A Little Piece Of Heaven

8 Capítulo 8 - FlashBack


-- Obrigada, mas não preciso de ajuda. – eu coloquei minha bolsa de volta no ombro e aproveitei e já peguei as chaves de casa.

-- Não foi o que eu vi.

-- Mas mesmo assim, obrigada. – eu coloquei as chaves no lugar certo e abri a porta. A deixei aberta para que ele pudesse entrar. Mas ele não entrou. – Tá esperando o que aí? – eu perguntei a ele. – Um convite formal? – eu fiz uma piada? Bom, foi o que pareceu porque ele riu.

-- Não. Só to esperando você me convidar pra entrar. Que eu saiba, é falta de educação entra do nada na casa dos outros. – ele sorriu mais uma vez.

-- É isso? Ah, então entra aí. – eu fiz um sinal que indicasse para que ele entrasse. – Seja bem vindo a... Casa. – apesar de eu estar morando ali há algum tempo, ainda não conseguia falar “minha casa”. Ali era a minha casa, mas não o meu lar.

– Casa? – ele perguntou, colocando a sacola que segurava em cima do balcão da cozinha. – Bom... Acho que os meus serviços acabam aqui. – ele falou, esfregando as mãos umas nas outras.

– É... Acho que é só isso mesmo... – eu queria ficar sozinha no meu quarto, ouvindo música esperando que mais um dia chegasse ao fim, mas ele tinha outros planos.

– Tá frio né? – ele queria conversar, mas eu não estava afim.

– É... Tá frio... – eu disse olhando para ele, que estava encostado no batente da porta. Acho que fui um pouco dura com ele porque seu rosto entristeceu e ele se despediu.

– NÃO! Espere! – ele já estava na calçada quando peguei a sua mão para impedi-lo de continuar. O toque da sua pele com a minha fez com que meu estomago revirasse e meus batimentos cardíacos acelerassem. – Hã... Porque você... Er... – eu me enrolei toda para falar com ele. Agora ele vai pensar que além de ignorante, eu era idiota. – Porque você e sua família não vêm jantar aqui amanhã? – eu o convidei. Ele pareceu um tanto surpreso com a proposta.

– Hã... Tá... Pode ser então. – ele falou seriamente, mas depois sorriu.

– Ótimo então. Nos encontramos as 20:00 horas. Tá bom pra você?

– Pra mim tá perfeito. – ele sorriu novamente, acenou e foi embora. Eu o observei partir. Ele deu tchau novamente antes de entrar na sua casa. Voltei para casa pensando no que eu tinha acabado de fazer. Desde que entrei, não conseguia parar de andar de um lado para o outro. Estava ansiosa pela resposta da minha tia. Estava confiante de que tia Truddie deixaria porque ela mesma falava para mim que eu precisava me socializar. Quando eu era pequena, sempre fui mais isolada que as outras crianças, mas depois dos acidentes então, piorei e me fechei para o mundo. Tio John chegou primeiro que a tia e logo de cara já percebeu que tinha algo errado comigo. Talvez porque ele nunca tinha me visto... Feliz.

– Oi querida! – ele me abraçou e me beijou na testa. – O que você fez? – ele perguntou com a maior cara de pau.

– Oi tio. – eu me afastei do seu corpo para poder olhar sua reação quando eu contasse o que eu tinha feito. – Nossa tio, porque o senhor acha que eu fiz alguma coisa? Eu não fiz nada não. – eu respondi mexendo no meu cabelo, como sempre fazia quando estava nervosa.

– Vamos Anita... Desembucha. – ele levantou delicadamente meu rosto para que pudesse me olhar nos olhos.

– Promete que não vai ficar bravo? – perguntei. Ele estava começando a ficar impaciente.

– Prometo contanto que você fale logo.

-- O-ok... – respirei fundo e tomei coragem – Euconvideinossosvizinhosprajantaraquiamanhã. – tampei minha boca como se tivesse contado um segredo de Estado.

-- Opa... Devagar mocinha... Você fez o quê? – ele perguntou confuso.

-- Eu convidei nossos vizinhos para jantar aqui amanhã. – falei mais pausadamente. Ele olhou para o chão e ficou por um tempo assim. Pensei que nunca mais fosse sair do meu quarto, pelo castigo que ele iria dar.

-- Anita, isso é... Brilhante! – ele abriu um belo sorriso junto com os braços e me deu um forte abraço. – É claro que pode! Sua tia vai amar.

-- Vou amar o quê? – ela disse sorrindo enquanto colocava a bolsa em cima da mesinha da entrada — Ebá! Abraço em grupo! – ela veio correndo em nossa direção e nos abraçou. – Então, sobre o que vocês dois estavam falando?

-- Vamos ter um jantar amanhã. – tio John disse sorrindo.

-- Hum... E quem deu essa maravilhosa ideia? – ela olhou para mim sorrindo. Sabia que ela concordaria. – Ah, mas é claro! Tinha que ser a minha sobrinha maravilhosa. E quem seriam os convidados? – minha tia tinha ficado alegre com a ideia. Ela adorava qualquer tipo de confraternização. Os dois olharam para mim, querendo respostas.

-- Hã... É... Eu convidei... Hã... Os vizinhos novos.

-- Ah, que bom! Eu estava planejando isso a algum tempo. Bom, precisamos nos preparar. – ela não parava um segundo sequer.

-- Mas tia... É só amanhã de noite.

-- Melhor prevenir do que remediar. Estou certa John?

-- Certíssima! – ele foi para o lado dela na cozinha.

-- Agora meu bem, -- ela veio até eu e me deu um beijo na bochecha. – suba e vá dormir. Amanhã será um longo dia.

Eu a obedeci e subi as escadas. Ouvia as risadinhas deles, mas fechei a porta do quarto e entrei no meu mundinho. Ainda eram 20h00min e eu estava completamente sem sono. Coloquei meu pijama de bolinhas, entrei debaixo das cobertas e liguei a TV. Peguei no por 30 minutos, mas despertei com o nada. Acordei um pouco assustada. Cocei os olhos, tentando desembaçar a vista. Tentei dormir de novo, mas não consegui. Então fui até a janela que tinha um tipo de um sofá acoplado na sua parte inferior. Mamãe me ensinou a ver e a identificar as estrelas como um passatempo. Queria manter esse costume porque não me sobraram muitas coisas dela além das memórias. Sentei-me no pequeno sofá coberta com o edredom, sentindo algo diferente, uma sensação estranha. Estava distraída pensando em como as coisas seriam se o passado não tivesse ocorrido quando um barulhinho me chamou a atenção. Não era bem um barulho, parecia mais uma batida. Olhei para o meu quarto, tentando entender de onde vinha aquele som irritante. Descobri que no meu quarto não era, dentro de casa também não. Foi então que eu me toquei que agora tínhamos vizinhos. Olhei para fora, para a janela da casa vizinha para ser mais precisa. Ele estava sorrindo com seus olhos azuis olhando para mim. Ele se levantou, procurando alguma coisa. Aproveitei sua ausência para olhar a hora. Já se passavam da meia-noite. O que esse menino fazia acordado a essa hora? Olhei de novo par a janela dele. Ele tinha alguma coisa no colo em que ele estava escrevendo. Depois de algum tempo ele levantou o que parecia ser um bloco de papel.

“Oi!”. Eu dei uma risadinha. Ele demorou um tempão para escrever “oi” não tinha nada para fazer e se esperasse mais um pouco, o tédio me consumiria então entrei na dança. Peguei algumas folhas e escrevi também.