A Luz em Meio a Escuridão

6 O Primeiro Problema e o Laço


Ela estava cansada. Era sexta-feira e o primeiro mês de aulas não tinha sido fácil, ela estava com tanto trabalho para fazer que já nem sabia como iria administrar o tempo, Vincent e os outros não pareciam ter a mesma preocupação, Andrew vivia no campo de quadribol com Vincent, Camille era quieta e possuía todo um perfil de boa estudante, mas a verdade é que ela passava a maior parte do tempo livre dormindo ou na cozinha comendo, era incrível como ela conseguia se manter no peso.

Olívia só encontrava Riddle nas aulas que dividiam, ele não aparecia nas horas das refeições e muito menos ela encontrava ele na biblioteca. E ela procurava.

Sábado chegou trazendo a primeira visita dela a Hogsmeade, Olívia tinha marcado de se encontrar com Camille no portão e por mais que ela gostasse da garota ela se sentia muito mais confortável com Mag que infelizmente disse que não poder ir, estaria ocupada colocando os trabalhos em dia. O caminho para Hogsmeade foi silencioso e Olívia não sabia o que falar ou como manter uma conversa com Camille sem Vincent por perto.

— Então... Você e Riddle... – Camille começou, porem foi cortada por uma Olívia que não aguentava mais esse assunto.

— Não quero falar sobre isso, a verdade é que não aconteceu nada, mas vocês insistem nesse assunto desde que me viram com ele na biblioteca e já faz um mês. – Revirou os olhos sem paciência, Camille se encolheu pela explosão quase como se estivesse tentando sumir em si própria.

— Me desculpe, é só que nunca vimos Riddle com ninguém além das raras vezes em que está com seu grupo, muito menos com uma garota e ainda tão perto. – Ela começou gaguejando, mas foi ganhando confiança com o decorrer da frase.

— Bom... não aconteceu nada, então vocês podem ficar tranquilos. – Acelerou o passo, ela sabia que estava exagerando, mas não aguentava mais, durante todo o mês escutou os três fazendo piadas e tocando no assunto. Bom... dois. Andrew quase não falava e devido a isso tinha passado bastante tempo perto dele. Eles estavam fazendo uma tempestade em copo d'Água, até parecia que ela havia realizado um milagre.

Enquanto elas andavam, teciam pequenos e isolados comentários sobre uma quinquilharia aqui ou um doce ali que encontravam pelas vitrines, estavam se dirigindo para um Pub chamado Três vassouras que se levar em consideração a quantidade de aluno comentando esse lugar, ele deve ser muito bom, Camille garantiu que seria o lugar onde os garotos estariam. Com o canto dos olhos Olívia captou a imagem de Tom se afastando por um caminho aparentemente deserto e sendo seguido a uma distância por dois garotos altos e morenos. Olhou novamente para a vitrine a sua frente e falou para Camille.

— Pode ir na frente, eu vi algo que me interessou nessa loja.

— Eu entro com você. – Camille disse distraída.

— Não precisa, sério. Vou demorar, quero comprar um presente para meus pais e meus avós. – ela sorriu contida, não desejando chamar a atenção com uma atitude estranha. – eles são exigentes, sabe? Vou ter que escolher com cuidado.

— Ok, encontre a gente naquele pub, está vendo? – apontou para uma grande casa onde entrava grupos de alunos. Olívia acenou com a cabeça e entrou na loja, quando viu que Camille havia sumido pela porta, ela saiu e seguiu em direção a floresta, tinha a sensação de que precisaria usar a varinha e por isso já estava com ela empunhada, andou mais um pouco e viu os dois garotos juntos parados em frente a Tom, eles pareciam estar tentando acuá-lo contra a parede, mas Tom estava bem calmo com o cachecol verde e cinza embolado em uma das mãos e a varinha em outra.

— Eu soube Riddle— O mais alto praticamente cuspiu a palavra como se fosse contagiosa. – soube que descobriu que seu pai era um trouxa. – Olívia se aproximou mais, escondida entre as árvores, desta distância dava para ver a mandíbula de Tom travada e um leve espasmos em um dos olhos verde. Ele estava em seu limite. — Não gostamos de sangue ruins na sonserina. Não aceitamos gente da sua laia.

Os garotos deram uma risada seca e desagradável, ele não pareciam ser inteligentes, ou teriam percebido o leve levantar da varinha de Tom e a boca dele gesticulando. Olívia percebeu e rapidamente pulou de seu esconderijo gritando.

— Protejo! – Os garotos deram um pulo assustados quando o feitiço de Tom colidiu com a barreira de Olívia, rapidamente ela completou – Estupefaça. – menos um. – Estupefaça. – os dois caíram duros no chão, um de cara na terra e outro por cima.

— O que você pensa que está fazendo? – A supresa inicial sumiu, ele levantou a varinha e apontou para ela. Olívia abaixou a dela e guardou no bolso do casaco indo contra todos os seus sentidos de alerta.

— Isso está ficando cansativo. Essa pergunta não é nem um pouco original. Tente outra. – Pode jurar que ouviu ele rosnar, os olhos verdes brilharam irritados. Ele não estava para brincadeiras. Ela ficou séria. – Eu que deveria perguntar. O que você pensa que estava fazendo? Tentou acertá-los com um Confringo? Poderia tê-los matado! – Tom abaixou a varinha e guardou, olhando para ela.

— Eles mereciam. –Deu de ombros e começou a andar, ela o seguiu. – por que estava escondida ali? Está me seguindo. Isso está virando uma obsessão.

— Não é nada disso! Eu vi eles te seguindo e achei que poderia ajudar. – o alcançou e começou a andar ao seu lado. – Aparentemente eu estava certa.

— Não pedi sua ajuda, eu posso me virar muito bem sozinho.

— Bom... se não fosse por mim você estaria agora com dois corpos, provavelmente mortos, na iminência de ser expulso de Hogwarts, preso em Azkaban e com sua varinha quebrada. – Ela parou e segurou o braço dele, o forçando a olhar para ela. – Agora nos temos dois corpos desmaiados, provavelmente sem memória, estamos nos encaminhando para Hogwarts tranquilamente onde cada um seguirá seu caminho para o respectivo Salão Comunal, tomaremos uma xícara de algo quente enquanto lemos um bom livro e em seguida iremos para uma cama confortável dormir. Viu a diferença? – Levantou a sobrancelha irônica. – Então sim, acho que você precisava de mim. De nada. – voltou a andar o deixando atônito para trás.

Tom andou rápido para alcança-la e foi caminhando com ela em silêncio,

— Você está ficando mais abusada a cada dia.

— Vou te contar uma coisa: Eu sempre fui! – bufou e continuou a andar. Quem ele pensava que era? Ele quase matou dois estudantes. Dois babacas, mas ainda assim. Se não fosse por ela.... ela não queria nem pensar. – Forçou um espasmo violento, como se estivesse se livrando das memnorias ruins.

Tom segurou um braço dela bruscamente e foi a arrastando durante todo um caminho até pararem em uma porta no quinto andar de Hogwarts.

— Aonde está me levando?

— Wandelin. – A porta se abriu revelando um lugar grande todo em mármore branco, com diversas torneiras que jogavam água em uma enorme piscina. Tom a levou até um banco e a sentou, andou para trás de um painel. Ele voltou com uma toalha de rosto úmida e estendeu a ela. Ele deve ter percebido que ela não entendeu, pois suspirou pesadamente e agachou revirando os olhos irritado enquanto subia um pouco a saia dela e colocava a toalha sobre um machucado que ela não tinha se dado conta da existencia até então.

Olívia ficou vermelha e ao mesmo tempo pensou que era incrível ela não ter sentido o machucado dado a quantidade de sangue que parecia sair dele, deve ter surgido na hora que ela pulou fora do mato.

— Hã... obrigada. – Tirou a toalha das mãos dele, Tom somente levantou os ombros. – quer me contar o que estava acontecendo?

— O que você viu e ouviu. Alguém contou a eles que meu pai é um trouxa. – Ele demonstrava óbvio desgosto.

— Percebi que eles disseram “soubemos que você descobriu”. – abaixou os olhos para o machucado, ponderando se deveria perguntar ou não. – Não conhecia seu pai?

— Não.

— Sua mãe?

— Não. – Ela olhou para ele, não com pena. Somente olhando.

— Entendo. – Ela voltou a abaixar os olhos. – Por que você não senta aqui. – apontou o lugar vago ao lado dela com os olhos, desejando que ele desfizesse aquela imagem que ele passava, ela estava ficando desconfortável com a altura dele em pé frente a ela, com o rosto estóico, sem demonstrar nada. Aparentemente.

— Sabe quem eles são?

— Sei.

Sabia que deveria perguntar tudo que queria agora que ele parecia disposto a responder, mas achou que não era hora para certas perguntas.

— Que lugar é esse? – olhou em volta novamente. Luxo era a palavra para descrever.

— É o banheiro dos monitores. – Recostou as costas na parede, claramente aliviado pela mudança de tópico. – eles ficaram em silêncio novamente, cada um em seus pensamentos. Até que ele sentiu a mão dela tocar a sua o chamando.

— Pode me ajudar com isso? – ela apontou para a pantorrilha e para a porta .

— Você estava bem estava agora a pouco. Levantou uma sobrancelha.

— Isso foi antes de eu ver o machucado, agora meu sangue já esfriou e eu sei que ele está aqui. Está doendo. – ele suspirou, levantou e pegou o braço dela passando pelo seu ombro. Olívia rapidamente virou, enganchou o outro braço no pescoço dele e apoiou a cabeça em seu peito.

— O que...?

— Você pareceu precisar de um abraço. Parece nunca ter recebido um, minha mãe sempre diz que devemos dar carinho se sentimos vontade – a voz dela saiu abafada. – nunca devemos repelir, se não podemos nos arrepender depois.

— Me solte. – rosnou, mas não fez o mínimo esforço para afastá-la, parecia paralisado. Essa garota o estava enlouquecendo.

— Posso ser sua amiga, se quiser. Pode me contar o que aflige e eu prometo que te contarei também.

— Me solte. – ele repetiu com a voz estrangulada.

— Não adianta, você não vai me afastar. – um braço dele levantou lentamente e tocou de leve nas costas dela, a mão ficou ali por um tempo, ela era quente e confortável, trazia sensações engraçadas na boca do estômago dele, como se o órgão estivesse tendo espasmos. Tom ficou parado enquanto sentia um friozinho subir pelo peito, escutando a respiração de Olívia.

Tão perto.

Como ninguém nunca esteve antes. Quando ele começou a sentir uma leve queimação nos olhos, decidiu que era hora de parar. Pegou um dos braços dela e desprendeu ele de seu pescoço, evitando ao máximo olhar no bonitos olhos amarelos ele se virou e começou a andar para porta.

— Já chega.

Olívia sentiu que não devia o forçar mais e decidiu ficar quieta. Eles foram andando pelos corredores vazios até se aproximarem da Torre da Grifinória, lá os corredores estavam movimentados, cheio de alunos andando em grupos com seus vestidos rodados, sapatos de boneca, calças justas e jaquetas de couro.

Quando os dois passaram, todos pararam para olhar o casal andando, Olívia ainda estava apoiada em Tom que a carregava fitando o final do corredor, como se ele fosse uma linha de chegada que ele desejasse muito cruzar.

— Por que estão com essas expressões de espanto no rosto? –Cochichou aproximando o rosto do dele, gerando mais olhares de espanto e raiva. – e por que aquelas garotas estão me fuzilando com o olhar? – ela devolveu a encarada com uma cara fechada, que todo garoto no corredor não poderia negar ser fofa.

— Você deve ser muito obtusa... – comentou baixo e com uma voz levemente divertida.

— Hey! – o rosto dela virou para ele rapidamente. – não sou, não!

— Não se preocupe com isso. Você se acostuma.

— Me acostumo? O que quer dizer? Acho que eles não estão olhando assim para mim, tirando aquelas nojentas ali, estão olhando assim para você. – constatou.

— Errado. Estão olhando assim para nós dois. – fixou nela pelo canto dos olhos.

— É a primeira vez que me olham assim. Então só pode ser você.

— Fizeram isso quando estava andando com Margareth Einloft no primeiro dia de aula. – Olívia o fitou com desconfiança.

— Estava me espionando? Me seguindo?

— Eu simplesmente estava no corredor quando passaram. – eles se aproximaram mais das escadas que levavam a Torre.

— Não vi você lá.

— Essa era a intensão. Chegamos. – Ficou parado em junto à ela em frente ao quadro da Mulher Gorda. Ele estava claramente tentando achar algo para dizer.

— Até, obrigada por me ajudar até aqui. – Apertou rapidamente o braço que estava em volta da cintura dele e se soltou. Tom acenou com a cabeça e partiu sem dizer nada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.