A Little Piece Of Heaven
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
O que ela estava fazendo ali?
A rua estava escura, quase deserta. Enquanto andava, podia contar nos dedos o número de pessoas que estavam sentadas no chão. Suas botas faziam barulho, enquanto ela tentava caminhar sem escorregar no gelo. Aquela era uma noite fria de inverno, a qualquer momento, a neve começaria a cair.
O que ela estava fazendo ali? Essa era a pergunta que a jovem repetia incansavelmente em sua mente. Seus olhos ardiam, e sua boca estava seca. Ela devia mesmo estar ali?
Anne não podia contar quantas vezes estivera o resgatando. Aquelas pessoas estavam encostadas nas paredes, umas cheirando, outras fumando...
O procurou no meio dos viciados, e o encontrou fumando algo, que pelo cheiro forte, devia ser maconha. Como sempre. Pensou ela. Caminhou rápido até ele, e o puxou pelo braço. Seus cabelos negros e arrepiados eram visíveis de longe.
– Vamos Alex, vamos embora. – disse ela o puxando pelo braço.
– Saia daqui. Eu to legal. – reclamou ele se afastando da garota. Os olhos de Alex estavam vermelhos, e seu comportamento era típico de um drogado.
– Chega, você vai vir comigo agora, ou eu chamo seu pai! – falou ela alto, fazendo o namorado se espantar.
– Não, meu pai não. Vamos. – disse ele correndo. Outra prova que estava drogado. Seu pai havia morrido há seis meses...
Mesmo cambaleando, ele entrou no carro. Anne o levou para o apartamento que dividiam há três anos.
O prédio era branco e sofisticado. Os 14 andares estavam bem dispostos em cima de pilares grossos de concreto, e o porteiro os aguardava ansiosamente, sabendo que teria que ajudar a jovem a levar o homem para cima. Não era a primeira vez que a cena acontecia.
Anne agradeceu o porteiro pela ajuda, e jogou Alex na cama. O mesmo estava dormindo profundamente, como uma criança. Anne sorriu com o pensamento. Ele não devia ter conhecido aquele traficante no enterro de seu pai. Todos sabiam que o mesmo tinha contatos perigosos, mas Alex não era forte o suficiente como o pai para não cair na tentação.
Ela se ajeitou ao lado de seu namorado embaixo das cobertas, e dormiu.
– Quantas vezes isso vai se repetir? Caramba Alex, você tem 27 anos, não está na hora de tomar juízo? – brigou ela assim que acordou, e viu o mesmo saindo do banho.
– Não comece amor, sabe que é difícil. – comentou ele normalmente, enquanto se vestia.
– Mas Alex, isso não está acabando só com você! Não consegue perceber o quanto isso me afeta? – gritou ela.
– Anne, vamos fazer o seguinte. Eu vou tentar parar, te juro isso. – falou ele andando na direção da jovem.
Ela tentou falar, mas ele já tinha a envolvido com seus braços fortes. Ele cheirava a sabonete, e ela adorava a segurança que ele transmitia, quando não estava drogado, é claro. Seus xingamentos foram esquecidos quando ele a beijou, e Alex sorriu maliciosamente quando percebeu, que mais uma vez tinha a garota em suas mãos.
...
O que ela estava fazendo ali?
A rua estava escura, quase deserta. Enquanto andava, podia contar nos dedos o número de pessoas que estavam sentadas no chão. Suas botas faziam barulho, enquanto ela tentava caminhar sem escorregar no gelo. Tudo se repetia...
Não. Uma coisa estava diferente. Aquela garota não era mais inocente, ela não seria mais usada. Não pelo namorado que não ligava mais para nada, além de seu cigarro incrementado. Anne andava decididamente. Sua mão direita estava dentro do seu sobretudo, e seus olhos ardiam, mas não era de frio. Não...
Era de dor. As lágrimas caiam silenciosamente, sinalizando que mais tarde, a jovem se arrependeria muito do que estava prestes a fazer, se estivesse viva. Mas quem se importa? Pensou ela. Ninguém mais se importava. Não com eles.
Alex estava sentando, fumando. Anne o reconhecia somente pelo seu cabelo arrepiado. Logo suas mãos começaram a tremer. Não sabia se era de expectativa, ou de medo do que estava prestes a fazer.
– Eu mandei você não me seguir Anne. – falou ele baixo, mas seu tom era raivoso.
– E eu pedi para você parar. Quantas vezes Alex? Já chega. – disse ela em um tom frio.
Rapidamente, ela retirou uma arma de seu casaco, e apontou para a cabeça de Alex. E sem dar tempo para mais perguntas, ela atirou. Ela o matou. O tiro na testa o fez apagar na hora.
Os outros drogados começaram a sair correndo. E Anne chegou mais perto do corpo morto de seu namorado. Ela o puxou pelos cabelos, e olhou para o estrago que tinha feito em sua testa. Logo o soltou, e olhou para sua mão ensanguentada. A risada que saiu de sua garganta foi sádica. Não havia nem um pingo de arrependimento nela.
– Você criou um monstro Alex. Vamos juntos para o paraíso sim? – falou ela com o corpo morto antes de posicionar a arma em sua boca, e apertar o gatilho.
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