A Loba e o caçador
67 Capítulo 66 – Sob o Eclipse
O silêncio foi quebrado por um gemido baixo.
Renesmee fechou os olhos, levando as mãos ao ventre.
Outra contração.
Muito mais forte.
Jacob a segurou pelos ombros.
— Nessie... olha para mim.
Ela respirava com dificuldade.
— Ele... ele vai nascer.
Bella ajoelhou-se imediatamente ao lado da filha.
Seu instinto de mãe falou mais alto que qualquer medo.
— Edward!
Ele já estava ao lado delas.
Sua mão pousou delicadamente sobre o ventre de Renesmee.
O bebê estava calmo.
Incrivelmente calmo.
Mas havia outra coisa.
Edward arregalou os olhos.
— Ele está acelerando o próprio nascimento.
Aylin deu um passo à frente.
— O Eclipse chegou ao auge.
Ele sabe que este é o único momento em que poderá nascer.
O céu parecia dividido entre luz e trevas.
Enquanto o Abismo cobria o horizonte com nuvens negras, uma enorme auréola prateada formava-se ao redor da lua eclipsada.
Era como se o próprio universo aguardasse aquele instante.
Mais uma contração fez Renesmee gritar.
Jacob segurou sua mão.
— Eu estou aqui.
Ela sorriu entre as lágrimas.
— Promete...
Promete que vai cuidar dele, aconteça o que acontecer.
Jacob balançou a cabeça.
— Nós dois vamos.
Renesmee percebeu que ele evitara responder ao verdadeiro medo escondido naquela pergunta.
Bella olhou para Aylin.
— O que precisamos fazer?
A Primeira Alfa respirou fundo.
— O nascimento precisa acontecer dentro do Círculo do Eclipse.
Kael ergueu a espada.
— Então vamos protegê-los.
Todos ocuparam suas posições.
Os lobos formaram o primeiro círculo.
Sam.
Leah.
Seth.
Embry.
Quil.
Os vampiros ocuparam o segundo.
Edward.
Bella.
Carlisle.
Esme.
Emmett.
Rosalie.
Alice.
Jasper.
Gregor, Malach e Kael fecharam o último anel de proteção.
No centro...
Apenas Jacob.
Renesmee.
E Aylin.
A voz do Abismo ecoou pelos céus.
— Não permitirei.
As nuvens começaram a descer como uma tempestade viva.
Centenas de criaturas feitas de pura escuridão surgiram delas.
Não tinham rosto.
Nem olhos.
Apenas bocas abertas em um grito silencioso.
— Eles vêm! — gritou Sam.
A batalha recomeçou.
Leah saltou primeiro.
Rasgou duas criaturas antes que alcançassem o círculo.
Emmett arremessou outra contra uma rocha.
Jasper e Alice lutavam em perfeita sintonia.
Carlisle protegia Esme enquanto Bella mantinha qualquer ameaça longe da filha.
Malach ergueu uma muralha de fogo dourado.
Gregor fez o chão se abrir sob dezenas de sombras.
Kael enfrentava três criaturas ao mesmo tempo.
Mas elas continuavam surgindo.
Como uma maré infinita.
No centro do círculo, Renesmee apertou a mão de Jacob.
— Está acontecendo...
Bella sorriu com os olhos marejados.
— Respira.
Como eu ensinei quando você era pequena.
Renesmee riu entre uma contração e outra.
— Você nunca imaginou que usaria esse conselho comigo.
Bella também riu.
Mesmo em meio ao caos.
Mesmo cercada pela guerra.
Edward olhava para o céu.
Algo brilhava acima das nuvens.
Uma estrela.
Depois outra.
E outra.
Não.
Não eram estrelas.
Milhares de pequenos pontos dourados desciam lentamente sobre o vale.
Aylin sorriu.
— Eles vieram.
Jacob olhou para cima.
— Quem?
— Todos os Guardiões que existiram antes de nós.
As luzes atravessavam os combatentes sem feri-los.
Cada uma repousava sobre alguém.
Sobre Sam.
Sobre Leah.
Sobre Bella.
Sobre Edward.
Sobre Jacob.
Até envolverem completamente Renesmee.
A dor desapareceu.
Ela respirou profundamente.
Então abriu os olhos.
Seus olhos já não eram castanhos.
Nem dourados.
Brilhavam como um eclipse.
A marca em seu braço irradiou uma luz tão intensa que todo o vale foi iluminado.
O Abismo rugiu.
— NÃO!
Renesmee segurou firme a mão de Jacob.
— Ele está chegando.
Um choro.
Fraco.
Suave.
Mas inconfundível.
Todos pararam de lutar.
Até as criaturas do Abismo congelaram.
O primeiro choro de uma criança ecoou pelo vale.
Naquele mesmo instante...
O eclipse desapareceu.
Um único raio de sol rompeu as nuvens e iluminou o pequeno bebê nos braços de Bella.
Era um menino.
Os cabelos eram negros como os de Jacob.
A pele tinha o brilho suave de Renesmee.
Mas seus olhos...
Seus olhos eram completamente prateados.
O bebê abriu-os lentamente.
Olhou para o céu.
E sorriu.
O Abismo gritou como jamais havia gritado antes.
Porque compreendeu, naquele instante...
A criança não era apenas a esperança daquele mundo.
Ela era alguém que ele já conhecia.
E esse reconhecimento fez até mesmo a antiga escuridão estremecer.
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