A Lenda dos Imortais: A libertação dos Selos
4 A Companhia de Dragnvikt
Notas iniciais
— Feleps. – Disse Dragnvikt ao caminhar em direção ao velho mago. – Você sempre me surpreende. Quem são eles?
— Ora, Dragnvikt, esses são alguns portadores das marcas do selo... e algumas outras pessoas que eu recrutei ou fizeram questão de vir... – Feleps parou de falar por um tempo para recuperar o fôlego da longa caminhada até a taverna, e logo continuou. – E, você? Parece estar nada bem.
— Não se preocupe comigo Feleps. Poderia apresenta-los?
— Quem? Ah, sim, claro... eles...- O murghor parecia confuso, já lutou em muitas batalhas em sua longa vida, o que faz o mesmo parecer um louco as vezes. – Vou começar pelos que... sabe, são nada importantes.
— Eu sou Nim. Nim Thuffles. – Se apresentou Nim. — Eu sou o cozinheiro.
Nim já fora um grande guerreiro, mas por conta de seu excesso de peso foi expulso do exercito. Agora ele não passa de um homem gordo e baixinho, que carrega um barril de vinho nas costas e de vez em quando trabalha em tavernas como cozinheiro.
Assim que Feleps lançou um olhar para um casal de irmãos, os mesmos deram um passo à frente e se apresentaram.
— Eu sou Jollin.
— E eu sou Mellin. Nós somos os irmãos Rhunder.
Mellin e Jollin são irmãos gêmeos, ambos têm cabelos e olhos negros. São caçadores de monstros assim como os três caçadores.
— Mellin, mostre-me a marca do selo. – Ordenou Dragnvikt.
— Está bem. – Mellin, então retirou sua luva de couro e mostrou o que parecia uma tatuagem marcada na sua mão, mas que na verdade era uma marca do selo. – Então?
— Deixe me ver... – Dragnvikt se aproximou de Mellin, e analisou a marca em sua mão. – Drevon. – Disse ele em um tom alto e claro.
— Drevon? Ah, está bem. – Mellin evitou fazer mais perguntas, pois não podiam perder tanto tempo.
— Allansty, vamos... se apresente. – Ordenou Feleps, gaguejando um pouco.
—Sou Allansty, um mercenário. – Disse o mesmo encarando Dragnvikt sem temor algum. Dragnvikt não precisou pedir para o mesmo mostrar a marca do selo, o mesmo arregaçou a manga, e mostrou uma espécie de tatuagem envolta de seu pulso.
Allansty era um mercenário, e apesar de estar encapuzado era possível ver seus olhos azuis e longos cabelos negros. Ele é alto, magro e forte, o típico físico vashe. Ele porta uma espada e um arco longo.
— Craptony... O segundo mais poderoso dos Dez. – Algo em Dragnvikt mudou, parecia que o mesmo sentia medo. – Quem... Quem é o próximo?
— Eu sou Clatos! – Rugiu Clatos. Um bárbaro truk. Alto e forte, com uma armadura grossa de aço, um casaco de pele cobria seus ombros largos. Seu capacete possui dois chifres, um está quebrado e o outro inteiro, são chifres de um Triclop. – Aqui está a minha marca! – O mesmo tirou seu capacete e mostrou a marca, que cobria seu rosto no lado direito inteiro.
— Dramonk, um adversário poderoso. – Disse Dragnvikt ao ver a marca do selo no rosto de Clatos. – E você azoniano. Pelo pouco que eu me lembro, nenhum azoniano carrega a marca do selo.
— Está certo. – Confirmou o azoniano em um tom arrogante. – Meu nome é Bastosk... Se é que importa. Sou apenas um mercenário.
Bastosk é um azoniano do norte. Apesar de ser um anão, é forte e alto comparado a outros. O mesmo traja uma armadura de batalha azoniana de bronze, sua arma é um enorme machado de aço nobre.
Dragnvikt ignorou Bastosk e deu passos apressados em direção a Feleps, que estava sentado em um banco, descansando. Assim que o mago viu que Dragnvikt o encarava, perguntou:
— O que foi? — Ele ergueu as sobrancelhas como se não tivesse entendido. – Eu sei que falta dois portadores das marcas dos selos...
— Três... Pois, bem. – Dragnvikt se virou e disse em um tom frio. – Vocês tem duas horas para descansar, ao amanhecer partiremos para Malen.
— Dragnvikt... Tem uma coisa. – Disse o velho mago se levantando. – Um selo foi libertado...
— Qual? – Questionou o Taurientron.
— Sester.
— E onde está a portadora da marca do selo de Sester?
— Em um porto de Malen.
— Parece que não vamos poder descansar... – Dragnvikt suspirou, aparentemente irritado e exausto. – Preparem os suprimentos e os cavalos, eu e Feleps vamos ver o melhor caminho até a capital de Malen, Marton. E, quanto a vocês três caçadores, vocês vem?
— Não temos outra escolha, temos? – Esbravejou Strugger.
Lursty voltou do estábulo e avisou que os cavalos estavam pronto para seguir viagem. Dragnvikt e Feleps planejaram o curso mais seguro até a capital do reino Murghor em uma mesa no centro da taverna.
Os três caçadores se juntaram a Jollin, Bastosk e Clatos que estavam preparando suprimentos para a viagem. Jollin parou por um instante e perguntou ao seus companheiros:
— Será que voltaremos?
— Talvez sim, talvez não... Só vamos encontrar algumas bestas e destruí-las. Simples. — A arrogância de Bastosk perturbou um pouco a Jollin. – Não vamos conseguir destruir a primeira que encontrarmos!
— Bom, se derrotarmos a primeira que encontrarmos, talvez possamos ter uma chance. – Se pronunciou Jarik. – Me chamo Jarik Nopp.
— Sou Jollin, um caçador de monstros, assim como você, Strugger e Bour. – Falou Jollin cumprimentando os três caçadores com uma reverência. – Esses são Bastosk e Clatos.
— Já ouvi muitas histórias sobre os três caçadores. – Disse Clatos encarando os três, desconfiado. – Espero que seus feitos tenham grande influência na nossa aventura!
— Aventura? Está mais pra missão suicida. – Apesar de não ter absolutamente nenhuma graça o que Strugger falou, Clatos gargalhou.
— Pelo menos vamos morrer por um bom motivo. – Bour se sentou em um banco próximo ao grupo e continuou a falar. – Não?
— E qual seria esse bom motivo? – Todos voltaram sua atenção para Jarik nesse momento. – Existem pessoas más nesse mundo, corruptas e gananciosas... Todos nós erramos, e essa é a nossa chance, é o que eu acho.
— Chance de pagar por nossos pecados e salvar aqueles que merecem viver? – Perguntou Jollin.
— Exatamente. Podemos tentar, e ter uma chance, ou fazer nada e aguardar nossa morte. Então, o que vamos fazer? – As palavras de Jarik davam esperanças, o mesmo sabia como falar.
— Á morte! – Disse Strugger encorajado pelas palavras de Jarik, fazendo todos sorrirem.
— Á morte! – Todos gritaram juntos.
Assim que os seis terminaram de arrumar seus suprimentos, decidiram beber um pouco antes de partir. Apesar de gargalharem, e estarem felizes era possível ver medo em seus olhos.
Celesthia, Lursty, Allansty e Mellin estavam reunidos do outro lado do salão, fazendo uma revisão no equipamento. Ao contrario dos outros, não davam gargalhadas ou bebiam antes de sair na maior jornada de suas vidas;
— Eles zombam da morte, mas a morte é quem zombara deles em breve. – Disse Allansty em um tom frio.
— Por que diz isso? – Perguntou Mellin, um pouco assustada com as palavras de Allansty.
— De onde eu venho, não há prazer na morte, glória ou honra. Há apenas nada.
— Dragnvikt uma vez me falou que quando morremos, vamos para a fortaleza branca, que fica além do infinito. – Contou Celesthia. – O mesmo vale para os trovens e tauriens.
— Troven e Tauriens? — Perguntou Allansty, em dúvida. – E o que seria isso?
— Bom, na língua geral, Troven equivale a deus, e Taurien a titã. – Respondeu a mesma enquanto admirava sua lâmina. — O que será que há na fortaleza branca? Ou além do infinito?
Todos ficaram em silêncio por um breve momento sem saber como responder Celesthia, até que uma voz tranquila e suave disse:
— É mais fácil dizer o que não há. E o que não há, é o mau. – Era Dragnvikt, e aparentemente estava muito melhor. Talvez um pouco de seu poder tenha voltado. – Mas, você tem que ser merecedor, caso contrario você passará a eternidade apreciando o vazio, o nada. Não se preocupe, isso é o que todos dizem, todos acreditamos em algo. Espero que estejam prontos, vamos partir agora.
Todos estavam preparados para sair em uma jornada, a qual talvez não voltem. Suas lâminas estavam afiadas como nunca antes, suas armaduras reforçadas e reluzentes. Tinham um estoque de alimentos que poderia durar cerca de um mês. A companhia de Dragnvikt finalmente estava pronta, e era liderada pelo mesmo, com a ajuda de Feleps Chorean, um Murghor, dois Utherions, Lursty Cyffs e Celesthia Physs. Um azoniano do norte, Bastosk Azurg, cinco caçadores de monstros, Jollin e Mellin Rhunder, Jarik Nopp, Strugger Adonarian e Bour Thunker.
Todos deixaram a taverna as pressas, mal tinha amanhecido e já estavam deixando a União dos Quatro Reinos. Alimentaram os cavalos e cavalgaram a toda velocidade em direção a capital de Malen.
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