A Lua Sangrenta
2 O Conselho de Guerra
Notas iniciais
Assim que desci do barco acoplado a parte de baixo do grifo com asas de beija-flor pude ver Percy abrindo caminho em meio a multidão, ele parecia etéreo ali enquanto caminhava até mim.
– O que aconteceu com você? – ele disse calmamente enquanto me olhava da cabeça aos pés. – E o que o Freek está fazendo aqui? – ele perguntou dizendo exatamente o nome do grifo.
– Desde quando você conhece o gri... – apenas revirei meus olhos e olhei para Percy -, sinceramente Cabeça de Alga, precisamos conversar.
E naquele momento todos os campistas que estavam ao nosso redor se dissiparam e voltaram as suas atividades normais, Percy me olhou e ficou fitando-me como se escolhesse as palavras certas a serem usadas o que era algo estranho já que na maioria das vezes ele não pensava.
– Você sabe sobre os egípcios? – ele perguntou.
– É claro Perseu Jackson – falei continuando a caminhar e me encostei na parede dos banheiros. – Eu já me encontrei com Sadie Kane e agora com o irmão dela e você deveria me dizer sobre a existência deles.
– Mas eu não achei que...
– Tudo bem – disse e entrei no banheiro. – Apenas convoque o conselho de guerra e depois dele nós vamos aquela tão esperada conversa – então fechei a porta na cara dele.
Tomei meu banho limpando os ferimentos que haviam em minha pele com água e sabão, mas durante a dor que sentia somente uma coisa permanecia em minha mente e essa coisa se chamava Carter Kane.
Entrei na casa grande e o conselho de guerra estava reunido em uma formação quase oval ao redor da grande mesa onde muitas vezes Quíron jogava cartas com SR. D. e alguns sátiros.
– O que você quer Annabeth – Clarisse disse com sua voz irritada. – Alguns campistas de Afrodite estão lançando maldições contra meu chalé e eu não quero ver meus irmãos se maquiando então rápido.
Apenas suspirei e lancei um olhar desaprovador a ela.
– Então serei direta – falei retirando o cabelo de meu rosto. – Vim tratar sobre um assunto desconhecido por mim até alguns dias e que pensei que não seria tão... abrangente – e completei -, os egípcios.
Todos se calaram naquele exato momento e até Nico me olhou surpreso com aquilo. Quíron por um momento ficou atordoado, mas logo depois voltou a sua expressão normal.
– Como quer falar sobre os egípcios Annabeth? — ele disse enquanto encenava não saber sobre o que eu falava. — Você vai fazer uma apresentação sobre o antigo egípcio no acampamento? — ele disse sem transparecer o cinismo, mas eu sabia que o único motivo dele fazer aquilo era que os dois mundos estavam separados por um motivo e Quíron não queria ser a pessoa que os uniria definitivamente.
– Não, eu estou falando sobre magos que usam o poder dos deuses egípcios para lutar contra monstros egípcios — disse sem dar pausa alguma para respirar entre as palavras já que aquilo formava um turbilhão de coisas em minha mente.
Somente naquele momento percebi que o único som que se ouvia em toda a casa grande.
– Tudo bem, então me digam qual foi a primeira coisa que disseram a vocês quando não acreditaram que os deuses gregos existiam? — perguntei voltando a ficar calma.
– Eles disseram que os deuses gregos são imortais — Lou disse.
– E que se são imortais não teriam jeito de morrerem e que eles poderiam muito bem estar aqui junto com a gente — Katie Gardner completou a frase do garoto.
Balancei a cabeça em aprovação esperando que alguém continuasse.
– E se os deuses egípcios também são imortais — Butch falou em um bocejo.
– Eles ainda estão vivos como os deuses gregos — Clarisse disse sem pensar.
Afirmei com a cabeça e naquele momento um misto de horror e confusão passou pelos rostos de cada um, desde Will do chalé de Apolo até Clovis do chalé de Íris.
– Mas — Clarisse disse pensando em algo. — Você não têm provas!
– Na verdade eu...
Iria terminar minha frase, mas não tive tempo, pois os campistas começaram a gritar algo sobre a gruta e todos nos levantamos e corremos em direção a nova moradia de Rachel Elizabeth Dare, vulgo A Oráculo.
Chegando lá logo percebemos que uma densa névoa verde estava rodeando a garota e que sua voz triplicada repetia a mesma profecia varias vezes. Passei pela multidão e eles me olharam com espanto no momento em que Rachel apontou o indicador para mim e falou:
O Perdido será achado e o Ceifador será ceifado,
E a Maldição não o deixará mais ser amado.
Batalhas por tua causa serão travadas.
Almas que conheces sofrerão mutiladas.
Acharas a segunda parte do relato,
Onde acharás também o novo amado.
Perderas a jóia preciosa a algo de muito ruim.
E se não fores rápida sua vida logo chegará ao fim.
Naquele momento Rachel estava recobrando a consciência e minha visão ficava cheia de pontos negros e a última coisa da qual me lembro antes de desmaiar é da expressão de terror nos olhos de Percy.
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