A Letter For You

2 Carta do Dragon Slayer


Notas iniciais
Sinta como se a Rei fosse você, querida leitora!

- Happy–chan! – a jovem se aproximava com as mãos para trás, como quem escondia algo. – Trouxe algo pra você.

- É peixe? – os olhos do felino falante e azul brilharam intensamente, provocando um amável sorriso a quem chegara.

- É um peixe damarus. São difíceis de serem pescados, pois há cardumes em poucas e pequenas regiões, sem contar que não está na época em que estão em abundancia. – Rei mostrou o que escondia e a boca do felino se abriu de alegria. – Como eu sabia que você é um amante por peixes, pensei em comprá-lo após a minha missão.

- Peixe! – o gato avançou sobre o presente, degustando do delicioso gosto.

- Não o mime muito, Rei. – Lisanna se aproximou da jovem, observando a alegria de Happy. – Como mãe, eu tenho que dosar o que ele come.

- Eu entendo. Mas não faz mal um presente assim. – a jovem sorriu e abraçou a companheira de guild. – Quanto tempo.

- Estava com saudades também. – a garota se afastou para olhar melhor a jovem. – Depois de dois meses sem aparecer, estávamos ficando preocupados.

- Não é saudável pegar tantas missões de uma vez. – Mirajane comentou mais ao longe, de trás do balcão. – Porém você sempre está impecável, como se nem tivesse feito-as.

- Não se preocupe. – Rei garantiu. – Fiz todas perfeitamente.

- Rei–chan. – Levy desviou apenas um pouco os olhos dos papéis que lia. – Você demorou desta vez.

- O que queria? – a jovem suspirou e ajeitou a bolsa em suas costas. – Derrotar um exército de demônios, caçar um criminoso de rank S, domar um leão elementar e matar os “espíritos” da desgraça não é algo tão simples de se fazer em poucas semanas...

- Quantas missões você pegou desta vez? – Levy ficou intrigada.

- Melhor nem contar. – Mirajane deu um sorriso amarelo, assim como sua irmã mais nova.

- São os romances da Lucy–chan? – curiosa, Rei olhava os papeis com atenção.

- Sim. Ela me entregou antes de ir a uma missão com Natsu e os outros.

- Hum? – Rei ficou confusa. – Por que o Happy–chan não foi? Natsu sempre o leva.

- Natsu pediu para ficar e ver se você chegaria antes dele. – o felino ousou em dizer com o rabo do peixe ainda pra fora de sua boca.

- Não fale de boca cheia. – Lisanna reprovou o ato.

- Que estranho. – Rei sabia que havia algo por trás desta meia verdade, ou ela era o que achava. – Não faz sentido. Eu sempre fico um mês inteiro na guild após terminar meus serviços.

- Você não é a única a desinformada. – Lisanna comentou. – Happy não quis me contar a verdade por trás disso.

- Com certeza, o Natsu está aprontando alguma coisa. – a jovem maga de Take Over elementar concluiu. – Diga logo, Happy–chan!

O felino olhou para a garota, finalizando o presente recebido pela mesma e explicitou em seu olhar certo contra gosto. Rapidamente, este usou sua magia para criar asas, Aeria, e saiu da guild lentamente. A jovem logo entendeu que era para segui-lo e não perdeu tempo em fazê-lo.

Ela percorreu Magnolia inteira atrás do felino voador, porém já não aguentava mais acompanhar aquele ritmo maluco. Estava preste a parar de bancar a idiota, quando logo reconheceu o caminho que traçava. Ainda sem entender, a jovem continuou a perseguir Happy até a casa de Natsu, que estava bem perto.

A jovem abriu a porta destrancada e pensou no quanto o dono do local fora descuidado ao fazer isso. E o mais assustador foi ver o local todo em perfeita ordem.

O lugar não era muito grande. O primeiro cômodo era a sala de estar. Ao seu lado direito, havia grande abertura que dava acesso a cozinha e a uma mesa de jantar. Seguindo o corredor a frente da porta principal, tinha um banheiro ao lado esquerdo, um quarto não usado por Natsu do lado direito no fim do caminho estava o quarto do rapaz.

- E não é que milagres acontecem? – ambos entraram no recinto. – Ele finalmente limpou a casa. Teve ter sido a primeira vez depois de séculos... – a jovem se dirigiu para abrir closet na parede à direita da porta, querendo verificar a limpeza do lugar.

- Rei, cuidado! – o felino apenas pode alertar e logo viu a jovem sendo subterrada por diversas coisas que nem ao mesmo sabia o que eram. – Rei!

- É... Retiro o que disse. – a jovem saiu da pilha que se formara sobre si com certa dificuldade e encarou Happy. – Afinal, o que fazemos aqui?

- Não sei ao certo. – Happy confessou.

- E só agora me diz?! – a jovem passou a puxar as bochechas do amigo para aliviar sua raiva.

- Isso dói! Natsu apenas me pediu para te trazer aqui e ler uma carta!

- Carta? – a garota soltou o felino voador e procurou em volta algo que parecesse uma carta.

Seus olhos logo encontraram algo sobre o criado mudo ao lado da cama. Rei se sentou próxima a esta e pegou o envelope sobre o móvel. Enquanto a abria, Happy tentou ler antecipadamente, contudo a jovem logo parou o que fazia e o encarou.

- Se o Natsu deixou isto para mim, creio que mais ninguém deva saber seu conteúdo.

- Mas estou curioso.

- Então deveria ter lido antes de me contar. – emburrado, o gato se deixou no colo da jovem, recebendo um gentil carinho desta. – Se for nada de mais, eu lhe conto.

- Aye...

Vendo que não haveria mais interrupções desnecessárias, Rei finalmente abriu a carta, sem deixar de acariciar a cabeça de Happy. Para a jovem, seria muito bom fazê-lo dormir um pouco.


“Não quero que ria desta situação, entendeu?”


Era assim que começava.

Tarde de mais! A jovem ria fracamente em pensar no Dragon Slayer escrevendo algo, principalmente aquela carta, pois mesmo não sabendo seu conteúdo, era engraçado imaginar o rapaz procurando as palavras certas para pô-las no papel. Ele nunca foi fã de ser intelectual. Reparando a caligrafia, achou-a até bonita com comparado ao que tinha em mente.


“Eu sei que é estranho uma carta escrita por mim e sei que sou péssimo com as palavras. Tanto que, para escrever isto, tive que ter um dicionário ao meu lado.”


Novamente, a jovem passou a rir.


“Em todo caso, a razão disso é que eu não tenho coragem de dizer o que quero. Isso mesmo: Não tenho coragem! Assumo que sendo um Dragon Sayer, só não tenho coragem pra duas coisas: Transportes, pois é meu ponto fraco, e dizer isto na sua frente. Não porque você é assustadora quanto a Erza ou por que somos grandes amigos. Eu realmente não sei por que disso, mas eu tenho medo da sua reação, principalmente.”


Naquele momento, o coração de Rei falhou. Seu rosto se tornou rubro e fraquejou em continuar. Respirando fundo, tomou a energia que precisava para retomar a leitura.


“Como eu disse, não sou bom com palavras e também não consigo enrolar um assunto por muito tempo... Eu amo você!... Não como gosto dos meus amigos, da guild ou até mesmo Ignell. Eu realmente te amo como amante.”


A jovem sentia-se febril. Estava assustada e, ao mesmo tempo, realizada. Algo úmido molhou sua face, caído na folha e percebendo que estava chorando, se preocupou em não deixar nenhuma cair sobre o amigo adormecido em seu colo.


“É assim que se fala? Ah! Tanto faz. Só quero que saiba os meus sentimentos... Se foi repentino, desculpa, mas é a pura verdade! E como covarde que sou, preferi me confessar através desta carta (Como sou patético...). Vou entender se não olhar pra minha cara nunca mais. Será pedir demais que, se não sente o mesmo, continuemos bons amigos que somos? Estou sendo egoísta, mas não quero me afastar de você.”

Não era falta de querer, mas a garota não aguentou conter-se e passou a chorar o mais silencioso possível. Realmente o jovem mago não tinha o menor jeito com as palavras, mas mesmo assim, conseguira passar seus sentimentos adiante. Como conseguia tal façanha?


“p.s.: Não abra o closet de jeito nenhum!”

- Idiota... – a jovem murmurou tentando se acalmar. – Podia ter posto um bilhete na porta...

- Rei? – ao ouvir a voz tão conhecida, a jovem se levantou bruscamente, derrubando Happy do conforto de seu colo, procurando o dono dela com muita ansiedade.

- Oe! O que foi? – reclamou o gato azulado, vendo a jovem sair do quarto sem ouvir suas palavras. – Hum?

Lá estava ele. Em frente a porta principal e cheio de curativos pelo corpo, Natsu demonstrava que novamente havia exagerado na missão. O rapaz tinha um tom avermelhado em sua face e rapidamente deixou de encarar a jovem, tentando esconder sua face com seu cabelo rosado.

- Natsu... – a garota tentou dizer.

- Natsu, está tudo bem? Como foi o trabalho? – como se era esperado, Happy não tinha percebido o clima tenso que os dois tinham e continuou a flutuar para perto do amigo, olhando seus machucados. – Você exagerou de novo, não foi?

- Diz logo, cabeça de fósforo! – assustando tanto Rei quanto Happy, a voz de Gray fora ouvida pela residência facilmente. Julgando por sua audição, a jovem imaginou que o mago de gelo estivesse do lado de fora e não entraria.

- Isso mesmo! Toda garota sonha em ser cortejada pessoalmente, e não por cartas! Pelo menos, não numa declaração! Você tem que ser sincero com ela! – a voz de Lucy se mostrou mais alta, acabando por atrair Happy, que saíra para ver quem mais estava ali fora. – Olha que a Erza está aqui pra ver se você é homem pra isso!

- Até a Erza–chan? – fora o que a Rei pode pronunciar naquele momento.

- O que está acontecendo?! – Happy exclamou, mas logo Gray o fez calar-se ao congelá-lo.

- Fique quieto, gato azul. – respondeu o mago.

- Você é mal... – comentou o felino com muita dificuldade, dentro de um cubo.

Alguns minutos se passaram e mais reclamações de Lucy e Gray foram ouvidas. Mesmo naquele tumulto, a jovem maga apenas tentava encontrar os olhos castanhos de Natsu, mas este se recusava a mirá-la como se tivesse um medo tremendo. Calada e nervosa como o jovem, Rei se aproximou a passos calmos e lentos, não chamando a atenção do rapaz em primeiro momento. Perto, sentiu suas palavras descerem garganta a baixo, impossibilitando-a de dizer o que quer que fosse. Natsu a olhou de relance, enxergando o vermelho tentador das bochechas da jovem sem fala, e enfim teve forças pra dizer.

- Eu te amo!

Depois, o silêncio reinou por todo o ambiente. O jovem encarou a expressão surpresa da jovem e timidamente focou-se a qualquer outro ponto que não fosse o belo rosto da garota e dona de atordoantes olhos prateados. Vendo aquela atitude tomada enfim, a jovem esboçou um sorriso gentil e mais lágrimas caíram de seus olhos. Com o fora bem apurado do Dragon Slayer, este notou que estava se aproximava para abraçá-lo e não a deteve.

- Rei...

- Idiota... – ela sussurrou para apenas os dois ouvirem, tomando o rapaz em seus braços finos e gélidos pela novidade. Chegando perto da orelha do jovem, Rei simplesmente murmurou. – Eu te amo há muito tempo, Natsu. Você é muito lerdo e não notou isso.

Assim, a jovem tomou os lábios de Natsu, para o espanto deste. Logo após o ato, o rapaz deixou de ser levado e tomou as rédeas da situação, comandando o beijo caloroso e intenso que compartilhavam. Ambos estavam mais que felizes... estavam em perfeita paz de espírito. A jovem foi emburrada para encostar-se à porta, não reparando que Natsu a havia trancado após apoiá-la nesta, abandonando seus amigos do lado de fora, sem entender o que acontecia. Estava ocupada demais tentando manter sua sanidade pelo apaixonante beijo do rapaz.

- Rei... – com a voz rouca e sensual, ele puxou-a delicadamente para perto do sofá aprofundando o beijo com desejo, arrancando o resto de ar que a jovem tinha em seus pulmões.

- O que você pensa que está fazendo, Natsu?! – após o voar, literalmente, da porta que quase atingiu aos dois, ambos apenas viram uma Erza furiosa com sua “temida” armadura, Armadura do Purgatório.


O dia parecia pacífico em Magnólia. Elfman inventou de atirar pequenos punhais junto com Gajeel num pilar da guild mesmo tendo ouvido as reclamações do mestre com aquela brincadeira. Aparecendo pela porta, o grupo de Natsu tomou rumos distintos. Gray se sentou em uma mesa qualquer e já sendo rodeado por outros membros, principalmente Juvia; Lucy fora de encontro com Levy para saber que esta gostara de seu conto; Erza apenas ficou degustando seu bolo de morango que Mirajane já havia preparado e ouvindo esta a fofocar qualquer coisa; Happy ficou a voar, observando várias vezes os membros fazerem as mesmas coisas de sempre; Natsu já preferiu se sentar perto do bar, gemendo algumas vezes pelos ferimentos que ganhara tanto da missão quanto de Erza do dia anterior. Rapidamente, Lisanna e Mirajane ficaram focadas no pequeno felino azul, agora sentado numa mesa, decididas a saberem sobre o que ocorrera anteriormente.

- E então, Happy? – Lisanna começou. – O que houve ontem?

- Hum? – Happy perguntou a coçar os olhos, demonstrando certo sono. – O que quer dizer com isso?

- Ontem, você saiu com a Rei e não voltaram mais... – Mirajane explicou. – Estamos curiosas com relação a isso.

- Eu também não sei ao certo... – comentando, Happy, antes de todos, notou a chegada da jovem Take Over elementar no recinto, distraída, provavelmente, pelo ocorrido do dia anterior. – Eu acho que a Rei e o Natsu estão juntos agora!

- Como é?! – o gato não notou que se empolgara em dizer e todos acabaram por escutar uma conversa que deveria estar apenas entre aqueles três.

Todos estavam abismados pela inesperada notícia, causando uma reação de espanto em cadeia, retirando Natsu e seu grupo que apenas se calaram e não ousaram se intrometer.

Por este comentário repentino, Gajeel, acidentalmente, lançou o punhal em mãos um pouco mais forte do que devia, sem prestar atenção onde mirava. Para o azar de Rei, que seguia em frente, notou que no exato momento em que o rapaz arremessara o objeto cortante, entrara na linha de acerto da adaga. Sem preocupações, a jovem transformou seu braço em um membro metálico para se defender normalmente, contudo, não fora bem isso o que aconteceu.

Parando em sua frente, protegendo-a do objeto, Natsu segurou o punhal pela lâmina, não se cortando com a ação. Para a surpresa de todos, o rapaz fora rápido o suficiente para que nem a jovem que protegera o notasse chegar. Voltando ao seu estado humano e intrigada pela atitude do Dragon Slayer, Rei se surpreendeu ao ver os raivosos olhos do rapaz para os dois jogadores dos objetos.

- Ninguém irá machucá-la enquanto eu estiver vivo. Se, mesmo sem querer, ela se ferir por culpa de alguém de qualquer modo possível e imaginável, eu acabo com o desgraçado! – com aquelas palavras de puro ódio, Elfman e Gajeel recuaram no mesmo instante, pois nunca haviam visto o rapaz naquele estado tão assustador. Não parecia o mesmo Natsu que conheciam.

E assim, mais uma vez, o dia demonstrava ser tranqüilo na grande Fairy Tail!

Notas finais
Caros leitores de todas as idades. Gostaria que, humildemente, deixassem uma palavra a esta escritora que aqui vos escreve. Não é pedir muito um simplório Review para dar a luz que um escritor necessita.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!