A Lost Soul
13 #13 - Eu mereço isso
Notas iniciais
#13
Eu mereço isso
"... with everything falling down around me
I'd like to believe in all the possibilities..."
– Como assim? – Blaine perguntou um pouco alterado e Kurt apenas fez um sinal para ele ficar quieto.
– Eu sei bem o motivo. – Kurt disse.
Blaine o olhou incrédulo. Eles recém haviam brigado por aquele motivo e se ajeitado e agora Kurt estava praticamente se entregando? Aquilo não poderia estar acontecendo... não mesmo.
– Caso não tenha ficado claro, você está sendo preso pelo assassinato de mais de setenta pessoas ao longo dos últimos anos. – Kurt assentiu para o policial e estendeu suas mãos para que ele botasse as algemas.
– Não vou lutar contra. Se existir um julgamento, eu confesso todos os meus crimes. Eu só tenho uma pergunta. – Kurt disse e o policial fez um sinal para ele prosseguir. – Como descobriram?
– Ao que parece esse rapaz aí já suspeitava de algo, porque havia uma câmera aqui dentro. – Explicou ele.
Kurt e Blaine se entreolharam sem entender mais nada do que estava acontecendo. Que droga era aquela de câmera no apartamento de Blaine?
– Blaine não tinha como suspeitar, ele não sabia de nada. – O policial iria falar algo, assim como Blaine, mas Kurt não permitiu. – Apenas me prenda logo.
Kurt olhou tristemente para Blaine e foi embora com os policiais, apenas deixando as lágrimas tomarem conta de seu rosto.
Durante o percurso que ele fazia, ele observava a noite de New York. Ele iria sentir falta de olhar aquilo tudo todas as noites.
Mas, o que ele mais sentiria falta, seria ter Blaine ao seu lado o tempo inteiro.
Dizer que ama Blaine foi a melhor sensação do mundo para Kurt e talvez a primeira vez dita tenha sido a última.
Ele não sabe o que o futuro reserva para ele, mas sabe que não deve ser muito bom.
[...]
Kurt vestia aquele maldito uniforme em uma das piores cores possíveis e encarava tudo com a pior cara do mundo. Ele tinha vontade de matar qualquer um que cruzasse seu caminho. E os dias antes do julgamento dele sair pareciam uma verdadeira eternidade. Mas tudo bem, seriam apenas sete dias... e aquele era apenas o primeiro.
– SEGUNDO DIA –
Kurt já não queria mais matar todo mundo, queria matar apenas a si mesmo. A falta que ele sentia de Blaine aumentava mais a cada momento e ele não sabia quanto tempo mais conseguiria aguentar aquela tortura de não poder ver ou falar com o moreno.
– TERCEIRO DIA –
A vontade de matar todos havia voltado. Por que tudo precisava ser tão difícil e doloroso?
Tudo que vinha a cabeça de Kurt era o seu arrependimento. Se ele não tivesse feito tudo que fez, ele ainda estaria nos braços de Blaine.
Não. Ele não estaria.
Blaine era para ter sido mais uma vítima. A tristeza do moreno foi o que atraiu Kurt.
Droga. Por que ele não conseguia saber se se arrependia ou não? Por que precisava ser assim?
– QUARTO, QUINTO E SEXTO DIA –
Todos recebiam visitas, menos Kurt.
A cela dele era apenas dele, mas não era separada. Ele nem entendia o motivo de estar sozinho.
Talvez fosse por todos o acharem perigoso, o que de fato ele era. Mas não sozinho. Não sem sua preciosa navalha. Uma faca também ajudaria agora. Ou qualquer coisa que o matasse rapidamente.
– SÉTIMO DIA –
Finalmente o dia do julgamento.
Um dos policias chamou Kurt para uma sala reservada, iguais aquelas de filmes e séries onde eles ficam sentados em frente a um policial com uma mesa separando eles. Mas, diferente dos filmes e séries, não tinha daqueles vidros que na verdade são espelhos onde, de um lado você o seu reflexo, e do outro você enxerga quem está do outro lado. Não. Era uma mesa de visitas, onde não se podia nem encostar.
O único lado bom é que aquela conversa era privada.
Kurt sentou-se e ficou aguardando quem quer que estivesse ali para vê-lo.
– Kurtie. – Blaine entrou atordoado na sala e foi impedido de se aproximar de Kurt.
– Vocês podem conversar o que for, mas não podem chegar muito perto um do outro, muito menos se encostar. Fui bem claro? – O homem perguntou e levou um sim de Blaine como resposta.
– Você não parece feliz por estar me vendo. – Blaine disse ao se sentar.
– Por dentro estou explodindo de felicidade, acredite. – Ele disse olhando para o moreno. – B, eu não queria que você me visse assim.
– Por que se entregou tão facilmente? Você podia ter fingido que não era verdade. – Blaine disse triste.
– Eu precisava fazer isso. Eu mereço estar passando por isso. Estou apenas colhendo o que plantei. – Kurt disse endireitando sua postura e cruzando as mãos sobre a mesa. – Eu vou ficar aqui para sempre, provavelmente. Isso se não mandarem me matar.
– Sebastian armou para cima de você. Ele conseguiu apagar minha voz e distorcer para que parecesse que eu não sabia de nada. Cada vez eu odeio mais ele. – Blaine disse irritado.
– Pena que eu não descobri isso antes. Eu daria tudo para ser preso por matar ele. – Kurt disse e soltou uma risada, levando Blaine a fazer o mesmo. – Mas por um lado eu agradeço ele. Se eles souberem que você sabia eles vão prendê-lo como meu cúmplice já que você não me entregou.
– Eu preferia estar preso com você. – Kurt riu sem vontade e olhou rapidamente para baixo, logo voltando a encarar os lindos olhos de Blaine.
– Desde que entrei aqui, e olha que faz pouco tempo, só tive vontade de matar todos que me olhassem. Menos você, porque você é a melhor visão que alguém poderia ter. – Kurt disse sorrindo tímido. – Viu só? E querem me punir por ser um assassino sem coração.
– Você não tem coração mesmo... eu roubei ele de você. – Blaine disse fazendo graça. – Não sei se consigo controlar por muito tempo a vontade de te abraçar, beijar, cuidar... principalmente durante seu julgamento.
– Eles vão pedir seu depoimento. Apenas me prometa que não vai contar a eles que você sabia disso. – Blaine o olhou em dúvida. – É a única coisa que eu te peço.
– Não quero que você se ferre sozinho. – Blaine disse triste.
– Você não tem que pagar pelos meus erros, meu amor. – Kurt disse e o policial veio avisar que era a hora de Blaine ir embora. – Eu te amo.
– Eu amo mais. – Blaine disse triste, sendo arrastado de dentro da sala.
O moreno não se aguentou e se soltou dos braços do policial, logo correndo até Kurt e o abraçando. Os dois começaram a chorar e o policial ficou comovido com a situação, permitindo que eles se abraçassem rapidamente.
O outro policial que chegou e viu a cena arrancou Blaine dos braços de Kurt, logo xingando o que havia permitido.
– Por que os separou? O menino pode acabar morrendo e não vai ter nem oportunidade de dizer que ama o namorado? Se você não tem coração, eu tenho. – Ele disse irritado para o outro policial.
– Ele não merece piedade. Ele está aqui porque é um idiota sem coração. – Disse com nojo de Kurt.
– Escuta aqui... – Blaine começou a falar, mas foi interrompido por Kurt.
– Amor, vá para a sala do meu julgamento e fique lá, ok? Não suje a sua ficha como eu fiz com a minha. – Kurt disse carinhoso e deu um rápido selinho em Blaine.
Aquilo era uma despedida. Blaine só não imaginava a ideia que estava rondando a cabeça de Kurt. A vontade que o castanho tinha de matar a si mesmo.
Assim ele livraria Blaine de sofrer por tudo aquilo.
Algumas horas mais tarde Kurt foi chamado para seu julgamento. Ele ficou sentado ao lado do juiz, em uma bancada mais a baixo.
A única coisa que Kurt enxergava em sua frente era Blaine. O moreno parecia tão triste e isso só deixava Kurt ainda pior, desejando mais ainda morrer.
O Hummel ignorava completamente o que o juiz dizia. Ele só queria sair dali correndo e só parar de correr quando estivesse abraçando Blaine.
Mas ele merecia tudo que estava acontecendo e, um dos motivos pelos quais ele se entregou, foi para Blaine ver que ele estava disposto a mudar. Mesmo que isso significasse ficar preso para sempre.
– Senhor Hummel, você está prestando atenção? – Perguntou o juiz.
– Sim. – Disse seco. – O que mais falta para você dizer por quanto tempo vou ficar preso?
– Preciso ouvir as testemunhas, preciso ouvir seu namorado também e... – Kurt o interrompeu.
– Para que? Não é só me ouvir confessar tudo? Sim, eu matei todas aquelas pessoas, mas as setenta que vocês descobriram não foi nem metade do total. Blaine não sabia de nada e talvez esteja errado em ainda vir me visitar e dizer que me ama. – Kurt disse tentando parecer o mais sem coração possível. – Mas, se querem mesmo saber, eu não me arrependo de nada do que eu fiz.
– Como você ainda tem coragem de admitir isso? – Perguntou um dos advogados ali presentes.
– Se eu não fosse exatamente o que eu sou, eu nunca teria conhecido a pessoa que eu mais amo no mundo. – Kurt falou olhando diretamente para Blaine. – Quando eu conheci Blaine eu o segui porque eu o vi brigar com o namorado. Ele era minha vítima perfeita, mas... quem teria coragem de matar alguém como ele? Eu nunca teria coragem de matar aquele por quem me apaixonei ao ouvir a primeira palavra ser dita. Quando ele me olhou foi como se o meu mundo voltasse a girar e eu senti algo que não sentia há muito tempo. Eu me senti totalmente completo e... feliz. – Ele fez uma pausa. – Eu disse várias coisas para ele, algumas das quais me arrependo. No início eu não acreditava que eu pudesse mesmo estar me apaixonando e segui minha vida. Eu encontrava um prazer inenarrável em matar. Mas eu me permiti conhecer ele melhor e logo eu já estava completamente apaixonado por ele, sendo capaz de fazer qualquer coisa para ficar ao lado dele. Então algumas coisas aconteceram e nós paramos de nos falar. Eu comecei a me tratar para poder tê-lo de volta para mim. Então voltamos e começamos a namorar e... quando tudo parece estar perfeito eu sou preso. Mas eu entendo... eu mereço e pessoas como eu não podem mudar.
Todos dentro da grande sala estavam sem palavras. Kurt havia calado a boca de todo mundo e Blaine não podia estar mais orgulhoso do namorado.
– Antes de me levarem de volta a minha cela eu só queria dizer uma coisa ao meu namorado. Será que eu posso? – O juiz, com muita reluta, permitiu, então Kurt olhou diretamente para Blaine e prosseguiu. – Foi real desde o início, mesmo parecendo que eu estava usando você, eu não estava. Eu me apaixonei por você ao te conhecer, eu só não conseguia reconhecer que aquilo era amor desde o início. Te conhecer foi a melhor coisa que aconteceu comigo em toda a minha vida. Você me tirou da escuridão e me mostrou tudo que eu sempre quis sem eu nem saber o quanto eu queria tudo aquilo. Eu te amo e eu espero que você seja feliz com um outro alguém. Alguém que não tenha o mesmo destino que eu, obviamente.
O juiz viu o estado em que Blaine estava e fez um sinal para que o moreno viesse mais próximo de Kurt, para que eles pudessem se despedir de uma melhor maneira.
– Ah, mate ele de uma vez. – Disse um policial irritado e Blaine se desesperou ao ouvir aquela frase.
– Eu mesmo mato! – Falou o outro policial e o barulho de tiro foi a última coisa que todos escutaram.
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