A Little Bit Longer

56 Shopping With My Sister


- O que eu faço com você? – Ouvi meu pai dizer. Não conseguia dizer nada para me defender, e, mesmo se pudesse, não diria, por que sabia que eu estava errado. Isso que era o pior. – Talvez depois eu lhe dê uma bronca, mas agora precisamos nos preocupar com você. – Ele completou.

Ok, não me lembro do que aconteceu depois de meu pai ter me prometido que ele iria me dar uma bronca. Eu simplesmente acordei com muita dor de cabeça (muita dor de cabeça), zonzo, na minha cama. Meu pai apareceu quando eu murmurei algo sobre minha cabeça, e me deu um copo de água.

- Me explica uma coisa. – Ele disse, se sentando ao meu lado. Pronto, lá vem bomba.

- O quê? – Perguntei.

- O que você vê nessas bebidas? Vodca, Whisky, até cerveja! Nem eu bebo! – Meu pai disse. – O que deu em você?

- Culpe Russell Brand. – Murmurei.

- O quê?

- Ele me deu minha primeira Vodca! – Dessa vez eu quase gritei. – Ele começou isso tudo!

- Katy sabe disso? – Meu pai me perguntou.

- Sabe, mas... Não sei o que ela vê naquele cara que ela o perdoou. – Disse.

- Ela... Mesmo?

Eu assenti. Senti uma pontada de dor na cabeça.

- Pode me dar uma aspirina? – Perguntei, levando minhas mãos á cabeça.

- Nem pensar! Ninguém quer morrer aqui, ainda tem álcool no seu organismo! – Meu pai disse. – Agüenta a dor de cabeça por enquanto!

Eu não respondi, só me joguei na cama, deitado de lado, de olhos fechados. Droga de ressaca.

- Como você me encontrou? – Perguntei. – Tipo, eu sumi, não sumi?

- Sim, sumiu, e eu passei algum tempo procurando você pelos arredores. Até que eu fui pro quintal e encontrei você naquele estado. – Meu pai disse.

Eu não disse nada em resposta por algum tempo.

- Não conta pra mamãe, ok? – Eu murmurei, cobrindo os olhos com a mão direita. Dormi de novo bem rápido, e, quando acordei, era de noite. Jazzy me cutucava, murmurando Juuuus... Acorda..., bem no pé do meu ouvido. Eu não consegui me erguer direito, e Jazzy gritou meu nome, sem paciência. Me sobressaltei e me ergui.

- Que foi, Jazzy? – Perguntei.

- Por que você estava tão estranho hoje cedo? – Ela perguntou. Eu suspirei e a sentei em meu colo.

- É... Eu estava... Doente. – Menti. – Não vai acontecer de novo, eu juro.

- Hum... – Ela suspirou. – Vamos no parque, Juuuus? – Ela perguntou, assim mesmo, prolongando o u do meu apelido.

Eram quase três meses depois da descoberta de eu ter Aids. Lembrei disso por que vi no meu celular que horas eram e estava lá, em cima do 18:36, a data. 26/07/2009. Entrei em transe. Não sei por quanto tempo. Só lembrei de tudo que houve naquele dia.

Flashback 1 On:

Kenny me sacudiu e chamou meu nome.

- Hm... – Murmurei, sonolento, sem nem abrir os olhos.

- Justin! Hora de acordar! – Kenny disse.

- Não quero... – Respondi.

- Tem que levantar! – Kenny rebateu. Tapei minha cabeça com o travesseiro.

- Não quero... – Falei, totalmente lerdo. Ele foi mais inteligente que eu. Pegou as duas pontas do colchão e me jogou longe. Só foram duas pernas voando nos ares. Caí de costas, e o colchão em cima de mim.

- Aaaaai!! Por quê fez isso? – Gritei, jogado no chão.

- Desculpe, você me obrigou! – Ele disse.

Flashback 1 Off.

Flashack 2 On:

- Justin é HIV positivo... – A doutora terminou.

- Positivo? – Pattie disse. – Quer dizer Aids?

- Sim. Eu sinto muito. – A médica disse, num tom triste. Arregalei os olhos. Só podia ser brincadeira.

- Mas... Como? Eu sou virgem, não sou? – Eu perguntei.

- Não existe só esse tipo de contágio. – Ela explicou. Depois disse que dava pra ser contaminado com sangue, vacinas, e também pelo jeito que eu estava falando. Eu pensava que era só daquele jeito.

Flashback 2 Off:

Flashback 3 On:

São 11 da manhã agora, nesse instante, e eu acabei de descobrir que estou com AIDS. É, é muito estranho. Mas eu estou. E a primeira coisa a fazer éme matar me cuidar. Foi isso que a médica disse. Ela também me entregou alguns folhetos sobre isso, estou lendo um agora. Metade dessa lista enorme eu não faço, e o resto nunca fiz e nem quero fazer. Outras são coisas do tipo: "Quê? Se pega Aids assim?!". Tipo, injeção eu faço pirraça, fujo de exames de sangue, tenho pacto de pureza... E não toco em sangue, me faz passar mal! Não me chame de fresco!

A minha mãe? Bom, ela é a única que sabe. Quer dizer, agora ela está falando para o meu padrasto Scooter. Nem imagino como ele vai reagir... Só sei que eu estou triste. E com medo. Um medo que nunca senti antes. Medo do tipo:

"E se eu morrer?

O que vai ser da minha família?

Dos meus pais?

Da Jazzy e do Jaxon?

Da Erin e do Scooter?

Dos meus amigos, dasminhas fãs?"

Escrever isso só está piorando minha situação, eu acho que se eu continuar eu vou começar a chorar que nem um bebê...

Flashback 3 Off.

Flashback 4 On:

"A little bit longer and you'll be fine. Believe."

Minha mãe me acalmou depois de eu ter começado a chorar na lanchonete, e ficamos assim por mais algum tempo. Talvez segundos, então ela pagou a conta, e fomos embora. Quando cheguei no hotel, continuei a ler o tal site que tinha aberto, sem esquecer aquelas palavras: "A little bit longer and you'll be fine". Me fizeram me sentir um pouco melhor, minha mãe é o máximo. Sempre consegue me acalmar. Enquanto eu lia o que estava escrito no site, eu pensava:

Será mesmo "mais um pouco"? Se depender, até o meio do ano e eu já estou morto!

Flashback 4 Off.

- Justin! – Fui acordado do meu transe de memórias por Jazzy. – Justiiiiiin!!!

Me ergui e a fitei.

- Sim? – Perguntei. – O que aconteceu?

- Você ficou parado por muito tempo! – Jazzy disse. – E então? Podemos ir no parque?

- Hum... Jazzy, está um pouco tarde. – Eu disse. – Podemos ir no shopping, que tal? Ver um filme...

- A Era do Gelo! – Jazzy imediatamente gritou. Na verdade, ela tinha algum problema de fala que a fazia dizer algo do tipo A Ela do Gero. Eu ri, e disse que era uma boa idéia. – Com pipoca e refris!

- Sim, com pipoca e refris. – Falei, num sorriso. – Só precisamos convencer o papai.

- Mas isso é fácil, Jus! – Ela disse, e logo saiu correndo do meu quarto, gritando: Paaaaai! Mãe! Eu e o Jus podemos ir ver a Ela do Gero no cinema?

Eu ri alto, e logo meu pai apareceu com Jazzy no colo. Ele nos deixou ir para o shopping, com a condição de que eu ficasse bem longe do álcool. Bebida, só água, suco e refrigerante. Era engraçado o fato de que, em famílias normais, um pai superprotetor impediria o filho de beber muito refrigerante. O meu pai, não. Ele fala que eu posso me empanturrar de refrigerante, desde que eu não bebesse nenhuma bebida com álcool.

Enfim, eu e Jazzy nos arrumamos no vapt-vupt, e, só quando estávamos no meu carro, eu lembrei de um detalhe: Meu segurança. Kenny.

- Droga. – Murmurei.

- O que foi, Jus? – Jazzy perguntou, sentada na cadeirinha no banco traseiro.

- Eu vou ter que ligar pro Ken. – Falei. Ken era como a Jazzy reconhecia Kenneth Hamilton. Sim, o mesmo nome do boneco da Barbie. Enfim. Eu peguei meu celular e liguei para o Kenny. Nós combinamos de nos encontrar no estacionamento do shopping para que ele agisse como meu segurança pessoal e me protegesse da multidão que provavelmente apareceria. Eu preferia fechar o shopping, mas demorava muito e gastava muito dinheiro. Era mais seguro. Da última vez que fui no shopping, eu fui com meu pai e Jazzy, e nós quase fomos esmagados. Eu protegi Jazzy e acabei com um arranhão no rosto. Doeu, ardeu e sangrou, e então, eu fiquei meio traumatizado com isso. Mas naquele dia não rolou nada ruim. Muita gente, muitos fãs, sim, mas teve um corredor de isolamento, eu dei autógrafos, tirei fotos com fãs, elas também quiseram fotografar Jazzy, que se sentiu a poderosa no meio de tanto assédio, e tal. Eu fui no cinema normalmente com Jazzy e Kenny, comemos pipoca, sorvete, refrigerante, etc., etc., etc. Foi um dia bem agradável. Quando eu cheguei na casa do meu pai, eram 22:30h. Kenny carregava Jazzy no colo, eu me apoiava em seu ombro de cansaço. Meu pai, eu e Erin agradecemos a Kenny por ter me ajudado a não ser esmagado no shopping. Erin pegou Jazzy e meu pai me levou para meu quarto. Assim que eu sentei na minha cama, tirei o casaco, a camiseta que eu vestia e meus tênis, fui fuzilado pelo olhar dele.

- O que foi? – Perguntei.

- Você bebeu? – Ele perguntou. – Você parece bêbado.

- Não. – Eu ri. – Só estou cansado. O dia foi ótimo, não tinha motivos para beber. – Eu disse.

Meu pai sorriu, e afagou meu cabelo.

- Se bem que você fica meio grogue quando está com sono. – Ele disse. Eu ri, me deitei, desejei boa noite para meu pai e fechei os olhos. Ele me desejou uma boa noite também e apagou a luz. Não demorou para que eu desmaiasse de sono.