A Lost Soul - Season 2
10 #10 - Não é uma história, é uma lembrança
Notas iniciais
#10
Não é uma história, é uma lembrança
Isso não chega a ser um capítulo, isso serve apenas para que eu conte a vocês o que aconteceu com os nossos dois psicopatas preferidos. Antes de começar, é importante dizer que eles não tiveram o final que era esperado. Não tiveram o casamento dos sonhos, com uma lua de mel de tirar o fôlego, nem adotaram filhos e ficaram juntos e felizes para sempre. Tiveram o destino que mereciam, mesmo que separados um do outro.
Ambos decidiram que se entregariam e não fugiriam mais, não importando onde fossem parar.
Blaine foi de volta para seu quarto branco no hospício. Tinha um psiquiatra horrível ao seu lado o tempo todo e aquilo fazia ele sentir saudade de Thomas. Pensava se o castanho havia ido para o céu, caso existisse céu e inferno, porque se existia, ele merecia ir para um lugar bom. Sua alma era uma das mais piedosas e puras que Blaine já tinha conhecido.
O moreno passava todo seu tempo contando os dias que faltavam para ele ser tirado dali. E faltavam muitos. Era um tratamento de, no mínimo, dois anos. Dois anos que viraram cinco, pois era impossível não enlouquecer em um lugar daqueles.
Já Kurt, estava vivendo sua prisão perpétua. Era melhor do que simplesmente morrer e ele havia prometido para Blaine que se comportaria e não tiraria a própria vida.
Ele sentia falta de Blaine, enxergava o moreno em todos os lugares para onde podia olhar. Era óbvio que sentia falta, aquele menino moreno de cabelos cacheados era o mais incrível que ele já tinha tido oportunidade de conhecer. O mais amoroso, amigável, carinhoso, facilmente amável. Lindo, incrível, maravilhoso.
Kurt nunca mais sentiria o mísero prazer que lhe era proporcionado pela simples companhia do moreno. Nunca mais sentiria seu beijo, seu abraço, ou ouviria sua voz.
No entanto, cinco anos mais tarde quando Blaine fora finalmente liberado daquele hospital horrível, considerado “curado” de qualquer doença que pensavam que ele tinha, o moreno foi até a prisão para visitar o seu amor.
Kurt mal acreditou quando colocou seus olhos no moreno ali, sentado em sua frente, sorrindo daquele jeito lindo que só ele sabia sorrir. Seus cachos quase caíam dentro de seu olho, sua barba estava um pouco grande – como o castanho nunca tinha visto antes.
Blaine se lembra até hoje de que, ao ver Kurt naquele dia, sentiu como se tivesse perdido qualquer palavra de seu vocabulário. Não lembrava mais nem como era respirar ou falar.
O moreno lembra também de que prometeu que seguiria sua vida, uma promessa que nunca cumpriu.
Ele disse que voltaria lá para visitar Kurt e, por mais que o castanho não quisesse, isso Blaine fez. Por mais alguns anos, depois sentiu ser vencido pela tristeza.
Acho que o ponto principal aqui, é que, por mais que eles não tenham ficado juntos, ambos sabiam o quanto se amavam e sabiam que continuariam a se amar sem se importarem com o que ainda poderia acontecer.
Prometeram a si mesmos que se tivessem a oportunidade de se conhecerem em uma outra vida, não perderiam tempo com coisas fúteis. Poderiam não lembrar um do outro logo de cara, mas sabiam que se apaixonariam com a mínima troca de olhares ou palavras entre os dois.
Quando é amor de verdade, nada pode separar. Nem mesmo a morte.
— Ok, Gabriela, hora de dormir. – Blaine disse, depositando um beijo na testa da filha.
— Ah, papai, conta de novo! – Pediu a garota de seis anos, fazendo manha. – Papai K, conta outra historinha para eu dormir.
— Acho que já deu de histórias por hoje, não? – Kurt perguntou também beijando a filha, arrumando as cobertas da mesma. – Mas podemos cantar algo para você.
A garota ficou faceira, logo ouvindo uma melodia invadir seu quarto. Kurt e Blaine cantaram a música até que a pequena dormisse. Saíram do quarto e sentaram-se na varanda, observando as estrelas, abraçados.
— Lembra da nossa promessa do sempre e para sempre? – Perguntou o moreno, vendo Kurt assentir sorrindo. – Será que essa pode ser a história de amanhã?
— Gabi vai gostar. – Concordou Kurt. – Será que um dia veremos que ela tem idade o suficiente para saber que não são histórias e sim nossas lembranças? Digo, nessa época em que eu era um assassino louco, será que ela me perdoaria?
— Nos meus setecentos anos de vida fiz muito pior do que você, então acredito que perdoaria. Mas se tem tanto medo, podemos continuar fingindo que são apenas histórias. O importante é fazermos ela feliz. – Blaine depositou um beijo na testa do marido. – Eu te amo, K.
— Eu te amo mais, BA.
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