A Linha Tênue Entre Nós
14 Capítulo 13 – Tudo o Que Eu Nunca Contei
Emily não conseguia mais sustentar o silêncio.
O quarto estava escuro, exceto pela luz fraca do abajur. Reid estava sentado na beirada da cama, rígido demais, como se o corpo tivesse esquecido como relaxar. Ele não a pressionava. Não perguntava.
Isso tornava tudo pior.
— Ele não me escolheu por acaso — disse ela, finalmente.
Reid levantou o olhar.
— Eu sei.
Ela respirou fundo, sentando-se à frente dele.
— O nome dele é Elias Calder. — A voz saiu firme, mas os olhos denunciavam o peso. — Eu o conheci quando ele tinha dezenove anos. Era só um garoto… e confiou em mim.
Reid não interrompeu.
— Eu prometi tirá-lo de lá. Prometi que estaria seguro. — Emily engoliu seco. — E falhei.
O silêncio entre eles não foi julgamento. Foi acolhimento.
— Achei que ele estivesse morto — continuou. — Convivi com isso por anos. Com a culpa. Com a certeza de que não havia mais nada que eu pudesse fazer.
Ela riu, sem humor.
— E agora ele voltou. Não como vítima. Mas como consequência.
Reid falou baixo, com cuidado.
— Ele não quer te matar.
Emily assentiu.
— Ele quer que eu sinta o que ele sentiu. Abandono. Medo. Espera.
As mãos dela tremiam agora.
— E o pior… — sussurrou — …é que parte dele tem razão.
Reid se aproximou, segurando o rosto dela com delicadeza.
— Emily, você fez o que pôde. Em campo, nem sempre existe final limpo.
Ela fechou os olhos, uma lágrima escapando.
— Mas existe responsabilidade. E essa é minha.
Ela abriu os olhos, encarando-o.
— Ele vai me usar para chegar até você.
Reid não hesitou.
— Então ele já perdeu.
Ela respirou fundo, apoiando a testa no ombro dele.
— Tenho medo, Spencer.
Ele a envolveu com cuidado, firme.
— Eu sei. — A voz dele era baixa, mas absoluta. — E eu fico.
Emily fechou os olhos.
Pela primeira vez desde Ravenbrook, não se sentiu sozinha.
Mas, em algum lugar da cidade, Elias Calder desenhava o último símbolo.
E a chama estava quase completa.
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