A Loba e o caçador
30 Capítulo 29 - Sombras e Promessas
A tempestade havia passado, mas a tensão continuava suspensa no ar, como se o vento ainda guardasse o eco da batalha. A cabana estava em silêncio, exceto pelo estalar do fogo e pelos passos calmos da família Cullen que se movia ao redor, cuidando de cada detalhe, como se qualquer distração pudesse custar caro.
Renesmee repousava junto à lareira, o corpo ainda cansado, o rosto iluminado por tons dourados e alaranjados. Jacob estava ali, sentado ao lado dela, as mãos entrelaçadas às dela — uma promessa silenciosa entre o medo e o amor.
— Está tudo mais calmo agora — disse ele, em voz baixa. — Mas não consigo relaxar.
Renesmee o olhou, o olhar sereno, quase maternal. — Porque o perigo ainda está por perto.
Ele desviou os olhos por um instante, observando o fogo. — Eu odeio isso, Ness. Ter que lutar contra os meus, ver o rosto deles... Sam, Quil... Eu nunca imaginei que acabaria assim.
— Eu sei — ela respondeu, apertando a mão dele. — E também dói em mim, Jake. Mais do que as feridas.
Jacob suspirou, o semblante pesado. — A dor deles é antiga. O medo os guiou pra isso.
— E o medo destrói o que o amor constrói — murmurou ela.
Por um momento, ficaram apenas se olhando. O calor do fogo refletia nos olhos de Jacob, e Renesmee sentia-se protegida, mesmo sabendo que o mundo ao redor desabava lentamente.
Ela se aproximou, encostando a testa na dele. — Sabe o que é estranho? Mesmo com tudo isso... eu me sinto cheia de vida. Sinto essa vida dentro de mim pedir para continuar.
Jacob a observou, os lábios tremendo em um sorriso leve, porém incerto. — Eu também sinto.
Ele a abraçou, firme. O toque dele a ancorava, mas também a consumia por dentro.
— Eu fico pensando... e se for um sinal? — perguntou ela, com a voz baixa. — Um novo começo depois de tanta destruição?
Jacob sorriu, melancólico. — Então a gente protege esse começo com tudo que tem.
O silêncio voltou a dominar o ambiente, até que Renesmee se afastou um pouco e, com expressão mais séria, falou:
— Jake… há algo que preciso te contar.
Ele ergueu o olhar, preocupado. — O que houve?
— Embry. Jacob enrijeceu. — O que tem ele?
Renesmee respirou fundo. — Ele fazia parte da minha matilha. Era leal, tranquilo… até começar a confundir amizade com algo mais.
Jacob não respondeu de imediato, mas o olhar endureceu.
— E você nunca...
— Nunca — cortou ela, firme. — Ele sempre soube que o meu coração estava destinado a outra pessoa.
O silêncio entre os dois foi tenso, quase palpável. O ciúme ardeu nos olhos de Jacob, mas havia confiança ali, também — uma confiança que só o tempo e a dor haviam forjado.
— Ele ainda sente algo por você? — perguntou, a voz rouca.
Renesmee desviou o olhar para o fogo. — Acho que sim. Mas o que ele sente agora não é amor. É raiva. Ele se sente rejeitado… perdido.
Jacob suspirou, fechando os olhos. — Eu odeio pensar que alguém pode usar isso contra você.
— Eu sei — ela respondeu, tocando o rosto dele com ternura. — Mas não posso mudar o que ele sente. Só o que eu sou com você.
Ele segurou a mão dela, beijando-a devagar. — E isso não muda. Nunca.
Renesmee sorriu, mas o sorriso se desfez rápido. Um súbito enjoo a fez levar a mão ao abdômen.
— Ness? — Jacob se alarmou, segurando-a antes que ela perdesse o equilíbrio.
Bella correu até ela, seguida por Edward e Carlisle.
— Está tudo bem, querida? — perguntou a mãe, aflita.
— Acho que sim... só um pouco tonta. — ela respondeu, tentando disfarçar.
Carlisle se aproximou, avaliando-a com calma. — A tontura é mais um sintoma.
Jacob o olhou, apenas esperando a confirmação. — Você tem certeza?
— Sim. O que vocês sentiam agora é certeza — afirmou o médico com um pequeno sorriso. — O corpo dela está se adaptando. Há uma vida crescendo aqui.
Renesmee pousou a mão sobre o ventre, os olhos marejando.
— Eu sabia... mas ouvir de você... torna tudo mais real.
Jacob ajoelhou-se diante dela, os dedos trêmulos ao tocar sua pele. — Nosso filho… agora é mais que real.
— Nosso. — ela repetiu, emocionada. — Mesmo num mundo em ruínas, ele é nossa esperança.
Edward e Bella trocaram um olhar silencioso, entre o espanto e o orgulho. O fogo refletia na expressão serena de Carlisle, que apenas murmurou: — A vida sempre encontra um caminho.
O momento foi interrompido por Alice, que surgiu à porta, o rosto tenso.
— Precisamos nos preparar. Leah está se movendo...
Jacob se levantou, firme. — Eles não vão chegar perto de você.
— De nós — corrigiu ela, com suavidade. — Porque essa luta já não é só minha. É da nossa família.
Do lado de fora, o vento voltou a soprar, trazendo o cheiro de chuva e terra. Mas ali, naquela casa aquecida pela chama do amor e do medo, nascia algo que Leah e Embry jamais poderiam destruir: uma promessa.
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