A Louca Historia de uma Semideusa
6 Meu pai cria vergonha na cara e Uma vassoura poeta é meu amigo.
Notas iniciais
Minha chegada ao tau camp foi tão rapido que mal notei.
Fui recebida por um velho metade coroa metade pangaré que me explicou melhor sobre o que eu sou e como funciona o acampamento.
Como meu pai ainda não me "assumiu" me colocaram no chalé 11 que, pelo o que me disseram, é o chalé de Hermes, o deus dos viajantes, dos ladrões, dos mensageiros e mais o caralho a quatro que não tive paciência de decorar na aula de história. Lá eles colocam os guris cujo seus pais caras de pau.
— Tá, mas por que? — perguntei ao pangaré... Digo... Quiron.
— Porque Hermes é o deus dos viajantes. — ele responde me acompanhando até o tau chalé 11.
Encaro Quiron com uma cara de quem diz "tá, mas idai?" e centauro suspirou revirando os olhos.
— Você aprenderá com o tempo. — Quiron diz eu apenas dou de ombros como quem não tá nem aí.
Chegando ao chalé que eu ia me acomodar o centauro tenta abrir a porta, mas ela se encontrava trancada.
— Ora deuses.... — resmungou tentando abrir.
— Deixa eu ver isso aqui... — giro a maçaneta da porta com os ouvidos colado na porta para ter uma noção de como era a fechadura. — Aaah, moleza. — sorrio para Quiron.
Tiro do bolso uma lixa torta de unha e um grampo encaixando no buraco da fechadura da porta e girando um pouco consigo destravar a porta.
— E vu alá. — índico a porta abrindo os braços como se eu acabara de fazer uma mágica.
— Como fez isso? — pergunta Quiron intrigado.
— À, com a ferramenta certa é só uma mexidinha aqui, outra alí e tudo resolvido. — dou de ombros.
— você faz isso a muito tempo?
— Sei lá tio — dou de ombros.
— Tudo bem. — ele me encara por um instante e depois desvia o olhar. — daqui a pouco queimaremos as mortalhas de seus amigos... — ele me diz delicadamente.
Queimar a mortalha de meus amigos... Caramba... Um funeral... Não quero ir. Não quero ver nada. Não quero nem saber da dor da perda de suas mães. Eles não existiram. Tenho que esquecer e afogar essa dor de dentro de mim, pelo menos tentar.
— Tá. — digo secamente.
Entro no chalé e me acomodo em um canto e alguns minutos depois chega uma menina de cabelos castanhos, alto e robusta que usa óculos.
Ela se apresenta e me ajuda a acomodar em uma beliche na cama de cima que sobrou.
Anna, seu nome, pergunta sobre mim e eu a corto a cada pergunta.
Quero ficar sozinha, não quero me aproximar de ninguém, e aposto que eles não querem se aproximar de mim.
E assim se passam duas semanas, eu afastada dos demais, mas acabo me destacando na aulas de luta e no tau caça as bandeiras.
Mesmo não querendo, eu me apego ao lugar, e meu nome se torna conhecido, alguns até medo de mim tem, sem falar nas apostas que criaram para saber de quem sou filha. Hades e Hermes ganhavam em disparado.
Semanas e nada de meu pai me reclamar, eu não me importava, tava bem, o pessoal do chalé de Hermes até que são aceitáveis, adoro as pegadinhas que eles aprontam, só não comigo.
Certa tarde estávamos praticando aulas de tiro ao alvo com arco e flecha e eu não estava conseguindo uma mira porque não conseguia me concentrar. Já estava ficando irritada e completamente frustrada.
— Que Merda! — rujo tacando o arco bruscamente no chão.
— Owm, o bebê da mamãe não tá conseguindo? — implica um filho de Apolo, Joseph era seu nome, se eu me lembro.
— Não enche... — digo tentando manter a calma.
— Vai lá correr pra mamãe vai. — ele provoca e seus irmãos riam com ele.
— Não cite ela... — calma Emy, calma.
— Mas por quê? Ah é, você tem vergonha da vadia que ela é! — ele cospe a ofensa na minha cara.
— CALA A BOCA, CALA A BOCA! — Grito.
Todo o camp para e começa a observar a cena e alguns diziam para Joseph não implicar comigo.
— Cala a boca você sua renegada, os deuses devem tar tirando no palitinho ora ver quem assume o fardo que você é.
"O fardo que você é", essa frase martela em minha mente me lembrando das tantas e tantas vezes que eu ouvi isso. Meu sangue começa a ferver, meus munhis que estavam fechados tremem e eu explodo em ira.
Avanço em Joseph o socando várias vezes. Ele cospe sangue e me aplica uma rasteira, mas eu a pulo e giro lhe chutando no maxilar.
Joseph cambaleia e vem na minha direção me socando, seus golpes tão ágeis que poderiam me acertar, porém, eu os desvio e devolvo em um gancho o apagando.
Um dos seus irmãos, Pool, avança contra mim e eu o derrubo só com um soco e o chuto várias e várias vezes.
Alguém me segura por trás para me afastar do garoto, mesmo sem ver quem é inclino minha cabeça forte para trás e lhe dou uma cabeçada. A pessoa me solta e eu apenas a Afasto dando um pisão no estômago.
Mais pessoas e até mesmo Quiron vinha na direção da confusão, mas algo os detém, um brilho vermelho do tipo da minha cabeça para todos e os calam.
Olho para cima e vejo um javali e duas lanças cruzadas em um brilho vermelho em cima da minha cabeça. Eu fui reclamada.
— Emy, filha de Ares. — diz Quiron um tanto pálido.
Reclamada a essa altura do campeonato? Como assim? Por quê tanta demora? Eu preciso me acalmar, então saio correndo para algum lugar afastado.
Estava sentada na praia abraçada aos meu joelhos pensativa.
Já era noite até que alguém aparece.
— Ei bobona, vai um chicletão?
Me viro para encarar quem é e me deparo com um garoto alto e muito magro, olhos verdes e um cabelo cor de palha tão bagunçado quanto. Se eu virasse esse garoto de cabeça pra baixo todos o confundiriam com uma vassoura.
— Você tá me chamando de bobona? — perguntou incrédula o encarando nervosa
— tá vendo outra pessoa bobona aqui? — ele pergunta rude se sentando do meu lado.
— estou sim, você. — rebato nervosa.
— mas não faz sentido eu oferecer chicletão pra mim mesmos, seria esquisito. — ele da de ombros.
— você é esquisito. — reviro os olhos e volto a encarar o mar.
— Bem aventurado é o esquisito, pois ele Zomba dos imbecis sem nem ao menos eles notarem, Bem aventurado é o esquisito, pois ele sim sabem ver o mundo de uma forma que ninguém consegue ver, pois estes são cegos demais para notarem. — recita ele e da de ombros. — ei bobão quer um chicletão? Claro bobão, obrigado! De nada bobão. — dizendo isso ele desenrola um chiclete e põe na boca.
Não consigo evitar de rir.
— Nossa, que poeta você é em? Deixa eu adivinhar — ponho o indicador na minha tempora e estreito os olhos. — filho de Apolo.
— Eeeeeeeeeeeeeeeerrado. — ele fecha a cara. — Poderia te dar um soco por me comparar com aqueles bobocas.
— UI, desculpas. — finjo redenção erguendo as mãos. — Filho de quem então ?
—bFilho de Poseidon. — ele da de ombros.
— sério?
Ele ergue uma das mãos na direção do mar e um tridente feito de água se forma das ondas, logo em seguida ele chacoalha a mão e o tridente se desaz.
— Sabe, alguns são bobões, outros legais, da uma chance pro camp, aqui é a sua casa, bem melhor do que qualquer lugar que você vivel, vai ver, apenas dê uma chance. — ele diz sem me olhar. — faça amigos, é legal ter amigos, comece comigo, Oi sou o Clóvis. — ele estende a mão para mim e eu a pego para cumprimenta-lo achando estranho.
— Por que quer ser meu amigo? — pergunto na defensiva.
— Digamos que eu sei como é ter uma mãe problemática e um pai babaca. — ele da de ombros e se levanta. — até mais bobona.
— até Poeta — aceno e ele dá um meio sorriso revirando os olhos
— Até mais Mutiladora. — ele diz saindo e eu rio com o apelido.
Acho que esse garoto tem razão. Devo dar uma chance a esse camp, começar uma nova vida aqui.
Fale com o autor