Notas iniciais
Hey, como vocês estão? Comeram muito chocolate?

Pov’s Ziva:

Quando eu entro na casa reparo o quanto essa casa é realmente grande. A decoração é maravilhosa. Será que o Anthony trabalha para alguma máfia italiana ou algo do tipo?

A cada passo que dou, posso ouvir risadas. Chegou na sala, eu acho. E Tony está fazendo cócegas em um menino bem pequeno, não consigo ver o rosto dele direito, mas pelo tanto que ele grita, posso ter certeza que seu rostinho está todo vermelho:

— MAMÃE! SOCORRO! Papai, desculpa. Para, por favor. Eu te imploro! – aos poucos Tony foi saindo de cima dele e disse alguma coisa que eu não me dei o trabalho de prestar atenção. Então eu finalmente o vi. Ele é idêntico a mim, claro que tem vários traços do psicopata, mas com certeza esse menino era meu filho. Ezra era lindo, completamente lindo. Seus olhos castanhos claros, seu cabelo louro escuro e sem contar esse rostinho. – Mamãe, me responde. Por que você não me ajudou?

Sabe quando as palavras ficam entaladas na sua garganta, você quer falar, mas nenhum som é emitido. Essa está sendo a pior parte disso tudo. Ele é só uma criança, eu não posso dizer que me esqueci dele, isso seria tão cruel. Mas eu não preciso responder, Anthony já chega à sala falando:

— Filho, sua mãe não está se sentindo muito bem hoje. Por que você não sobe lá pro seu quarto, toma um banho e vem ver um desenho?

— Tudo bem papai.

Ele sobe as escadas correndo e a cada degrau sinto que ele pode cair a qualquer momento. Anthony vai para algum lugar, suponho que seja a cozinha e me larga aqui, sozinha.

Sinto-me tão fora de órbita, não acredito que essa seja a minha casa, a minha vida. Que tipo de pessoa esquece o próprio filho?

Depois de algum tempo Ezra desce as escada, novamente correndo, me sinto tentada a chamar a sua atenção. Mas não o faço. Ele senta no mesmo sofá que eu, virado de frente para a televisão, ele liga o aparelho que começa algum desenho que não tenho a menor ideia de qual é. Com o passar do tempo, Ezra vai mudando de posição, até que coloca as pernas pra cima e fica de cabeça pra baixo. Ele costuma sentar assim sempre? Faço uma nota mental de perguntar isso para o Anthony depois.

Desvio meu olhar para a cozinha e Tony está lá, bom uma hora vamos ter que nos falar não é mesmo. Me levanto e vou em direção a cozinha:

— Oi. – ele diz assim que me vê. – Eu estou fazendo alguma coisa para vocês comerem. Já lavei os morangos.

— Morangos?

— Nossa, você não se lembra. – ela diz ainda mais baixo esfregando a mão na nuca. – Isso é estranho. É que você geralmente come alguma fruta antes do jantar, na maioria das vezes são morangos.

Ele volta a mexer nas panelas que estão cozinhando alguma coisa e um silêncio tão estranho se instala entre nós. Acho que está na hora de fazer “aquela pergunta”:

— Anthony, como foi que nós...

— PAPAI. O filme já vai começar. Você prometeu que veria comigo.

Ezra nos interrompeu. Acho que estou agradecida por isso, não sei se estou pronta para saber o que realmente aconteceu. Ainda não gosto nem um pouco dele. Vamos caminhando juntos até a sala e assim que Tony olha para o Ezra, sua fisionomia já se transforma:

— Hey, carinha. Quantas vezes sua mãe já te pediu para não sentar assim?

— Desculpa, mãe. – ele diz rapidamente consertando sua postura.

Então quer dizer que eu sou a mandona da casa? Não acredito, sempre achei que eu seria a mãe liberal, principalmente pelo fato dos meus pais sempre terem pegado no meu pé durante minha vida inteira. Ezra continua me olhando arrependido:

— Tudo bem, Ezi. – “Ezi”, jura Ziva? Eu não deveria ter dito alguma coisa parecida com “filho”. Mas eu olho para o Anthony e ele está sorrido, acho que acertei. Será que eu sempre o chamo assim?

Depois do jantar assistimos mais um filme e o psicopata foi colocar Ezra para dormir. Mas antes ele me mostrou onde eu iria dormir. Abro a porta do quarto e tem apenas uma cama de casal. Mas é claro. Gênia! Começo a abrir as portas do guarda-roupa e tem muita coisa ali:

— Quer tomar um banho antes de dormir?

Dou um salto assim que escuto uma voz atrás de mim. Maluco. Queria ver se eu tivesse dado um soco nele:

— Caramba, que susto. Não, eu estou muito cansada.

— Tudo bem. Hum, a cama já está arrumada, é só você deitar. Eu vou tomar um banho.

Não respondo. Apenas vou deitando logo. É verdade, estou muito cansada. Todos os meus músculos doem.

Quando estou quase adormecendo, sinto alguém deitando na cama. É sério isso?

— O que você está fazendo? – pergunto me virando pra ele.

— Eu estou deitando.

— E não tem outro lugar que você possa fazer isso?

— Você está me expulsando do nosso quarto? – não sei por que ele parece incrédulo. Será que ele achou mesmo que iriamos dormir na mesma cama. Chego a sentir pena dele. – Por que você está fazendo isso?

Vamos lá Ziva, não seja rude. Seja gentil:

— Porque eu não estou nem um pouco a fim de dormir com você. – julgando pela forma que ele me olha, acho que eu não fui gentil.

Anthony levante tão bruscamente da cama, que sinto ela sair um pouco do lugar. Ele pega um travesseiro, abre a porta do guarda-roupa e pega uma coberta, sai do quarto e bate a porta com tanto força que meus ouvidos ardem. Não posso fazer nada, a não ser deitar e tentar ter uma boa noite de sono.

...

Okay, quem deixou a cortina aberta? Abro meus olhos devagar, tentando me acostumar com a claridade do local. Quando estou de fato acordada consigo me levantar. Caminho até o banheiro e tem uma troca de roupa em cima da pia. Será que foi o Tony que deixou? Claro que foi. Preciso de um banho. Começo a me despir e pela primeira vez realmente reparo em mim. Meu rosto estava mais velho, mas meu corpo... Nossa, estou realmente admirada. Será que eu malho?

Termino meu banho e enquanto estou me vestindo escuto alguma coisa tocar. Vou caminho pelo quarto e vejo alguma coisa parecida com um celular tocando. Isso é um celular? Tão fino e tão grande. Tinha várias mensagens, inclusive uma da Abby. Eu quero responder a mensagem dela, mas como? Clico em seu nome e aparece um teclado, acho que já descobrir como conversar com ela. Resolvo não responder, por conta do conteúdo da mensagem que ela havia me mandado:

“Hey, Bela Esquecida. Estou indo te ver.”

Em questão de minutos escuto a campainha tocando. Desço as escadas correndo, mal abro a porta e já me jogo em seus braços. Parece que faz anos que não a vejo. Abby está linda, muito linda. O tempo fez muito bem a ela. E as marias-chiquinhas continuam ali. Espero que ela não mude nunca:

— Esses abraços apertados são geralmente dados por mim. – Abby diz comigo ainda agarrada ao seu pescoço.

— Desculpa. É que eu estava com saudades. – solto o pescoço dela e caminhamos até o sofá.

— Mas eu vi você ontem. – Abby fica me analisando. – Então você não se lembra de nada mesmo?

— Não. – automaticamente abaixo a cabeça. Isso é uma porcaria.

— Que pena. Eu queria saber como foi a reconciliação de ontem.

— Que reconciliação? – lembro de Tony ter dito uma coisa sobre “ Você disse que estava tudo bem.” Ou algo do tipo.

— Foi muito engraçado. – ela respira e começa a me contar. – Estávamos em um bar, fomos em um encontro duplo. Tinha uma mulher perto da gente que você insistiu em dizer que estava “dando em cima” do seu marido. – por que ela está rindo? – Sorte sua não se lembrar da cena exagerada que você fez. – ela continua rindo. Não me vejo de jeito nenhum “fazendo cena” em lugares públicos. – Sério, parecia um pinscher brigando com um dobermann. Aquela mulher dava duas de você fácil.

— Eu não quero falar sobre isso. Eu quero falar sobre você. Como está a sua vida?

— Maravilhosa! Logo depois do colegial eu me casei com o Timmy. – os olhos dela ainda brilham ao falar dele.

— Eu não acredito! Então você conseguiu garota.

— Sim. Na verdade, começamos a sair depois do meu aniversário. Meu casamento foi lindo. – Abby me olhou. – E sim, você foi minha madrinha. – adoro esse jeito fofo que ela tem de saber o que eu estou pensando. – Temos um filho, o Harry, ele é da idade do Ezra. Cresceram juntos, assim como nós. O Timmy quer muito ter uma menina e quer saber, eu também quero. – Abby da uma pausa, olha o ambiente depois volta sua atenção para mim. – Sabe quem também adoraria ter uma menina?

Ela me olha daquele jeito cínico:

— Oh não! Eu não quero falar dele.

— Mas você precisa. Vocês são casados, entendeu? C.A.S.A.D.O.S.

— Eu só não entendo como foi que isso aconteceu. Quando éramos adolescentes ele me odiava.

Ela volta a rir. Odeio quando Abby faz isso.

— Te odiava? Claro que não. Você o odiava.

— Então por que ele implicava comigo daquele jeito?

— Pra chamar a sua atenção. Ele sempre foi louco por você. Acho que está na hora de você conhecer seu marido.

Notas finais
Até mais ver :)