A Loba e o caçador
27 Capítulo 26 - Sob a luz da lua
A noite se derramava em prata sobre a floresta. O vento soprava leve, trazendo o perfume das flores silvestres e o murmúrio distante do rio. O mundo parecia suspenso entre dois silêncios — o da paz que vinha depois da batalha e o de algo novo que se aproximava.
Renesmee observava a lua pela janela, o corpo coberto apenas por uma manta leve. O reflexo da luz prateada desenhava curvas sobre sua pele, como se a própria natureza a envolvesse num abraço silencioso.
Jacob entrou devagar, o passo firme, o olhar calmo — mas havia algo diferente nele: uma serenidade rara, como se finalmente tivesse encontrado o lugar ao qual pertencia.
— Você devia dormir, Ness — disse ele, a voz baixa, rouca.
Ela virou o rosto, um sorriso suave surgindo nos lábios. — Não consigo. A lua está inquieta esta noite.
Jacob se aproximou, encostando a mão em seu rosto. — Ou talvez seja você quem está.
O toque dele era quente, firme. Renesmee fechou os olhos por um instante, sentindo a energia que sempre existia entre eles se intensificar.
Não era apenas atração. Era o chamado de algo mais antigo, mais profundo — o laço que desafiava tudo o que deveriam ser.
Ela encostou a testa no peito dele, ouvindo o som do coração batendo.
— Lembra quando tudo isso era errado? — murmurou.
— Ainda é — respondeu ele, sorrindo de leve. — Mas eu cansei de fugir do que é certo pra mim.
Os dedos dela traçaram a cicatriz em seu ombro, e Jacob prendeu a respiração.
O olhar dos dois se encontrou — e nenhuma palavra foi dita.
Ali, sob a lua cheia, eles se deixaram levar pela promessa que vinha sendo feita desde o primeiro olhar.
O mundo lá fora desapareceu.
O tempo parou.
O vento se calou.
O amor deles não era um grito; era um sussurro profundo, o toque que dizia tudo o que o coração não conseguia. A entrega não foi um instante de fogo, mas de pertencimento — o momento em que alma e instinto se fundiram.
Quando a madrugada chegou, o silêncio da casa era sereno.
Renesmee despertou por um breve instante, sentindo o calor de Jacob ao seu lado.
O corpo dela pulsava em sintonia com algo novo — uma vibração sutil, diferente, quase imperceptível.
Levantou a mão e pousou sobre o próprio ventre, sem entender por quê.
A lua, agora baixa no horizonte, banhava-a com um brilho mais suave, quase maternal.
Jacob abriu os olhos, ainda sonolento, e a observou.
— Está tudo bem, Ness?
Ela sorriu, sem saber como responder.
— Está… diferente. Como se algo tivesse mudado.
Ele tocou a mão dela, entrelaçando os dedos.
— Então, seja o que for, vamos descobrir juntos.
Lá fora, o primeiro canto dos pássaros anunciou o nascer do sol.
E, pela primeira vez, Renesmee sentiu dentro de si não apenas a loba, mas algo novo — uma vida ainda sem nome, silenciosa, crescendo na batida do coração.
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