A Little Bit Longer
9 Abduction
Eu acho que quando falei "pondo pra fora a minha tristeza", vocês não entenderam, então eu vou explicar:
Eu esqueci de falar algumas coisas que estavam me preocupando bastante, me deixando triste, etc. Engraçado, quando uma tristeza vem, começa a fazer uma bola de neve enorme...
Na madrugada que eu voltei pra Atlanta, ligaram pra minha mãe dizendo que meu avô materno estava muito doente. Ele podia morrer. Eu estava com muito medo. E se ele morresse?
1- Um dos soldados que morreram no Irã era o meu tio Freddie. Descobri isso antes de ir para a escola. E o mais triste, ele iria vir pra me ver terça-feira. Eu estava tão feliz por aquilo, me fez até esquecer um pouco da Aids.
2- Eu não o via desde que tinha 10 anos, e alguns quebrados. Dá quase cinco anos de intervalo. E, quando eu soube, eu nem tive tempo de parar e entender: Eu nunca mais o veria. Nunca.
3- E, falando sobre Aids, algumas pessoas que têm o vírus HIV (o vírus da Aids) demoram cerca de 10 anos pra demonstrar sinais de Aids. Eu não. A minha foi imediata. A minha perda de peso era um dos sintomas. Ou seja, talvez menos tempo de vida pra mim.
4- E, pra terminar, isso vinha acontecendo desde o Hawaii: Não tem a Stephenie Meyer? Eu odeio essa mulher, mas tudo bem: Quando eu estava no Hawaii, ela lançou um livro. Sei lá o que de Bree Turner.
Quando eu vi aquela porcaria pela primeira vez, deu vontade de fugir! Sei lá, o nome "Bree" me apavorou! E não, não era por que odeio Crepúsculo! Era um medo de verdade, como se, se essa Bree tivesse feito algo comigo que deu um trauma permanente.
Deu pra saber bem o motivo de eu ter chorado tanto, não é?
Mas, voltando para a escola...
Enquanto eu descia as escadas, eu pensava nessas coisas que eu falei.
-Será possível que essas coisas só aconteçam comigo? — Perguntei para mim mesmo.
Limpei as lágrimas que escorriam aos montes do meu rosto antes de aparecer no corredor lotado de alunos. Tá bom que eu ia aparecer chorando...
Ainda no baixo astral, parei na porta do meu armário e o abri. Peguei minha mochila, que eu tinha comprado quando fui no Brasil, e, quando me virei para ir para a sala, Ryan estava bem à minha frente.
-Eita, Justin, que cara de depressivo é essa? — Ele falou.
-Meu tio Freddie morreu. — Respondi, friamente, desviando dele e indo para a aula. Bridgite Benson estava bem ao nosso lado, além dela ser a mais fofoqueira do colégio, ela era da minha turma em tudo, pra piorar o pesadelo era apaixonada por mim desde que entrei no colégio!
Resumindo: Ela ia entrar na sala e metade do mundo já saberia que meu tio tinha morrido.
-Meus sentimentos... Ele ia vir pra Atlanta, né? — Ryan disse. Continuei andando, e Ryan começou a me seguir.
-Ia... — Falei. Passei o dedo pelo canto do olho direito. — Por favor, para de falar sobre isso?
-Ok... Olha, vou pra aula de física, a gente se vê em Ciências! — Ele disse.
-Tchau... — Me despedi, de cabeça baixa. Ele entrou na sala 4, e eu continuei andando de cabeça baixa, em meio a um mar de alunos, até o fim do corredor, a sala 9.
Entrei e me sentei numa carteira colada à parede, lá nos fundos. Com certeza Bridget já tinha contado pra todo o colégio, por que logo que o professor entrou, o professor, ele sempre entrava primeiro que todo mundo, ele olhou pra mim e falou, num tom sério:
-Sinto muito por seu tio, Sr. Bieber.
Qualé! Até o Sr. Marks!
Nota mental: Não subestimar (ou, como Adam Sandler diria, sustinear) o poder de Bridgite Benson.
-Obrigado, professor. — Respondi, olhando para a mesa, rabiscada pelos vândalos que sentam no fundão.
Todos o que entraram depois dele, os mais inteligentes e as meninas mais populares, me desejaram os pêsames. Nossa, o poder de uma fofoqueira é fogo.
Eu não era a pessoa maaaais popular assim, pra falar a verdade, eu era zoado pra caramba por causa da minha altura, meu timbre, minhas notas de CDF (exceção: Química), etc, etc...
Mas naquela segunda-feira foi diferente.
Nenhum gigante do time de basquete pegou meu caderno de desenho (já falei que eu faço desenho artístico?) e ficou ameaçando mostrar pra todo o colégio, nenhuma patricinha ficou me assediando na hora do almoço, nenhum entendido de música ficou zoando a minha voz mais aguda e rouca, nenhum babaca ficou me chamando de esnobe só por que eu vou pra escola com uma Range Rover. Eu tenho dinheiro e um carro legal, me deixe viver!
Enfim. Não fizeram nada. Me deixaram quieto, no meu canto. Sem zoações, sem pertubações. Só a voz do professor, os lápis e canetas marcando o papel de cada aluno, e uns cochichos baixos eram ouvidos na sala de matemática da minha turma.
Quando o sinal bateu, eu me levantei, peguei meu caderno, e, quando ia sair, o professor pôs a mão no meu ombro, e disse, entregando um papel:
-O resultado do teste que você fez quando estava em turnê.
Peguei e olhei a nota. Um "A+" estava escrito, em vermelho, no cabeçalho, junto com uma observação: "Muito Bom!".
-Obrigado. — Agradeci.
-Ah, garoto, obrigado por fazer esses alunos ficarem quietos na minha aula.- Ele disse. Eu sabia do que ele estava falando. Sempre quando algum parente de alguém morria naquela turma, era uma paz... Sorri de leve e falei:
-De nada, senhor.
Um A+ em matemática, nossa, que incomum... A nota é muito boa! Eu tinha estudado feito um condenado para aquele teste, então era satisfatório. E eu ganharia cinquentinha que eu tinha apostado com o Ryan.
Fui direto para o meu armário colocar a mochila lá e pegar o material de Ciências. Dobrei o teste e coloquei-o dentro do caderno, para mostrar para Ryan.
Quando fechei a porta do armário e me virei para ir para a sala de Filosofia, encontrei uma garota ruiva, com sarda no rosto, batom vermelho berrante nos lábios e uma roupa digna de Arco-Íris.
-Bridget Benson... — Murmurei. Tipo, droga, ferrou.
-Justin Drew Bieber... Devia me agradecer, você é a pessoa mais respeitada do colégio agora... — Ela disse.
-Nem acho... Sabe, alguém contar uma coisa pessoal minha pra metade do mundo em questão de minutos, sendo que nisso eu só contei pra uma pessoa, é um recorde, sabia? Já ligou pro Guiness? — Brinquei.
-E você? Já percebeu que eu sou a sua "Favorite Girl"? — Ela perguntou, e foi chegando perto de mim, me fazendo recuar.
-Não... Por que você não é... — Disse. Bati de costas na parede, e ela continuou chegando mais perto.
-Ah, não negue o destino, Biebs...
-Só minhas fãs me chamam assim.
-E eu sou fã sua!
Não, você é doente!
-Com licença, Bridget, tenho que ir para aula... — Me soltei dela e saí correndo com o caderno e o livro de Ciências nas mãos. Eu tinha que tomar cuidado com aquela garota...
Primeiro: Ela é horrorosa!
Segundo: É uma fofoqueira de mão cheia!
Terceiro: Ela me dá medo...
Na correria, eu não percebi que deixei meu caderno de desenho com ela. Detalhe, eu ás vezes usava aquele caderno para escrever coisas do tipo status de msn, "Triste", "Turnê amanhã!", coisas desse tipo.
E eu escrevi "Estou com Aids, ainda não acredito nisso". Eu estava pondo meu segredo em risco sem perceber. Só dei pela falta dele quando eu já estava perto da sala. Ela tinha Ciência também, junto comigo. Isso ás vezes era horrível. Ás vezes não, sempre.
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