Notas iniciais
E ai galera. Não abandonamos a fanfic, ai vai outro capítulo.

Rebecca sentiu seu corpo se mover em um espaço de tempo invisível, depois as partículas de seu Ser partiram-se em pedacinhos e se espalharam ao longo do mundo, tudo isso definia o trajeto feito através do portal até o Instituto de NY.

Eles foram lançados na frente do Instituto. A primeira vista parecia uma Igreja Gótica, feita de pedras cinza e arcos ogivais por todos os lados, também era alta.

Quando ela olhou com mais atenção a proteção caiu diante de seus olhos, desnudando uma construção moderna, com uma porta de madeira maciça.

– Estou exausto – declarou Magnus, jogando-se nos braços de Alec.

Rebecca olhou sem entender.

– Eles...? – olhou para Clary, que parecia meio pálida ao seu lado.

– Sim. Eles são namorados.

– O cara bonitinho é gay?

Rebecca devia ter falado isso muito alto, pois todos os Lightwood olharam para ela. Um momento tenso de silencio se seguiu, até que Jace o quebrou, dizendo:

– Vamos entrar.

O hall de entrada era gigantesco. Ricamente decorado com mobílias antigas e artefatos de caçadores de sombras, era claro que tudo ali tinha o bom gosto de uma família antiga e poderosa de caçadores de sombras. Seu pai também tinha aquela ostentosa decoração em casa.

– É muito bonito.

– Maryse e Robert tiveram que ficar em Idris, mas pode se sentir a vontade – disse Jace, jogando-se no sofá.

– JÁCE – berrou Alec.

Jace saltou do sofá, assustado, e empunhando sua lamina serafim.

– O que?

– Não deite sujo no sofá. – ralhou Alec.

Jace lançou um olhar irritado para o irmão, enquanto todos os outros riam. Até mesmo Clary, que continuava pálida e doentia.

– Você está bem, Clary? – perguntou Rebecca.

– Um pouco cansada. Eu fiz símbolos e mais símbolos está noite.

Jace apareceu magicamente atrás de Clary e a abraçou gentilmente, beijando sua testa.

– Ela foi uma heroína.

Clary deu um sorriso cansado para ele e eles ficaram em uma troca de olhares apaixonada, como se o mundo ao redor deles não existisse.

– Vamos Rebecca – disse Isabelle, puxando-a pelo braço – Não queremos interromper os dois.

Isabelle conduziu Rebecca pelos corredores do Instituto. Havia vários quartos, muito mais quartos do que pessoas morando na casa.

– Por que tem tantos quartos?

– Alguns caçadores de sombras em missão dormem por aqui, mas geralmente ficam vazios. – E continuou – Agora também Alec está vivendo na casa de Magnus, então...

– E Jace e Clary?

Isabella lançou um olhar estranho para a garota.

Droga, pensou Rebecca, ela tinha sido muito curiosa em relação a tudo e agora Isabelle não iria confiar nela.

– Bem, Clary vai para casa e Jace fica por aqui.

– Achei que eles ficassem juntos.

– É – Isabelle parou em frente a uma porta, que era exatamente igual a todas as outas – Esse é seu quarto. O meu fica logo ao lado, se precisar de alguma coisa. Mas eu não passo muitas noites em casa, então procure por Jace. Ele dorme no final do corredor.

– Obrigada, Izzy.

A garota sorriu antes de sair e Rebecca entrou no quarto.

– Tudo bem, Rebecca. Muito bem.

Primeiro ela foi tratar de tomar um longo e demorado banho. O banheiro era todo de mármore branco com apenas um chuveiro simples, ela esperava uma banheira.

Enquanto a agua quente escorria por seu corpo, ela sentia a dor, o cansaço e a pressão do dia atingindo-a como um míssil.

Mas seu plano precisava continuar. Jace precisava pagar pelo que havia feito a sua família, e ela não desistiria. Clary não dormir no instituto tornava as coisas mais fáceis, Jace seria um alvo fácil para Rebecca.

Depois de sair do banho enrolada em uma toalha branca, ela procurou alguma coisa para vestir e lembrou que não tinha trazido nada seu, exceto as roupas do corpo. Mas quando abriu o armário se deparou com todo o tipo de roupas, a maioria era preto e curta, mas outras eram confortáveis e quentes.

Ela optou por um pijama de cetim pink de rendas, era curto e muito mais provocante do que teria coragem de usar em casa, mas teria que servir.

Foi até o final do corredor, preparando-se para enfrentar Jace. E bateu na porta.

Ele abriu a porta, vestindo apenas uma calça de moletom cinza, com os cabelos loiros bagunçados.

– Rebecca? – ele parecia confuso – O que faz aqui?

As lacrimas já desciam por seu rosto.

– Posso entrar? Estou com medo.

Jace gemeu e abriu mais a porto, deixando que a garota entrasse em seu quarto. Para um garoto ele era muito organizado, seu quarto não tinha roupas espalhadas e sua cama era lisa nas partes onde ele não havia dormido.

– Por que está com medo?

Jace sentou-se na cama e ela fez o mesmo. Desviando o olhar para o tapete bege, começou a mentir:

– Bem, eu tive um dia bem difícil sabe. – ela começou – De manhã eu estava em Idris, escondida dom Jonathan e agora estou aqui, órfão e com medo de nunca mais achar o meu lugar no mundo.

Ela ergueu a cabeça e percebeu que Jace a encarava fixamente, alguma coisa mudara em seus olhos dourados. Jace sabia o que era ser abandonado, segundo a história que Clary lhe contara mais cedo, o garoto viveu achando que o pai estava morto, mas foi criado por Valentim e depois descobriu que Valentim também não era seu pai, mas sim um Herondale qualquer.

– Eu sinto muito. – ele disse – Você tem um lugar aqui por quanto tempo achar necessário. Viver com Sebastian não deve ter sido a melhor das experiências.

Ao tocar no nome falso do irmão, o coração dela pulou para anos atrás na vida dela.

Era o aniversario dela de 15 anos e seu irmão prometera que lhe daria um presente incrível. Mas ele não apareceu naquele dia, o pai o mandou para alguma missão do outro lado do mundo e ela sabia que Jonathan não retornaria.

Rebecca foi dormir com os olhos inchados de chorar naquela noite.

Era madrugada alta quando ele chegou, Rebecca sabia que era ele por causa do perfume. Um cheiro picante e frio que ela amava.

– Jonathan? – ela sussurrou.

Não obteve resposta. Apenas um corpo que cobriu o seu e quando ela olhou para o rosto na escuridão, o sorriso do irmão brilhou.

Jonathan puxou de lado a coberta e ficou por cima da irmã, beijando seu pescoço e segurando em seus cabelos loiros.

Ela gemeu quando a boca de Jonathan finalmente deixou seu pescoço e beijou-lhe nos lábios, a língua dele era gélida e cruel, exigindo que ela desse tudo para ele.

– Senti sua falta. Tanto. Tanto – ele disse.

A mão do irmão foi para o meio das pernas dela e Rebecca quase gritou de prazer, mas Jonathan cobriu sua boca com a mão.

– Shiu. – ele sussurrou. – Eu sempre fui cuidadoso não?

– Rebecca? – Jace a chamou.

Ela balançou a cabeça. Não sabia que tinha passado tanto tempo pensando no passado.

Jonathan estava morto.

– Jonathan – ela gaguejou – E-e-e-le...

Jace pareceu confuso, segurou os ombros da garota e tentou fazer com que ela o encarasse.

– O que tem ele?

– Ele abusava de mim.

No momento que ele baixou a guarda e ficou sem ação, Rebecca o abraçou com força. As lagrimas corriam livremente agora, lembrar-se dos momentos com o irmão foi o suficiente para fazê-la chorar, Jonathan a amava e a protegia como nenhum outro homem seria capaz e agora estava morto.

– Rebecca, eu sinto tanto.

Ela separou-se dele e limpou as lagrimas dos olhos.

– Tudo bem Jace, o que passou, passou.

– Eu vou te levar pro seu quarto. Vem.

Jace levantou da cama e estendeu a mão para Rebecca, ela mordeu o lábio e balançou a cabeça.

– Posso dormir aqui?

Os olhos dourados dele se arregalaram.

– Rebecca, não.

– Por favor. – ela implorou.

Jace suspirou e bateu a porta do quarto, deixando-os na completa escuridão.