A Loira dos Olhos Surpresos - CIP
1 Capítulo Único - A Loira dos Olhos Surpresos
Draco revirou os olhos pela milésima vez, Potter sabia muito bem ser irritante quando queria algo. Maldita universidade que o fizera seu colega de quarto.
— Qual é, cara? É minha despedida de solteiro! Não vai doer sair uma noite só pra se divertir numa boate, amanhã você já pode voltar a ser o solitário antipático de sempre, mas vamos hoje. — Harry dizia enquanto escolhia uma camisa no armário.
— Isso não é um casamento. Você só vai pedir uma mina em namoro. — Replicou virando a página do livro em suas mãos embora nem ao menos uma palavra da anterior tenha fixado em sua mente graças a tagarelice de Potter. — E eu já repeti centenas de vezes que não gosto de boates, Cicatriz, então não seria nada divertido pra mim. Divirta-se por nós dois com suas doses amargas de whisky barato.
— Malfoy, não é só uma mina, é a Cho Ciumenta Chang! Eu não ficaria surpreso em sair do restaurante com tornozeleira de presidiário ou um chip localizador implantado em alguma parte do meu corpo. — Respondeu rindo e finalmente tirando uma camisa social azul escura do guarda-roupa. — Eu nunca fiz questão de te levar nos roles, a única vez que faço tu fica de frescurinha.
— Tá! Só porque mais um pouquinho de insistência, eu ia te matar e aprecio a minha liberdade. — Draco bufou e jogou o livro em cima da escrivaninha, levantando da cama e indo para o banheiro em seguida.
(...)
O carro de Percy Weasley o foi escolhido para ser o transporte da noite. O dono em si era insuportável, mas o veículo era o maior e Percy sempre aceitava muito fácil não beber para servir como o motorista da rodada, por isso o mantinham no grupo.
A boate tinha um charme elegante pelo lado de fora com as luzes de neon em tons de azul indicando que o nome do lugar era Garra de Corvo. Por dentro também era linda e impressionante, mas Malfoy não estava lá muito animado, então foi sentar em um dos bancos altos perto do bar enquanto Harry com seus amigos Rony Weasley, Neville Longbotton, Colin e Dennis Creevey, Cedrico Diggory, Olivio Wood e Zacarias Smith se acomodavam nas mesas perto das dançarinas sensuais.
— Com licença, moça. — Disse educado para a garota que limpava alguns copos atrás do balcão. — Tem alguma bebida sem álcool?
Quando a bargirl ergueu o rosto para encará-lo, Draco pode perceber o quão linda ela era. A cor clara de seus olhos combinava muito bem com a gravata azul e prata entre o colete preto e a camisa social branca do uniforme.
— Apenas água, senhor. — Respondeu com um sorriso gentil. — Se quiser, posso fazer algo fraco e mais adocicado. Alguns chamam de bebida de mulher, mas cá entre nós, vários clientes já deram pt aqui no Garra de Corvo sem beber um terço do que eu aguento quando saio com as minhas amigas.
Rindo Draco aceitou a sugestão e enquanto seu drink era preparado, prestou atenção num detalhe inicialmente ignorado que continuava presente. — Perdoe-me. A gente se conhece?
— Não que eu me lembre, senhor.
— Certo. É que você parece um pouco surpresa de me ver.
— Oh, não. — Foi a vez da bartender rir. — Eu tenho esses olhos de surpresa constante, puxei-os da minha mãe. É bom ter algo dela, sabe? Sou praticamente meu pai com peitos. — O sorriso vacilou por um segundo, seria imperceptível se Draco não fosse tão observador.
Estendeu a mão para receber o copo que ela lhe ofereceu. — Obrigado. Já que ainda não nos conhecemos, permita que eu me apresente. Sou Malfoy. Draco Malfoy. — Os lábios da loira se comprimiram prendendo uma risada. — Acha meu nome engraçado?
— Só um porquinho. — Assim que abriu a boca para falar, o riso fluiu junto. — Sinto muito, senhor. Me perdoe.
— Relaxa. Você não é a primeira a ter esse tipo de reação quando digo meu nome. — Sorriu experimentando a bebida e aprovando-a de imediato. — Hm, isso é bom. O que é?
— Pina Colada.
— Nossa, é mesmo bebida de garota. E o pior é que eu adorei. — Draco riu e tomou mais um gole. — Há quanto tempo trabalha aqui, Luna?
— Como sabe meu nome? — A loira franziu o cenho.
— Está bordado no seu colete. Luna Lovegood. É um nome bonito.
— Ah, claro, cabeça a minha. — Luna deu um tapinha na própria testa. — Obrigada.
— Então, quanto tempo?
— Bom, o lugar em si é relativamente novo...
Permaneceram conversando praticamente a madrugada inteira, salvo os momentos em que a bartender tinha que atender outra pessoa. Porém algo que Draco percebeu e o estava deixando um tanto quanto incomodado, embora não fosse direito seu como um completo estranho, era que sempre que fazia uma pergunta sobre Luna, ela dava um jeito de desviar do assunto para algo aleatório.
— Você me deixa curioso, sabia senhorita? — Comentou provando mais um dos drinks deliciosos que ela lhe preparava. — Muito curioso. Por que não fala sobre si mesma? Gostaria muito de descobrir mais.
— Cuidado, senhor Malfoy. — Sorriu sem olhá-lo enquanto organizava algumas coisas no balcão. — Luna Lovegood é profunda demais para cavar.
— Cavar não é um trabalho tão árduo assim quando se usa luvas. — Rebateu com maestria. — No caso, as luvas são o meu interesse genuíno.
— Mas não se cava tão fundo em apenas uma noite.
Antes que Draco pudesse ao menos pensar em uma resposta, Cedrico Diggory pulou em suas costas, quase o derrubando. — Hey, Malfoy! O Neville desmaiou de bêbado e a gente vai vestir ele de drag queen, largar na sala do professor Snape e esconder a câmera do Colin pra filmar tudo. Isso vai ser demais! Paga aí e vamos nessa.
Luna riu disfarçadamente do grito mudo de socorro estampado no rosto de Draco.
— Ok, já estou indo. Quanto deu aqui? — Questionou suspirando desanimado, estava gostando de conversar com a bartender.
— Cinquenta e oito dólares e cinquenta centavos.
Draco pegou a carteira do bolso interno do terno e tirou algumas notas, contando-as e colocando-as sobre o balcão. — Tem razão, senhorita Lovegood. Não se cava tão fundo em tão pouco tempo, então meus parabéns, conseguiu um novo cliente leal para o Garra de Corvo. Daqui pra frente, você vai me ver muito por aqui.
— Espero ansiosamente por mais conversas, senhor Malfoy. — Luna piscou e sorriu.
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