Anita’s POV

A luz que entrava por alguma janela incomodava meus olhos. Espreguicei-me esfregando meus olhos na tentativa de amenizar o incomodo que sentia. Algo estava diferente, em mim, no lugar que estava. Tudo estava mudado. Abri os olhos olhando ao meu redor. Aquele, definitivamente, não era o meu quarto. Começando pela cama de solteiro em que estava deitada, pelo grande guarda-roupa branco encostado na parede, a grande janela com as cortinas escancaradas, o violão em um dos cantos, as paredes verdes... Com certeza aquela não era a minha casa. Sentei-me na cama me cobrindo com o edredom, como se aquilo fosse me proteger. Pode parecer bobo, mas funcionava. Minha cabeça doía muito e os meus músculos, sem comentários. Estava me sentindo como se um trator seguido de uma manada de elefantes tivesse passado em cima de mim. Pude ouvir um burburinho que parecia vim, provavelmente, do andar de baixo. Meu instinto falava para não sair do meu conforto daquela cama quentinha e aconchegante, mas a minha curiosidade falou mais alto. Levantei-me e comecei a andar nas pontas dos pés. Fui até a porta, que não estava totalmente fechada, e coloquei minha cabeça para fora para poder observar o corredor para onde a porta dava. Não tinha ninguém lá, liberado. Sai, ainda andando nas pontas dos pés e olhando para trás onde a escada para baixo se encontrava. Estava concentrada demais olhando para o outro lado que não percebi a figura na minha frente. Sim, um “homem” estava... Completamente nu. A atitude certa a tomar seria sair correndo, para qualquer lugar que fosse menos ali. Mas como sempre na minha vida eu nunca tomei uma única decisão certa, eu fiquei ali o encarando. Seu rosto, para deixar bem claro.

-- AAAAH!! – a única coisa que eu consegui fazer foi gritar. Gritar como nunca gritei, como se o ato decidiria minha vida.

-- AAAAH! – ele também gritou. Não sei se foi de susto, de vergonha, ou só porque eu gritei. Ficamos nessa de gritar por mais alguns segundos até que voltei correndo para o quarto, de onde eu nunca deveria ter saído. Entrei pela porta em uma velocidade que nem eu acreditava que poderia alcançar. Segui meu instinto que dizia para entrar naquela porta, dentro do quarto. Pulei rapidamente a cama e fechei a porta do que era um banheiro. Estava ofegante, talvez pela corrida ou pelo susto. Ou pelos dois. Eu nunca deveria ter me levantado da cama, eu nunca deveria ter tomado essa atitude, eu nunca deveria ter me ouvido. Fechei a porta com força, como se fosse impedir de que pudesse abri-la. Encostei minhas costas na porta, como tinha feito anteriormente... Em algum lugar, do qual eu não me recordava.

-- Nita! Nita! Você tá aí? – conhecia aquela voz de algum lugar. Ela me tocou de alguma forma, me recordou de casa, me lembrou de como eu era feliz. Mas... Por quê? A pessoa bateu na porta, mas agi como se eu não estivesse ali. – Nita. Abre a porta, por favor. – ele ficou em silêncio por um tempo. – Nita, você sabe quem eu sou né? – eu não sabia ao certo, mas tinha uma ideia. – Sou eu. O Niall... Lembra? – não contive e regalei os olhos. Aquele menino... Era... Era o meu Niall? ERA ELE MESMO?! – Só pra você saber, eu não vou sair daqui enquanto você não abrir a porta. – espiei pela fechadura e consegui vê-lo se sentar na beira da cama. Eu não conseguia acreditar no que os meus olhos visualizavam. O que tinha sido motivo da minha alegria por tanto tempo, ali. Na minha frente. Ele ainda estava como eu me lembrava dele, exatamente como a última vez que eu o vi. Ele se levantou e foi para algum lugar onde minha visão não alcançava. Ele voltou logo depois com um violão na mão. O mesmo que eu tinha visto hoje, antes do que aconteceu. Ele começou a dedilhar. Ainda continuava com o talento de tocar. Ainda não estavam saindo notas, ele estava apenas afinando o violão. Ele terminou o serviço e começou a tocar. De imediato não reconheci a música, mas assim que a melodia chegou aos meus ouvidos, sabia qual era. A nossa música. É um tanto romântica, mas o que ela significava para a nossa amizade, era inexplicável. A melodia indicava que ele estava tocando Arms da Christina Perri. Tudo o que nós sentíamos, estava naquela música. Sentei-me no chão gelado novamente, fechei os olhos e me relembrei de toda a minha vida como um flashback.