A Lua
1 Uma Aflição Imperial
31 de Outubro – 2013
Olá, meu nome termina em 'el'.
O dele também termina em 'el', será coincidência?
Me pergunto se se perguntar se isso é certo ou errado, é errado ou certo, me pergunto se ele me olharia sem me enxergar, se ele poderia olhar pra mim e ver quem eu sou, quem eu quero ser e o que eu quero ser, ele se pergunta algo? Tantos 'por quê' e tampouco tempo de pensar nas respostas, pensar, pensar é deplorável, não gosto muito de pensar, sempre me trás falsas más lembranças que nunca aconteceram, impotência.
Nasci na época errada, tenho a idade errada ou simplesmente quero acreditar que isso seja verdade? Se isso fosse verdade eu estaria onde estou, com os pensamentos que me perseguem e convivendo com as pessoas com as quais convivo? Nada é por acaso. Acaso não é acaso se não é acaso, certo?
20 de Agosto – 2013
É normal se sentir ridículo o bastante à ponto de repensar suas atitudes e imaginar o quê ele imagina de você? É intrigante, estar acordado para os fatos, encarar a realidade, e quando se trata de si mesmo... É inevitável.
Ontem conheci o cara que tem o nome terminado em 'el'.
Repulsivo, tímido, baixo, desconfiado e muito tonto. O quê será que ele viu em um cara assim? Realmente ele conversou comigo, se interessou em ouvir minhas fascinantes histórias-não-tão-fascinantes-assim. Foi atencioso, gentil em ouvir meus problemas, riu das minhas piadas, demonstrou-se um perfeito cavalheiro, mas fui embora sem perguntar seu nome.
27 de Setembro – 2013
Desistência não é uma coisa agradável, mas perda de esperança é um fato, fui em direção à um bar e como naqueles contos de adolescentes de 14 anos, ele esbarrou em mim na porta, e assim, meus óculos caíram no chão, agachei para procurá-los.
"Deixa que eu pego"
Não tive fala, era ele, sua voz, era ele!
Procurei tanto por esse homem, e ele aparece na minha frente, estava brincando comigo? Isso aconteceu, e novamente tornamos a falar sobre tudo, e ainda sim não conversamos sobre nada, bobagem, palavras jogadas fora, que incriminam cada vez mais meu interesse.
Sentados na calçada, falando sobre tudo, e não dizendo nada, aquele sorriso, as palavras saíam de sua boca, e eu apenas sorria, eu e meu sorriso, ficamos conversando até nascer o sol, tomamos rumos diferentes, mas dessa vez, eu sabia seu nome.
31 de Setembro — 2013
– Gosta de ler?
– Está brincando, certo? É claro que eu gosto de ler, eu até escrevo...
– Escreve o quê?
E agora? O quê eu escrevo?
– Ah, contos, apenas contos.
– É? Que tipo de contos? – disse ele com um pequeno sorriso no conto da boca -
– Contos eróticos.
– Eu gosto de contos eróticos, escreva um pra mim, promete?
– Prometo.
Mas que enrascada, não gosto de escrever contos eróticos, mas é uma coisa que sai de mim, se sai de mim, tem que ir pra algum lugar.
02 de Outubro — 2024
– Bom dia, amor.
– Bom *bocejo* dia.
*beijos e abraços rolam soltos nesta parte, melhor deixar tudo explícito.*
Levanto cedo e vou trabalhar, sou escritor, sim, virei escritor... Na verdade, ambos acordamos cedo, e ambos vamos trabalhar, com nossa rotina, chegamos cansados em casa todos os dias, mas temos sempre energia pra... É, vamos escrever? *tec tec tec*
05 de Outubro — 2024
Nos casamos 5 anos depois de termos nos conhecido, começamos a namorar uns 2 meses depois do meu óculos ter caído... Sabe? Foi uma história e tanto, beijos assim, do nada, uma longa história, realmente longa. Foi tiro e queda. Somos completamente diferentes um do outro, e isso torna tudo mais interessante, tudo mais apimentado. Gosto disso.
Gosto de cozinhar, e ele gosta de comer o que eu cozinho, é a combinação perfeita, ele é perfeito.
12 de Outubro — 2024
Fomos convidados para uma formatura, de nosso amigo Eduardo, ele estava se formando em psicologia, na noite anterior, a histeria tomou conta de mim e eu não consegui ficar em paz.
– O quê eu visto? Estou preocupado, será que a família toda dele vai estar lá? E os amigos dele?
– Como bem preferir, você fica bem com qualquer coisa mesmo... E além do mais, a formatura é daqui a uma semana. — disse ele, com uma expressão bem clara, demonstrando ciúmes -
– Para, falo sério.
– Estou falando sério, não entendo muito de moda, mas por mim você iria semi nu, eu adorari... Melhor não, os caras por lá vão ficar olhando pra você e isso não vai acabar bem! — sem olhar nos meus olhos, olhando fixamente para as páginas do livro -
– Ei, que livro está lendo?
– "Uma Aflição Imperial"
– Autor?
– Peter Van Houten.
Seus olhos permaneciam estagnados, olhando para um livro em que o mesmo segurava forte e concentrado.
Nessa hora me veio à cabeça aqueles pensamentos aleatórios de que, quando estamos olhando para alguém, e o mesmo desvia o olhar, imediatamente esse alguém retruca com um olhar cerrado, e pensando nisso olhamos novamente, porém, esse alguém já pensou a mesma coisa e desviou o olhar. Claro que tem certo momento em que, os olhares se cruzam, assim estabelecendo uma conexão que pode ser significativa ou não. Tirei minha camisa tentando ser um pouco sensual, permaneci meu olhar nos olhos grandes do rapaz que me olhava com cautela. Direcionei-me lentamente, atiçando sua masculinidade fervorosa e tentando fazer com que, seus hormônios ficassem à flor da pele. Nossos lábios se tocaram, poderia até mesmo sentir o gosto doce e o toque suave de sua boca quente e úmida. Próximos e tampouco distantes, seus lábios tocando os meus, em suas mãos já não estava o livro, mas o que lhe pertencia era meu corpo, já em posição, o calor aumentava e a ferocidade dos beijos ia de veloz à feroz, seu cheiro de roupa limpa, sua respiração ofegante, como se já não tivéssemos energia para nada, em um momento brusco, o mesmo me jogou contra a cama, e se pôs em cima de mim, tirando sua camiseta, me penetrando com o olhar, segurou meu rosto com as duas mãos, e tornou a me beijar, desta vez lenta e profundamente, me seduzindo, usando suas mãos para me deixar louco, sempre me surpreendo com esse homem, esse homem que me tinha exclusivamente para ele.
13 de Outubro — 2024
Se entregar à um relacionamento, parece tolice, não é?
Fiz isso, tanto quanto ele.
– Temos que comprar o presente do Edu, e ainda sim temos que ver algo para você vestir. Desta vez, nada de blazer e jeans...
Ele olhou para mim, nu, deitado na cama, com suas partes íntimas cobertas pelo cobertor, com a mão na metade do rosto e me olhou meio "deixe isso para mais tarde".
– Vamos amor, tá na hora de levantar.
– Só mais cinco minutos, sim?
Adoro o fato dos homens acordarem com ereção.
*muitas coisas acontecem nesta parte, muitas mesmo.*
– E, ei, o quê está faz... Fazendo?
– Hmmm, está bom, não está?
— Quer mais? Então levante-se e venha tomar banho comigo, Sr.
Segui em direção ao banheiro, com um andar traiçoeiro, olhando para trás com os olhos cerrados, tentando esse macho, fazendo ele levantar e, caçar sua presa.
É, eu tenho poder por aqui.
Assim o fizemos, saímos para comprar a social de Rafael.
Ele gosta de azul, procurei ternos azuis, nada claro, claro; algo escuro, que combinasse com ele e desse contraste à sua barba, seu cabelo ralo e seus olhos marcantes.
Ah, o presente seria com certeza algo que não fosse roupas, é muito comum, pensamos em dar à Edu quem sabe, um CD de Blues, isso eu deixei nas mãos de Rafael, não entendo muito de presentes... — compramos uma gravata borboleta. -
Fomos almoçar — strogonoff -, ele comeu com tanta vontade, não como se estivesse comendo o MEU strogonoff, mas ele realmente estava faminto.
Limpei com o guardanapo o molho do canto de sua boca, e aquela conexão de olhares de antes havia sido reestabelecida.
Queria beijá-lo, mas não havia macarrão que me desse pretexto para isso. — droga -
Que almoço agradável.
Pagamos a conta, e fomos embora, direto pra casa, tomamos um banho, mas dessa vez, um de cada vez; gosto de tomar banho, sempre estou bonito quando saio com a toalha pendurada na cintura, é praticamente uma performance direcionada apenas à alguém. Costumo dizer "Se você quer conquistar os homens, vista-se bem, se você quer conquistar o homem, ande, vista-se, olhe e respire apenas para ele."
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