Notas iniciais
Oie, olha quem apareceu! então esse é um cap meio diferente, e impossível de ter acontecido, mas veio na minha cabeça e é isso aí. Eu sou simplesmente apaixonada pelos Malfoy, sério! Então, eu tenho mais dois caps prontos, mas preciso de dinheiro para vir à lan house digitar portanto não esperam tão rápido o próximo :/. Eu tinha mais coisa para falar, mas minha memoria é horrível e agora não me lembro. Ewnfim acho que é só isso então. Não deixem de comentar por favor. Bjo bjo Good read

Estava chovendo muito em uma noite de outono. Um garotinho de apenas sete anos encontrava-se encolhido em uma cama grande de mais para o seu corpinho miúdo. Seu rosto se escondia em baixo das cobertas toda vez que um relâmpago ou uma trovoada tingiam o céu de branco e estrondava por todo o seu quarto.

Não aguentando mais essa aflição, o loirinho correu pelos corredores da mansão. Chegou ao quarto dos pais escancarando a porta e, na pontinha dos pés, caminhou até o lado direito onde seu pai encontrava-se no mais profundo sono. O pequeno, com receio de chatear o pai, pensou se não era melhor enfrentar seu medo sozinho. Mas um trovão, particularmente barulhento o fez mudar de ideia.

– Papai! — chamou, empurrando os ombros do pai com suas mãozinhas.

– Hm — resmungou o pai adormecido.

– Papai, acorda. — o menino quase chorava.

– Scorpius? — surpreendeu-se Draco ao constatar que era mesmo a figura de seu filho parado ao seu lado — O que faz aqui?

– Eu não consigo dormir — choramingava o pequeno Malfoy — A chuva faz muito barulho.

– O que você quer que eu faça? — perguntou gentilmente — Sabe, até a chuva passar. — completou meio sem jeito.

Não importa quanto tempo passe, Draco Malfoy não saberia como agir com uma criança. Geralmente quando essas coisas aconteciam, Astoria sempre fazia com que o garoto adormecesse. Mas hoje, estranhamente, Scorpius acordou Draco em vez de Astória.

– Lê uma história pra mim? — seus olhos azuis acinzentados faiscaram, temporariamente esquecido da tempestade que apertava lá fora.

– Tudo bem. — concordou levantando da cama e calçando os chinelos, que ele não lembrava de tê-los deixado ao lado da cama. Sorriu ternamente para a mulher adormecida do outro lado da cama e olhou para o seu filho. — O que sua mãe costuma ler para você?

– Vem — com sua pequena mão, Scorpius agarrou a mão do pai e puxou-o para o seu quarto. Fez o louro sentar-se em sua cama e subiu em uma cadeira para alcançar a estante onde havia uma pequena quantidade de livros.

Scorpius subiu na cama, entrou debaixo das cobertas, aconchegando-se mais próximo do pai e finalmente entregou-lhe o livro.

Draco, que olhava o filho com atenção e com um sorriso que raramente era visto em seu rosto, surpreendeu-se ao ler o titulo do livro. Não fazia a menor ideia de que tal livro existia e nada mais irônico que seu filho querer que ele, Draco Malfoy lesse para ele.

Teria um séria conversa com Astória mais tarde.

– Porque gosta desse livro, Scorpius? — perguntou meio emburrado ainda fitando o titulo; “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.

Tinha certeza que seria mais uma das infindáveis histórias de como o Santo Potter vencera o Lorde das Trevas.

Draco não era nenhum ingrato. Potter salvara sua vida na sala precisa. Mas ver seu filho tê-lo como herói era de mais para ele.

– Papai, você está me ouvindo? — perguntou o pequeno, quando viu que seu pai encarava a janela fixamente.

– Perdão meu filho, o que disse?

– Eu disse — disse revirando os olhos – que eu gosto desse livro porque você apareceu nela.

– Eu o que? — o loiro mais velho arregalou suas orbes cinzas.

– Você apareceu nela duas vezes até agora — disse o menino sorrindo.

– Onde você parou? — perguntou curioso.

– Mamãe ia começar o capitulo sete.- respondeu prontamente. E muito animado.

– Muito bem então. Capitulo sete, O chapéu seletor. — começou e deu um pigarro para limpar a garganta.

“A porta abriu-se de chofre. E apareceu uma bruxa alta de cabelos pretos e vestes verde-esmeralda. Tinha o rosto muito severo e o primeiro pensamento de Harry foi que era uma pessoa a quem não se devia aborrecer.

– Alunos do primeiro ano, Professora McGonagall — informou Hagrid.

– Obrigada, Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante.”

– Papai, essa professora McGonagall existe mesmo? — perguntou apreensivo o pequeno loiro, que se encolhia ligeiramente nas cobertas.

O pai riu do temor de seu filho.

– Sim, ela existe Hyperion.

– E quando eu for para Hogwarts ela vai me dar aulas?

– Não, ela agora é a diretora — explicou paciente.

– Ela dava aula de que? – ele estava claramente mais aliviado ao saber que a professora não dava mais aulas.

Era engraçado, no entanto, que ele se assustasse com uma mera citação do nome da mulher.

– Deve estar escrito aqui. Vou continuar lendo para você descobrir.

– Tudo bem.

E Draco prosseguiu com a narração.

“Ela escancarou a porta. O saguão era tão grande que teria cabido a casa dos Dursley inteira dentro. As paredes de pedra estavam iluminadas com archotes flamejantes como os de Gringotes, o teto era alto demais para se ver, e uma imponente escada de mármore em frente levava aos andares superiores.

Eles acompanharam a Profa. Minerva pelo piso de lajotas de pedra. Harry ouviu o murmúrio de centenas de vozes que vinham de uma porta à direita – o restante da escola já deveria estar reunido. Mas a Profa. Minerva levou os alunos da primeira série a uma sala vazia ao lado do saguão. Eles se agruparam lá dentro, um pouco mais apertados que o normal, olhando, nervosos, para os lados.”

– Quem são os Dursley? — Draco questionou ao filho. Afinal nunca ouviu o sobrenome. É estranho que a história os citasse.

– São os tios truxas que cuidam do Harry Potter.

– Ah!

– Mas eu não gosto deles.

– Porque?

– Eles são chatos. — declarou como se fosse a coisa mais obvia do mundo — E a tia dele não deixa ele brincar. Brincar na terra, fazer sujeira. Mamãe e você nunca me proibiriam de brincar no jardim, né papai? — o rostinho contorcido em uma careta, como sem implorasse para o pai que jamais o proibisse de fazer algo.

– É claro que não – respondeu divertido.

A verdade é que, apesar de Scorpius já ter sete anos, Draco Malfoy não passara muito tempo com ele. Dedicou sua vida ao hospital dos bruxos St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. Passou a vida toda tentando apagar o passado.

Para ele, Draco, não foi um erro se juntar aos Comensais da Morte e direcionar sua lealdade à Voldemort. Afinal de contas, se não o fizesse seus pais, e provavelmente ele mesmo, estariam mortos. Ele não teve escolha. Ou melhor, a escolha dele foi sua família, e sempre seria sua família acima de tudo.

Mas finalmente Voldemort caíra, os Malfoy tentaram se reerguer, mas conviviam com a culpa e com o julgamento da comunidade bruxa.

Foi aí que Draco encontrou Astória. Quando Narcisa não sabia mais o que fazer para ajudar o filho e o marido. Então a jovem apareceu em suas vidas fazendo tudo mudar. Muito lentamente ela conseguiu se aproximar de Draco e então a partir daí tudo caminhou melhor. Se casaram e tiveram Scorpius. E agora o loiro percebeu que estava muito ausente na vida do filho.

Ali, lendo, rindo da cara de seu filho e cantando a canção do chapéu seletor, mais ou menos como se recordava ele se sentia bem.

Passara um tempo e a chuva diminuía devagar, ainda via-se um relâmpago pintando o céu, mas nada de trovões.

– Ele conseguiu entrar no time de quadribol, no primeiro ano? – o loirinho perguntou assombrado, indignado e curioso.

– Sim, ele conseguiu. – Draco contemplava as paginas do livro ainda aberto em sua mão.

– E você ajudou? – agora mostrava-se esperançoso. Como se o pai fosse contrabandear uma vassoura para a escola e pudesse fazer o time de quadribol aceita-lo.

– Veja em, eu não sabia que o estava ajudando. O Potter teve muita sorte de entrar para o time da Grifinória no primeiro ano. Eu jurava que ele seria expulso, receberia uma detenção ou qualquer coisa do tipo.- justificou-se — E não me olhe com essa cara esperançosa, Hyperion. Quadribol só no segundo ano. — finalizou.

– Para qual casa você acha que eu vou? – perguntou distraído.

– Você ainda tem duvida?

– Não! – sorriu um sorriso que chegava aos olhos – eu vou para a Sonserina.

– Muito bom ouvir isso de você – o pai, orgulhoso pela escolha do filho, bagunçou os cabelos do filho. – Mas agora está na hora de dormir – e dizendo isso levantou e diminuiu a luz até nãorestar quase nenhuma luz no quarto.

– Pai, você pode esperar aqui até eu dormir? — o pequeno perguntou aflito. Mais uma vez estava com o cobertor até o queixo e fitando a janela onde o céu ainda relampeava e iluminava o quarto por poucos segundos.

Draco sentou-se e encostou as costas na cabeceira da cama. Mais uma vez Scorpius aconchegara-se ao pai e por um tempo os dois, pai e filho, contemplaram a janela, fitando o ceu chuvoso.

Scorpius adormeceu rapidamente, sabia que com o pai ali do seu lado nada poderia acontecer a ele.

Draco, porem, estava perdido em pensamentos e lembranças. Era estranho o fato de terem escrito uma historia sobre a vida do Potter quando ainda estava no primeiro ano e até um pouco da vida dele com os trouxas e como fora parar lá. Sim, ele havia folheado algumas paginas depois que o filho adormecera.

Coisas que somente eles, que presenciaram, como o primeiro encontro de Potter e Malfoy no Beco Diagonal. A menos é claro que ele, o Potter, tenha vendido sua historia. Mas quem teria comprado, quem teria escrito? A velha Batilda Bagshot havia morrido. Ele não conhecia muitos outros historiadores. Até porque isso nunca lhe interessou.

– Então fitou o livro e leu “J. K. Rowling”. Mas quem diabos era J.K.Rowling? – sussurrou para não acordar o filho.

E com esses pensamentos perturbados e as lembranças que reviveu cada vez que aparecia na historia. Draco Malfoy adormeceu, ali ao lado de seu filho, sentado desajeitado e com o livro pendendo da mão.