A Lost Soul

7 #7 - Meu passado é pior que o inferno


Notas iniciais
OI GENTE! Eu estou feliz da vida aqui e, por esse motivo, me puxei para atualizar logo... Eu prometi um capítulo grande, mas eu juro pela minha vida que o próximo será.. Espero que gostem. Não me matem independente do que irá acontecer daqui para frente, por favor. Boa leitura! Capítulo dedicado a todos vocês, que vem com esses comentários lindos ♥

#7

Meu passado é pior que o inferno

– O que? – Blaine perguntou ainda sem acreditar.

– Olha, eu não vou implorar pelo seu perdão porque eu sei que não mereço, mas, você merece uma explicação e é por esse motivo, que eu vou te contar tudo. – Kurt disse firme.

– Eu não estou entendendo nada... – Kurt novamente interrompeu o moreno.

– Eu sou um assassino, psicopata, seja lá a definição que você queira dar. Sou tudo de ruim que possa existir. – Kurt olhou fixamente para Blaine e respirou fundo, soltando um suspiro em seguida. – Tudo começou seis anos atrás, quando eu tinha dezenove anos.

6 anos atrás...

Kurt estava nos fundos do pátio da escola, o local para onde Dave sempre o arrastava, o local onde ele era maltratado e menosprezado, o local que ele tanto odiava.

– Você nunca vai cansar de me bater? – Kurt perguntou com lágrimas nos olhos. – Estamos no último ano da escola e você não para nunca com isso.

– Se você não fosse uma bichinha eu não iria precisar fazer isso. – Dave cuspiu as palavras sobre o castanho e deu mais um chute contra as costelas do mesmo.

– Se você não fosse o mesmo... – O garoto interrompeu o Hummel.

– O que foi que você disse? – Ele perguntou com raiva e viu Kurt levantar, tirando forças de onde não tinha para fazer isso.

Kurt não sabia como havia feito aquilo, mas havia acertado em cheio um soco no rosto de Dave e, após isso, os dois travaram uma luta um com o outro, com socos e chutes, sem medir forças.

Kurt empurrou Dave para o chão e começou a bater a cabeça do garoto no chão repetidas vezes, até que uma poça de sangue se formou no piso.

Ele deveria estar assustado, mas ele não estava. Aquela sensação era... era boa.

– Eu gostei de ter feito aquilo. – Kurt disse chorando. – Era uma sensação incrível de poder, de satisfação. Ele fez o meu ensino fundamental e o meu ensino médio um verdadeiro inferno. Ele me maltratava, me batia, me jogava contra os armários, jogava qualquer coisa em mim. Ele me odiava e... bom, eu não deveria ter feito aquilo, mas...

– Ele mereceu. – Blaine disse, assustando Kurt. – Isso não justifica nada do que você fez, mas pelo menos esse mereceu.

– Claro que não justifica. – Kurt disse, concordando com o parceiro. – Após isso eu tive que trocar de escola, pois se desconfiassem de mim eu estaria ferrado. Eu já matei muitas pessoas Blaine, muitas mesmo. Todas as noites eu ia até aquele beco e escolhia alguém para matar.

– E Rachel foi uma dessas vítimas? – Blaine perguntou, deixando algumas lágrimas escaparem.

– Sim, foi. Eu matei ela no dia em que você desmarcou nossa noite. Você me colocou no eixo, Blaine, e quando eu me vi sem você, eu perdi o rumo. Tudo que eu construí durante um mês, eu joguei fora em uma noite. Uma maldita noite. – Kurt disse irritado consigo mesmo. – Eu... olha, eu...

– Não podemos mais ficar juntos. – Blaine disse seco. Ele pensava que aquilo havia doído mais em si do que doeria em Kurt, mas ele estava enganado. Aquilo havia destruído Kurt em milhões de pedaços.

– Eu... eu entendo, Blaine. – Kurt pegou suas coisas e foi até a porta, a qual Blaine estava segurando. O moreno encarava o chão, pois sabia que se olhasse para Kurt, ele iria mudar de ideia, iria agarrar o castanho e iria impedir que o mesmo fosse embora. – Só mais uma coisa.

– Vai embora, Kurt. – Blaine disse com os olhos marejados.

– Por mais que eu tenha errado, e eu sei que errei e muito, era para você ter sido mais uma vítima minha, Blaine. Mas ao invés disso eu o levei para minha casa, me preocupei com você e dei uma chance de ter pelo menos um amigo. Eu te... adeus, Blaine. – Kurt disse e saiu correndo dali e começou a andar pela rua.

Estava tarde, mas Kurt não tinha medo. Ele gostava do escuro, ele gostava dessas coisas.

Só que agora sua vida parecia sem sentido novamente. Ele não tinha Blaine. Ele estava sozinho.

6 anos atrás...

O garoto continuava atirado no chão e Kurt possuía um pequeno sorriso nos lábios. Ele se sentia cheio de satisfação, aquela sensação era tão boa, tão prazerosa. A pessoa que sempre o maltratou agora estava morta e nunca mais poderia machucá-lo, atormentá-lo ou, simplesmente, olhar para ele com seus olhos julgadores.

Kurt se sentia bem de uma maneira que não sentia há anos.

4 anos atrás...

Kurt morava em New York em um dos melhores lugares possíveis, ele saía para festas todas as noites e voltava para casa lá pelas cinco da manhã, mesmo tendo que levantar às seis para trabalhar.

Digamos que sua vida era agitada e, ele tinha um bom passatempo.

Após a morte de Dave, Kurt descobriu seu prazer secreto e, esse seria, matar.

A cada pessoa que ele matava, ele se sentia mais vivo. Era como se todas as mortes se transformassem em uma nova vida para ele. Uma vida onde ele tinha tudo que queria.

Kurt lembrava com raiva de todos os acontecimentos. Ele sentia nojo de si mesmo, raiva de si mesmo. Ele estava triste como nunca havia estado antes. Era uma sensação horrível, a pior de todas.

Ele não tinha a quem chamar agora, ele não tinha mais a cura para sua doença. Ele não tinha nada, até porque, Blaine havia se transformado o seu tudo e agora ele não estava ali.

Kurt voltara a ser uma alma perdida, mais perdida do que nunca.

Kurt avistou um garoto que logo piscou para ele. O castanho estava se aproximando, era a vítima perfeita, exceto que, aquilo não parecia mais tão certo quanto antes.

Aquilo parecia doentio, parecia ridículo.

Mas Kurt tinha uma solução e agora era a hora certa de usá-la.

Ele pegou seu celular e discou alguns números, esperou duas chamadas e a pessoa finalmente atendeu.

– Dra. Jillian? Eu sei que você era minha psicóloga quando eu tinha meus doze ou treze anos e, eu preciso muito de ajuda agora, será que você teria como me encaixar em algum horário?

[...]

Blaine se sentia traído, se sentia enganado. Era como se Kurt tivesse brincado com seus sentimentos, tivesse o usado e depois o descartado como se ele fosse uma folha de papel, que você pode rasgar ou amassar e depois jogar no lixo.

Ele se sentia usado. O pior de tudo nem era sentir tudo isso.

E sim, saber que estava completamente apaixonado por Kurt.

O castanho chegou como quem não queria nada e se instalou no lugar onde não deveria: no coração de Blaine.

O moreno tentou voltar a arrumar suas coisas no apartamento, mas ele não conseguia. Todos os seus pensamentos voltavam para Kurt.

Kurt.

Por que o castanho era daquela maneira? Em relação a Dave era algo plausível, mas, e o restante? Blaine não conseguia entender. Ele havia se apaixonado pela pessoa errada e nem isso não fazia sentido mais.

O moreno foi em direção ao local onde seria seu quarto e começou a arrumar as coisas, as desarrumando logo depois, jogando algumas coisas longe e quase quebrando outras.

Sua cabeça girava e ele queria justamente quem não poderia estar ali, quem não merecia estar ali.

E, por incrível que pareça, ele não queria Kurt. Pois Kurt realmente havia o ferido.

Ele queria Sebastian.

Sem nem pensar, ele discou o número de Sebastian, que atendeu lá pela quinta chamada.

Blaine?” – O outro falou do outro lado da linha.

Sebastian, você está ocupado agora?” – Blaine perguntou firme, se segurando para não começar a chorar.

Para você eu estou sempre livre.” – Blaine revirou os olhos.

Preciso sair, encher a cara talvez, mas preciso me distrair.”

Me encontre no mesmo bar de sempre em quinze minutos.” – Blaine murmurou um “ok” e encerrou a chamada.

O moreno botou a primeira roupa que encontrou, pegou as chaves do carro e foi em direção ao bar, onde esperou Sebastian já bebendo alguma coisa.

– Cheguei! – Sebastian disse, dando um beijo no rosto de Blaine. – O que houve, Bee?

– Isso não importa. – Blaine disse, levantando e arrastando Sebastian pela gola da blusa. – Vamos dançar.

Em um canto daquele bar, onde Blaine não podia ver, havia um castanho de olhos azuis chorando sem parar, assistindo à cena de Blaine dançando com Sebastian. Aquilo havia machucado mais do que ser expulso da casa do moreno. Kurt simplesmente levantou e foi embora, esbarrando propositalmente no Anderson, que já estava tão bêbado que chegou a achar que o castanho fosse uma mera ilusão de sua cabeça.

[...]

Blaine acordou com uma dor de cabeça que parecia ter sido enviada pelo demônio. Ele se mexeu no local onde estava e percebeu que estava do lado de alguém.

Sebastian.

As lembranças da noite passado vieram à sua cabeça e ele sentiu nojo de si.

Blaine foi para a casa de Sebastian e os dois estavam se beijando sem parar, ignorando o fato de precisarem respirar, dando espaço de dois ou três segundos entre um beijo e outro.

Blaine balançou a cabeça, tentando mandar essas lembranças para o inferno. Mas não tinha como. Elas eram reais.

– Que saudades do seu corpo. – Sebastian sussurrou no ouvido de Blaine, que se arrepiou com o ato.

– Também senti falta do seu, Seb.

– EU NÃO ACREDITO QUE EU FIZ ISSO. – Blaine gritou, assustando Sebastian, que quase caiu da cama.

– Ain, o que houve? – O castanho piscou os olhos, tentando acostumar-se com a luz.

– EU TRANSEI COM VOCÊ, SÓ ISSO. – Blaine continuava a negar com a cabeça, querendo que aquilo fosse apenas um sonho, mas estava mais para um pesadelo.

Um real pesadelo.

– E por um acaso você está reclamando? Dizendo que foi ruim? – Sebastian perguntou incrédulo.

– Foi errado! – Blaine esbravejou.

– Até que ponto é errado, Bee? Eu e você somos solteiros, avulsos, fazemos o que bem entendermos sem ninguém para nos prender ou deter. – Sebastian tentou se aproximar, mas o moreno levantou na hora.

– Não, eu não vou... não... isso não aconteceu... – Blaine ainda não acreditava que aquilo realmente havia acontecido. – Eu vou embora.

– Bee, não vá. – Sebastian pediu, se levantando e vendo Blaine vestir suas roupas com uma pressa exagerada.

– Ficar perto de você é errado. – Sebastian segurou as mãos de Blaine.

– Eu te amo, Bee. – E, em um momento rápido, Sebastian uniu seus lábios nos de Blaine, sendo empurrado em seguida.

Blaine apenas foi embora, sem falar mais uma sequer palavra.

[...]

Mais um mês havia se passado.

A polícia ainda estava em busca do assassino de Rachel e de outras dezenas de mortes.

Blaine continuava em seu emprego, mas agora era em tempo integral, já que o moreno havia abandonado a faculdade.

Kurt estava indo regularmente ao psicólogo e tomava os remédios que o psiquiatra havia lhe recomendado.

Era mais uma manhã dentro do consultório da Doutora Jillian e hoje, mais do que nunca, Kurt estava nervoso.

– Você está tremendo, Kurt. O que está acontecendo com você? – A ruiva perguntou cuidadosamente.

– Eu... eu sinto falta de Blaine. – Kurt confessou pela primeira vez em voz alta.

– Aposto que sente mesmo. Você me disse que tem um tipo de distúrbio e disse também que é culpado pelo rompimento de vocês. Quando você irá me dizer o que realmente aconteceu? – A doutora encarou Kurt profundamente.

– Eu iria preso. – Kurt soltou uma risada nervosa. – Isso não importa, o que importa é que eu estou mudando e estou fazendo isso por ele.

– Você ama ele, Kurt? – O ar sumiu dos pulmões de Kurt e ele não sabia o que responder.

– Eu acho que sim. – Kurt disse incerto.

– Se você diz que o que fez é tão grave que poderia ser preso, e está mudando por causa desse garoto, eu não tenho mais como definir a não ser chamar isso de amor, Kurt.

Será que a doutora tinha razão? Será mesmo que aquilo era amor?

Após a consulta, Kurt foi em direção ao café de sempre, onde pediu a mesma coisa de sempre e sentou na bancada, aguardando por seu pedido.

O barulho da porta do local se abrindo, chamou a atenção de Kurt. O castanho olhou na direção da porta e ficou de queixo caído por conta da surpresa.

Blaine estava ali. Mais lindo do que nunca.

O moreno sentou no mesmo lugar de sempre e foi surpreendido ao ver Kurt sentar em sua frente.

– O que você quer? – A voz de Blaine saiu mais fria do que o esperado.

– Eu só queria saber como você está. – Disse Kurt com um pouco de receio.

– Estou bem. Já pode ir. – Blaine disse com um olhar cínico, fazendo seu pedido em seguida.

– Você nunca vai me perdoar, Blaine? – Kurt perguntou com seus olhos cheios de lágrimas.

– Como eu vou perdoar alguém que não me pediu perdão? – Blaine perguntou bebericando seu café.

– Sabe, eu tenho me tratado ultimamente. Mudei minha vida por completo por causa sua. – Kurt disse.

– Comovente, mas... isso é o seu pedido de desculpas? Caso não seja, fico no aguardo. – Blaine disse irônico e viu Kurt levantar e sair do local.

Já no carro, Kurt chorava com o rádio ligado. Uma pessoa anunciava a próxima música, que logo começou a tocar. Era “Sorry”, do cantor Justin Bieber.

Bom... pedir desculpas não poderia ser tão ruim assim. Poderia?

Notas finais
Eita. Era só ele ter pedido perdão... Kurt tá vacilando, hein? O QUE ESTÃO ACHANDO, MEUS AMORES? Só para avisá-los... só postarei o 8 na semana que vem, mas pretendo atualizar até sexta a minha outra fanfic (As Long As You Love Me). Vejo vocês no próximo. Bjão ♥