouco mais.

Se ela soubesse a sensação boa que sinto quando ela me olha assim...

_Como é estar se tornando pai? – Muriel pergunta de repente, me fazendo desviar a atenção de Valentina para ele.

_Não deixe que ela saiba, mas é um pouco apavorante. – digo e rimos. – Vai saber assim que se tornar um.

No instante seguinte Marcelina entra e ao avistar Muriel sorri para ele, o chamando.

_Não deixe que ela saiba, mas espero não saber essa sensação tão cedo. – sussurra ele a mim antes de ir ao encontro dela.

Muriel durante esses meses se tornou um grande amigo para mim. Antes eu o odiava porque tinha ciúmes de Valentina, mas depois de tudo o que aconteceu, ele ficou ao meu lado, dando suporte a apoio, assim como Marcelina. Eles realmente se tornaram pessoas importantes na minha vida e entendo porque Valentina os adora tanto, são ótimas pessoas.

_Sr. Chiacchio, pronto para um jantar natalino em família? – Valentina se aproxima dizendo.

_Mais preparado impossível! – a puxo por um beijo e a beijo com delicadeza, aproveitando cada segundo. – O que acha de subirmos para o quarto? – sussurro em seu ouvido.

Ela dá um tapa em meu ombro sorrindo em resposta.

_Eu já disse que te amo hoje? – pergunto e ela cora.

Acho lindo quando ela fica corada.

_Já, já disse. – diz tímida. – E eu adoro quando diz.

_Eu amo você. – declaro.

_E eu amo você. – diz ela.

Sorrio. Eu também adoro ouvir isso da boca dela. É libertador, como se eu tivesse todos os meus pecados perdoados quando ela me diz isso. Valentina pega minha mão e, juntos, caminhamos até a sala de jantar, onde uma enorme mesa repleta de diversas comidas natalinas havia sido posta. Todos já estavam sentados, nos esperando, e sentamos um do lado do outro, na ponta da mesa. Edna, cozinheira e uma segunda mãe para Valentina, foi quem preparou a entrada principal. Todos começaram a conversar entre si, conversando com animação e aproveitando o momento uns com os outros. Valentina conversa animada com Lia e permito a ficar a observando. Ela está feliz. E talvez eu já tenha dito isso milhares de vezes, mas ela também está linda!

_Será que agora podemos abrir os presentes? – Julie pede chamando a atenção de todos.

Rimos da pequena e Sarah concorda. Todos se levantam e retornam a sala, Valentina é a última a se levantar e assim que o faz, fecha os olhos com força e geme baixinho, abraçando a barriga.

_Valentina, o que foi? – estendo os braços para ela, a segurando.

_Nada... Foi só uma pontada. – explica. – Vem, vamos abrir os presentes!

Caminhamos até a sala atrás dos outros e nos sentamos em uma poltrona um ao lado do outro. E de um em um, começamos a trocar presentes. Julie se esbaldou com todos aqueles brinquedos novos, o próprio pai de Valentina, Augustos, a encheu de diversas coisas, de roupas a aparelhos eletrônicos de ultima geração. Os gêmeos também foram paparicados. Eu não sei como eles irão usufruir de tudo aquilo, mas...

_Agora é a minha vez. – anuncio.

Todos me olham surpresos, principalmente Valentina.

_Combinamos que não trocaríamos presentes. – sussurra ela.

_Eu sei, mas eu não resisti. – respondo com um meio sorriso.

Retiro uma caixinha preta e estendo a ela, que esboça um sorriso tímido.

_Aproveita e se declara de uma vez. – exalta Sarah, arrancando um murmurinho de todos ali. Valentina cora mais ainda.

_Declaração é coisa de homem que não é bom de cama. – Muriel comenta, recebendo uma cotovelada de Marcelina.

_Mamãe o que é ser bom de cama? – Julie pergunta curiosa e Sarah olha feio para Muriel.

Eles começam a conversar e meus pensamentos ficam presos na palavra declaração. Acho que mesmo se eu tentasse, não conseguiria expressar com palavras o amor que sinto por essa mulher. Mas se querem saber, Valentina merece, e não dou à mínima se irei fazer isso na frente de todos, quando um homem ama, não tem hora e muito menos lugar para esse tipo de coisa. Basta sentir.

_E adoro você. – declaro. – Adoro os sorrisos de lado que você dá quando acha algo estupidamente engraçado. Adoro sua teimosia que, mesmo sabendo que está errada, insiste em bater o pé. Adoro o jeito que sorri, irradiando o meu mundo. Adoro o jeito que você cora quando tenta me ganhar no jogo do sério. Adoro esse seu jeito de me fazer adorar tudo o que é seu. E o mais importante, eu adoro adorar você. Mesmo sendo o palhaço às vezes, eu adoro ser quem a faz se sentir adorada.

Abro a caixa, revelando seu conteúdo. Um colar delicado de ouro com apenas um pingente, um bonequinho com a letra i gravado atrás. Valentina sorri emocionada e toca o pingente com carinho, mas então sua expressão muda para espanto, me deixando confuso.

_Minha bolsa. – diz nervosa.

_Sua bolsa? Por que precisa da sua bolsa, Valentina? Estamos em casa, não iremos a lugar...

_Vitor! – grita agarrando meu braço. – Minha bolsa, ela... Ela estourou! Nosso filho vai nascer... Agora!

Encaro Valentina observando seu tom de pele natural ir ficando branco, e demora um pouco para que eu raciocinasse, assim como todos aqui presentes. Apenas quando Valentina dá seu primeiro gemido de dor que todos nós nos manifestamos. Levanto-me rapidamente me colocando ao seu lado e a ajudando a levantar, enquanto alguém grita desesperado por um carro. Dr. Richard que já está aqui nos auxilia. Valentina havia quebrado uma tradição dentro da Cosa Nostra que é ter o filho em casa, e nos fez jurar que a levaríamos ao hospital quando chegasse a hora. E é o que iremos fazer.

Todos gritam desesperados à medida que Valentina grita de dor. É uma confusão e eu não sei lidar com isso, sinceramente, achei que seria mais fácil. Mas fico com Valentina a todo instante, segurando sua mão, que ela aperta sempre que sente uma forte contração. E Dios, como dói! Quando chegamos à clínica do Dr. Richard – eu, Valentina e nossas famílias gritando desesperados atrás de nós. – um enfermeiro aparece e a colocamos em uma cadeira de rodas.

_Dios Santo! Você nunca mais vai tocar em mim novamente, ouviu Vitor? Nunca mais! – esbraveja Valentina e eu me permito sorrir.

Valentina solta um grito cortante e aperta minha mão com tanta força, que caio ajoelhado ao seu lado jurando que pelo menos um dedo, ela havia quebrado.

_Eu quero que isso acabe logo. – choraminga.

_Eu sei, amore mio, vai dar tudo certo. Estou aqui, calma.

Ela olha para mim e eu a beijo com calma, depois o enfermeiro a leva para a sala de parto e eu e sua mãe a acompanhamos.

E foi no dia vinte e cinco de dezembro que minha mulher deu a luz ao meu filho Ian. E esse é o de longe, o melhor presente que eu poderia ter ganhado.

***

Valentina Chiacchio Baldocchi

Certo.

Bom, eu sempre soube que seria mãe um dia, mesmo que essa ideia me deixasse com náuseas, eu sempre sonhei em ser mãe. Acho que todas as mulheres são assim, na verdade, elas são criadas sendo preparadas para esse dia. Afinal, brincar com bonecas tem lá as suas finalidades. E quando você está prestes a se tornar mãe, você entra em todos os tipos de cursos possíveis para aprender a ser uma. E você até aprende. Mas tudo muda no dia do parto.

Não há regra ou dica que te ajudem a passar por aquilo. É só você.

Se dói? Muito. Se vale a pena? Com certeza.

Ian Chiacchio Baldocchi veio ao mundo no dia vinte e cinco de dezembro, na noite de natal e foi uma grande surpresa. Afinal, o parto estava programado para ser em janeiro do ano seguinte, mas foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado. Vitor ficou ao meu lado todo o tempo, me dando suporte. Minha mãe me auxiliou e foi incrível compartilhar esse momento com ela. Minha mãe comigo no momento que eu me tornava uma, é mesmo inexplicável.

Sabe, um filho muda você. Quando aquela coisinha pequenininha entra na sua vida dependendo de você e sem um manual de instruções, vira sua vida de cabeça pra baixo. Nem tudo são flores, claro que não, mas todas as noites mal dormidas valem a pena quando você acorda no dia seguinte e encontra seu filho de apenas alguns meses sorrindo para você. O primeiro passo. A primeira palavra... Tudo passa tão rápido que quando você percebe, ele já está com a primeira namorada, depois com a segunda, terceira... Filho de um deus grego como o Vitor, não podia ser diferente, não é mesmo?

Ian tem os olhos azuis, igual aos dá avó paterna, Margaret. O cabelo é castanho escuro igual ao meu. Seu porte físico e cada linha de seu rosto, é a copia exata de Vitor. E seu jeito marrento de ser, pode ser que tenha puxado de mim, mas a superioridade que ele foi adquirindo ao longo dos anos, com certeza foi coisa do meu pai. Ian sempre foi muito amoroso, uma criança adorável. Não foi muito difícil educá-lo, ele respeitava todos a sua volta, pois sabia que assim seria respeitado. À medida que foi crescendo, Vitor e eu falávamos um pouco da Máfia para ele, e depois inserimos a Cosa Nostra. Ele entendeu tudo perfeitamente, e infelizmente, gostou do mundo mafioso. Sempre deixei bem claro que ele poderia ser quem quisesse ser, sem se importar com a Máfia, mas mesmo assim, ele preferiu levar adiante o negócio da família. Quem adorou isso – e suspeito que tenha sido o grande influenciador. – foi meu pai.

Ele já ficou todo orgulhoso ao saber que seria um menino, um herdeiro de pulso firme, como ele gosta de dizer. Ian sempre passou suas férias escolares com meus pais, na Itália, e aprendeu com meu pai os princípios e os valores da Cosa Nostra. E lógico que, qualquer garoto se apaixonaria por esse mundo, ainda mais com toda a família metida nisso. Quando ele decidiu também fazer parte da Cosa Nostra, eu não me importei. A Cosa Nostra já fazia parte de mim assim como eu a ela, e se meu filho iria comandar ela um dia, é bom que ele seja perfeito. Eu o ensinei tudo o que sabia, assim como Vitor. Até mesmo Muriel o treinou, o ensinou a ser trapaceiro, mas ensinou.

Toda mãe sonha com uma carreira promissora para o filho(a), e comigo não foi diferente. I daí que eu criei meu filho para ser um dos homens mais temidos, invejados e desejados do mundo inteiro?

E querem saber? Acho que fizemos um bom trabalho.

Ian cresceu rodeado dos familiares, cresceu junto com os primos, Julie, Lorenzo e Geovana. E sim, Geovana foi resgatada. Lembram-se da Olivia? A empregada de Valentin que me ajudou quando ele me sequestrou? Pois bem, a bebê estava com ela, e como ela é uma pessoa boa que só teve uma vida de merda, ela nos ajudou. E como prometido, eu também a ajudei. A trouxe para Chicago junto comigo e lhe ofereci um emprego, ela juntou dinheiro e pagou a faculdade que queria. Não mantenho contato com ela nos dias de hoje, mas sei que está bem sucedida.

Enfim, sobre as crianças... Julie está linda! Com vinte e sete anos, tem um corpo de invejar qualquer uma, o cabelão preto e os olhos claros chamam a atenção por onde passa. Com Geovana é a mesma coisa, ruiva igual à mãe e gentil como tal. Um amor de pessoa. Julie já é mais parecida comigo, confesso. Está sempre em festas e se divertindo como pode. Geovana já é mais caseira e prefere conhecer o mundo a balada. Ambas dão trabalho para os pais, nos bailes mafiosos são observadas por seguranças para que ninguém chegue perto, já que os pais são ciumentos. Mas se querem saber, isso não adianta. As duas quando querem algo, conseguem.

Já Lorenzo tem os cabelos em um tom loiro escuro e os olhos claros da mãe. Esse é como a irmã, um doce de pessoa, tranquilo e não se estressa fácil. É melhor amigo do meu filho, vão a todos os lugares juntos e também trabalham juntos. Quando pequenos todos deram muito trabalho, acreditem, já tive que mandar pintar a parede do quarto de Ian milhares de vezes quando era pequeno. E relembrando agora, tenho tantas saudades desse tempo...

Ian tem agora 19 anos. O tempo passa rápido demais quando se é mãe.

Hoje em dia, Vitor e eu moramos na Itália, Sicilia, em uma casa na praia. Minha mãe amou, difícil foi convencer Vitor a ir, mas depois que Ian começou a assumir os negócios dele, ele concordou. A casa é quase toda de vidro, gosto de dizer que a paisagem da praia – que se pode ser vista da sala – é o meu quadro mais famoso. Sinceramente, morar em lugar como esse não tem preço.

Hoje o jantar seria em família. Ian e os primos estão vindo de Chicago para cá, para passar a páscoa conosco. Vitor está no quarto se arrumando enquanto eu auxílio às empregadas. Depois de tudo pronto, subo para o quarto para começar a me arrumar.

Quando abro a porta, logo vejo Vitor de costas, de frente para o espelho abotoando a blusa. Permito-me observá-lo por um tempo. Mesmo com os seus quarenta e um, ele continua um homem incrível. E muito lindo. E gostoso. E maravilhoso. Seus olhos ainda me encantam e os beijos de Vitor nunca deixaram de me atiçar. Seu toque ainda é quente sobre minha pele e fazemos amor como adolescentes. O amor nunca cessou entre nós.

_Vai ficar babando por mim até quando? – pergunta ele me tirando de meus devaneios.

Caminho até, que me abraça, beijando-me logo depois.

_Você é incrível sabia? – digo a ele.

_Sabia. – diz ele e eu reviro os olhos sorrindo.

Vitor me rouba mais um beijo e ele me leva até o banheiro e depois o dispenso, pedindo para que ele se apressa-se a ir pegar os meninos na pista de voo particular. Ele hesita por um momento, afirmando que havia se sujado e queria tomar outro banho, só que dessa vez, comigo. Rio do seu jeito e fecho a porta do banheiro na sua cara. Ouço-o resmungar algo como “à noite você não escapa” e rio com isso. Tomo um banho demorado e depois escolho um vestido bem solto branco, que vai até os joelhos e é de um ombro só. Nos pés, coloco um salto pequeno e fino, deixando meus dedos à mostra. Coloco algumas joias e faço uma maquiagem simples e leve, depois desço e espero pela chegada dos convidados.

Sarah, John, Miguel, Lia e Muriel também estão vindo.

Oh, Lia e Muriel se casaram, é claro. Foi uma cerimônia simples na praia, tudo meigo e romântico. Aliás, ela está grávida de dois meses do primeiro filho. Muriel e ela estão em uma alegria que só quem é pai e mãe, entende. Ela tentou durante anos engravidar, mas nunca conseguiu, chegou a desistir uma vez e foi ai que o negócio deu certo. Não sei por que, mas algo me diz que é uma menina.

Depois de uma hora todos chegaram e minha casa estava mais barulhenta do que o Rio de Janeiro em época de carnaval. Sinceramente, eu adoro toda essa bagunça, toda essa gente conversando, adoro mais ainda essa gente ser a minha família. Eu sou completamente realizada hoje em dia. Tenho tudo o que sempre quis. Uma família grande e feliz que, quando se reúnem, fazem a maior algazarra. Falta apenas uma coisa para tudo ficar completo e perfeito, porém terá que ser em particular e com Vitor... E não, não estou falando sobre sexo. Ainda.

Quando todos vão para os seus respectivos quartos de hospedes, peço para que Dominique – que veio de Chicago para Sicilia comigo – preparar uma mesa de jantar para dois na praia. Depois procuro por Vitor e o levo para lá, que resmunga o caminho todo.

_O que viemos fazer aqui? – pergunta beijando meu pescoço.

Ultimamente Vitor anda com um fogo inexplicável.

_Eu tenho uma surpresa para você. – digo mostrando a mesa que mandei preparar para nós.

É uma mesa pequena e redonda com uma toalha branca. Em cima, uma jarra com uma rosa e uma bandeja tampada. Para iluminar o local, pedi que colocasse algumas tochas. Está tudo lindo.

_Nossa. – exclama Vitor baixinho. – Fez tudo isso para nós? – faço que sim com a cabeça e sorrio. – Mas nós acabamos de comer Valentina e...

_Eu sei, eu sei... – o corto, indo até a mesa e me sentando com Vitor a minha frente. – É que, como eu disse, tenho uma surpresa para você e quero que seja perfeito.

Vitor me olha confuso, sorrindo de lado. Ai, esse homem ainda me mata!

_Isso já não é a surpresa? – pergunta se referindo ao local decorado.

Coro ligeiramente. Argh. Estou tão nervosa quanto da primeira vez. Tudo bem Valentina, se acalme, você já passou por isso. Respire fundo e...

_Vitor, você sabe que eu te amo, e muito. Sem você, é como ficar sem meu chão. É como perder o fôlego e quando você fica longe, eu morro de saudades. Eu não sou perfeita, e eu realmente não sei como você ainda está aqui, comigo, me amando a cada dia que passa. Mas eu sei que sou grata por isso. E eu quero te dizer algo, na verdade fazer algo que eu queria ter feito quando estava grávida de Ian...

_Valentina eu não estou entendendo o que você qu...

_Abra! – exclamo o cortando, tentando inutilmente segurar o enorme sorriso que insiste em se instalar em meu rosto.

Vitor olha de mim para a bandeja, da bandeja para mim e por fim, o abre.

_Oh, meu Deus. – exclama não acreditando no que vê.

Dentro da bandeja está um par de sapatinhos de bebê em rosa claro. Sim, estou grávida. Aos quarenta anos e eu resolvo engravidar novamente. Dois meses com uma criatura crescendo em meu ventre. Só que dessa vez nem ouso reclamar com o destino, amei ser mãe e vou adorar ser novamente. Vitor olha perplexo para os sapatinhos e depois para mim. Seus olhos brilham e os meus enchem de água.

_Você vai ser papai mais uma vez, Vitor. – digo emocionada pondo as mãos em minha barriga.

Vitor dá um sorriso tão lindo que chega a me desmontar por inteira. Levanta-se e para agachado ao meu lado e eu me viro para ele, que retira minhas mãos dali e a beija.

_Eu vou ser pai. – sussurra meio abobado. – Você me faz o homem mais feliz do mundo, Valentina Chiacchio. E eu te amo tanto...

Nesse momento, Vitor grita para todos aqueles que querem ouvir a novidade, enquanto me levanta e me abraça, me girando no ar inúmeras vezes. De repente ele para, me colocando no chão, e segura minha cabeça entre as mãos, me beijando intensamente por longos e demorados minutos. Mas aqueles minutos me pareceram anos e eu poderia ficar vários o beijando. Vitor é o meu ponto de equilíbrio, meu ponto de paz. Ele é homem da minha vida e o amor dela também. Com ele as coisas deixam de fazer sentido, se descomplicam e se ajeitam da maneira que tem que ser. Eu não sei como uma mentira conseguiu nos juntar durante anos, só sei que quero acordar todos os dias, todas as madrugadas, todas as tardes mal dormidas e ver esse homem, o meu homem, ao meu lado, com o seu matinal sorriso de lado me dando bom dia, boa tarde e boa noite.

Com ele, eu sei que posso enfrentar o mundo sem nenhuma arma se quer em punhos.

E no meu mundo, Vitor, tudo ocupas. E estou preparada para ter o meu final feliz com ele.

E que esse final feliz dure eternamente...

Notas finais
E que A Máfia dure eternamente.... Vou dar uma de Vitor e dizer que não tenho palavras para expressar o carinho que tenho por todos vocês! Até mesmo você, senhor leitor fantasma, que nunca comentou nem um "oi". Gente, quero agradecer de verdade, por terem dado uma chance a A Máfia, minha primeira história original - e não será a última - e por terem gostado tanto dela. Agradeço cada leitora maravilhosa que comentou, que elogiou e amou muuuuuito minha história e, principalmente, os personagens. Criei algo com tanto carinho e ver as pessoas gostarem desse algo me deixa feliz pra caralho. Eu realmente não queria acabar com A Máfia, poderia continuar com ela durante toda a minha vida, sério. Poderia inventar capítulos, personagens, colocar mortes, inimigos, brigas, casais, infiltrados, nerds, maconheiros... Tudo! Mas para algo ser eterno, uma hora tem que acabar (oi?). ksajskajskajskajskas Tá, é isso. AMO TODOS VOCÊS. ATÉ VOCÊ LEITOR NOVO, QUE ESTAVA VAGANDO PELO NYAH! E ENCONTROU ESSA FIC QUE FOI ATUALIZADA ANOS ATRÁS, AMO VOCÊ TAMBÉM VIU?! AGORA SOBRE O CAPÍTULO:::::: MUITO VITOR PARA VOCÊS, GOSTARAM? Gente, esse homem ainda me mata skajskajskajskajskaj Viram que, na verdade, o pai da Valentina salvou a vida dela ao mandar Vitor casar com ela? Ele nem é tão mau assim, Augustos é meu xodó. E, socorro, Ian é o meu cara-homem-amor da minha vida-meu tudo- meu futuro marido! Imaginam a mistura de Valentina e (como ela mesma disse) do deus grego do Vitor? Coisa boa com certeza hahahahah Já imaginaram uma história do filho deles? Hmmmmmmmmm Mais do que nunca, quero a opinião de vocês! Por favor, COMENTEM, FAVORITEM E RECOMENDEM! ME CHAMEM NO PRIVADO, VAMOS SER BEST FRIENDSSSS SKAJKSAJSKAJSKAJS Tô meio louca hoje, liguem não. Logo, logo venho com o epílogo-prólogo da nova história, ai sim irei dar a história como concluída. Bom, é isso... Beijão!