A Little Piece Of Heaven
4 Capítulo 4
Niall’s POV
-- Hey Liam! Tá acordado? – eu sussurrei, para não acordar os outros.
-- Sim Niall. Agora eu to. O que você quer? – ele perguntou enquanto se sentava e coçava os olhos.
-- Eu to com fome.
-- E eu com isso Nialler?
-- Não tem comida aqui. Vocês acabaram com o meu estoque secreto lembra?
-- Ok Niall, ok. Só deixe eu trocar de roupa.
-- Vai rápido então. – eu disse já descendo as escadas. Ele até que se trocou rápido, se fosse o Zayn com certeza amanheceria e nós não teríamos ido. Liam foi até o balcão da cozinha pegar a chave do carro e sua carteira. Fui olhar a hora quando liguei o rádio do carro. Eram três da manhã.
-- Isso é hora de sentir fome Niall? – ele disse enquanto tirava o carro da garagem.
-- A culpa não é minha. Reclama com o meu estomago então. – chegamos no mercadinho perto de casa em alguns minutos. Não esperei que ele estacionasse o carro para sair.
-- Nossa Niall, tudo isso é fome? Calma menino, quase te atropelei. – ele disse travando o carro com o alarme. Eu já estava dentro do mercado, olhando as prateleiras. São tantas comidas que não sei por onde começar. Se eu pudesse, levaria tudo, mas os meninos não deixam. É por isso que eu não posso fazer compras sozinhos e da última vez que eu fiz, ficamos sem comprar qualquer comida por 3 meses. Liam não reclamou tanto por tê-lo acordado no meio da noite porque sabia o que aconteceria se eu viesse sozinho. Estava pegando alguns salgadinhos quando o Liam apareceu do nada atrás de mim.
-- Jesus Liam! Você quer me matar de susto?
-- Não posso te deixar sozinho. E desculpa pelo susto. – ele deu o típico sorrisinho de desculpas deles, aquele que não tem como não negar.
-- Hump, ok. Que não se repita. – fingi estar bravo com ele, o que era impossível. Passamos por mais algumas estantes até que o Liam parou em uma que tinha algumas revistas. Juntei-me a ele, que olhava alguns gibis. Interessei-me por aquelas que tratavam de esportes. Distraímos-nos por algum tempo até que algo nos chamou a atenção.
-- Me sustentar? – uma voz de homem, que parecia exaltado, ecoou pelos corredores até chegar aos nossos ouvidos. – Desde quando você me sustenta? Eu que tenho que te sustentar porque o seu trabalho de puta não rende nada. – eu e Liam nos entreolhamos, espantados pelo linguajar usado pelo homem.
-- Niall, vamos sair daqui antes que alguma coisa aconteça. – Liam disse preocupado.
-- Só me deixar pegar mais algumas coisinhas e já vamos. – ele bufou e seguiu em direção aos caixas.
-- Vai rápido então. To te esperando lá.
-- Ok Liam. Já to indo. – peguei meu carrinho que estava quase cheio. Sabia que ele não deixaria levar tudo aquilo. Fui tirando algumas coisas até que a quantidade se tornou aceitável. Enquanto tirava pacotes de balas, ouvi uma voz familiar.
-- Vou levar só essa. – a pessoa disse. Eu parei de retirar os alimentos do carrinho e fui o empurrando entre os corredores a procura dessa pessoa. Fui até o outro lado do mercado, mas não encontrei ninguém. Ninguém além de um Liam emburrado batendo os pés.
-- Foi mal Liam. É que eu me distraí e... – ele me interrompeu.
-- Ah, tá bom Niall. Agora faça alguma coisa útil e pegue as caixas que estão no porta-malas. – ele me entregou as chaves. Eu ri da expressão que ele fez. Então eu fiz o que ele mandou, fui até o carro e peguei as três caixas que estavam lá. Mas uma coisa me chamou a atenção. Uma pessoa, para ser mais exato. Apesar de ela estar de costas, eu a reconhecia de algum lugar. Eu estava concentrado tentando descobrir quem seria aquela pessoa quando o Liam assoviou me reeprendendo. Andei calmamente até a entrada fazendo que ele se estressasse mais um pouco. Eu estava longe, pensando naquela pessoa que eu tinha acabado de ver.
-- Liam... Só... Um segundinho. – eu dei um tapinha no seu ombro e corri para fora. A procurei pelo estacionamento quando a vi encostada-se à parede. Corri até ela, que parecia estar dormindo.
-- Anita? É você? – eu perguntei, me mantendo a uma distância segura. Não tinha certeza de que era ela mesma.
-- Vamos. Acabe com isso logo. Vai! Me leva logo de uma vez. – ela disse. Eu não estava entendo o que ela dizia, suas palavras saiam arrastadas. Foi então que eu percebi a garrafa de vodka na sua mão. – Me leve logo pra luz!
-- Nita! Você tá bem? – não falava aquele apelido há muito tempo. Não sabia se ela se ela se lembraria de mim ou mesmo entenderia uma palavra que estava dizendo. – Nita! Me responde! – me aproximei dela. Fiquei preocupado.
-- Quem me chama? – ela não estava sóbria, com certeza. A Nita que conhecia nunca agiria assim. Essa pessoa que estava na minha frente, não a reconhecia. – Quem ser você, homem branco? Índia Anita querer saber. – ela não estava bem. Parecia que tinha sido drogada. Qualquer pessoa em sã consciência não agiria desse modo.
-- Nita! Oi! Sou eu. – não me preocupei em dizer o meu nome. Estava preocupado mesmo era com ela. – O que aconteceu com você? – percebi que suas costas estavam vermelhas, estavam sangrando. – Vamos Nita. Vou te levar pra casa. – peguei delicadamente a garrafa vazia de sua mão e a botei em um canto. Passei meu braço em volta de sua cintura para poder segura-lá com firmeza.
-- Opa, espera aí mocinho. Eu vou pra casa de ninguém não. – ela afastou minhas mãos do seu corpo e tentou ficar em pé sozinha, mas sem sucesso.
-- Você não pode ficar sozinha por muito tempo né? – eu sorri para ela e ela sorriu de volta. Há muito tempo eu não via aquele sozinho. – Acho que se tirarmos isso melhora um pouco. – eu me abaixei quase encostando meus joelhos no chão para que eu pudesse tirar seus sapatos gigantescos. Fico impressionado como as mulheres conseguem fazer tanta coisa em cima daquilo. Como ela não podia ficar ereta sozinha, peguei suas mãos a forçando a apoiá-las nas minhas costas. Assim que tirei seus sapatos, vi que ela estava como eu a tinha visto pela última vez. Bom, ela estava igual em algumas partes. – Nossa. Nada mudou. – eu disse rindo. Ela ainda era mais baixa do que eu. – Eu lembro quando você me chamava de tampinha. – ela adora me chamar assim, só para me irritar. Olhei para ela e prossegui. – O que a puberdade não faz com as pessoas. – ela só assentia com a cabeça. Não sabia se ela estava mesmo entendendo alguma palavra que eu dizia. A levei em direção ao carro do Liam, o mesmo em que viemos. – Só um segundo. Me espere aqui. – a apoiei em uma das portas do carro e corri para pegar as chaves que estavam com Liam. Ele não gostou muito da ideia de me deixar pegar a chave mas depois de um tempo resistindo ele a me deu. Voltei ao carro o mais rápido o possível para não deixá-la sozinha por muito tempo. Eu dei um sorriso para ela enquanto procura o alarme do carro no chaveiro do Liam, que estava lotado de chaves. Assim que destravei as portas, abri a traseira da esquerda para que Nita pudesse se sentar. – Toma. Coloque isso. – eu retirei a minha blusa de frio e a entreguei a ela. Ela encarou o moletom por um tempo.
-- O que você quer que eu faça com isso? – ela perguntou.
-- Quero que você vista. Vamos, coloque. – eu disse a ela enquanto esperava Liam de pé, fora do carro. – Ele tá demorando... – eu pensei em voz alta.
-- Hã? Ele quem? – ela estava totalmente perdida na conversa.
-- Ah! Ele tá vindo. – assim que o vi, passei pela frente do carro e abri a porta traseira da diretita para que pudesse me sentar. – Você ainda não colocou isso? – apontei para o agasalho, que agora estava em repouso em seu colo.
-- Ah... É pra vestir? – sua voz saiu um pouco abafada pelo tecido da blusa. Ela tinha dificuldade para por um simples moletom.
-- Ai meu Deus viu... Deixa que eu te ajudo. – eu segurei a sua blusa fina branca que ela vestia para que não subisse ou que qualquer outra coisa acontecesse. Encostei minha mão sem querer em sua barriga. Foi sem intenção mesmo.
-- Ei! – ela tentou argumentar enquanto lutava para achar os devidos lugares dos braços. – Olha onde põe a mão rapaz!
-- Desculpa. Só queria ajudar. – me virei e coloquei o cinto de segurança. – Você sabe colocar sozinha ou quer a minha ajuda? – indiquei o seu cinto com a mão.
-- Não preciso de ajuda. Sei me virar sozinha. – eu ri porque sabia que não era verdade. Ela era assim desde que nos conhecemos, ela me falava que queria mostrar ao mundo que sabia se cuidar. Eu fiquei a observando enquanto se enrolava toda. Ela me olhou com uma cara de cachorro perdido que ela fazia quando queria alguma coisa. Sei que o certo seria deixá-la se virar porque era isso que ela queria mas eu simplesmente não conseguia resistir àquele rosto de anjo.
-- Ah, agora você quer a minha ajuda? – eu queria ter pelo menos aquele gostinho de poder falar “Bem que eu te avisei!”. Logo depois de ter terminado de fazer o socorro, Liam entrou pela porta do motorista.
-- AH! INVASORES! SOCORRO, ESTAMOS SENDO ATACADOS! – ela gritava histericamente como se a vida dela dependesse disso.
-- AI! PARA COM ISSO! TÁ ME MACHUCANDO! PARA! – o Liam gritava em resposta. Estava tudo um caos.
-- NITA! NITA! Nita! Se acalma! Tá tudo bem! É só o Liam! – prendi suas mãos a fim de que ela não pudesse se mover. – Tá tudo bem! Ele é amigo. – tentei acalma-la. – É só o Liam. – ele se virou a nós e a cumprimentou.
-- Prazer Liam. Eu venho em paz. – ele apertou sua mão. – E qual seria o seu nome? – ele voltou a ficar na posição correta e ligou o carro.
-- Hã... Er... O meu nome? Hã... – ela estava distraída, mais do que o comum. Ela nunca foi aquela pessoa 100% normal, as vezes ela viajava sem sair do lugar. Podia perceber no seu olhar quando ela estava distante, em um mundo paralelo.
-- O nome dela é Anita, Liam. – eu a apresentei já que ela não estava capacitada a fazer tal ato.
-- Hã... Sim, meu nome é Anita. Mas pode me chamar de Nita.
-- EI! – a olhei em modo de reprovação. – Só eu posso te chamar assim! Liam ache outro apelido pra ela, chame ela como quiser menos Nita.
-- Ok. Mas porque eu não posso chamar ela assim também? Qual é o problema? – o Liam perguntou, me olhando pelo retrovisor. Ele sabia o porque mas queria que eu ficasse vermelho. Conseguiu. Só não fiquei mais nervoso com ele porque Nita caiu no meu colo de repente.
-- Hã, Liam? Acho que temos um problema. – eu disse a encarando no meu colo. Era um tanto constrangedor. – Hã... Acho que ela desmaiou.
-- Ela o quê?! – ele se virou um pouco, mas o suficiente para que conseguisse a visualizar deitada no banco traseiro. – E agora Niall? O que fazemos? Precisamos levá-la pra casa. Dela.
-- Hã... Só tem um probleminha Liam...
-- Ah não. Não, não, não. Não acredito nisso Niall. Como assim você não sabe?
-- Como você sabe que eu não sei? – Liam era mágico e não me contou, só pode. Ele me olhou enfezado pelo retrovisor. – Você tá certo. Eu não sei.
-- Ai Niall... Você só me arruma pra cabeça viu...
-- Calma Liam... É simples. Levamos ela lá pra casa e assim que ela acordar, nós a levamos pra casa dela. – eu sorri para ele pelo retrovisor. Ele parou o carro no farol e me encarou novamente.
-- Você ouviu o que você acabou de dizer? Levar uma menina, desmaiada, pra casa de 5 meninos, de madrugada... Tem certeza disso?
-- Ah Liam... É melhor do que deixá-la largada por aí. E, além disso, eu vou cuidar bem dela. E vou deixar o Harry longe, pra não ter perigo. – ele respirou fundo e não disse nada por um tempo.
-- Ok. Mas assim que ela acordar, você vai levá-la pra casa, tá entendido? – ele me tratava como uma criança.
-- Sim daddy. – eu respondi e ele me olhou feio. Ele era conhecido como o pai de todos nós. Era ele que cuidava da gente, ele era o responsável e etc. resumindo, ele era o mais adulto de todos nós. Chegamos em poucos minutos em casa. Ele estacionou o carro e logo em seguida desceu para abrir a porta para mim.
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