A Lost Soul
16 #16 - Eu sempre vou te amar
Notas iniciais
#16
Eu sempre vou te amar
— Você o que? – Blaine perguntou aflito. Não era possível que aquilo realmente tivesse acontecido.
— Ele me provocou, eu cedi às provocações, ele me irritou e eu o matei. Simples assim. – Kurt disse dando de ombros.
— Então quer dizer que, se eu e você brigarmos e você se irritar comigo, você também vai me matar? – Blaine perguntou chegando mais perto de Kurt.
— Eu mataria a mim mesmo só para não ver você sofrer. – Kurt largou a faca do seu lado e chegou ainda mais perto de Blaine. – Mas eu não consegui simplesmente ficar olhando para ele, sabe? Eu fico pensando no quão ruim para você ele foi e lembro também que, por causa dele, nós precisamos nos separar. Por mais que eu tenha merecido ser preso, e ainda mereço isso, ele não é a melhor pessoa do mundo e só por saber que um dia ele já te magoou, eu perco o foco da minha vida. Eu precisei colocar isso para fora. Me perdoa.
— Você não tem jeito mesmo, né? Você não muda. – Blaine disse rindo, o que acabou assustando Kurt. – Deve ser por esse motivo que eu te amo tanto.
— Que? Você não vai me xingar pelo que eu fiz? Gritar comigo e dizer que não podemos mais ficar juntos? O que houve com você? – Kurt perguntou ainda confuso.
— Talvez eu seja um admirador do seu vício, só isso. – Blaine continuava a rir enquanto falava. – Eu sempre quis entender como sua mente funcionava, deve ser fascinante.
— Você está começando a me assustar de verdade. – O Hummel não teve tempo de dizer mais nada, ele simplesmente foi puxado para um beijo.
Um beijo tão urgente, que ele mal conseguia raciocinar no que estava acontecendo, ele apenas se deixou levar. Mas aquilo estava estranho.
Qualquer instante antes Blaine estaria o repudiando pelo que ele fez, mas agora ele até parecia encantado. Mas encantado pelo que? Pela graça que Kurt achava por matar?
Blaine começou a tentar tirar a roupa de Kurt e foi nesse momento em que ele despertou de seus pensamentos.
— O que está acontecendo, Blaine? – Kurt perguntou ainda assustado. Aquele em sua frente não parecia seu namorado, parecia um alguém totalmente diferente e ele não conseguia distinguir por quais motivos ele estava vendo Blaine dessa maneira.
— Por que se afastou? Eu não fiz nada de errado. – Reclamou o moreno, ignorando completamente a pergunta de Kurt. – Kurt, não se afasta de mim. – Blaine puxou novamente o castanho até ele.
— Me responde. O que está acontecendo? – Blaine se fez de desentendido e Kurt ficou ainda mais irritado. – Minutos atrás você provavelmente estaria aqui dentro fazendo o maior barraco por eu ter matado Sebastian e agora você vem com esse discurso de achar minha mente fascinante? E ainda por cima você começa a me beijar e tentar tirar a minha roupa sendo que a poucos metros de nós tem um morto no chão? Blaine, acorda, eu estou todo sujo de sangue, o chão está todo sujo de sangue. Sebastian está ali atirado no chão, morto.
— E qual o problema disso? Ele mereceu o que aconteceu. – Blaine deu de ombros. – Eu nunca fui a pessoa mais santa.
— Mas você não é um assassino como eu, Blaine. – Gritou Kurt, se afastando bruscamente do namorado. – Você está enxergando bem o que eu fiz? Eu matei Sebastian. Ele não caiu dezessete vezes em cima da minha faca e a faca não parou acidentalmente na minha mão. Eu quis matar ele, não foi algo que aconteceu sem querer. Ele me provocou? Sim, mas eu não o matei só por causa disso.
— Você matou ele porque você quis. Ponto final. – Disse o moreno. – Por que está agindo assim? Você quer que eu faça um escândalo e termine com você? Porque eu honestamente não quero fazer isso.
— Tudo bem, mas você podia pelo menos ter me arrastado para o quarto, não? – Kurt disse encarando o namorado, logo o beijando.
*ALGUNS ANOS DEPOIS*
— Bom dia, meu amor. – Blaine disse sorridente ao acordar do lado de Kurt, o qual já estava sorrindo para ele.
— Bom dia! – Kurt disse ainda sorrindo. – Eu não queria acordar você, mas eu lembro que hoje você precisa ir para a gravadora ver o lançamento do álbum. Eu sei que o álbum não é seu, seria melhor se você fosse o cantor e compositor dele, mas você já é o produtor e isso é um bom começo, não?
— Seria melhor se você pudesse estar lá comigo para comemorar. – Blaine disse triste.
— Esse é o preço que eu preciso pagar, B. Sou um foragido, lembra? Nós temos sorte de eles terem parado de te perseguir por achar que eu estava ao seu lado. – Disse tentando consolar o namorado. – Eu te amo e eu vou passar o dia inteiro pensando em você.
— Eu também te amo. – Blaine capturou os lábios do namorado e os dois levantaram.
Kurt deu uma carona para Blaine, o largando na gravadora e depois ele dirigiu tranquilamente até a barreira do estado. Sim, ele dirigiu bastante, mas ele tinha um lugar específico para ir.
O local em questão, era um lugar cheio de montanhas, com o mar lá em baixo. As ondas batiam com força lá e Kurt foi andando até a beirada do “penhasco”.
Ele tirou de seu bolso sua navalha, guardada em uma caixinha de veludo vermelha. Na hora uma certa música de seu filme preferido veio até sua cabeça e ele começou a cantarolar a mesma em seguida.
These are my friends.
See how they glisten.
See this one shine...
How he smiles in the light.
My friend.
My faithful friend...
Kurt riu para o nada por perceber o que estava fazendo. Aquilo era tão ridículo, ele estava chamando de amiga uma navalha. Ele se sentia ridículo por aquilo, mas, por tantos anos aquela havia sido sua única amiga mesmo.
Aquela que lhe havia proporcionado um prazer tão grande, sendo responsável por inúmeras mortes tão magníficas ao olhar do castanho.
Speak to me friend.
Whisper...
I'll listen.
I know, I know you've been locked
out of sight
all these years, like me
Ele agora não sentia mais falta da vida que costumava ter. A vida dele agora era tão perfeita. Claro que, ele era foragido, não podia ir a qualquer lugar, não podia mais ir ao cinema ou simplesmente jantar fora com Blaine, mas, ele tinha algo melhor do que sua liberdade: ele tinha um amor que aceitava todos os seus limites e imperfeições.
Um amor que o aceitava e o achava maravilhoso mesmo com todos os seus defeitos e, tendo isso, nada mais lhe importava. Ele ficava feliz por ter alguém que aceitasse seguir em frente com esse amor, mesmo sabendo o quão difícil seria e quantas coisas ele teria que abrir mão apenas para estar na companhia de Kurt.
My friend...
well I've come home to find you waiting.... home,
and we're together!
And we'll do wonders.
Won't we?
You there, my friend?
Claro que Kurt não se arrependia de tudo que já fez. Até porque, se ele não fosse exatamente quem ele é, ele nunca teria conhecido Blaine. Mas agora ele percebe que a felicidade dele poderia ter estado ao seu lado o tempo inteiro e ele nunca se deu a oportunidade de dar uma chance a ela.
Mais tarde Kurt resolveu voltar para casa. Ele ligou para Quinn e pediu para a amiga comprar uma lista de coisas para Kurt poder fazer uma surpresa para Blaine.
Mas a pergunta que não quer calar... Quinn sabe sobre Kurt?
*FLASHBACK ON*
Kurt estava nervoso, esperando Quinn chegar ao seu apartamento para poder finalmente contá-la a verdade sobre si. Ele iria deixar uma carta, mas sentia que isso não seria o suficiente.
Quando a loira chegou ao apartamento de Kurt, ela logo se assustou com a enorme mancha de sangue que havia no chão.
— O que houve aqui? – Perguntou aflita e o nervosismo de Kurt apenas aumentou.
O castanho havia escondido Sebastian no banheiro, com a ajuda de Blaine, e havia pedido para o moreno ficar ao seu lado enquanto ele falava com Quinn.
— Eu vou embora e eu iria te deixar uma carta, mas prefiro contar a verdade pessoalmente. – Kurt disse, fazendo a amiga o olhar extremamente confusa. Droga, precisava mesmo ser tão difícil assim?
— Você está me assustando, K. – Ela disse daquela maneira fofa e ingênua dela e aquilo estava tornando tudo tão mais difícil.
— Quando eu era mais novo eu me meti em uma briga escolar com o garoto que mais me odiava no mundo e... eu acabei o matando. – Kurt tinha um nó se formando em sua garganta, ele sabia que Quinn piraria ao ouvir aquilo. – Eu me senti vingado, porque aquele que me atormentou durante meu ensino médio inteiro, finalmente não poderia mais me incomodar. Mas eu estava errado, obviamente, já que existem milhares de pessoas iguais a ele e todas elas poderiam fazer coisas ainda piores para mim. Eu não poderia matar todas elas. Ou, na verdade, poderia. Depois dessa briga eu descobri um prazer que todos julgam como errado, mas que para mim parecia ser tão certo. Eu me tornei uma péssima pessoa. Todas as noites eu ia para cama com um cara diferente, caso eles pudessem me levar para algum lugar, claro, e depois eu os levava para o mesmo beco e os matava. Sem nem pensar. Matei várias mulheres também, mas os homens eram tão mais divertidos. – Quinn chorava sem parar, mas Kurt tinha que continuar falando, ele precisava falar tudo. – Então eu estava em um restaurante jantando e vi um casal sentado na mesa em minha frente. Um deles tinha uma voz tão maravilhosa e o outro era tão idiota, que me fez sentir mais ódio do mundo do que eu já sentia, isso se fosse possível. Eu segui o moreno bonito e apenas ignorei a existência do tal idiota. Mas o moreno não queria conversar comigo. Mais tarde naquela noite ele aceitou pelo menos dançar comigo e, eu não sei, ele parecia tão legal. Aquilo me fez odiar o outro idiota, porque eu daria tudo para ser ele e ter um namorado tão maravilhoso. Eu segurei a mão desse moreno e o levei pelo caminho que sempre levava meus parceiros, mas eu não senti vontade de matar ele, então o levei para minha casa. Depois disso, minha melhor amiga ficou dizendo que eu estava apaixonado e eu, idiota, neguei, mas eu estava sim apaixonado e estou até hoje. Pois aquele moreno que eu persegui, está aqui agora, segurando minha mão e eu o amo tanto. Eu matei a melhor amiga dele, eu fui um idiota que no início o usou, mas eu me apaixonei. Então eu tratei de mudar, porque eu queria ser o melhor do mundo para ele. Mas aí eu tive uma recaída e matei um idiota que deu em cima dele. Nós brigamos e então eu fui preso. Precisei dar um discurso, falei, falei e falei mais um pouco e eles queriam me matar, mas Blaine se jogou na minha frente e o tiro acertou nele. Ele se curou tão rápido, que me perguntaram se ele era humano mesmo porque aquilo parecia impossível. Então ele me convidou para fugir e eu aceitei, mas tivemos que voltar, então o ex dele, aquele ridículo, apareceu em minha frente e eu o matei a facadas. E aqui estamos nós.
— E-eu... – Quinn tentou começar a falar, mas ela simplesmente travou.
— Eu sei que isso é demais para você e eu me odeio por nunca ter tido coragem de contar isso a você. Eu acho que eu estava apenas tentando prolongar o tempo da nossa amizade, porque eu sabia que você não iria aceitar uma coisa dessas. – Kurt falou olhando para baixo.
— Como você consegue namorar ele sabendo de tudo isso? Você não tem medo de ele matar você? – Quinn perguntou incrédula para Blaine, levantando um pouco o tom de sua voz. A doce voz da loira não parecia mais tão doce. Parecia amarga, dura e fria.
— Ele não pode me matar. – Blaine disse óbvio. – E eu sei que isso é um choque. Foi para mim também, mas então eu passei a olhar da maneira que ele olhava e até que fazia sentido, sabe? Talvez eu seja como ele e não saiba. Eu só sei que eu aceitei isso porque eu o amo. Você deveria fazer o mesmo e eu sei que pode demorar para você entender tudo isso, mas não desista do seu melhor amigo. Ele lutou tanto para mudar e...
— E ele mudou, Blaine? Não. Ele não mudou. Se ele tivesse mudado não teria matado o seu ex ou sei lá eu o que. – Ela disse ainda irritada e se levantou. Kurt chorava sem parar. – Esquece que eu existo, porque se você aparecer de novo na minha frente, eu te entrego para a polícia.
*FLASHBACK OFF*
Kurt ficou desolado quando aquilo aconteceu, afinal Quinn era sua melhor amiga. Então Blaine foi até ela e pediu para ela ter um pouco de consideração, por mais que fosse difícil e, depois de muito tempo, ela finalmente cedeu. Ela sentia falta de Kurt e ele sentia a falta dela.
Agora a amizade dos dois voltou a ser como era antes e nem parece que tudo aquilo de fato aconteceu.
Quando ela chegou a casa com a sacola de compras, ela rapidamente entregou-a para Kurt, o cumprimentou e foi embora, pois ela tinha um encontro naquela noite.
Kurt pegou a sacola, pegou uma toalha de piquenique e foi até a parte de trás da casa, onde estendeu a toalha e colocou as coisas para eles comerem.
Ele pegou uma garrafa de champanhe junto com duas taças e botou lá também.
Quando Blaine finalmente chegou, Kurt foi até ele e o recebeu com um beijo caloroso, de tirar o fôlego.
— O que eu fiz para merecer isso? – Blaine perguntou sorrindo.
— Para começar, você apareceu na minha vida. – Disse rindo. – Mas isso é porque eu sei que o lançamento do álbum foi um sucesso. Eu acompanhei a parte da noite pela televisão. Então, eu preparei uma coisinha para você.
Kurt foi puxando Blaine até a parte de trás da casa e, quando o moreno viu tudo no chão, puxou o namorado para mais um beijo.
— Esse é o tipo de coisa que me faz lembrar o porquê de eu te amar tanto. – Blaine falou ao soltar Kurt, que apenas sorriu e continuou a puxar o moreno.
Os dois se sentaram sobre a toalha e então Kurt abriu a champanhe, servindo um pouco para ele e um pouco para Blaine.
— E o que vamos brindar hoje? – Perguntou o moreno.
— A tudo. Todos os momentos desde que nos conhecemos até agora merecem um brinde. E também o álbum de sua produção, que foi um sucesso. E tudo o mais. Nós merecemos um brinde a nós mesmos. Eu te amo tanto.
— Eu te amo mais, meu amor. – Blaine disse novamente selando seus lábios nos de Kurt.
Os dois comeram calmamente e, após comerem, se deitaram para poderem olhar as estrelas. Eles brincavam de formar novas constelações e riam um do outro, com Kurt escorado no braço de Blaine.
Kurt nunca pensou que deixaria de ser uma alma perdida, até o momento em que Blaine apareceu e sua alma simplesmente se encontrou. Ele não precisava de mais nada, nem queria. Ele só queria permanecer para sempre nos braços de Blaine. Queria poder dormir todos os dias ao lado dele dizendo um “boa noite, eu te amo” e acordar ainda ao lado dele dizendo um ótimo “bom dia, amor da minha vida, você precisa levantar para ensinar ao sol como se brilha”. E ele não sabia se poderia ter isso para sempre, mas cada momento ao lado de Blaine era o suficiente para ele.
Para quem pensou que nunca fosse encontrar o amor, cada minuto de alegria valia ouro.
******** FINAL ALTERNATIVO ********
Mais alguns anos haviam se passado e o casal continuava junto e feliz. Até que, no aniversário de cinquenta anos de Kurt, o castanho simplesmente enlouqueceu.
Kurt queria comemorar apenas com Blaine, então o moreno lhe fez um bolo e agora era o momento de cortar o mesmo. O moreno entregou a faca para Kurt, que a pegou receoso.
— Kurt, já fazem anos, corte o bolo. – O moreno disse calmo, mandando um sorriso acolhedor para o namorado. Sim, namorado, os dois nunca chegaram a casar.
Kurt segurava aquela faca com as mãos trêmulas. Ele manuseava facas normalmente sem problema algum, mas aquela estava o tirando do eixo. O que estava acontecendo com o castanho?
— Kurt, meu amor, fica calmo, por favor. – Blaine queria tirar a faca da mão do namorado, mas Kurt foi mais rápido.
— Eu te amo, me desculpa. – Kurt disse e então passou a faca pelo seu pulso.
Blaine estava perdido agora. Sangue. Sangue fresco, do seu namorado... ele queria tanto experimentar aquilo de novo. Sim, de novo...
— Eu é que peço desculpas. – Blaine disse e então atacou o pescoço de Kurt, cravando seus dentes profundamente no mesmo, deixando que aquele sangue o alimentasse.
Blaine só parou quando viu que Kurt não possuía mais nenhum batimento. O castanho não respirava mais e agora o desespero havia tomado conta de Blaine. O que ele havia feito? Ele havia matado o amor de sua vida. De novo. Sim, de novo... Ele depositou um beijo na testa de Kurt antes de dizer:
— Eu sempre vou te amar...
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