A Lista
5 Primeiro dia
Notas iniciais
— Princesa? Esta de sacanagem né? — pergunta Vlad, olho-o intensamente, ele já deveria ter sacado que eu era alguém de poder no clã.
— Princesa Elena para você APRENDIZ — repreendo ele, se alguém desconfiar que ele não era meu protegido e sim meu assassino, iriam cortar sua cabeça, volto minha atenção a Lorian — Por que os portões estão abertos?
Essa era realmente uma pergunta valida, por um descuido desses que eu consegui fugir da ultima vez.
— Seu primo, o regente, esta fora em uma caçada, estamos esperando ele voltar para fechar os portões princesa.
— Certo, alerte a anciã de minha chegada, vou espera-la na biblioteca — Lorian faz cara feia mais não reclama — Ah, é fechem esse maldito portão, se o bastardo do Conan chegar, bom, ele que espere.
— Mas princesa, ele é o regente do clã
— Ele pode ser o maldito deus da magia que eu não me importo, esse clã ainda é meu
— Sim princesa
Balanço a cabeça para Vlad me acompanhar e entro nas muralhas, sei que não tenho nenhum direito de mandar nos guardas, afinal de contas quem eu era? Uma assassina, mesmo assim não me importo, a anciã tinha as respostas que eu vim buscar, só ela sabe os segredos obscuros do clã, as maldiçoes e os feitiços proibidos.
Mesmo com o sol brilhando lá fora, o castelo estava imerso na escuridão, tochas iluminavam nosso caminhos entre os corredores até a porta de dois metros da biblioteca, livros cobrem todas as extremidades, o lustre brilha e da luz ao lugar morto, quando criança a biblioteca era meu lugar favorito no castelo, ninguém me procurava lá, nem mesmo quando a família real foi encontrada morta.
— E ainda dizem que os vampiros são seres sombrios! — indaga Vlad com os olhos brilhando de fascínio.
— O clã Blood é o único assim, os primeiros feiticeiros fundaram o nosso clã, todos nos somos descendentes dos primeiro, por esse motivo somos os mais fortes da espécie — digo também fascinada — Os com poderes ancestrais são raros, em toda historia da bruxaria só existiram cinco — dirijo-me ao sofá de couro velho no centro da sala e me sento — Dizem que a vontade por mais poder os fez sucumbir as trevas, eles venderam suas almas para se livrar da maldição...
A porta abre e fecha em um clic silencioso, a anciã vem em nossa direção, seus cabelos brancos e face cadavérica me diz que ela é a mais velha de nosso povo.
— Mas a maldição não se foi, a Herança só pode ser devolvida ao seu dono — Tereza se curva em respeito e se senta na poltrona a minha frente — Vejo que ainda se lembra dos ensinamentos de uma velha — ela sorri, me alegro imensamente de vê-la, Vlad tosse do meu lado.
— Anciã, esse é meu protegido, Vlad Tepes
— Ah! o vampiro assassino não é? — Vlad fica vermelho, mas Tereza não o deixa responder — Sei por que veio minha filha, é também sei o que ele faz aqui, agora peça o que veio pedir sim
— A lenda diz que a herança tem que voltar para seu dono, primeiro quero saber quem fez a Lista?
Minha tarefa aqui tinha duas etapas, saber quem me impôs a essa maldição, depois devolver ela para seu dono.
— A lista foi criada por Calissa, a primeira rainha
— Em que plano posso encontra-la?
— Nos campos de Hades minha querida — diz Tereza com um olhar triste — Vou alerta-la que nenhum dos cinco conseguiu voltar do submundo
— Nenhum deles levaram um morto junto, quando vou poder lançar o feitiço?
— Daqui a três dias, no eclipse solar quando a lua encobrir o sol, você deve entoar "Feita do sangue, nascida da terra, montada do pó, pelos deuses eu imploro que minha alma vá aonde ela precisa ir" não se esqueça que deve pensar constantemente no submundo.
— Obrigada anciã
— Você não precisa fazer isso princesa, sei a dor que carrega, eu sofro por ti, mas é muito perigoso se encontrar com a morte sem garantias de volta, nenhum deles conseguiu devolver a herança, não morra por nada.
Dispensei a anciã com palavras bonitas, mais seu aviso me corroía por dentro, eu era uma assassina, a escoria da humanidade, não havia nenhum pecado que eu não cometera, só que a lenda dizia que todos os cinco foram devolver a herança com o intuito de ter mais poder, eu queria apenas me livrar de um fardo, se Calissa iria entender ou não, realmente não importava, ou eu voltaria livre, ou eu morreria no mundo da morte.
–----------------------------------------------------------------------------------
Dia 1
Acomodei Vlad em um quarto adjunto ao meu, quatro paredes, sem janelas, apenas as pedras cinzas é um candelabro que iluminava mostrando a pequena escrivaninha, uma cama confortável com travesseiros de penas, cobertores de fios de ouro, não era meu verdadeiro quarto, meu verdadeiro quarto me traria lembranças que eu não gostaria de ter, pesadelos que eu frequentemente começara a ter deis que meu coração voltou a bater.
Faço meu vestido desaparecer magicamente de meu corpo, trocando-o por calça de couro preto é uma camiseta bem soltinha, se eu tivesse que esperar três dias, pelo menos treinaria com os soldados.
Bato na porta do quarto adjacente ao mesmo tempo que Vlad abre a porta.
— Vou treinar com os soldados, se quiser vir e só me acompanhar — digo me virando e começando a sair do quarto.
— Aquele cara, é seu namorado? — pergunta Vlad com raiva
Andamos vários corredores antes de eu responder.
— Não tenho namorados, tenho vitimas — digo com mal humor
— Então por que se beijaram?
— Com ciúmes garotão? — Brinco pois eu sei que talvez eu também tivesse ciúmes quando ele saia com outras.
— Não sei realmente, sentimentos são complicados — paramos na porta de saída, olho-o e sinto um fogo no meu interior, seus cabelos estão bagunçados, sua pele corada é de alguma forma entendo o que ele diz.
Desvio o olhar ao abrir a porta e ver o pátio cheio de soldados sem camiseta, suados e treinando, é por incrível que pareça eu não senti nenhum fogo ardente por eles, não como o fogo que eu sentia ao saber que Vlad ainda me olhava.
Esse seria um dia longo.
Fale com o autor