A Loba e o caçador
1 PRÓLOGO – A Lenda da Filha da Lua
Dizem que, no princípio, a lua chorou.
Chorou por amor ao sol — um amor impossível, condenado a existir apenas nos breves segundos do crepúsculo.
E de suas lágrimas nasceu uma criança.
Nem da noite, nem do dia.
Algo entre ambos.
A Filha da Lua.
Era metade sombra, metade luz. Metade morte, metade vida.
E o destino, em sua crueldade antiga, decidiu que essa criança jamais encontraria paz.
Seu sangue traria equilíbrio… ou destruição.
Por séculos, a lenda atravessou aldeias e reinos, distorcida, temida, esquecida.
Mas o tempo — esse velho guardião de segredos — nunca deixa nada realmente morrer.
E quando a lua se tingisse de vermelho, a Filha despertaria.
A floresta de Forks sempre foi o coração silencioso dessa profecia.
Os antigos a chamavam de Terra dos Sussurros, onde as fronteiras entre o humano e o sobrenatural se dissolvem como névoa.
Lobos corriam sob a lua.
Vampiros se escondiam nas sombras.
E os humanos — frágeis e audaciosos — inventaram histórias para não enlouquecer.
Uma delas falava de uma loba de olhos dourados que caminhava como mulher e rugia como fera.
Diziam que ela nascera de um eclipse, que seu sangue carregava o brilho do sol e a fome da noite.
Que era amaldiçoada e sagrada ao mesmo tempo.
A Loba da Floresta.
A herdeira da profecia esquecida.
Os que a viram — poucos, e raros — nunca voltaram a ser os mesmos.
Uns juravam que ela era uma guardiã, protetora da floresta e dos inocentes.
Outros diziam que era um demônio, a própria encarnação da maldição lunar.
Mas a verdade era mais simples.
Ela era apenas alguém tentando sobreviver ao peso de ser quem é.
No outro extremo da lenda, nas sombras da humanidade, nasceu Jacob Black.
Um garoto que perdeu o pai para uma criatura que ninguém soube nomear.
Criado pela Ordem da Luz, ele aprendeu que fé se mede pelo sangue que se derrama.
Enquanto ela corria com o vento, ele marchava sob o juramento.
Enquanto ela sonhava em ser livre, ele vivia para caçar.
Dois caminhos traçados muito antes de nascerem.
Duas metades de uma história que o destino insistiu em unir.
E quando, numa noite de tempestade, seus olhares se cruzarem pela primeira vez, a floresta vai prender a respiração.
A lua se ocultará, o sol se esquecerá de nascer, e o mundo — por um breve instante — deixará de saber o que é certo e o que é errado.
Porque o amor entre a Loba e o Caçador não é apenas proibido.
É inevitável.
“E quando o sangue dela tocar o chão, a lua chorará de novo. Não por tristeza. Mas por testemunhar o que acontece quando dois inimigos decidem se amar.”
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