A Little Piece of Heaven

5 She's lost controle


Notas iniciais
Olha quem voltou? kkkkkk já aviso que contem muito drama kkkkk

"And she gave away the secrets of her past
And said I've lost control again
And of a voice that told her when and where to act"

—Joy Division

Ela não aguentava mais. simplesmente não aguentava a cobrança dos pais, o ciúme e a super proteção do irmão caçula. Não aguentava mais a pressão de ser a filha mais velha de Ron e Hermione Weasley. Não aguentava mais ter que ser quem eles idealizaram quem ela seria. Todos achavam que ela tinha que ser perfeita, quando na verdade ela só queria ser Rose Weasley. Sim, ela gostava de estudar, mas não é como se isso a obrigasse a saber todas as respostas do mudo bruxo.
Rose Weasley não queria mais ter que fingir. E ela obrigada a isso, todos achavam que ela amava Lily Luna, só porque era sua prima, ou então só por ser uma Potter. Sendo sincera Rose não poderia dizer que Lily fez algo de ruim para ela, mas ela considerava a prima mais nova uma verdadeira vaca.
Mas é claro, ela era filha de Ron e Hermione Weasley e não poderia expor esse tipo de opinião. Ela tinha que ser no mínimo perfeita. Ela como primogênita do casal deve ser tão inteligente quanto a mãe, tao carismática quanto seu pai e claro ótima no quadribol, tão boa quanto ele fora um dia.
Porém Rose Weasley não queria isso, não queria passar a vida na sombra de seus pais. Às vezes pensava em como seria se ela não fosse uma Weasley, ou mesmo que fosse. E se de repente ela fosse filha de um de seus tios, Roxy e Fred não parecem sofrer nenhum tipo de pressão. Nem mesmo a pequena Lucy que acabou na Sonserina. Mas ela tinha que ser filha de Ron Weasley e Hermione Granger e ela não soube aguentar essa pressão e então ela perdeu o controle.
Nos poucos instantes em que esteve em seu quarto ela sentou em sua cama, riu e sussurrou como se fosse um segredo "Eu perdi o controle". E riu outra vez, esse riso muito próximo a uma gargalhada insana. Dois filetes de lágrimas escorriam de seus olhos.

*~~~
Era véspera de natal, e para insatisfação tanto de Rose quanto de Hugo, que detestavam o lugar, eles foram para o Ministério da Magia em uma baile de comemoração. Ela não aguentava mais sair com seus pais e ver aquele monte de gente fingida lambendo o chão por onde pisavam. Rose estava inquieta, irritada e ansiosa. Conseguiu se controlar muito bem até ouvir uma conversa de duas mulheres, que sentavam próximas a sua mesa, conversando sobre seus pais. A mulher loira que um dia poderia ter sido bonita, não fosse as cicatrizes em seu rosto, comentava em alto e bom som que ela e Ron foram namorados nos tempos de Hogwarts. Narrava sem pudor algum as noites passadas nas torres e em salas vazias do castelo, e tinham até mesmo um apelido de casal até que Hermione apareceu e começou envenenar Rony contra ela. Nesse ponto da historia Rose ja estava enjoada, não queria saber se a história era verdade ou mentira. Só queria que a mulher calasse a maldita boca e deixasse sua família em paz. E foi ai que começou a gritar com Lavander Bown, sem realmente saber quem era a mulher. Ela só queria despejar sua raiva e frustração em alguém, ela foi a escolhida.
A garota xingou, gritou até ficar sem fôlego e o alívio começar a inundar seu interior. Quando finalmente a raiva abrandou ela percebeu a rodinha que formou a sua volta e o olhar de censura de seu pai foi mais do que ela podia aguentar. Se se despedir de ninguém e sem pedir licença ela se retirou do salão as pressas e aparatou direto para sua casa.
~~~*

E foi aqui que a encontramos. Sentada em sua cama, abraçada aos joelhos, perdida entre o riso doentio e o choro desesperado. Totalmente sem controle de si.
Assim que ouviu o barulho da porta da sala se abrindo, saiu pela sacada e aparatou em um bairro qualquer da Londres trouxa, onde ela sabia que seus pais não a procurariam. Aparatou no beco próximo a um bar que frequentava de vez em quando então entrou. Ela não tinha dinheiro de trouxa, mas isso não pareceu importar quando pediu a primeira dose "da bebida mais forte que tiver". E assim seguiu por duas horas bebendo e pedindo a próxima dose de qualquer coisa que contenha álcool.
Em uma das idas ao banheiro acabou trombando em alguem que lhe era vagamente familiar. Mas ela não mais em condições de reconhecer nem os próprios pais caso eles passassem na sua frente.
Quando enfim saiu do banheiro, depois de muito vomitar e borrar toda a maquiagem na tentativa de lavar o rosto e tirar todo o vestígio de álcool no rosto, deu de cara com Scorpius Malfoy. Ele falava com ela, o que exatamente ele lhe perguntava ela não sabia, já que que nao conseguia focar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. E nesse momento ela estava mais preocupada em saber como ele conseguia estar com os cabelos tão bagunçados e ainda assim parecer extremamente sexy. Então é claro que ela não prestou atenção em uma única palavra dita por ele. O que resultou em um estardalhaço dos diabos, ja que ele a estava informando que a levaria dali e chamaria alguem da sua família para ajudá-la. O Malfoy começou a puxá-la pelo braço para fora do bar e ela se descontrolou e começou a gritar e espernear chamando atenção de todos a sua volta, até finalmente saírem do bar e chegarem no beco que a Weasley inicialmente aparatou.
"Weasley, quer parar de gritar!"
"Me larga! Me larga Malfoy, ou vou continuar gritando."
Vendo que não tinha outro jeito, ele a soltou. E se arrependeu no segundo seguinte quando percebeu que assim que se viu livre, a Weasley correu para o lado oposto.
Cansado, e irritado pela teimosia de Rose, Scorpius segurou novamente um dos braços da garota.
"Weasley, onde pensa que está indo?" A verdade é que o Malfoy não aguentava mais os ataques da, em sua opinião, mimada Weasley. A garota era a prefeita definição de patricinha mal agradecida e que se acha o centro das atenções.
"Para o mais longe possível de você! E eu ja mandei me largar"
"Acontece Weasley, que você não manda em mim."
Ela o encarava furiosa e embriagado de mais para conseguir se soltar. Rose sempre achou o Malfoy muito atraente, mas acima de tudo muito arrogante. Dizem ser uma marca dos Malfoy, mas ela não saberia dizer, ja que conheceu apenas Scorpius. E uma das coisas que mais a irritava era a postura dele, sempre dono de si. Em anos de convivência dentro e fora da escola ela nunca o fora perder a pose, se descontrolar... Ele nunca chegaria ao ponto em que ela chegou. E com esse mesmo pensamento mais uma vez entrou em desespero caindo no chão de joelhos e voltou a chorar, o mesmo choro nao seu quarto. Entre o riso e o desespero dizendo pra quem quisesse ouvir "eu perdi o controle de novo". E repetia como um mantra. Como se fosse um bote salva vidas.
O Malfoy continuou ali, parado, sem saber como agir. Ainda segurando um de seus braços olhando-a de cima. Nunca, em todo o tempo que se conhecem, ele vira a Weasley chorar, nem por nenhuma queda ou pancada nos jogos de quadribol. Ela nunca se mostrava triste, nem frágil e vê-la desse jeito o deixou estático, ele não tinha idéia do que fazer naquele momento.
E foi ai que ela começou a falar desenfreada. Como se despejando tudo o que tinha guardado dentro de si, por tanto tempo, a curasse das suas feridas, de suas mágoas, como se tirasse todo o peso de suas costas.
Scorpius percebeu que no meio de um beco escuro não era o melhor lugar para a Weasley se desfazer em lágrimas, muito menos desabafar sobre tudo o que vinha lhe fazendo mal durante anos. Ajudou a ruiva a se levantar e informou para onde iam. A garota ficou em silêncio.
Considerando o silêncio como consentimento ele desaparatou na frente da mansão Malfoy.
"Ou eu to muito bêbada, oi realmente tem um pavão albino no seu jardim."
Preferindo evitar falar que ambas as afirmações estavam corretas, Scorpius apenas ignorou e continuou o caminho até finalmente estarem em seu quarto. Ele a acompanhou até a porta do banheiro com certa dificuldade ja que a Weasley andava meio trôpega.
"Você tomar banho sozinha? Se precisar posso chamar alguém. Roxanne ou Lily...?" O Malfoy foi interrompido pelo grito exasperado da ruiva, que ainda estava apoiada em seu braço.
"Argh! Por que todos pensam qua somos amiga? Por que você pensou que eu precisaria dela para alguma coisa?"
"Eu só achei..." foi novamente interrompido pela voz embriagada e embargada da ruiva. Ela soltou seu braço e foi caminhando meio tonta até o local mais próximo, a banheira, e la se sentou apoiando os cotovelos nos joelhos e segurando a cabeça com as mãos.
"Não somos amigas" disse num tom mais baixo, agora encarando o loiro que estava parado na porta. Seus olhos estavam nublados tanto pelo álcool como pelas lágrimas que ela se esforçava para segurar. "Não que ela não tenha tentado, e eu achava que queria a amizade dela. Somos primas afinal, deveríamos gostar umas das outras. E de início tudo era mais fácil, nós eramos crianças. Você me entende? Você deve entender..." Rose continuou falando sem se importar se estava sendo coerente ou não, se fazia sentido ou não. Ela só queria desabafar, e se o Malfoy estava disposto a ouvir, ótimo. Foi quando Scorpius virou para sair do banheiro que ela pareceu lembrar-se da presença dele e assim voltou a falar com ele " Sabe Malfoy, eu te admiro, você e à Lily Luna. Na verdade é mais inveja do que admiração. Vocês parecem seguros, tão... felizes" e nesse ponto a Weasley voltou a chorar "Apesar de todo o peso que você carrega no seu sobrenome, você parece não sr importar. Eu queria não me importar. Todos esperam de mim a perfeição. Tenho que ser a combinação perfeita dos meus pais. Tenho que ser tao inteligente quanto Hermione Granger, ou então tão divertida quanto Rony Weasley. 'E porquê você não tenta uma vaga no time da grifinória, Rose?' Eles perguntam como idiotas 'Seu pai era um excelente goleiro, está no sangue' mas ninguém nunca parou pra pensar, ou não se importam o suficiente, que Rose Weasley tem medo de altura." Ela ri debochada "E você Malfoy? Por que você parece tão bem? Esperam coisas horríveis de você por um passado que nem é seu, por erros que nem foram você quem cometeu, mas você parece simplesmente não ligar. E Lily, como ela consegue ser a Srta. Perfeição? A filha caçula do Grande Harry Potter. Como ela consegue lidar com isso, caramba? Como ela consegue não perder o controle? EU perdi o controle de novo, e de nov, e mais uma vez" ela parecia estar falando consigo mesma, como se tivesse esquecido da presença do Malfoy uma segunda vez. Ele estava em choque, ainda parado na porta absorvendo tudo o que a Weasley falou. Só conseguiu se mover quando a ruiva começou a puxar os próprios cabelos, arrancando pequenos tufos que caiam no chão do banheiro.
"Weasley, pare com isso." Soltou em um tom desesperado segurando os pulsos da garota impedindo-a de continuar com o ataque.
"Eu perdi o controle de novo" ela disse olhando os olhos cinzas bem de perto. Ela havia dito essa frase tantas e tantas vezes que começou a perder o sentido.
Scorpius encheu a banheira e, após se certificar que a Weasley não faria mada estupido, deixou-a sozinha. Quase 30 min mais tarde ela sai do banheiro ja vestida nas roupas que o Malfoy lhe emprestou. Os cabelos úmidos e o rosto com as feições de quem se arrependeu de ter falado de mais.
O ambiente ficou pesado, ambos constrangidos pelo o que foi dito.
"Pode dormir ai" ele disse apontando para a cama "qualquer coisa que precisar estarei no sofá".
"Porque gente rica sempre tem um sofá no quarto?" Apesar de ter dito isso em voz alta a pergunta era mais para si do que para o loiro "Não que isso realmente importe. Mas pode dormir na cama, Malfoy. Ela é grande o suficiente para nós dois, e você ficaria encolhido lá" comentou caminhando meio tonta até a cama para disfarçar o rubor.
Ainda confuso o Malfoy seguiu seus passos e deitou-se ao lado da Weasley apagando as luzes.
Scorpius não conseguia dormir depois de tudo o que viu e ouviu, ele nunca imaginou ver Rose Weasley tão frágil e preferia não ter que repetir a dose. Nunca imaginou que um dia a ajudaria em um momento tão difícil. Ela sempre lhe pareceu tão forte.
"Scorpius ainda está acordado?" Ele ouviu o sussurro de Rose próximo de mais do seu ouvido. "Claro que está, conseguiria ouvir sua respiração pesada mesmo se estivesse no banheiro."
E assim, sem dar nenhum sinal do que estava prestes a fazer, ela levantou-se ágil e cobriu o corpo do Malfoy com o seu. Por puro reflexo o Malfoy segurou a cintura da garota.
"O que exatamente você pensa estar fazendo?" Questionou incerto.
"Sabe o motivo de toda a raiva que eu tenho de você?" Ela sussurrava tudo bem próximo ao seu ouvido "Pra ser sincera eu descobri aqui mesmo, enquanto tomava banho na sua banheira. Eu percebi que sinto raiva porque você nunca me deu a atenção que eu queria, as suas provocações nunca foram na direção que indicasse algum tipo de... desejo... da sua parte. Você, a única pessoa que eu realmente quis. Mas você nunca se interessou, não é?! Está na hora de mudarmos isso"
Terminado o discurso a menina começou com cálidos beijos no loiro. No pescoço, no maxilar, por cima das pálpebras fechadas, e por fim iniciou um beijo que deixaria seu pai horrorizado de tão impróprio e quente. E Scorpius... Scorpius Malfoy simplesmente não conseguia resistir a Rose Weasley. Era óbvio, levando em consideração o recente discurso, que ela não sabia, mas ele sempre foi louco por ela desde o quarto ano, quando ainda estudavam em Hogwarts. Ele achava que ela nunca lhe daria atenção mimada e inconstante do jeito que ele se lembrava que ela era.
Mas apesar dos pesares, apesar do tempo passado, dos desencontros aqui estavam. Entrelaçados, em perfeita simetria. Como se os toques, os gostos, as sensações que eram provocadas em ambos, fossem rotina. Como se fosse uma dança coreografada por eles e somente para eles, que só daria certo se fosse entre os dois.
Na manhã seguinte Scorpius não saberia dizer se havia sido um sonho oi realidade, se não tivesse encontrado o lenço que ela usava na noite anterior junto a um bilhete que apenas dizia.

"Me desculpe, eu perdi o controle. Não vai acontecer de novo.
Com carinho, R. Weasley

Notas finais
O que acharam? Perdoa o excesso de drama e não desiste de mim Eu estava numa bad vibe enorme e ouvindo Joy Division que é uma das melhores bandas para a bad. Bom qualquer erro me posicionem por favor, nao deu tempo de revisar. Espero que tenham gostado Bjo bjo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.