A Letter for You

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Primeira coisa que posto aqui, espero que vocês gostem (´∀`).
Eu fiz essa one-shot para minha amiga, espero que ela goste assim como vocês, boa leitura!

Há dez anos conheci um garoto chamado Matheus, esse garoto era uma das pessoas mais encantadoras que já havia visto, pele em um tom claro, cabelos preto e olhos em um tom azul na qual jamais havia visto antes, esse garoto era você, e como sempre, assim que entrou na sala, rapidamente foi cercado por garotas e garotos e logo foi colocado em um grupinho com as pessoas “populares” de lá, sem me dar a chance de conversar com você.

Três meses depois, no recreio, eu estava lendo um livro qualquer sentado em um dos bancos do pátio, como sempre, mas aquele dia foi diferente, você veio falar comigo, eu estava tão feliz mas ao mesmo tempo tão assustado.

-Olá, você se chama Oliver, certo? — Perguntou com aquele sorriso perfeito em seus lábios.

-S-sim, algum problema?... — respondi com outra pergunta, mas logo ficando com receio de sua resposta.

-Nenhum, é só que eu sempre te vejo sozinho aqui e resolvi te fazer companhia, espero que eu não esteja o atrapalhando. — “Você nunca vai me atrapalhar”, tive vontade de dizer mas me segurei, não queria te assustar.

-Muito obrigado, de verdade... Mas se você fez isso por pena como algumas pessoas já fizeram, pode voltar para os seus amigos, não preciso de ninguém que sinta pena de mim. — Eu me senti mal, não queria ser rude, mas infelizmente, aquela era a verdade.

-Eu não tenho pena de você, porque teria? Eu só queria te conhecer melhor, fiquei interessado em você desde que te vi lendo “It – A coisa”, sou apaixonado pelas obras de Stephan King e ficaria feliz em ter um amigo que também goste, mas se eu estiver te incomodando pode dizer, eu vou embora. — Você disse as últimas palavras abaixando a cabeça e se levantando, logo segurei seu braço e sorri dizendo:

-Desculpe-me por ter sido rude, não era minha intenção e eu adoraria ter alguém para conversar sobre literatura, inclusive Stephan King, pode sentar aqui.- Disse dando espaço para o garoto que sorriu e sentou no meu lado, dando incio ao uma grande amizade e de longa data.

Ainda me lembro da primeira vez em que foi lá em casa, você iria passar a noite lá para o meu aniversário de doze anos, estava tão assustado e impressionado com a organização da casa e a comida fantabulosa da minha mãe, como você mesmo diz. Passamos aquela noite acordados, mesmo sabendo que teriamos aula no dia seguinte, não ligavamos, estavamos nos divertindo, até que você acabou por tocar em um assunto desconfortável para minha pessoa.

-Oli, porque você não anda com mais ninguém? Você tem medo? Se quiser eu posso te ajudar a se enturmar. — Você disse sorrindo, mas dava para perceber a preocupação em seu olhar, isso me deixava mal mas ao mesmo tempo um pouco feliz.

-Eu realmente tenho medo, medo que as pessoas me abandonem e não gostem de mim, assim como meu pai fez, eu não quero me machucar de novo Math, não quero ser deixado de lado... — Eu disse abaixando a cabeça e segurando para as lágrimas não caírem, logo você me abraçou e quase chorando também disse:

-Não se preocupe Oli, eu nunca vou te abandonar, não importa o que aconteça, é uma promessa. — Você levantou a cabeça e sorriu. Desde então, você nunca mais saiu do meu lado, assim como prometido e vou ser eternamente grato por isso...

Quando completei treze anos, percebi que havia nutrido sentimentos mais fortes que amizade por você, isso me deixou assustado, não queria sentir essas coisas pelo meu melhor amigo, não queria que se afastasse de mim por uma coisa tão besta, não queria que me achasse um ser nojento, naquele dia eu corri para meu quarto e me tranquei, você tentou falar comigo, mas eu fui rude com você e te mandei embora...

-Oli, você tem agido estranho esses dias, podemos conversar? Vou te ouvir e ajudar no que for possível, por favor, me deixa entrar... — Ouvir aquilo só me doeu mais, eu não queria te deixar preocupado, eu só queria poder esquecer o que estava acontecendo.

-Math, por favor, vá embora, eu não estou me sentindo bem, eu prometo que falo com você depois. — Disse baixo, mas num tom audível o suficiente para me escutar, escutei um soco na porta, imaginei que estivesse irritado e abaixei a cabeça, não queria que ficasse mal por minha culpa.

-Oliver, por favor, pelo menos me escute, eu tenho uma coisa importante para falar, se você quiser e posso ir embora depois, só me escuta, por favor... — Sua voz começou a falhar e eu me senti um idiota, não queria que aquilo acontecesse, não queria estragar as coisas.

-Math, eu não vou pedir de novo, vá embora! — Eu disse com a voz um pouco alterada e logo me arrependi por ter feito isso.

-Tudo bem então, eu vou, só não ache que poderá vir chorar 'pra mim depois, boa sorte com seu probleminhas Oliver. — Disse logo saindo, pude escutar seus passos raivosos e seus bufos até o fim do corredor, isso só me deixou pior, havia brigado com uma das poucas pessoas que me importavam, e o pior, estava apaixonado por essa pessoa.

Ficamos dois meses sem conversar, acho que foram os piores meses da minha vida, eu tinha perdido totalmente o ânimo para as coisas, era como se tivesse perdido uma parte de mim, fingi estar doente e fiquei duas semanas sem ir para escola, minha mãe estava preocupada e queria me levar no médico mas eu me recusava a sair do meu quarto. Até que um dia, quando minha mãe estava trabalhando, você apareceu na minha porta chorando, pedindo desculpas e dizendo que me perdoava pelo o que eu disse também, só não queria ficar longe de mim, comecei a chorar também e te abracei trazendo o pra dentro e começamos a conversar.

-Math, você não tem ideia do quanto senti sua falta, é como se estivesse faltando uma parte de mim, por favor, nunca mais faça isso, não finja que eu não existo, dói tanto... — Eu disse chorando em seu ombro enquanto acariciava meus cabelos tentando me acalmar.

-Oli, nunca mais irei fazer isso, por favor me perdoe, eu havia prometido, eu fui um idiota, não consigo ficar longe de você e acabei pensando só em mim... — Você estava cabisbaixo, não tem ideia do quanto isso me machuca, não aguento te ver desse jeito.

-Claro que eu perdoo, só não me assuste mais desse jeito, eu senti tanto sua falta Math... — Eu disse parando de chorar e sorrindo, você sorriu de volta mas logo sua feição ficou séria e então perguntou:

-Pode me dizer porque estava daquele jeito? Sei que brigamos por isso, mas não aguento te ver naquele estado. — Disse me encarando sem nem ao menos piscar, dei um longo suspiro e abaixei a cabeça.

-Comecei a sentir coisas por você, coisas que amigos não devem sentir um pelo outro, inclusive quando são dois caras, então pensei que me afastando um pouco esses sentimentos poderiam desaparecer, mas não é algo tão fácil... Agora você pode me deixar se quiser, porque é algo totalmente nojento e é melhor que não olhe mais na minha cara do que me olhe com desprezo... — Me segurei para não chorar, doía tanto, até que você me olhou confuso e disse:

-E-eu não entendi, me desculpa, porque eu sentiria nojo e você? Você não fez nada de errado, aliás, eu nunca sentiria nojo do meu melhor amigo. — Logo sorriu com sua resposta, mas ainda sim com aquele olhar duvidoso.

-Math, eu te amo, mas não só como um simples amigo, eu te amo como namorado. — Abaixei a cabeça com medo da resposta, mas logo ouvi aquela risada gostosa, quando levantei a cabeça você me agarrou e me deu um selinho, me deixando muito confuso mas feliz.

-Eu também sinto isso por você Oli, nunca irei sentir nojo de você e fico feliz que sinta a mesma coisa que eu sinto por você. — Sorriu e me abraçou, ali começamos nosso pequeno relacionamento.

Alguns anos se passaram, estavamos com dezesseis anos, mudamos bastante, você ficou cada vez mais bonito, eu melhorei um pouco, mas não tanto quanto você. Não contamos para as pessoas sobre o nosso relacionamento, então sempre havia várias garotas em volta de você, para as pessoas, eramos só melhor amigos inseparáveis, agora, não tão inseparáveis assim, você começou a se afastar cada vez mais e andar com aquelas garotas, mal nos viamos fora da escola, isso me deixava assustado, não queria te perder de novo, isso só piorou quando apareceu uma nova garota na escola, seu nome era Elisa, lembro que ela vivia agarrada em você e você não fazia nada, parecia até gostar, isso fazia eu me sentir tão mal, você não tem ideia. Antes que eu pudesse entrar em depressão novamente, conheci uma garota, o nome dela é Laura, ficamos muito amigos, ela me fez explicar tudo e prometeu não contar nada a ninguém, ela estava sempre me ajudando, não deixando eu me fechar do mundo novamente, enquanto você, aproveitava com suas garotas... Até que um dia você resolveu procurar satisfação do que estava acontecendo, porque eu havia me afastado e o trocado por uma garota qualquer, parecia fora do normal, começou a me acusar de várias coisas sem sentindo e foi aí que tívemos nossa primeira briga séria.

-Oliver, quem é aquela garota que está sempre com você? Esqueceu do seu namorado? Cansou de mim, é isso? — disse um pouco alterado, mas tentando manter a calmas.

-Não é nada disso meu amor, ela só estava me ajudando com umas coisas, não foi nada demais... — disse com a cabeça baixa, com medo de sua resposta.

-Ajudando? Em que? Em se satisfazer? Claro que sim, provavelmente cansou de dar sua bunda, que provavelmente não deu só pra mim não é? — disse gargalhando mas com a aparência muito irritada – Não vai me responder? Claro que não, está com medo, como sempre. Vamos, responda, pode admitir tudo o que fez, seu idiota! — logo após essas palavras horríveis, disferiu um tapa em minha cara, mas dessa vez, não abaixei a cabeça e comecei a chorar, eu me irritei e joguei em sua cara tudo o que estava acontecendo.

-EU SOU O IDIOTA? VOCÊ ME TROCOU POR VADIAZINHAS QUALQUER, TROCOU VÁRIAS NOITES COMIGO POR FESTAS, ENQUANTO EU FICAVA EM CASA SOZINHO POR CAUSA DO NAMORADO ESTUPIDO QUE EU TENHO, QUE FAZ AS COISAS E CULPA O OUTRO, VOCÊ REALMENTE ACHA QUE EU SERIA CAPAZ DE TE TRAIR? EU TE AMO PORRA, AMO MAIS QUE TUDO! Mas parece que você já não me ama tanto assim... — Disse a última frase em baixo tom, você não disse nada, só deu as costas e foi embora, me deixando sozinho ali, sem reação e sem resposta.

Na manhã seguinte acordei com várias mensagens, pedindo para conversarmos, conversamos civilizadamente e nos resolvemos No dia seguinte, Elisa e Laura eram nomes que não existiam mais para a gente, isso realmente me deixou triste, mas espero que Laura entenda, é para o bem da minha relação.

Quando fizemos dezoito anos resolvemos assumir nossa relação, muitas pessoas não aceitaram e deixaram de falar com a gente, grande parte de nossa aceitou e nos apoiou e, apesar de termos perdido tantas pessoas que diziam ser nossos amigos, também fizemos vários novos que são incríveis.

Quando completamos vinte e um anos você me pediu em casamento, foi o dia mais feliz da minha vida, eu chorei de felicidade e fique sem reação, mas claro que aquilo foi um sim, tivemos um jantar em restaurante muito sofisticado e uma noite maravilhosa que jamais esquecerei.

Porém, um mês antes de nosso casamento, algo horrível aconteceu... Era uma noite chuvosa e você estava voltando do trabalho e bateu com outro carro fazendo seu carro girar e capotar, você foi levado ao hospital e determinado em coma instável, você estava todo machucado, isso me doía, saber que eu não podia fazer nada me doía, desde então passei todas as noites no hospital, contando sobre o que está acontecendo aqui fora e sobre meu dia a dia, esperando que acorde ou que faça pelo menos um sinal..

E finalmente chegamos no dia de hoje, fazem 5 meses desde o acidente, você já melhorou um pouco e hoje é seu aniversário, por isso estou escrevendo essa carta pra você, do fundo do meu coração, contando todos os melhores e piores momentos, eu te amo tanto Math, não vou deixar eles desligarem as máquinas, não vou deixar que eles nos separem, não vou deixar que você não cumpra sua promessa...

Eu só queria agradecer por todos os momentos e dizer que te amo muito mesmo, feliz aniversário Math! Você vai melhorar logo!

-Com todo amor e carinho, seu eterno Oli.

Notas finais
Obrigada por lerem até aqui, espero que tenham gostado, vejo vocês em breve.
Beijos da Loli.
~Chu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!