A Lenda dos Imortais: A libertação dos Selos
8 Um Conto sobre o deus dos Mares
Notas iniciais
As palavras de Jency convenceram apenas alguns tripulantes, pelo menos os mais corajosos e fiéis ao seu comando. O resto, cerca de oitenta homens abandonaram o navio com o coração vazio e a esperança jogada no mar. Lursty repara que Jency perdeu total confiança ao ver dois terço de sua tripulação a abandonaram, e vai ao encontro dela.
— Olha pelo lado bom, pelo menos agora você sabe quem é fiel a você. Sabe que em caso de motim esses poucos homens que ficaram lutariam ao seu lado.
— Você está certo. – A principio a capitã pensou que era Dragnvikt que viera falar com a própria, mas era o utheriano que ela desconhecia até então. – Qual o seu nome, utheriano?
— Lursty. Lursty Cyffs, comandante da guarda do Taurientron. – Lursty não reparou, mas a capitã estava corada com sua beleza.
— É um belo nome, para um belo utheriano. – Jency lançou um olhar malicioso para Lursty, e na tentativa de mudar o assunto disse: — Raramente se vê utheriano hoje dia, eles são mais vistos quando estão viajando até o Estado Taurientron. Não sei por que, vocês não costumam sair de seu território.
Os poucos tripulantes que restaram fizeram uma rápida vistoria no navio antes de zarpar, arrumaram os poucos defeitos e aguardaram as ordens de Jency para içar as velas. O mar que antes estava quieto, agora se agita, o sol quente que castigava os moradores da proximidade agora é escondido por nuvens de temporais, e um vento forte vindo do leste agita as velas.
Agora o navio estava velejando em direção a Armillos, Reino de Ulvis. Enquanto Jency guiava o navio, Dragnvikt se aproximou e ficou apenas observando mar e o horizonte a sua direita. Alguns peixes cercavam o navio, não com a intenção de ataca-lo, mas sim protegê-lo e dar mais velocidade, até mesmo os piratas que navegavam há décadas nunca tinham vistos tais peixes, peixes longos e belos.
Jency então decide quebrar o silêncio perturbador e pergunta a Dragnvikt:
— Sester, ele tem algum ponto fraco?
— Não. A menos que entremos em seu corpo.
— O que está querendo dizer? Que vamos ter que entrar dentro dele para mata-lo?
— Exatamente, mas, você não devia se preocupar. Lursty e Celesthia vão vir junto com a gente. – Disse Dragnvikt direcionando seu olhar para os dois utherianos, que estavam próximo ao mastro principal. – Você só terá que perfurar seu coração. Se você tivesse recebido o treinamento de Feleps, poderia ter uma pequena chance de mata-lo do lado de fora.
— Talvez eu possa treinar um pouco, são longos dias de viagem, e talvez Sester esteja nos esperando em um ponto estratégico.
— Sim, talvez você tenha tempo. – Dragnvikt voltou seu olhar para o horizonte, e assim como todos presentes na embarcação pode admirar o salto dos pequenos e jovens dragões aquáticos, que são inofensivos para qualquer ser vivo, se alimentam de plantas marinhas.
— Poderia me contar mais sobre Sester? E, também como foi que você o selou.
— Está bem. – Dragnvikt respirou fundo, se virou, olhando diretamente para Jency e começou a contar a história de Sester: — De inicio, ele não era maior que um dragonnes, o dragão aquático. Eu fiquei curioso em relação a ele, pois não era uma criação minha, nasceu da própria Gloown, e por isso eu o transformei em uma criação minha e lhe dei um nome. Depois disso ele ficou mais forte, a cada ser que ele devorava, ele crescia, e por isso ele se tornou uma das maiores criaturas marinhas. Os Skrinkes haviam sido destruídos da terra, mas os poucos que sobraram fugiram para as águas, e foi ai que eu transformei Sester em um dos dez. Ele é um dos poucos seres racionais desse mundo.
— Então, Sester decidiu te ajudar por vontade própria? – Perguntou a capitã, interrompendo Dragnvikt.
— Sim. Os Skrinkes eram uma praga, um erro meu, eles tinham que ser exterminados. Por isso eu entreguei a Sester o poder Elemental da água, mas eu também fiz isso porque eu confiava nele.
— E o que aconteceu depois?
— Bom, ele definitivamente destruiu todos os Skrinkes que fugiram para seu domínio. Mas, ao contrario dos outros Nove não se rebelou por poder ou medo a mim. Ele se rebelou porque os homens se alimentavam de seres de seu domínio, navegavam em seu domínio. Eu achei isso muita arrogância por parte dele, ele queria proteger ser domínio, mas protegia de uma maneira errada. Ai, ele começou a afundar qualquer embarcação que ousasse navegar em seus oceanos. E, foi por esse motivo que eu tive que sela-lo... ele era bom, mas o tempo o mudou.
— Isso obviamente não é contado nas canções e lendas sobre ele. Poderia, descreve-lo?
— Sim, como eu disse, no começo ele era como um serpente marinha, mas quando eu o transformei em uma criação minha, ele se tornou uma espécie rara de dragonnes, ele possuía escamas impenetráveis e chifres que se estendiam de sua cabeça até a ponta de sua calda. E, quanto a seus dentes, eles eram como espada.
— Ele é... terrível... – Por um momento Jency ficou sem palavras, mas sua curiosidade sobre Sester foi maior, e continuou a fazer perguntas para Dragnvikt. – Algumas lendas dizem que antes de sela-lo, você batalhou contra ele, isso é verdade?
— Bom, foi uma batalha longa, e Sester havia se superado naquela batalha. Ele fez crescer em si mesmo seis braços, tentáculos e até mesmo enormes asas que poderiam ser comparadas a ilhas. – Dragnvikt sorriu ao se lembrar da batalha que tivera com sua criação, e ficou parada por um momento, mas logo continuou a contar a história sobre a batalha. – Naqueles dias o mar testemunhou uma batalha inesquecível, até mesmo quem estava no litoral podia saber que estava acontecendo uma batalha em alto mar. Ao longe se via uma tempestade, a pior que eu já testemunhei, ondas enormes se erguiam e relâmpagos clareavam o céus que estava completamente escuro. Venci a batalha após três dias, se não fosse por Feleps eu teria lutado mais tempo contra Sester. Mas, a verdade é que eu nunca quis lutar contra ele... quando ele era jovem e se concentrava em derrotar os Skrinkes, ele não afundava as embarcações, eles as salvavas. Por isso ele recebeu o título de deus dos mares.
— Parece que você o admirava, a maneira como fala dele é diferente.
— Sim, eu o admirava. Ele era um ser bondoso. – Essas foram as últimas palavras de Dragnvikt daquele dia, pois após isso ele não saiu de sua cabine.
A companhia de Dragnvikt e os poucos tripulantes do navio perceberam que algo nele estava mudando, mas não sabiam o que era.
***
Já faz três dias que estão em alto mar, à companhia tem enfrentado tempestades durante as noites, e um calor quase insuportável durante o dia. O navio, Rainha dos Mares enfrentava qualquer tipo de clima, o navio parecia ser indestrutível, mas talvez nem mesmo ele resista ao poderoso Sester.
Para aliviar a tensão e o tédio da companhia de Dragnvikt, que não estava acostumada há ficar três dias em alto mar, os piratas resolveram cantar uma canção para levantar o animo.
Para além do horizonte,
Em águas misteriosas
Escuras e nebulosas...
Em busca de ouro
E de riqueza...
Para dar de presente...
Á minha duquesa...
..
Em águas belas...
Ergam-se as velas!
Peguem o vinho...
Não derrubem no chão...
Ou levaram bronca do capitão!
..
Em águas escuras...
Não tão belas...
Mas, puras!
Sinta a brisa do mar...
E deixe o vento te levar!
Nesses três longos dias, Dragnvikt e Feleps contaram tudo o que sabiam a respeito de Sester para Jency. Nos dias seguintes Dragnvikt e Feleps começaram a ensinar Jency e os outros portadores da marca como usar o poder da marca que estava gravada em seus corpos. Como estavam em alto mar, foi uma pouco mais difícil ensina-los, mas eles ainda teriam muito tempo pela frente.
***
Cinco dias já se passaram, o treinamento dos escolhidos tem evoluído, e estão cada vez mais próximo de Armillos. Porém, no cair do dia, a tempestade noturna chegou com mais força, estava além do normal. E, algo como um sussurro ecoou pelos ouvidos da tripulação, Dragnvikt sabia exatamente o que era.
No dia seguinte, o sussurro está mais forte e alto, e de repente ele se tornou um grito aterrorizante e infernal, agora os piratas que desconfiavam que eram sereias mudaram completamente de ideia. Todos estavam assustados, mas só se dão conta do que está acontecendo quando Dragnvikt os alertou ao gritar:
— Sester!
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