A Lenda dos Guerreiros de Centurian
7 Capítulo 7 - Serena e o Poder da Água
Íris desceu num pedaço de terra no meio do mar, uma ilha paradisíaca formada por atóis. Na verdade, a ilha era o viveiro das sereias, que desovavam suas crias abandonando-as a própria sorte, um pouco antes de a primavera chegar.
Só as criaturas mais fortes sobreviviam para retornar a Oppal, já em idade de procriar, o que relativamente demorava alguns anos, pois as sereianas tinham um ciclo de vida diferente, talvez mais longo. Eólia mal teve tempo para descer da costa e afastar-se de sua companheira.
- Quem é você? — uma voz infantil se fez ouvir atrás das pedras – Não é bem-vinda aqui, vá embora!
Eólia distinguiu sombras dentro d’água e surpreendeu-se ao ver uma garota de extrema beleza emergir, seus olhos eram cristalinos de um verde-mar, os cabelos ruivos e característicos de um elfo. A princípio a garota parecia indefesa, mas percebeu seu erro ao notar a lança em forma de tridente em suas mãos.
- Sou Eólia Dragonnis. – tentou parecer amistosa – Qual o seu nome?
- Saia agora! – ela disse com uma voz estranha e estridente – Afaste-se de nós.
A garota em trajes sumários avançou para ela com a lança em riste e Eólia a deteve com sua espada, ela era forte e resistente, porém para sua sorte não fazia o uso de sua arma corretamente.
- Não sou inimiga! – tentou argumentar em vão – Pare! Você vai se machucar... – apertou os dois furos segurando a espada momentaneamente com as duas mãos – Você é boa, mas não bastante.
Eólia rodou sua espada retirando a lança presa das mãos de sua oponente, que ao dar um pequeno giro caiu em sua mão vazia, enquanto a ponta de sua lâmina tocava levemente a garganta da pequena Diva.
- Não!– ouviu vozes vindas do pequeno lago natural atrás das pedras, na direção em que a garota surgiu. – Por favor, deixe Serena em paz!
Indicando para que a garota caminhasse para o local de onde vinha as vozes, deparou-se com seis criaturas de olhares assustados.
- Oh, mas são Sereias! – disse assombrada pela diferença entre as criaturas horripilantes e a garota fascinante – mas, você também é uma delas – algo a intrigava e descobriu o por quê – como você tem pernas?
Serena não precisou responder, pois em seu pescoço carregava um colar de contas em que reluzia a gema de cor azul, ela encarou-a bem dentro de seus olhos e a palavras não foram necessárias, havia um elo muito forte, que ambas não conseguiriam quebrar e as pedras brilharam como se reconhecessem.
- Preciso de sua ajuda, Serena – quebrou o silêncio – você foi escolhida para ser uma guerreira.
- Eu preciso me despedir – lágrimas escorriam de sua face – não sei quando poderei voltar – voltou-se para as criaturas – sabe o que fazer Melity.
Serena se despediu acariciando as pequenas criaturas e num respingar de águas elas desapareceram de volta para o fundo do mar. Assim que a garota enxugou os olhos voltando sua atenção para ela, Eólia devolveu-lhe a arma.
- O que devo fazer? – Serena não tinha idéia – Eu só pedi pernas de gente.
- Agora você deve pedir mais – a pedra no colo de Serena ainda brilhava – Pense nas coisas que necessita para ser uma guerreira.
Ela apertou a gema em sua palma, a pedra prontamente a atendeu, uma luz intensa brilhou a sua volta transformando suas vestes maltrapilhas numa armadura de guerreira enquanto a lança em forma de tridente era fortificada, terminada a transformação a gema havia se alojado no centro de sua armadura.
- Você pode carregar duas Íris? – falou para a companheira que a aguardava pacientemente, porém surpreendeu-se ao ouvir Serena invocar.
- Dragão da água! – o mar se abriu dividindo a água por um instante e um dragão totalmente esverdeado emergiu das profundezas do mar.
- Atendo pelo nome de Seres! – o dragão era um macho impaciente e de senso prático – É chegada à hora de partir.
- Unf! – Íris pareceu não gostar da liderança do novo dragão – Todos nós sabemos, Seres.
- Há quanto tempo, minha cara Íris – disse com ar de importância e dirigiu-se para Serena – Venha, criança!
Eólia mostrou como se montava num dragão e Serena fez o mesmo, pois a garota era observadora e aprendia rápido, logo aprenderia a se defender e a atacar tornando-se uma guerreira completa. Íris abria levantou vôo enquanto Seres ainda dizia:
- Para oeste, Íris! A noite chegará em breve e teremos que parar em Miramar – disse ainda altivo – Mal posso esperar para encontrar Seki!
- Então, esse é o motivo da pressa! – Íris murmurou em pensamento – Ele arrasta uma asa por uma velha amiga.
- Os dragões também amam! – Eólia achou interessante – Encontraremos outro guerreiro em Miramar?
- Creio que não! Infelizmente precisamos parar lá – pareceu apreensiva – Deve tomar cuidado para não chamar atenção, não poderemos entrar no povoado e vocês duas estarão sozinhas!
Entardecia e os dois dragões rumaram para oeste, rumo a Miramar, um povoado habitado por pilantras e piratas ladinos de todos as raças.
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