A Little Crush - CIP
1 Capítulo Único - A Little Crush
Carmen, Daniel e Marcelina estavam sentados ao redor de uma das mesas redondas do refeitório comentando sobre a festa de encerramento do semestre, ou melhor, Marcelina e Daniel estavam enquanto Carmen observava tudo com uma garrafinha de Fanta Uva na mão, então Maria Joaquina chegou com seu lanche.
― E aí, sobre o que estavam falando? ― Perguntou mordendo um pedaço da pizza e abrindo sua lata de refrigerante com a outra mão.
― Sobre esse “baile” que vai ter e são as meninas que convidam. ― Daniel respondeu sorrindo animado.
― Hm! ― MaJo exclamou e engoliu o que tinha na boca com um gole de Coca-Cola. ― Por falar nisso, você não tá a fim de ir comigo?
― Eu?
― Sim, você.
― Claro! Isso vai ser demais.
Carmen sentiu uma leve pontada de desconforto e levantou discretamente, jogou a garrafinha ainda pela metade no lixo e caminhou devagar até a sala, em seguida se jogou em sua cadeira e cruzou os braços.
― Carrilho vírgula Carmen. ― Exclamou Marcelina assustando a amiga distraída. ― Você é tão óbvia, sabia que estaria aqui.
― Você me viu saindo? ― Questionou erguendo uma sobrancelha.
― Você consegue ser bem discreta, mas eu sou um Falcão, gata! Não deixo escapar nada. ― Marcelina se gabou e sentou na mesa de Carmen, cruzando as pernas cobertas pelo jeans. ― O que lhe aborrece, minha pequena?
― Não sei se notou, mas sou maior que você, minha jovem.
― Foda-se. ― Carmen franziu a testa um instante com o palavrão, rindo em seguida. ― Eu nem sei por que perguntei o que te aborrece se eu sei muito bem o que é.
― Ah, sabe é? ― Por trás das lentes dos óculos, um brilho de desafio surgiu nos olhos castanhos.
― Mas é claro que sei. ― Marcelina balançou o pé distraidamente e olhou para as unhas como se não fosse nada de mais. ― Você tá se mordendo de ciúmes da MaJo.
― O que?! ― "Qual é? Eu disfarço bem. Você é uma vidente das trevas ou o que, Marcelina Guerra?". ― Não seja ridícula!
Antes de responder, deixou um risinho de deboche sair. — Tenho um sexto sentido pra essas coisas, querida. Eu não acho, eu sei. E, olha, você não precisa ficar com ciúmes. Ao invés disso deveria ir pra cima.
― O que?! Não seja ridícula Parte 2. A Maria Joaquina gosta do Daniel. ― Marcelina gargalhou até ficar sem fôlego e começar lagrimar enquanto Carmen a olhava completamente confusa. ― Que foi, louca?
― Você. Dizendo que a MaJo gosta do Dan. ― Um ar de riso permanecia em sua voz ao falar. ― A MaJo é lésbica.
― O que?! Não seja ridícula Parte 3! A MaJo não é lésbica. Ela... Ela... E-ela nem, nem demonstra nada.
― Ela é lésbica.
― Não é.
― É.
― Não é.
— Carmen, ela é.
― Como você pode ter certeza, Marce?
― Já disse, eu tenho um sexto sentido pra essas coisas. Assim como eu sei que o Dan é hetero e você é bi, eu sei que a Maria Joaquina é lésbica. ― murmurou convencida.
― Não é. ― Carmen bateu o pé.
― Confia em mim, ela é.
― Mesmo se fosse, porque EU deveria "ir pra cima"? Porque ela iria gostar da nerd sem sal da sala que ri de qualquer coisa e mais observa que fala?
― Ué. ― Marcelina sorriu e virou a cabeça um pouco para o lado. ― Justamente por você ser essa menina inteligente, discreta e observadora com um riso contagiante e um sorriso extremamente charmoso.
Os lábios de Carmen se inclinaram levemente para a esquerda. ― Você... An. Você tá dizendo isso só pra me fazer sentir melhor ou porque você acha mesmo?
Marcelina segurou a nuca de Carmen para que ela não se afastasse e se inclinou para frente, então colou seus lábios por alguns segundos. Longos segundos
― Eu acho mesmo. ― respondeu por fim.
― Nossa, sua boca muito macia. ― Carmen disse esquecendo o assunto anterior, essa era a primeira vez que provava o beijo de uma garota e era quase mágico de tão bom.
― Obrigada. ― Marcelina agradeceu com um largo sorriso, embora suas bochechas estivessem começando a ficar vermelhas. ― Se não tiver sido estranho, eu quero te beijar mais.
Carmen também corou, afinal, aquela era sua melhor amiga, mas ela queria aquela sensação tão boa de novo. ― Ah... An... Não. Não foi estranho. Pode me beijar.
― Ótimo.
Marce se virou e passou uma perna por cima das de Carmen, assim ficou de frente para ela sentada na mesa e se inclinou para voltar a beijá-la, mas dessa vez não apenas com um juntar de lábios, ela entrelaçou suas línguas em movimentos lentos e suaves, um beijo gostoso e longo.
Carmen concluiu que definitivamente gostava de garotas também. Óbvio que já tinha suspeitas disso desde que começara a ter uma quedinha por Maria Joaquina dois anos antes, só que agora podia ter certeza que era bi com tese testada e aprovada. O problema era que apesar de estar gostando de beijar Marcelina, não sentia nada por ela além de uma forte amizade e isso era muito confuso.
O que será que Marce sentia?
O sinal soou alto pela escola e as meninas se separaram sabendo que em breve a sala estaria cheia de gente e, como se lesse os pensamentos de Carmen, Marcelina disse. ― Eu sei que você quer explicações sobre o que foi isso e tudo mais, então pede da tua mãe pra ela te deixar dormir lá em casa pra gente poder conversar com calma. Tá bom?
― Tá bom. ― concordou com um sorriso de canto, era muito bom ser amiga de alguém que a conhecia tão bem.
― AH! E além de falar sobre isso, você tem que me contar sobre a MaJo, como começou e tal. Agora que finalmente consegui fazer você admitir que é da turminha do arco-íris também. ― Marce completou com ar animado.
― Por que você quer remexer nisso. ― Carmen ficava com frio na barriga só de pensar em contar para alguém tudo que sentia por Maria Joaquina, mesmo que essa pessoa fosse ela.
― Por que sou sua melhor amiga. ― respondeu com um sorrisinho convencido. ― Sem segredos entre BF’s, lembra?
Carmen riu e revirou os olhos, mas acabou assentindo.
Marcelina lhe deu um último selinho já com o som de passos dos seus colegas voltando para a sala como trilha sonora, então saiu de cima da mesa para sentar na cadeira logo à frente.
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