A Loba e o caçador
26 Capítulo 25 - Caçada nas sombras
O entardecer se derramava sobre as copas das árvores, tingindo a floresta de tons dourados e vermelhos. O vento frio trazia o cheiro de terra molhada e folhas recém-caídas — um perfume que Renesmee sempre associava à liberdade.
Depois de dias confinada, ela precisava correr. Sentir a pulsação viva do mundo sob seus pés.
Jacob a esperava do lado de fora da casa dos Cullens, o casaco escuro aberto e o olhar atento. A cicatriz no ombro ainda estava visível, mas ele já se movia com a firmeza de sempre.
— Tem certeza de que está pronta? — perguntou, cruzando os braços.
— Eu nasci pronta — respondeu ela, com um meio sorriso, antes de correr até ele.
Os dois se afastaram da casa, adentrando a floresta.
Renesmee parou num descampado, o ar frio batendo contra o rosto.
— Acha que eu enferrujei? — provocou.
Jacob sorriu. — Vamos descobrir.
O treino começou leve — passos sincronizados, esquivas, movimentos de defesa. Mas aos poucos, o ritmo se intensificou.
Jacob, ágil, tentava desarmá-la; Renesmee, mais rápida, usava o instinto e o reflexo da loba.
Havia algo quase dançante entre eles — o som do corpo contra o corpo, o olhar que se encontrava e se desviava, o fôlego entrecortado.
Em um movimento rápido, Jacob a segurou pelos pulsos, girando-a até que as costas dela encontrassem o tronco de uma árvore.
Por um instante, o treino parou.
Os dois se encararam, ofegantes.
Renesmee sentiu o calor do corpo dele contra o seu e, por um segundo, esqueceu o mundo inteiro.
— Isso é parte do treino também? — ela perguntou, a voz baixa, trêmula.
— Só se você quiser que seja — respondeu ele, num sussurro quase rouco.
Ela não respondeu. Apenas o olhou — e o silêncio entre eles disse tudo.
Jacob soltou os pulsos dela devagar, mas não se afastou.
O olhar dele percorreu o rosto de Renesmee, parando nos lábios.
Quando ele a puxou para perto, o toque foi suave, contido, mas carregado de tudo o que eles vinham evitando sentir.
O beijo veio como uma promessa — intenso e sereno, cheio de um amor que já existia antes de ser dito.
O tempo parou. O vento soprou, levando o som de suas respirações misturadas.
Quando se afastaram, Renesmee encostou a testa no peito dele, rindo baixinho.
— Acho que você ganhou essa.
— Não — respondeu Jacob, com um sorriso — acho que nós dois ganhamos.
Enquanto isso, na clareira distante, Caren e Alice rastreavam o chão coberto de folhas.
— Aqui — disse Alice, agachando-se. — Dois pares de pegadas. Uma delas… humana.
Caren fechou os olhos, concentrando-se. O dom dela vibrou como uma onda leve.
— Seth. Mas há algo… contaminado. Uma sombra na energia dele.
— Leah — completou Alice. — Ela o está manipulando.
Caren se ergueu, o semblante tenso.
— A energia dela é antiga. Cheira a rancor e poder contido. E não está longe.
Alice olhou para o norte, o olhar perdido na escuridão da mata.
— Se ela sobreviveu, não vai parar até destruir Renesmee.
De volta à clareira, Renesmee e Jacob estavam sentados lado a lado sobre uma pedra coberta de musgo, observando o pôr do sol tingir o céu.
— É bonito, não é? — disse ela, baixinho.
— É — respondeu ele, olhando para ela, e não para o horizonte.
Ela virou o rosto, encontrando o olhar dele.
— Às vezes, penso que o destino está brincando com a gente, Jake.
— Talvez — murmurou ele. — Mas se é brincadeira, quero jogar até o fim.
Renesmee riu, encostando a cabeça no ombro dele.
O som distante de corvos ecoou pela floresta, e por um instante tudo pareceu em paz.
Mas, nas sombras das árvores, um par de olhos âmbar observava.
Leah.
O corpo dela ainda marcado pela luta, o olhar endurecido.
— Eles acham que venceram — murmurou, a voz rouca. — Mas eu ainda estou aqui.
E quando a lua cheia se ergueu no céu, o brilho dourado da loba refletiu nas folhas, prenunciando a próxima caçada.
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