A Loba e o caçador
12 Capítulo 11 - Entre o sangue e o calor
O sol já despontava por entre as árvores quando Jacob abriu os olhos.
A primeira coisa que viu foi Renesmee, ajoelhada ao lado dele, o rosto iluminado pelo brilho suave da manhã.
O silêncio da floresta parecia existir apenas para que ele a ouvisse respirar.
— Ness… — murmurou, quase sem perceber.
O som do apelido saiu natural, íntimo, como se sempre tivesse estado nos lábios dele.
Renesmee o olhou, surpresa, um rubor leve subindo-lhe às faces.
— O quê?
— Foi o que saiu — ele respondeu, sorrindo de leve, ainda fraco. — Ness… combina com você.
Ela tentou esconder o sorriso, mas falhou.
— Só você teria coragem de me dar um apelido agora.
— Alguém precisava quebrar o clima trágico. — Ele respirou fundo, contorcendo-se de leve pela dor. — A propósito, onde estamos?
— A algumas milhas da minha casa. — Ela o ajudou a se levantar. — Você ainda está fraco. Precisa descansar de verdade.
— Descansar… — ele repetiu, com um tom que misturava ironia e cansaço. — Ao lado de uma loba que devia me odiar. Soa bem.
Renesmee arqueou uma sobrancelha.
— Não me provoque, caçador. Eu posso te carregar de novo.
Ele riu, e o som, ainda que rouco, pareceu aquecer o ar.
— Eu não duvido.
A caminhada até a casa foi silenciosa, mas cheia de tensão — não a do medo, e sim a do que não podia mais ser ignorado.
A cada passo, o cheiro dela — terra, floresta e algo adocicado — se misturava ao dele, e o imprint pulsava mais forte, quase palpável.
Quando chegaram à clareira, Jacob parou, impressionado.
A casa dos Cullen se erguia como uma lembrança viva de outro tempo — moderna, cercada por árvores, e ainda assim serena.
Luz natural entrava pelas amplas janelas de vidro, refletindo-se em superfícies limpas e frias.
Renesmee o conduziu até o interior, apoiando-o pelo braço.
O toque entre eles durou mais do que deveria.
— Aqui você vai ficar bem — disse ela, guiando-o até um sofá próximo à lareira.
Jacob se deixou cair, exausto, mas ainda com os olhos nela.
— Você mora aqui?
— Com a minha família. Mas estão fora, caçando. — Ela hesitou. — Temos algumas horas só pra nós.
A frase pareceu escapar antes que ela pudesse se conter.
Jacob ergueu o olhar, e o silêncio entre eles ficou denso.
O som do coração dela preenchia o espaço — rápido, firme, sincero.
Renesmee se ajoelhou diante dele, tirando a bandagem do ombro.
A cicatriz deixada por Caren era quase invisível, mas o toque dela fez o ar parecer mais pesado.
Os dedos deslizaram com cuidado, e Jacob estremeceu.
— Desculpa — murmurou ela. — Ainda dói?
— Não é dor. — Ele a fitou, os olhos escuros e atentos. — É outra coisa.
Renesmee engoliu em seco.
— Não começa, Jacob.
— Eu não preciso começar nada. Já está acontecendo.
Ela tentou se afastar, mas ele segurou a mão dela, devagar, sem força, apenas presença.
O olhar de ambos se prendeu — e ali não havia mais medo, nem regras, nem lados.
A chama na lareira estalou, refletindo o dourado dos olhos dela e o tom quente dos dele.
O tempo, por um instante, se dobrou.
Renesmee respirou fundo, lutando contra o instinto.
Mas o imprint vibrava como corrente viva.
Era impossível resistir.
Ela se inclinou, devagar, e ele correspondeu, a distância entre eles diminuindo até que o ar pareceu desaparecer.
Os lábios se tocaram por um breve segundo — leve, hesitante, mas carregado de tudo o que fora contido até ali.
Quando se afastaram, o olhar dele ardiam como brasa.
— Então é isso, Ness… — murmurou. — É o que a gente é.
Renesmee ficou em silêncio.
— É o que o destino quer. — E, por um momento, parecia tanto uma confissão quanto uma condenação.
Ela se levantou, indo até a janela.
Lá fora, o sol filtrava-se pelas árvores, dourando a pele dela.
Jacob a observava, o coração pesado e leve ao mesmo tempo.
Ele sabia que aquela calma era temporária.
Que fora daquela casa, o mundo os queria inimigos.
Mas ali dentro, só havia o som do fogo e o cheiro daquilo que, de algum modo, os unia.
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