A Máfia

6 A vida em forma de pesadelos.


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, espero muito que gostem! Vejo vocês lá em baixo.

"Você vai ser minha, Valentina, minha..."

Acordo de um pesadelo horrível e só de pensar no dono da voz que me assombrou, meu corpo todo se arrepia.

Vitor está em pé, em frente à cama e fala ao telefone quando eu acordo angustiada e assustada. Ele me olha confuso e desliga o telefone.

_Sonho ruim? – pergunta enquanto fecha o fecho da calça.

_Pra que sonho ruim quando se vive em um pesadelo como este? – rebati enquanto me levanto e sigo para o banheiro.

Retiro minhas roupas e entro no chuveiro, tomando um longo banho. Aproveito e lavo meus cabelos. Depois me enrolo na toalha e entro no closet. O closet é um quarto de tamanho normal e as paredes são cercadas de um guarda-roupa branco com espelhos nas portas e no centro um pequeno sofá redondo. O carpete é branco e veludo. O meu lado é o direito e procuro por calças de moletom e blusas largas para vestir. Assim que me visto volto para o quarto e não encontro mais Vitor, então desço para tomar o café da manhã.

_Bom dia senhora. – Dominique, a empregada de ontem sorria abertamente ao lado da mesa já pronta.

_Bom dia, Dominique. – respondo.

Vitor está sentado na outra ponta da mesa e lia um jornal. Bebericou algumas vezes o seu café e depois saiu. Diferente dele ataco tudo o que vejo pela frente: bolos, cupcakes, frutas, pães e danones. Estava faminta!

_Quer que eu traga mais, senhora? – Dominique perguntou.

Fiquei sem graça e disse que estava satisfeita. Maravilha, agora ela vai pensar que eu sou aquelas esfomeadas que come tudo o que vê pela frente. Porém a minha vida já tá uma merda mesmo, então que se foda.

_Na verdade, quero sim. Têm como me trazer mais bolos? – pergunto sorrindo.

Ela assente com a cabeça e entra na cozinha, afim de me trazer mais comida.

_Dessa maneira vai acabar com toda a comida, Valentina.

Vitor aparece e se senta onde estava há uns cinco minutos. Faço uma careta sem que ele veja e sorrio.

_Sabia disso quando se casou comigo.

Ele ri.

_Tem razão, eu sabia.

Ele toma um gole de seu café e ficamos nos encarando até Dominique aparecer e me servir de mais bolos. Agradeço a ela e volto a comer. Vitor me encara intensamente e eu o ignoro o máximo que posso e tento me focar na montanha de bolinhos a minha frente, até porque eles estavam uma delícia. Assim que terminei de comer, Dominique retirou a mesa e me trouxe alguns remédios e disse que eram ordens do Dr. Richard. Tomei sem rodeios, pois as dores em meu corpo não haviam cessado e eu odeio sentir dores. Sinto-me incapacitada, e como remédios para desilusões amorosas não existem (ainda), posso me contentar com esses.

Depois de ter tomado uns seis compridos, vejo Josué e mais dois homens entrarem na sala. Eles estão bem vestidos, Josué está de calça jeans e uma blusa branca de gola V, que realça e muito seu abdômen definido, o outro é grande, bem grande, tanto na altura como na largura, tinha a afeição séria e é careca. Sua pele é clara e podia se ver uma cicatriz que ia de trás de sua orelha até a nuca, o outro tem o mesmo porte físico que o primeiro, a pele é um pouco mais escura, e ele tem os cabelos bem ralos. Ambos devem ter uns 30 anos e provavelmente são irmãos.

Josué olha para mim e dá um breve sorriso. Eu não me contento e sorrio abertamente ao vê-lo, e isso chama a atenção de Vitor que percebe a presença dos três e se vira para olha-los. Josué imediatamente fica sério, e nos reverencia, assim como os demais. Tento parar de sorrir, mas fico feliz ao vê-lo, me sinto mal na companhia de Vitor e ver alguém que goste de mim de verdade e com carinho é uma sensação boa.

_Senhor, — o homem careca começa. – temos um problema, Mariano exigiu sua presença no quartel imediatamente.

Quartel é o lugar em que os líderes mafiosos trabalham. Na Itália, chamamos de caserma, que é quase a mesma coisa em inglês, só que lá o caserma tem como fachada um grande restaurante. Era lá onde, antigamente, meu pai passava a maior parte do tempo, mas depois de um acontecimento ele passou a trabalhar em casa e também a me infernizar com a Máfia. Enfim, eu não sei qual é a fachada de Vitor, se é uma empresa ao algo do tipo, aliás, nada disso me importa, então.

_Sendo assim, prepare os carros, iremos sair mais cedo hoje. Tenho que resolver algo antes. – Vitor disse secando a boca e se levantando.

Ele caminhou até a mim e estendeu a mão, sem entender o que pretendia eu a peguei mesmo assim e ele me ajudou a levantar.

_Quero que conheçam Valentina Chiacchio Baldocchi, minha esposa e herdeira da Cosa Nostra.

Vitor disse aquilo com tanta convicção e vontade que senti náuseas. Como alguém pode querer algo assim? Para quem ache interessante ser membro de uma família poderosamente mafiosa talvez, só que eu não. Outra coisa que também notei foi o olhar severo de Vitor para com Josué. Eles pareciam se matar pelos olhos e senti mais náuseas ainda. As coisas que acontece quando se tem uma traição por parte da mulher dentro da Máfia são terríveis e não quero nem pensar ver Josué sofrendo por uma implicância de Vitor.

_E como minha esposa ela tem poder para dar ordens a vocês e quero que avisem os outros.

_Sim, senhor. – responderam em uníssono. Menos Josué, que fez apenas um aceno de cabeça.

_Ótimo. Podem se retirar.

Josué olhou para mim e, envergonhada pela aquela situação ridícula que Vitor me fez passar, abaixei a cabeça e quando a levantei novamente os três já haviam se retirado.

_Precisava me fazer passar por isso?

Perguntei olhando para Vitor que está alguns centímetros de mim, conseguia sentir seu perfume e me segurei para não abraça-lo.

_Quero que saibam quem você é. – respondeu com a voz baixa e controladora.

_Fez isso porque Josué estava entre eles. – disse eu com o maxilar travado. – Você sabe que haverá um maldito baile para isso e que lá, todos irão saber quem eu sou e saberão que a sua Máfia está de volta a Cosa Nostra.

O olhar dele continuo sobre mim até que ele soltou outra risada fria, me fazendo sentir seu hálito de menta misturado com café. Ele chegou mais perto e eu fiquei prensada entre a mesa e ele.

_Como eu disse antes, quero que saibam que você é a minha esposa, a minha mulher.

Sussurrou ele me fazendo arrepiar. Ficamos ali nos encarando por um tempo, olhando um para o outro. Os olhos negros dele não pareciam esconder mais nada, agora eles apenas me assustam.

_Mas você tem razão, — continuou ele com o tom de voz normal. – haverá um baile em nossa homenagem. E assim que você estiver melhor marcaremos a data e então todos irão saber que eu e minha Máfia estamos de volta à Cosa Nostra.

O que mais me machuca nisso tudo é que Vitor não mede esforços para jogar na minha cara que se casou comigo apenas para entrar nessa maldita organização mafiosa. Poxa vida, isso machuca e acaba comigo. Eu realmente o amei, em alguma parte daqueles 30 dias o amei, e ele? Apenas fingiu. E agora, sempre que olhar para ele irei sentir uma faca entrando em meu estômago e me fazendo lembrar os reais motivos dele estar aqui, ao meu lado. E me fazendo lembrar também que estou sozinha, não tenho mais ninguém, é apenas ele, eu e a Máfia. Um triangulo de amor perfeito, Vitor ama a Máfia e eu a ele, mas não por muito tempo, creio eu. Como disse antes, essa fase de aceitação irá passar rápido e quando a raiva vier, eu já não respondo mais por mim.

_É tudo o que você sempre quis, não é? Poder. Mentiu por isso, me enganou por isso. O que isso te torna? Um homem poderoso, mas e daí? Do que adianta ser poderoso se é odiado por muitos e nem mesmo uma vida digna você tem? – perguntei no mesmo tom provocador que ele usou.

Vitor aspira o ar lentamente e depois de alguns segundos se aproxima mais de meu rosto, me fazendo recuar com a cabeça.

_Não é porque a sua vida é uma mentira que a minha também seja Valentina. Se as pessoas me odeiam, o problema é delas, eu estou pouco me ferrando para elas, e pode ter certeza que eu tenho os meus agrados.

Fiquei com tanta raiva dele nesse momento que se eu não estivesse tão fraca teria dado um belo tapa em seu rosto. Eu tenho os meus agrados, sei bem o que ele queria dizer com isso. Mulheres. As mulheres são os agrados dele, e eu aqui, sofrendo igual uma idiota por outro idiota.

_Senhor, os carros já estão prontos.

A voz do homem me desperta do transe que os olhos de Vitor me causam e aproveito para me desviar de seus braços e sair dali o quanto antes. Corro para o quarto e mais uma vez me tranco no banheiro para chorar.

[...]

Depois de um tempo jogada na cama pensando porque Deus estava sendo tão sacana comigo, decidi explorar a casa. Até então ela também é a minha casa, certo? Começo pelas inúmeras portas do segundo andar. São salas e quartos, a maioria estão vazias, outras devem ser quarto de hospedes. Entro em todos e reviro todas as gavetas e guarda-roupas que ali estão à procura de algo interessante, mas não acho nada. Do outro lado do segundo andar, encontro outro escritório, que lógico, deve ser de Vitor. Este não é tão diferente do outro, apenas a “decoração” é diferente. Me sento na cadeira em frente da sua mesa e reviro as gavetinhas que tem nela. Papeis, papeis e mais papeis que não me interessam. Um pacote de maconha. Balas de menta. Um canivete. Uma beretta. E uma foto minha. Espera, uma foto minha?

A foto estava debaixo de algumas pastas e foi tirada há alguns meses atrás, quando eu estava saindo do prédio de Lia. Quando reviro essas pastas acho mais, quem quer que tenha tirado essas fotos com certeza havia me seguido.

E por que? Vitor estava me estudando ou coisa do tipo? É claro que sim. O desgraçado sabia coisas demais ao meu respeito sem eu ter contado coisa alguma a ele, comida favorita, sobremesas favoritas e até mesmo os lanches noturnos ele sabia do que eu gostava. Filho da mãe.

Guardo as pastas e todas as outras coisas em seu devido lugar e saio de lá o mais rápido possível indo direto para o andar de baixo.

_Só um instante. – Dominique falava ao telefone na sala, me olha e o estende para mim avisando. – É para a senhora.

_Por favor, Dominique, não me chame de senhora, estou longe disso. – digo enquanto pego o telefone e me sento em uma das poltronas.

_Quem é? – pergunto.

_Quanta hostilidade Valentina, um oi e como você está cairiam bem, sabia?

Meu coração parou por um segundo ao ouvir essa voz.

_Valentin... – sussurrei mais para mim mesma do que para ele.

_E quem mais seria, mon amour? – diz ele. Sinto nojo só de ouvi-lo me chamando assim.

_O que quer, Valentin? – disparo ríspida.

_Liguei na verdade apenas para confirmar algo, mas você acaba de fazer isso para mim.

_Ah, é? E o que foi que eu confirmei para você?

_Que está casada com Vitor Chiacchio. – o tom de voz dele muda completamente. O que antes estava meloso e sedutor agora está repleto de raiva e confronto.

_Isso não é problema seu Valentin, muito menos da sua conta. – retruquei.

_Ai é que você se engana mon amour, porque além de ser um problema é da minha conta. E sabe por que? Porque você é minha.

Um arrepio me percorre pela espinha e uma sensação estranha toma conta de meu corpo. Suas palavras foram fortes e convincentes e me assustam.

_Eu vou falar só mais uma vez Corlleto, eu não sou sua! E estou casada agora, então não ouse me ameaçar ou coisa do tipo, pois quando quero posso ser muito vingativa, torne a me ligar de novo que eu irei mostrar toda a minha hostilidade para você. Adeus.

Desligo o telefone e o seguro com força, Valentin consegue me irritar até do outro lado do planeta.

Valentin Corlleto é outro mafioso ex-membro da Cosa Nostra. Eu e ele crescemos juntos em Sicília, quando ele se mudou ainda bebê da França para Itália, e ele era um dos motivos pelo o qual eu adorava ir ao caserma quando criança para brincar. Aos oito anos, ele perdeu a mãe e se mudou para Siracusa, voltamos a nos ver dez anos depois, em um baile organizado pela Máfia, mas ele não voltou o mesmo. A morte de sua mãe o afetou e muito, pois voltou misterioso e talvez, quem sabe, um pouco louco. Ficou obcecado pelos negócios mafiosos e por mim. Pediu-me em casamentos inúmeras vezes e me ligava sempre que podia. No começo não levei tão a sério, mas as coisas pioraram quando ele quase matou um colega meu porque estávamos dançando, e até mesmo Josué já sofreu por causa de Valentin, quando o mesmo colocou uma bomba em seu carro. Graças a Deus, a bomba explodiu antes e ninguém se feriu. Desde então, Valentin me assusta.

_Com licença, minha querida. – O médico de ontem, Dr. Richard, entrava pela porta de vidro com aqueles sorrisos típicos de gente idosa. – Como está se sentindo hoje?

_Olá Dr. Richard, um pouco melhor e você? – respondo animada ao vê-lo.

Me levanto e o comprimento com um abraço e logo depois nos sentamos.

_Oh, eu estou bem. As dores no corpo, melhoraram?

_Diria que sim, às vezes dói e às vezes não. Mas ainda me sinto fraca e indisposta, tonturas e náuseas também.

_Hm, interessante. Já tomou os seus remédios hoje? – perguntou ele arqueando uma sobrancelha.

Faço que sim com a cabeça e ele abre a sua maleta preta e tira de lá um daqueles aparelhos de medir pressão e começa medir a minha.

_Parece que recebeu um telefonema ruim. – diz ele.

_Apenas alguns casos não terminados, logo darei um jeito nisso.

Dr. Richard ri carinhosamente e me olha.

_Se você soubesse o medo que me dá quando vocês falam desse jeito.

Rio com ele e não deixo de concordar. Na Máfia tudo tem um duplo sentido, às vezes até é engraçado para as pessoas de fora, para outros não.

_Não se preocupe, não é nada disso que o senhor está pensando. – digo rindo.

_Isso é ótimo. – sorriu ele. – Bom, curativos trocados, remédios tomados... acho que já é hora de eu ir. Mais dois dias de repouso Valentina e você ficará boa novamente.

Sorrio satisfeita. Dominique aparece novamente e cumprimenta Richard educadamente, olha para mim e prossegue:

_Senhora, quer dizer, Valentina – corrigiu-se timidamente. –, Vitor ligou e mandou avisar que não voltará para almoçar.

Ótimo, pensei comigo mesma.

_Se é assim, por que o senhor não fica e me faz companhia durante o almoço? – perguntei ao médico.

_Um convite desses não tem como negar, eu aceito.

[...]

O almoço com o médico foi maravilhoso. Dr. Richard adora fazer piadas e, mesmo quando elas não são engraçadas, não tem como não rir. E foi ótimo ter passado esse tempo com ele, eu precisava mesmo distrair a cabeça e rir um pouco, na hora da sobremesa (torta de morango) eu e ele fomos para a área da piscina, onde um vento gostoso batia.

_Sabe Valentina, — começou Richard assim que terminou de comer seu pedaço de torta. – Trabalho para as famílias mafiosas de Chicago há muito tempo, principalmente para a família Chiacchio. E bem, conheço Vitor há bastante tempo e vi esse garoto passar por coisas terríveis, fico feliz que ele tenha achado uma moça.

_Infelizmente essa moça fui eu. – sussurrei para mim mesma.

_Desculpe-me, disse algo?

_Não, não disse. – apressei-me a dizer.

Quanto menos pessoas souberem, menor será o meu sofrimento. E Richard é uma pessoa boa, não quero enche-lo com meus problemas.

_Bom, se é assim, eu vou indo. Já ocupei demais o seu tempo, e seu marido já deve estar a caminho para lhe fazer companhia.

Ele se levantou e pegou sua maleta, se despediu de mim e eu pedi para que um de meus motoristas o acompanhasse. Enquanto ele saia, percebi a chegada de outro carro, mas não esperei para saber quem sairia de lá, apenas dei meia volta e voltei para meu quarto, onde dormi o resto da tarde.

[...]

Acordo com o som das portas da varanda se debatendo por conta da ventania que adentrava o quarto com força e me levanto rapidamente para ir fecha-las. Noto que já escureceu e que de acordo com o relógio da cabeceira de cama, já são 23:02. Olho para a cama e Vitor não está nela, e mesmo contra a minha vontade, saio do quarto a sua procura. Ok, saio na verdade para comer, acordei morta de fome e com uma louca vontade de comer a torta de morango deixada na geladeira. Sendo assim, vou direto para a cozinha, onde me deparo com um Vitor sem camisa devorando a minha torta de morango.

_Filho da mãe! Devolva já isso, é meu! – vociferei irritada.

Ele se assusta com meus gritos e quando dá por si, estou em cima dele tentando pegar a torta. Quando ele percebe que o motivo daquilo é a torta, ele a segura no alto.

_Ah, é seu? Me desculpe, eu não vi o seu nome nele. – disse ele com um sorriso de canto.

_Pare de ser infantil e me devolva essa maldita torta, Vitor! – gritei enquanto pulava tentando alcançar a mão dele.

Não que ele seja alto e eu uma baixinha, ele é apenas alguns centímetros maior do que eu. De saltos, eu fico da altura dele. Só que agora eu não estou de saltos, e ele fica trocando a torta de mão sempre que eu a alcanço.

_Para Vitor, estou com fome! – digo.

Ele não faz nada, ri com gosto da minha fúria.

_Vitor, seu filha da mãe, devolva!

Ele ri ainda mais.

_Você é um tremendo babaca, devolva isso agora, anda logo!

Ele continua rindo.

Dou mais um pulo, mas dessa vez sinto uma tontura forte e caio sobre o corpo de Vitor. Tudo o que ouço a seguir é o prato da torta se espatifar no chão. Não sei se sofro pela tontura, ou pela torta jogada fora...

_Ei, calma. Eu to aqui. O que foi?

Vitor rodeia seus braços em meu corpo e me coloca sentada em um dos bancos da bancada. Fica na minha frente e segura meu rosto com delicadeza.

_Tomou seus remédios à tarde?

Eu tomei? Faço que não com a cabeça e o semblante dele muda repentinamente, ficando irritado.

_Droga Valentina, você tem que tomar os remédios. Você não vai melhorar se não tomá-los.

Vitor vai até um dos armários da cozinha e tira de lá os frascos de remédios remédios, depois pega um copo de água e os entrega para mim.

_Não precisa fingir que se importa com a minha recuperação Vitor, já está casado comigo, caso eu morra, você não irá perder nada. – digo secamente.

Vitor me encara e eu tomo meus remédios todos de uma vez. Quase engasgo com tantos comprimidos.

_Valentina, entenda uma coisa, – ele para novamente na minha frente e me cerca com seus braços. – eu sei que você me odeia por ter te enganado. Você já deve ter planejado a minha morte de muitas maneiras, mas isso não importa para mim, não mesmo. Mas eu me importo com você e com a sua saúde, porque você querendo ou não, é a minha mulher e, principalmente, chefe de uma Máfia. Então acredite, se você morrer eu irei perder algo.

Sabe quando sua vida tá uma merda constante e do nada você leva um choque de realidade e sua vida consegue ficar pior? Esse foi o meu caso. Claro que uma chama, ok, uma pequena brasa se acendeu em meu coração quando ele (a) disse que se importava comigo, e mesmo ele falando isso só por eu ser a mulher dele, eu gostei de ouvir, e (b) por ele ter dito que iria perder algo caso eu morresse, sei que esse algo não sou eu, porém gosto de pensar que é. Mas o tapa na cara que eu levei da vida nesse instante foi ter me lembrando de que agora eu iria comandar uma Máfia. Não só uma: DUAS Máfias. A de meu pai, que foi passada para mim após o casamento, e a de Vitor. Já que agora somos um casal, eu tenho direito sobre a dele e, ele sobre a minha.

_Vou voltar para o quarto. Faça um bom proveito da sua torta agora. – disse a ele.

Sai da cozinha ainda refletindo sobre as palavras dele e sobre meu futuro. Eu não gosto nem de pensar em como será a minha vida daqui para frente, mas coisa boa não é que não vai ser.

Notas finais
Perdoem-me pela demora, a preguiça e falta de criatividade se juntaram e fizeram um complô contra mim. Vou tentar não demorar tanto na próxima vez. Gostaram do capítulo de hoje? Acharam confuso ou algo assim? Fiquei à vontade para deixar suas dúvidas e opiniões, ok? COMENTEM COMENTE COMENTEM Amo vocês :)