A Little Bit Longer
27 Washington D.C.
Assim que meu relógio deu duas da tarde, uma ligação chegou a meu celular. Era Katy, ela estava me perguntando aonde eu estava e por que eu estava tão rouco. Parecia preocupada. Tentei mentir e respondi para ela que estava numa lanchonete. Ela pareceu acreditar, e, murmurando um “Esteja aqui na hora”, desligou.
Suspirei longamente. O quê eu estava fazendo com a minha vida?! Não fazia nem dois meses direito e eu estava no Hawaii, perfeitamente bem. Em questão de meses, peguei Aids, comecei a beber e sei lá mais o quê eu estava fazendo! As coisas não estavam certas, um lado de meu cérebro me advertia. Mas eu não prestava atenção. Eu nunca prestava atenção na minha consciência, era um ponto fraco.
Levantei-me, joguei a garrafa de Vodca em um canto qualquer, liguei meu carro e fui embora. Meu GPS me ajudou a encontrar o caminho certo para o hotel, já que nem naquilo eu tinha prestado atenção. Nem demorei muito a chegar no hotel, e quando cheguei, fui reto para meu quarto para tomar um banho e escovar meus dentes umas seis vezes seguidas para tirar meu hálito de álcool puro de minha boca.
Assim que saí do banheiro, olhei para meu relógio. Eram cinco e meia, seis horas devíamos estar indo para o aeroporto. Eu ainda estava de toalha, então era melhor eu me apressar. Coloquei uma calça preta, tênis Supra vermelhos, uma camiseta de manga também preta, por cima dela um casaco de moletom cinza com capuz. Também coloquei óculos escuros para esconder meus olhos vermelhos, e um boné por baixo do capuz. Ainda estava claro quando saí do hotel com Katy, Russell e sua equipe para irmos para o aeroporto.
Nem demorou muito para chegarmos no aeroporto e pegarmos um vôo. Logo eu estava dormindo no banco do avião, tentando me segurar para não ter o desejo de beber. Katy estava comigo, por ela eu tinha desistido da ideia. Eu tinha dito pra ela que não estava viciado, eu tinha jurado pra ela que não iria cair nas do Russell, já fazia algumas semanas, antes de ele me dar Tequila. E eu menti nas duas vezes. Por que caí na do Russell, e eu estava viciado. Eu sabia que aquilo poderia ser um problema para mim. Podia, não, já era.
Quando a aeromoça passou com aquele carrinho de bebidas e perguntou para Katy o que nós queríamos, ela perguntou para mim:
-O quê você quer? — Nem preciso comentar que tive que lutar contra mim mesmo para não falar "Vodca".
-Uma Coca-Cola. — Respondi.
-A senhora bebe? — A aeromoça perguntou para Katy.
-Não. Uma Coca para mim também. — Me senti mal naquele momento. Muito. Uma mulher com 11 anos a mais que eu não bebia, e eu, com 15 anos na cara, nem é permitido para eu beber, já tinha me viciado.
Mas, enfim, a aeromoça nos entregou os refrigerantes, eu bebi o meu lentamente, visivelmente viajando na maionese, na farofa, em tudo, enquanto sentia os leves solavancos que o avião dava. Não demorou muito para chegarmos.
Ou demorou, mas eu tava viajando na maionese e nem percebi o tempo passar. Eu botava mais fé na segunda alternativa. Assim que o avião pousou, a porta se abriu. Correu um vento gelado que me arrepiou por completo, mesmo eu estando todo agasalhado. Coloquei um casaco preto por cima do moletom cinza e me levantei, depois de Katy. Pegamos nossas malas no bagageiro e eu coloquei meu fones do Ipod no ouvido. Eu não queria ficar ouvindo comentários de fotógrafos, ou repórteres, nem nada do gênero. Coloquei um rock pesadão no volume máximo. Eu queria ficar surdo, só podia...
Mas, enfim, passei direto pelos fotógrafos, abraçado com Katy, o movimento não foi nem tão grande, fizemos o check-in, e pudemos ir para o hotel. Ela pareceu mais preocupada comigo, fez questão de ir comigo até o meu quarto antes de desfazer as malas dela, até parecia que ela estava desconfiando de mim. Eu estava com sono, talvez era a Vodca que bebi fazendo efeito. Katy percebeu que estava tudo bem comigo e foi para o seu quarto, despedindo-se de mim com um beijo na minha testa.
Assim que ela fechou a porta do quase apartamento, e me vi sozinho, praticamente me joguei na cama. Me enrolei no cobertor, afundei a cabeça no travesseiro, e adormeci em questão de segundos.
Acordei MUITO tempo depois, com "Billie Jean" tocando às alturas em meu celular. Eu estava com uma dor de cabeça do caramba, e a vontade que eu tinha era de vomitar, mas tudo bem. Olhei o visor do celular, e nele estava escrito "Katy Perry".
-M**da, dormi demais! - Falei para mim mesmo. Atendi o telefone, e tentei fingir a voz de mais doente possível. Nem tive que fazer muita coisa, eu já estava mal mesmo...
-Katy?
-Justin? O quê houve com sua voz?
-É que eu...- Dei umas tossidas para disfarçar que estava pensando numa desculpa -Eu estou mal... Acordei agora...
-Ok, eu estou lhe esperando no teatro... Pode descansar mais um pouco, o soundcheck acabou de começar.
-Ok...
-Tchau.
-Bye.- Ao ouvir a linha caindo, desliguei o celular e me levantei. Fui diretamente para a minha bagagem, e retirei o envelopinho de Aspirina do bolso da frente. Coloquei um dos comprimidos na boca e fui tomar um copo d’água para conseguir engolir o mesmo. Assim que eu a engoli, me joguei na cama novamente. A dor de cabeça que eu estava sentindo era muito forte, e algo se remexia em meu estômago, como se eu tivesse que jogá-lo para fora naquele segundo.
Espera... Eu precisava mesmo!
Me levantei num sobressalto e fui correndo para o banheiro, segurando meu ventre com uma das mãos e tapando minha boca com a outra. Assim que cheguei em frente ao vaso sanitário, abri a tampa e abri minha boca. Precisei nem tossir para que o que estava em meu estômago viesse à minha garganta e eu o colocasse para fora. Irc, foi nojento... Mas eu precisava fazer aquilo.
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